Santander promete resolver caso dos seguros de vida no crédito à habitação

santander tottaO Banco Santander e Totta está a contactar os clientes abrangidos pelo fim dos seguros de vida da Açoreana, nos créditos à habitação, para apresentar uma solução que não prejudique ninguém.

Fonte daquele banco garantiu ao “Diário dos Açores” que as propostas apresentadas de novas apólices “são competitivas e não pretendem prejudicar ninguém”.

O Santander atribui as culpas desta situação à Açoreana de Seguros, que cancelou todas as apólices no prazo legal mas no fim do ano, numa altura em que há mais dificuldade em contactar com todos os clientes devido às festividades da época.

“Não pretendemos que ninguém fique desprotegido com seguro, pelo que temos soluções alternativas; Basta que as pessoas abrangidas contactem os nossos balcões para resolvermos esta situação”, disse-nos a mesma fonte.

O Santander está a encaminhar estes clientes para a sua seguradora, a AGEON, sendo possível “conseguirmos boas alternativas sem exames me´dicos até aos 70 anos de idade, conforme o capital em dívida”.

Conforme o nosso jornal tem noticiado, centenas de clientes foram atingidos e surpreendidos com esta situação e muitos outros ignoram o facto porque nem foram contactados, havendo mesmo grupos de clientes que se queixaram ao regulador de seguros.

 

PS questiona regulador e aponta o dedo à Açoreana

 

O problema já envolveu os partidos políticos, tendo os deputados socialistas eleitos pelos Açores questionado a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões sobre a denúncia pela seguradora Açoreana das apólices de seguros.

Na pergunta, Carlos César, Lara Martinho e João Castro, recordam que, quando da fusão entre as seguradoras Tranquilidade, Logo e Açoreana, em Dezembro de 2016, foi garantido em comunicado publicado no site da companhia que “as marcas manteriam “a sua identidade própria” e o processo “não tem qualquer impacto nos clientes””.

“A realidade parece estar a ser diferente do que se disse à época”, consideram os deputados do PS, lembrando que “alguns ex-clientes do Banif estão a ser notificados da denúncia da apólice de seguro de vida associado ao seu Crédito à Habitação, situação que se pode tornar muito penalizadora e onerosa para os clientes”.

“Segundo a informação que chegou ao Grupo Parlamentar do Partido Socialista, por clientes visados por esta missiva, estão a ser denunciadas apólices, situação esta que pode penalizar os clientes uma vez que ao fazer o seguro noutra companhia, não refletindo nos prémios as bonificações por antiguidade e considerando o agravamento pelos motivos de saúde, os prémios de seguro serão agora muito mais caros”, alertamos parlamentares, dando ainda conta de que aos deputados do PS “chegou também a informação de que existem clientes aos quais as respectivas apólices estão a ser renovadas”.

Os socialistas eleitos pelo Açores pretendem saber se a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões teve conhecimento da decisão de denúncia destas apólices, bem como se “conhece os motivos e a legalidade que sustenta a dualidade de critérios que existiu na tomada de decisão de denunciar as apólices a apenas alguns clientes”.

Os deputados querem também saber “que alternativas poderão ser dadas aos clientes que virem os seus prémios de seguro muito agravados e principalmente aos que já não conseguirem subscrever um seguro noutra companhia de seguros”.

Os socialistas açorianos solicitaram também uma reunião à Deco para analisar a legalidade deste processo de denúncia de contratos.

 

Açoreana justifica decisão polémica com as “condições de mercado” 

 

Durante a tarde de ontem o nosso jornal recebeu a seguinte nota da Açoreana de Seguros:

“No seguimento de questões levantadas relativamente à denúncia de contratos de apólices de Vida Grupo Taxa Fixa (ex-BANIF), esclarecemos o seguinte:

 -     As apólices em questão correspondem a um contrato de seguro de Vida Grupo ligado ao crédito à habitação, em que são parte a Seguradoras Unidas, em virtude da aquisição da Açoreana Seguros, e o Banco Santander Totta, que sucedeu ao BANIF, na qualidade de Tomador do Seguro; 

-  O contrato de seguro de Vida Grupo em causa, desde o seu início, tem a natureza de seguro temporário, com duração anual, podendo renovar-se no final de cada uma das anuidades; 

-  A resolução do BANIF, com a atividade bancária e seguradora a serem adquiridas por grupos distintos, e a evolução das condições de mercado, impossibilitaram a renovação deste contrato; 

- Não tendo sido possível ajustar às condições do mercado, comunicámos ao tomador a intenção de não renovação, respeitando os prazos legalmente previstos.

- Embora não tendo de o fazer (essa obrigação cabe ao Tomador), a Seguradoras Unidas tomou a iniciativa de comunicar esta situação a todos os aderentes do seguro, disponibilizando-se a encontrar, para todos os segurados, a melhor solução para as suas necessidades.

- Em grande parte das situações foi possível desenvolver soluções que melhoraram as condições anteriormente existentes. 

- Reiteramos que a Seguradoras Unidas tem uma oferta muito competitiva em seguros de Vida Risco ligados a créditos à habitação e que é de todo o nosso interesse apresentarmos as nossas condições a todos os clientes, pelo que convidamos todos os interessados em entrarem em contacto com os nossos canais comerciais. Estamos confiantes que continuaremos a contar com a sua confiança”.