No 166º aniversário de fundação do Liceu Antero de Quental

Em 21 de Fevereiro de 1852, no seguimento da Reforma de Costa Cabral,  foi criado o Liceu Antero de Quental, começando por ser instalado no Convento da Graça e que teve como primeiro Reitor o Padre-Mestre João José de Amaral.

No dia 23 seguinte, iniciou as aulas e atribuiu o horário e a leccionação das disciplinas aos respectivos professores, em número de 5, para um total de 104 alunos.

Assim esta é mais uma oportunidade para que os micaelenses e muitos açorianos em geral, possam render o preito da sua consideração e agradecimento à memória de tantos professores e alunos que por ali passaram, nomeadamente aqueles que hoje já não pertencem ao número dos vivos; e, como é natural, são já muitos até mesmo aos nossos dias.

Falar do Liceu em toda a sua dimensão quer científica, quer intelectual, quer formativa, não podemos deixar de evocar os altos serviços que tem prestado ao engrandecimento e prestígio dos Açores e do País, sobretudo pela acção activa que sempre foi desenvolvida pelos antigos alunos que exerceram e ainda hoje exercem funções de responsabilidade política e civil ao nível da nossa Região.

Aliás, pelo alto simbolismo que esta efeméride representa, gosto sempre de parafrasear esta quadra que no Jornal evocativo do seu centenário deixou expressa o Poeta Armando Cortes Rodrigues, seu professor de muitas gerações:

 

Amor, audácia, ternura,

Sonho, ilusão, mocidade…

Tudo cabe e refloresce

Nesta palavra SAUDADE!

 

Apesar dos que partiram para outras terras, na busca de novos e promissores destinos profissionais, o certo é que ainda hoje o Liceu está no coração de cada um deles – e, igualmente, de muitos outros que por aqui ficaram e estabeleceram as suas vidas – pois todos continuam a manter no seu coração um verdadeiro e autêntico álbum de magníficas recordações, dado o ambiente de confraternização e de sã amizade  em que convivíamos quer nas aulas que frequentávamos, quer pelo valor científico dos professores que, ensinando para além dos compêndios, nos ajudaram a formar o espírito e a descortinar «a ilha» como um mundo diferente… onde também poderíamos obter saber e experiência de molde a continuarmos a formar o espírito; e, assim, podermos encarar a vida dentro dos naturais e difíceis condicionalismos que vivíamos, numa sobrevivência às sequelas impostas pela II grande conflagração internacional, sobretudo europeia.

Poderemos ainda acrescentar a esse Álbum de Memórias a amizade que resultava dos espectáculos teatrais que o Liceu organizava – com especial referência ao que marcou o seu centenário – para além dos serões no Ginásio promovidos pela Academia Musical e tantas outras manifestações cívicas, culturais e desportivas que galvanizavam a cidade e sabiam imprimir cultura a saber a uma cidade «de província» como a nossa…

Nas aulas de Ciências Naturais lembro-me que o nosso professor Dr. António da Silveira Vicente nos dizia que os alunos do Liceu de Ponta Delgada que chegavam à Universidade eram logo reconhecidos pela preparação que levavam…

Creio que hoje a Escola Secundária também denominada Antero de Quental é o complemento daquilo que foi o nosso Liceu, naturalmente com outro e mais arrojado plano de estudos consentâneo com os tempos que correm, sem esquecer que hoje tudo na nossa terra pode ser complementado pelos estudos superiores, coisa que no nosso tempo se não descortinava que fosse possível.

Honra e glória a todos os que trabalharam para que todo este património cultural e científico fosse alcançado!

Parabéns a todos pelo aniversário que decorre.