Restaurante José do Rego expande e vai abrir mais um espaço este ano
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- Publicado em 21-01-2018
- Escrito por Olivéria Santos
Já conta com 45 anos de actividade e começou por ser uma taberna que vendia vinho de cheiro ao copo e alguns petiscos. Estamos a falar do Restaurante José do Rego, localizado na Atalhada, concelho de Lagoa. Hoje propriedade de João Pereira, o restaurante tem conseguido responder às solicitações do mercado, apresentando produtos frescos e essencialmente açorianos. O que começou com apenas umas cadeiras, é hoje um espaço amplo com capacidade para mais de 200 pessoas.
Diário dos Açores – O José do Rego tem quantos anos de actividade?
João Pereira – O José do Rego iniciou a sua actividade a 11 de Julho de 1973. Naquela altura existiam muitas vinhas e produzia-se muito vinho de cheiro. Como o primeiro proprietário deste estabelecimento também tinha vinhas e algumas adegas, ele optou por fazer de uma parte das suas adegas uma espécie de taberna, onde vendia principalmente o vinho que produzia e alguns petiscos, como capelo de polvo e chicharros.
Assim começou o José do Rego… As pessoas foram gostando daquele espaço e cada vez ia sendo mais frequentado. Foram-se acrescentado cadeiras, mesas e depois criou-se uma pequena sala de refeições, em particular para as pessoas que trabalhavam nos arredores, como era o caso dos bancários ou dos professores que tinham por hábito almoçar fora. Estas pessoas começaram a ser clientes com assiduidade do José do Rego e assim a empresa foi vingando até aos dias de hoje.
E como se dá a sua entrada na empresa?
JP – Uma vez que o primeiro proprietário já tinha uma idade avançada, o negócio passou para o filho e nesta altura eu fui contratado para trabalhar com ele. Durante oito anos aprendi muito e posso dizer que quase tudo o que sei, devo ao filho do Sr. José e à sua mãe. Ensinaram-me todos os segredos de um bom serviço.
Passaram 45 anos e o que era uma taberna, hoje é um espaço remodelado e bem maior. Como foi essa evolução?
JP – Desde o início, o José do Rego teve muita aceitação pelo público e foi ganhando boa fama ao longo dos anos e, por isso, houve necessidade de irmos respondendo às solicitações. Criamos então uma nova sala de refeições. Na altura, como havia pouco dinheiro, utilizamos costaneiras. Mais tarde, como já precisávamos de realizar eventos maiores, voltamos a aumentar a sala.
Entretanto, como o filho do dono cansou-se deste trabalho, decidiu trespassar-me o negócio. Fiquei então com o restaurante até aos dias de hoje e já lá vão 19 anos.
E como proprietário como foi a sua gestão?
JP – Ao longo destes anos tentei sempre ir melhorando os serviços. Com as novas exigências, ao nível do HACCP, foi necessário realizar novas obras e novos investimentos, apostando sempre na qualidade dos nossos produtos e serviços.
No José Rego fazemos questão de ter os melhores produtos, sempre frescos e com boa qualidade.
Onde está a vossa maior aposta?
JP – Nós somos conhecidos pelos nossos chicharros e pelo polvo assado. Também introduzimos um prato alentejano, servido em travessas grandes, que é muito bem aceite em especial pelos jovens universitários que vêm aqui fazer as suas festas. Neste aspecto, devo referir que já passaram pelo José do Rego muitas gerações de universitários que escolhiam sempre o nosso restaurante. O facto de, na altura, estarmos localizados entre duas discotecas (o Cheers e o Populo’s Inn) também agradava à malta jovem e captava mais clientes.
No que toca à ementa, fomos sempre introduzindo novos pratos, aumentando assim a nossa oferta.
Por força da nossa boa fama e da nossa boa comida, já fomos convidados a representar os Açores em algumas feiras fora dos Açores. Ainda hoje estamos presentes em alguns destes eventos, como a Feira de Santarém, Bolsa de Turismo de Lisboa, FIL ou Vila do Conde. Tentamos levar e mostrar nestas feiras aquilo que somos e temos de bom não só no nosso restaurante, mas também nos Açores.
Quando, por falta de mais recursos, decidiram na altura utilizar costaneiras para aumentar a vossa sala de refeições, esta opção acabou por ser uma imagem de marca do José do Rego, que também era conhecido por este facto. Ainda hoje os clientes falam daquela época?
JP – Sim. Ainda há muitos clientes que comentam que preferiam o restaurante quando tinha costaneiras, porque era mais rústico ou mais familiar… Mas tivemos que as tirar, não por querer, mas porque as regras do HACCP assim o impuseram. Ainda tentamos manter alguns traços em madeira, mas não nos foi permitido.
O José do Rego começou por ser uma taberna que vendia copos de vinho de cheiro e alguns petiscos, num espaço reduzido. Hoje já conseguem chegar a um grande número de pessoas. O restaurante cresceu bastante nestes 45 anos… Que tipo de serviço prestam actualmente a quem vos procura?
JP – Hoje fazemos todo o tipo de serviço. Para além dos eventos em que participamos fora dos Açores, também já fazemos casamentos, com salões próprios para este efeito, baptizados, comunhões... todo o tipo de festa! Tudo o que sejam eventos, estamos a apostar.
Também estamos a introduzir festas temáticas, como é o caso do dia do marisco ou o dia dos Açores, com comida regional. Estamos a tentar abranger um pouco de tudo, aproveitando também esta nova onda de turistas para darmos a conhecer tudo o que temos de bom, e não é pouco. Temos muita coisa boa!
Com toda a vossa evolução, a crise passou-vos ao lado?
JP – Como quase todas as empresas, também o José do Rego, antes de 2015, teve os seus momentos menos bons. Registamos menos clientes e tivemos um pouco “apertados”, mas graças à nossa boa equipa, conseguimos dar a volta e mantermo-nos sempre em actividade. Agora o negócio está melhor, estamos a recuperar clientes e a ganhar novos, fruto também da abertura do espaço aéreo dos Açores às companhias de baixo custo. No Verão, há dias em que não conseguimos mesmo dar resposta a todas as pessoas que chegam ao nosso restaurante.
Têm capacidade para quantas pessoas?
JP – Numa sala conseguimos sentar 160 pessoas, e noutra sala 120 pessoas.
Qual é o segredo para o vosso sucesso?
JP – O sucesso começou logo no início com o primeiro proprietário, e creio que se deveu ao facto de ele dar um sabor familiar à oferta que tinha na altura. Penso que o nosso sucesso tem a ver com o facto de fazermos tudo sempre com muito carinho e amor. Tentamos elaborar comidas caseiras e saborosas, deixando os nossos clientes à vontade. Somos um restaurante que tenta com que os nossos clientes se sintam em casa. A nossa equipa também faz por isso. Tentamos ser agradáveis com quem nos procura, gracejando e proporcionando um ambiente agradável a quem escolheu o nosso espaço seja para fazer uma refeição, ou seja numa festa qualquer. Nos aniversários, por exemplo, os nossos colaboradores também se envolvem, cantam os parabéns aos clientes, oferecemos uns brindes e uns licores. Entendemos que um restaurante não é só apresentar gastronomia, também oferecemos divertimento e alegria.
Também tentamos apresentar um programa diferente por ocasião dos dias dos amigos, das amigas ou dos namorados. São dias em que o restaurante fica praticamente lotado. Este ano vamos ter música ao vivo e alguns brindes surpresa e muita diversão e tudo isto para que os nossos clientes se sintam bem na nossa companhia.
A vossa equipa é composta por quantos colaboradores?
JP – Actualmente temos 14 funcionários. Estamos abertos todos os dias, das 10h00 às 01h00, com excepção para o dia 25 de Dezembro, que é o único dia do ano que estamos fechados. De resto, temos sempre as nossas portas abertas a todos os que nos queiram visitar e conhecer as nossas iguarias e especialidades. Posso garantir que quem vier, não se vai arrepender.
Quem é o vosso cliente?
JP – Temos o cliente da classe média/baixa, média/alta e alta. Temos uma ementa para vários gostos, com uma grande diversidade de pratos. Temos mariscos, bom peixe fresco e boa carne. Ainda recentemente organizamos um buffet de marisco e foi um sucesso, com bastante adesão da população.
Também já foi funcionário, mas agora é patrão. As responsabilidades são bastante diferentes…
JP – Sim, tenho uma grande responsabilidade e cada vez mais as exigências são maiores não só no pagamento dos encargos mensais, como seguros, segurança social e finanças, mas também ao nível da manutenção. É importante estarmos sempre muito atentos a tudo. Sempre fomos uma casa cumpridora, mas agora há muitos mais pormenores a ter em conta. Antigamente nem se ouvia falar de ar condicionado, as pessoas adaptavam-se ao espaço, mas hoje em dia passou a ser um requisito necessário…
Trabalhar hoje em restauração é muito diferente?
JP – Eu diria que tem mais modernices e outras exigências.
Passar de funcionário para patrão, foi difícil?
JP – Foi um pouco difícil. Apesar de, na altura, já ter alguma experiência, de já conhecer muito bem os clientes e de já saber fazer as compras, quando se trata de gerir outras pessoas é muito diferente. Saber que temos famílias que dependem de nós, acarreta uma grande responsabilidade, e não é muito fácil… Mas, graças a Deus, o negócio tem corrido bem e é para continuar a correr bem!
E quanto a novos projectos, existem?
JP – Temos em mente para este ano abrir mais um espaço. Ainda está numa fase de estudo, mas, em princípio, no final deste ano teremos novidades.
Será no mesmo concelho, sempre nos identificamos com a Lagoa, é um concelho que nos conhece bem e por isso vamos ficar por aqui.
Sente-se um empresário realizado?
JP – Sim! Todas as metas de pretendia atingir já foram alcançadas. Agora tenho outras metas que pretendo alcançar, sendo uma delas o novo projecto que está entre mãos.
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