Formação contínua nas empresas açorianas é muito baixa

Pessoas na rua - Ponta DelgadaO Observatório do Emprego e Formação Profissional dos Açores acaba de divulgar o relatório relativo à formação contínua das empresas açorianas, no ano de 2014. O documento, a que o nosso jornal teve acesso, é revelador da fraca adesão das empresas na formação dos seus colaboradores, sobretudo na formação contínua. Numa altura em que se fala tanto na necessidade de formação em várias actividades profissionais na Região, é talvez altura de se reflectir sobre o que está a falhar e o que é preciso fazer para se inverter esta situação. Sem bons profissionais e sem formação adequada, as empresas açorianas jamais se tornarão competitivas. Transcrevemos a seguir o resumo do respectivo relatório.

 

Os dados relativos à “Formação Contínua por Ilhas”, agora divulgados pelo Observatório do Emprego, abarcam as empresas que proporcionaram acções de formação contínua aos seus trabalhadores, número de trabalhadores abrangidos pela formação e número de participações em acções de formação contínua, segundo os grupos etários, habilitações, níveis de qualificação e actividades económicas.

Assim, transcrevendo a síntese do relatório, ficamos a saber que no triénio 2012/2013/2014, do total de empresas sedeadas nos Açores, refira-se que em termos percentuais as empresas que proporcionaram formação contínua aos seus trabalhadores representaram apenas 7,2%, 7,6% e 7,2%, nos anos respectivos. 

Quanto ao peso que as diversas ilhas assumem no conjunto da Região, a ilha de São Miguel regista valores muito significativos, que atingem 65,2% (2012), 68,2% (2013) e 65,4% (2014). 

Constata-se, que apesar do número de empresas que proporcionaram formação contínua ter sofrido um decréscimo, na ordem dos 14%, relativamente ao ano de 2013, o número de TCO abrangidos pela respectiva formação aumentou 2,8%, em relação ao ano de 2013.

Seguidamente procede-se a uma caracterização sucinta da formação contínua em cada ilha.

 

Santa Maria

 

Na ilha de Santa Maria, no ano de 2014, 10 das 135 empresas existentes naquela ilha proporcionaram formação contínua aos seus trabalhadores, representando apenas 6,5% do total das empresas. 

Considerando a situação face à formação profissional, refira-se que a totalidade dos TCO frequentou acções de formação profissional no ano de 2014, sendo o grupo etário dos 25 a 34 anos o mais relevante absorvendo cerca de 29,1%, logo seguido do grupo etário dos 35 a 44, com cerca de 28,8%. 

Quanto ao nível de habilitações, os trabalhadores que possuem o «Secundário, Profissional e Pós-secundário» absorvem 44,9%.

 No que concerne ao nível de qualificação, os Profissionais qualificados e altamente qualificados assumem valores significativos, representando 29,8% e 27,4%, respectivamente, sendo o sector dos Transportes e armazenagem o mais relevante com 64,4%. 

No que diz respeito ao número de participações em acções de formação contínua, por entidade formadora, merece especial destaque «a própria empresa», com uma percentagem que ronda os 67,9%, do total de entidades formadoras. 

Relativamente ao número de participações em acções de formação contínua, por modalidade de formação, cerca de 45,8% aponta para cursos profissionais. 

Conclui-se que 98,9% do total das participações em acções de formação contínua são da responsabilidade do empregador. 

Relativamente ao horário da formação, o laboral destaca-se com 95,3% do total.

 

São Miguel

 

Na ilha de São Miguel, da totalidade das empresas com sede na ilha (2 429), no ano de 2014, somente 221 empresas (9,1%) proporcionaram formação contínua aos seus trabalhadores.

 Constata-se que, em termos percentuais, as actividades inseridas no Comércio por grosso e a retalho reparação de veículos automóveis e motociclos (21,7%) e Indústrias transformadoras (14%) são as mais representativas. 

Da totalidade de trabalhadores (7 182), cerca 99,9% frequentaram formação profissional no ano de referência, destacando-se a faixa etária dos 25 a 34 anos. 

Quanto ao nível das habilitações prevalece o «Secundário, Profissional e Póssecundário» (26,8%), logo seguido do «3º Ciclo do Ensino Básico» com 24,4%. 

Por outro lado,o segmento «Profissional qualificado» representa 31,3% do total de trabalhadores a quem foi proporcionada formação contínua. 

Em termos de entidade formadora, afigura-se como predominante a «Própria empresa», com 64,4% do total de participações. 

Das 23 321 participações em acções de formação contínua, por modalidade de formação, 54,3% enquadram-se em «Outras acções de formação contínua não inseridas no Catálogo Nacional de Qualificações», com maior peso na atividade Transportes e armazenagem. 

Pode-se concluir que a quase totalidade (91,1%) das participações em acções de formação contínua afiguram-se «Da responsabilidade do empregador».

 Refira-se ainda que as mesmas acontecem dentro do horário laboral (92,5%).

A participação em acções de formação contínua, por área de educação/formação, recai maioritariamente sobre os Serviços (36,8%), logo seguida das Ciências Sociais, Comércio e Direito (34,3%), merecendo destaque as actividades das Indústrias transformadoras, na primeira área e as Actividades do Comércio, reparação de veículos automóveis, na segunda área.

 

Terceira

 

Em relação à ilha Terceira as conclusões a retirar são semelhantes. 

Nesta ilha, 69 das 1 085 empresas com sede na Ilha proporcionaram formação contínua aos seus trabalhadores, com percentagem mais significativa no que respeita ao grupo etário dos 25 a 34 anos (35,1%).

 O nível de habilitações dos trabalhadores que frequentaram a formação profissional tem maior incidência no «Secundário, Profissional e Pós-secundário» e a situação face à formação profissional, tem maior representatividade no «Profissional qualificado», evidenciando-se as actividades do Comércio e reparação de veículos automóveis e motociclos, e Actividades de saúde humana e apoio social. 

Cerca de 98% do número de participações em acções de formação profissional adveio da «Responsabilidade do empregador». 

Quanto ao horário de formação, prevalece o horário laboral e o tipo de documento que prevalece é o «certificado de frequência» (51,6%). 

Quanto à área de educação/formação, em termos percentuais, destacam-se as Ciências sociais, comércio e direito (36,7%) e os Serviços (29,7%). 

 

Graciosa

 

Na ilha Graciosa, verifica-se que, das 103 empresas sedeadas na ilha, apenas 1 empresa proporcionou acções de formação contínua aos seus trabalhadores (90). 

Das 336 participações em acções de formação contínua, cerca de 52,7%, são promovidas pela própria empresa, sendo as Actividades financeiras e de seguros, Actividades de informação e de comunicação e Transportes e armazenagem as que absorvem a fatia mais significativa (75,1%). 

A modalidade de formação que abarca cerca de 55,5% do total de participações redunda em «Outras acções de formação contínua não inseridas no Catálogo Nacional de Qualificações», salientando-se a Actividade dos Transportes e armazenagem, logo seguida das Actividades financeiras e de seguros.

O tipo de certificado/diploma, que se revela com valores mais significativos é em primeira instância o “Certificado de frequência” com 38,7%. 

Logo seguida do «Certificado de formação profissional não certificada», com 28,9%. 

É de salientar que a quase totalidade das participações em acções de formação profissional é «Da responsabilidade do empregador» (99,7%). 

A área de educação/formação mais privilegiada é a dos Serviços.

 

S. Jorge

 

Na ilha de São Jorge, das 211 empresas com sede na ilha, apenas 11 proporcionaram formação contínua aos seus trabalhadores. 

A nível da situação dos trabalhadores que frequentaram acções de formação, face às habilitações e níveis de qualificação, prevalece os trabalhadores com o «3º Ciclo do Ensino Básico e o Secundário. Profissional e Pós-secundário» e o «Profissional qualificado», respectivamente.

Quanto ao número de participações em acções de formação profissional, por modalidade de formação é privilegiada a figura «Formação-Acção» na actividade «Electricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio».

 

Pico

 

No ano de 2014, na ilha do Pico, das 362 empresas com sede na ilha, apenas 7 proporcionaram formação aos seus trabalhadores. 

A maioria das participações em acções de formação profissional

dirigiu-se a profissionais qualificados, promovidas pela própria empresa e com predominância na atividade das Indústrias transformadoras. 

Quanto ao número de participações em acções de formação profissional, segundo a iniciativa da formação, prevalecem as acções da «Responsabilidade do empregador» (61%), logo seguida da «Iniciativa da empresa utilizadora de mão de obra» (37,6%).

 

Faial

 

Na ilha do Faial, 17 das 340 empresas sedeadas na ilha promoveram formação. 

De acordo com as idades dos trabalhadores, o grupo etário que predomina corresponde ao intervalo entre os 25 a 34 anos, e detêm na sua maioria, em termos de habilitações o «Secundário, Profissional e Pós- secundário».

Segundo os níveis de qualificação assume particular destaque os Profissionais qualificados (28,8%). 

A nível da área de educação/formação, cerca de 35,7% das participações em acções de formação recaem sobre a área de Serviços.

 

Flores

 

Na ilha das Flores, onde existem 71 empresas, apenas 2 levaram a cabo acções de formação profissional aos seus trabalhadores. 

Dos 91 trabalhadores que frequentaram formação profissional no ano de 2014, 42 são profissionais qualificados, sendo que a nível das Actividades prevalece a dos Transportes e armazenagem. 

Das 320 participações em formação contínua, há a registar 126 «certificados de frequência». 

Segundo a área de educação/formação, afigura-se com um valor mais relevante os Serviços (41%).  

 

Corvo

 

Na ilha do Corvo, das 9 empresas com sede na ilha, nenhuma proporcionou formação. 

Os trabalhadores da ilha que usufruíram da formação profissional, não pertencem a empresas com sede na ilha do Corvo, mas sim são trabalhadores de estabelecimentos de empresas com sede fora da ilha. 

Dos 14 trabalhadores, 42,9% possui o «Secundário, Profissional e Pós-secundário», sendo 10 considerados profissionais qualificados. 

De acordo com as actividades, assume particular relevo a atividade de «Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio» e Transportes e armazenagem. 

Das 54 das participações em acções de formação contínua, 72,2%, foram da responsabilidade da própria empresa e 18,5% promovidas por outro tipo de entidades.

Quanto ao tipo de certificado/diploma, cerca de 35,2% do total de participações recai sobre o «Certificado de formação profissional certificada». 

O horário da formação é na sua maior de índole laboral (87%) e cerca de 13% de carácter misto.

A área de educação/formação mais relevante é a das Ciências sociais, comércio e direito.