Taxa de desemprego nos Açores em 2017 ficou acima da média nacional

desemprego 2017No ano de 2017, as taxas de desemprego mais elevadas, e superiores à média nacional, foram observadas em quatro regiões: Região Autónoma da Madeira (10,4%), Norte (9,8%), Área Metropolitana de Lisboa (9,5%) e Região Autónoma dos Açores (9,0%), revelou ontem o INE.

Abaixo da média nacional, situavam-se as taxas de desemprego do Alentejo (8,4%), do Algarve (7,7%) e do Centro (6,9%).

Em relação a 2016, e à semelhança do observado globalmente para Portugal, a taxa de desemprego diminuiu em todas as regiões.

As duas maiores diminuições ocorreram no Alentejo (3,7 p.p.) e na Região Autónoma da Madeira (2,5 p.p.).

 

Também acima no 4º Trimestre 2017

 

Já no que respeita ao 4.º trimestre de 2017, a taxa de desemprego foi superior à média nacional em cinco regiões do país: Norte (9,3%), Região Autónoma da Madeira (8,9%), Alentejo (8,4%), Região Autónoma dos Açores (8,3%) e Área Metropolitana de Lisboa (8,2%).

Abaixo da média nacional, situaram-se as taxas de desemprego do Algarve (7,3%) e do Centro (5,9%).

Em relação ao trimestre anterior, à semelhança do sucedido globalmente para Portugal, a taxa de desemprego diminuiu na Área Metropolitana de Lisboa (1,2 p.p.), no Centro (0,9 p.p.) e na Região Autónoma da Madeira (0,4 p.p.). 

Por outro lado, a taxa de desemprego manteve-se inalterada no Norte, tendo aumentado na Região Autónoma dos Açores (0,1 p.p.), no Alentejo (1,0 p.p.) e no Algarve (2,1 p.p.). 

Em relação ao trimestre homólogo, também à semelhança do sucedido globalmente para Portugal, a taxa de desemprego diminuiu em todas as regiões.

Os dois maiores decréscimos ocorreram na Área Metropolitana de Lisboa (3,2 p.p.) e no Alentejo (2,6 p.p.) .

 

8,1% no 4º Trimestre nacional

 

Em termos nacionais,  taxa de desemprego do 4.º trimestre de 2017 foi 8,1%. 

Este valor é inferior em 0,4 pontos percentuais (p.p.) ao do trimestre anterior e em 2,4 p.p. ao do trimestre homólogo de 2016.

A população desempregada, estimada em 422,0 mil pessoas, registou uma diminuição trimestral de 4,9% (menos 22,0 mil), prosseguindo as diminuições trimestrais observadas desde o 2.º trimestre de 2016. 

Em relação ao trimestre homólogo, verificou-se uma diminuição de 22,3% (menos 121,2 mil), a maior desde o 3.º trimestre de 2013.

A população empregada, estimada em 4 804,9 mil pessoas, teve uma variação trimestral relativa quase nula (associada a um ligeiro acréscimo de 1,9 mil pessoas) e um aumento homólogo de 3,5% (mais 161,3 mil), o maior desde o 4.º trimestre de 2013.

Em termos de média anual, a taxa de desemprego foi 8,9% em 2017, o que representa uma diminuição de 2,2 p.p. em relação a 2016, e a taxa de desemprego de jovens (15 a 24 anos) situou-se em 23,9%, menos 4,1 p.p. em relação ao ano anterior.

A população desempregada, estimada em 462,8 mil pessoas em 2017, diminuiu 19,2% em relação ao ano anterior (menos 110,2 mil), enquanto a proporção de desempregados à procura de emprego há 12 e mais meses (longa duração) foi 57,5%, registando um decréscimo de 4,6 p.p. em relação ao ano anterior. 

Já a população empregada foi estimada em 4 756,6 mil pessoas e aumentou, num ano, 3,3% (mais 151,4 mil). 

Por seu turno, a taxa de atividade da população em idade ativa situou-se em 59,0%, valor superior em 0,5 p.p. ao de 2016.

Nestas estimativas trimestrais foi considerada a população com 15 e mais anos e os valores não são ajustados de sazonalidade.

 

Os números do SREA 

 

Também o SREA divulgou ontem os dados do 4º Trimestre em relação aos Açores, mas sem fazer comparação com a média nacional no conjunto de todo o ano de 2017.

Assim, segundo o SREA, a taxa de desemprego verificada no 4º trimestre de 2017 é de 8,3%, “prosseguindo a diminuição homóloga iniciada há 14 trimestres, sendo o segundo valor mais baixo da actual série do Inquérito ao Emprego que se iniciou no 1º trimestre de 2011 (há 28 trimestres)”.

 A taxa anual em 2017 foi de 9,0%, diminuindo 2,1 p.p. relativamente a 2016.

Neste trimestre, a população desempregada nos Açores, estima-se em 10.150 indivíduos, menos 2.403 desempregados que no trimestre homólogo (-19,1%) e mais 115 que no trimestre anterior (+1,1%). 

O nº de desempregados é também o segundo valor mais baixo em 7 anos.

A taxa de desemprego para os Açores diminui 2,1 p. p. (pontos percentuais) relativamente ao trimestre homólogo e +0,1 p. p. relativamente ao trimestre anterior. 

A taxa de emprego (15-64 anos) é de 63,4% neste trimestre, com aumentos de 2,1 p. p. relativamente ao trimestre homólogo e de -0,5 p. p relativamente ao trimestre anterior. 

 

A leitura de Sérgio Ávila

 

O Vice-Presidente do Governo destacou, em Angra do Heroísmo, o “crescimento muito acentuado” do emprego em 2017, que correspondeu a mais 3.968 açorianos empregados, sublinhando que, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) ontem divulgados, o valor do emprego foi o mais elevado dos últimos 10 anos.

Sérgio Ávila, em declarações aos jornalistas, salientou que estes dados “ainda são mais relevantes” quando, tradicionalmente, no último trimestre do ano há uma “redução acentuada de emprego” devido à sazonalidade.

No entanto, destacou o governante, “o número de empregados é o mais elevado dos últimos 10 anos e o número de desempregados o mais baixo dos últimos sete anos”.

“Isso é ainda mais relevante quando – como alguns erradamente dizem que a redução do desemprego deriva de programas ocupacionais – em 2017, há mais 3.968 açorianos empregados e, ao mesmo tempo, menos 1.066 Açorianos em programas ocupacionais”, salientou Sérgio Ávila.

Para o Vice-Presidente, estes números demonstram “claramente que o crescimento do emprego tem resultado do crescimento da actividade económica”.

A taxa de desemprego nos Açores foi de 8,3% no quarto trimestre de 2017, o que corresponde a uma redução de mais de 19% do número de desempregados comparativamente ao mesmo período do ano anterior.

 

A leitura dos TSD 

 

”A descida da taxa de desemprego, registada no último trimestre de 2017, não deve dar lugar a euforias”, disse ontem Joaquim Machado.

Para o Presidente dos TSD/Açores, o número de açorianos desempregados “continua a ser um problema social grave, pese embora a ligeira melhoria verificada, comparativamente a 2016”.

“Mas”, sublinha o dirigente social democrata, “o valor de 9% situa-se acima da média do país e muito aquém do que se registava antes da crise – 6,9% em 2010 –, então sem o efeito positivo que o turismo trouxe para o mercado de trabalho nos Açores”, regista.

Segundo Joaquim Machado, “há cerca de 17 mil açorianos sem emprego, considerando que mais de 6 mil pessoas estão integradas em programas ocupacionais, portanto, sem emprego ou sequer qualquer contrato a termo certo”, adianta.

“Aliás, o número médio de trabalhadores ocupados vem a crescer exponencialmente de ano para ano (mais de 400% entre 2012 e 2017), sinal evidente de que a nossa economia não tem sido capaz de gerar os postos de trabalho de que a Região necessita”, diz o líder regional dos TSD.

Outra preocupação relacionada com a falta de postos de trabalho prende-se com o desemprego de longa duração, isto é superior a um ano, que nos Açores atinge 39% dos desempregados (3.443 pessoas): “E isso deve ser motivo de grande preocupação, sobretudo para os responsáveis políticos”, diz Joaquim Machado

Para os TSD/Açores, ao fenómeno do desemprego junta-se ainda o problema da precariedade, dos contratos, incluindo a Função Pública regional, onde vem crescendo o número de trabalhadores contratados a termo.

“E a tudo isso soma-se outro problema, de grandes proporções e dimensão social, que é a prevalência de baixos salários, situação que explica a mais alta taxa de beneficiários do Rendimento Social de Inserção do país, bem como o facto de sensivelmente dois terços dos alunos da Região serem beneficiários da Ação Social Escolar”, lembra Joaquim Machado.