Carnaval açoriano muito presente este fim-de-semana em várias cidades norte-americanas

dança espada eua 2No decorrer da nossa ronda de fim de semana pelas instituições portugue­sas e suas actividades, pelas 10 horas da noite de sábado, entramos nos Amigos da Terceira. 

Ali já se vivia o carnaval, numa semana antecipada ao grande fim de semana, que acontece a 10 e 11 de Fevereiro.

Ainda em palco despedia-se a dança de Leonel Xavier. Para já atravessar a sala seria impossível. Estavam ali mais de 400 pessoas. 

Mas como sabemos os cantos à casa, descemos do salão, atraves­samos a área do bar, onde a dança das Lajes ultimava os preparativos para subir ao palco, atravessamos a cozi­nha, apanhamos a escadaria de acesso ao segundo andar e passados uns minutos estávamos em frente ao palco. 

Mas, que nos perdoe o Leonel Xavier, que hoje o destaque vai para a Dança de Espada das Lajes de visita aos EUA. 

António Gouveia, que já o vimos à frente do convívio lajense, de que nunca mais ouvimos falar, chamou a si a apresentação da dança visitante, tendo brilhado perante mais de 400 pessoas, reunidas no salão dos Ami­gos da Terceira. 

Era notória a presença de lajenses radi­cados por estas paragens, que não deixaram fugir a oportunidade de apoiar e dar as boas vindas a uma dança que primou pela apresen­tação e execução de luxo. 

Após ter sido apresentado por Herberto Silva, presi­dente eleito, dos Amigos da Terceira, António Gouveia, sublinhou; “Em nome da Dança de Espada da Vila das Lajes, Ilha Terceira, agradecemos a vossa presença e a forma como foram recebidos aqui neste magnífico salão dos Amigos da Terceira.

O Grupo Dança de Espada da Vila das Lajes foi constituído no ano de 2008, tendo por objectivo conser­var e valorizar a tradição das Danças de Espada.

Hoje concretizamos um sonho de visitar as comu­nidades que com esforço e trabalho, hoje se encontram aqui presentes. Estamos aqui para prestar uma homena­gem a todos os aqui radi­cados”. 

Era notório o entu­siasmo dos presentes, que embora aqui radicados, não perdem uma oportunidade de estreitar os laços à origem.

“A dança é composta por 49 elementos de toda a ilha. Vila da Lajes, São Brás, Santa Cruz, Fonte do Bas­tardo, Doze Ribeiras, Fon­tinhas, Cinco Ribeiras, Feteira, Raminho, Serreta, Agualva, Vila Nova. Tem como autor do assunto Hélio Costa; autor das cantigas, Helder Pereira; música da marcha, Dorval Costa; coreografia, Sandra    Toste; ensaiadora, Judite Parreira; guarda roupa, Isilda Toledo”, concluiu António Gouveia, que em ato contínuo viu subir ao palco uma bela demonstração de carnaval que aqui encontrou a sua mais significativa vivência.

Aquilo que nos foi dado observar foi qualidade, foi juventude, foi beleza, foi uma bela componente mu­sical, vontade expressa de fazer bem, facilidade de movimentos.

Havia alegria no rosto de quem subiu ao palco e sabia que trazia uma mensagem aos reunidos nos salões que tiveram o prazer de receber a dança das Lajes.

Foi sem dúvida uma be­líssima estreia de carnaval. 

Mas a estreia teve por palco o salão dos Amigos da Ter­ceira, que é um dos que dispões de melhores condi­ções para uma dança desfilar. E o mais impor­tante, a moldura humana que ultrapassava as 400 pessoas.

Califórnia, Mass. e Rhode Island, constituiu uma di­gressão que por certo vai ficar memorável em todos os elementos das dança. 

 

               Exclusivo Portuguese Times/

                                       Diário dos Açores

Foi precisamente em 1973 que José Valadão, natural da ilha Terceira, arriscou vir para a rua com a primeira demonstração do que era o carnaval terceirense.

O berço seria a cidade de Lowell, Ma. onde nasceriam filhos entusiastas e talentosos da tradição que gradualmente foi contagiando outras comunidades de onde acabariam por sair novos talentos. 

Passados 45 anos, o carnaval apresenta-se na edição de 2018 com 14 danças.

Esta efeméride vem juntar-se a um historial único de portugalidade que se regista pelos estados de Rhode Island e Massachusetts. 

E senão vejamos, em Providence, RI temos a igreja de Nossa Senhora do Rosário em Providence, a mais antiga igreja portuguesa nos EUA com 132 anos de existência. 

A Associação D. Luís Filipe em Bristol, com 126 anos, a mais antiga presença do associativismo nos EUA. 

O estado de Massachusetts detém a igreja do Senhor Santo Cristo em Fall River, com 126 anos. 

Mais a norte temos a igreja de Santo António em Cambridge com 116 anos.

Tudo isto aliado a um nunca mais acabar de presenças históricas que ilustram a presença lusa por estas paragens. 

E o mais relevante é que todo este valioso património foi construído com o trabalho de uma comunidade activa e concretizadora, sem qualquer subsídio. Mas isto é assunto, para outro trabalho. 

Agora o assunto são os 45 anos do carnaval.

Vão subir ao palco primeiras e na sua maioria segundas e terceiras gerações a cantar, a interpretar os assuntos, na língua portuguesa, a tocar instrumentos de sopro e corda. 

Não cantam Camões, Fernando Pessoa. Talvez Bocage. Mas um Bocage terceirense, que dá pelo nome de Hélio Costa. 

Não pisou os  caminhos das universidades, quanto muito, ali levou estudantes e familiares nos seu taxi. 

O poeta é taxista de profissão, que encosta uma vez por ano. E escreve para o Canadá, para a Califórnia, para Rhode Island e Massachusetts. 

São às dezenas, são às centenas de enredos. Danças de espada, temas trágicos. Danças de pandeiro e bailinhos para rir. 

E mesmo comédias, que já ouvimos dizer que é uma qualquer coisa, que ninguém sabe o que é.

Puxam todos. Por vezes uns para a direita. Outros para a esquerda. Mas dá sempre certo. O que é preciso é rir. E vai daí. Vamos mesmo rir. A vida é curta. Rancores. Ódios. Vinganças. É para esquecer. Vamos rir.

Mas vamos ter respeito, por quem sobe ao palco. 

Uns podem não ser tão talentosos, como os outros. Mas como diz Victor Santos, dão todos o mesmo trabalho. 

E sendo assim têm direito a grandes ovações.

Mas afinal são todos bons, no seu género. Fazem o que podem. Fazem o que sabem. Fazer rir é difícil. Não são pagos. Eles é que ainda pagam as vestimentas. 

Há quem seja pago, para fazer graça e o que fazem é uma autêntica desgraça. Estes são genuínos. 

São naturais. Fazem o que sabem e a mais não são obrigados.

E prometem regressar anualmente. 

Como diz o povo, a persistência leva à perfeição. Ninguém nasceu ensinado. Para o ano aproveitam o que saiu bem e anulam o que não saiu tão bem. Mas voltam. Parar é morrer.

Mas temos os que já sobem ao palco há 45 anos. 

São os veteranos de uma tradição que teima em se manter viva. 

Mas há muito boa gente que já lhes anda a fazer o funeral há anos. 

Mas o entusiasmo das primeiras gerações, a par com a segunda e terceira, mantém vivo o Carnaval que entre danças de pandeiro, bailinhos e comédias, vai fazer vibrar largas centenas de pessoas, que vão encher os salões a norte e sul de Boston.

E uma vez mais parafraseando Victor Santos, vão aos salões ver as danças, vão aplaudir quem sobe ao palco. Ver uma dança ao vivo é totalmente diferente de ver uma dança na internet, ou mesmo na televisão, sentado no sofá em casa.

Nas sociedades vive-se o calor da amizade, entre uma bela malassada ou uma sandes de caçoila.

Sente-se a alegria de quem sobe ao palco. 

O músico toca melhor quando sente os aplausos reais. Por tudo isto e muito mais vá para a sociedade da sua preferência. Não fique em casa. Você faz parte integral do carnaval. Esperamos por si.”

Isto é o que  tem dito ao longo dos anos Victor Santos, o grande coordenador da Aliança Carnavalesca. 

Ouvimos, por isso, Victor Santos, que tem chamado a si a responsabilidade de ordenar o desfile. 

“Este ano, mais propriamente, sábado e domingo, vamos poder ver desfilar pelo salões a norte e sul de Boston 13 danças cómicas (bailinhos e danças de pandeiro) e uma comédia. Vão ser duas noites de grande alegria, com uma segunda e terceira gerações a subirem ao palco. No meio da alegria das danças fico satisfeito por já ter contagiado os mais novos, que vão ser os grandes continuadores desta tradição”.

Mas como os grandes vultos da tradição estão ausentes este ano, vão ser os mais novos a manter o carnaval na rua.

“Temos algumas ausências de vulto no carnaval deste ano. Mas é mais uma razão para os jovens mostrarem que são capaz de tapar esta lacuna. Não houve falta de vontade, mas a saúde por vezes pega as suas partidas aliado em alguns casos a afazeres profissionais, mas para o ano vai ser o re­gresso em força”, continua Victor Santos.

Mas temos de continuar a apostar na qualidade. “Mas quero sublinhar que por certo vamos ter bons enredos, bons puxadores e puxadoras no carnaval deste ano. Os enredos escritos localmente com os vindos da Terceira, vão preencher duas grandiosas noites, que vão fazer as delícias das largas centenas de pessoas que vão encher os salões. Tivemos no sábado em estreia uma dança de Lowell, nos Amigos da Terceira e a avaliar pelos aplausos, foi do agrado das mais de 400 pessoas que encheram o salão. Mostraram a qualidade que tenho a certeza vai ser uma constante este fim de semana que se aproxima”.

Por vezes os mais novos, procuram novos desafios, novos ambientes, mas esperamos vê-los de volta.

 

“No meu caso, a minha ausência tem a ver com o facto de as milhas filhas terem assumido a responsabilidade uma de puxar a dança e a outra escrever a música e fazer parte do instrumental, numa dança de carnaval na ilha Terceira”.

 

Por: Augusto Pessoa    

Exclusivo Portuguese Times/Diário dos Açores