1921

Um ano marcante e determinante para o futuro em Portugal. Estava-se na 1ª República, quando em 6 de março desse ano, passaram na terça-feira precisamente 97 anos, era fundada uma força política cuja atividade e intervenção na sociedade portuguesa perdurou até aos dias de hoje, incluindo durante os 48 anos de ditadura salazarista, apesar de forçado à clandestinidade em todo esse triste período da história de Portugal. Falamos do Partido Comunista Português e por ocasião do seu aniversário aqui fica a homenagem ao seu passado histórico de luta pela Liberdade e pela Democracia, à sua ação e influência decisivas no rumo do país antes e depois da Revolução de 25 de Abril de 74, e às saudáveis diferenças que, concorde-se ou não, persiste em manter nas propostas políticas e de intervenção que hoje projeta para o futuro. 

É exatamente devido a estas diferenças que se torna possível no contexto nacional dar projeção política e institucional à defesa coerente e sistemática dos interesses de quem trabalha, seja no mundo da indústria, dos serviços ou da agricultura, bem como dos interesses dos pequenos e médios empresários. É exatamente devido a estas diferenças que se torna possível no contexto nacional dar voz coerente e persistente aos setores sociais mais injustiçados e explorados da sociedade, lutar de forma consequente contra o neoliberalismo e o domínio dos mais poderosos, defender convicta e seriamente a soberania nacional e a autonomia regional, lutar pela paz e zelar pelo ambiente. Tudo isto sem obviamente pressupor que as convicções ideológicas, a seriedade política e a dedicação a estas causas sejam apanágio exclusivo do PCP, mas constatando, no entanto, que a defesa eficaz de todas elas não se tem mostrado possível sem ter esta força política por parceira. 

É exatamente essa a situação que se verifica hoje na República. O contributo do PCP para a atual solução de governo e a sua sustentação parlamentar, na sequência da derrota da direita em 2015, foi desde o início, e continua sendo, decisivo para que aos mais diversos níveis, desde a reposição de rendimentos e direitos, ou da retoma do investimento produtivo, à justiça social e fiscal, passando pelas áreas da saúde, ou da educação, do poder local, da justiça e da cultura, se tenha travado a política desastrosa e lesiva da esmagadora maioria dos portugueses que vinha sendo prosseguida de forma agravada e intolerável pelo anterior governo do PSD e do CDS. Por mais difíceis que continuem a ser as atuais circunstâncias, há razões práticas portanto que demonstram ser possível, contando com o PCP, reatar a esperança de um futuro melhor para a maioria daqueles que vivem no país e alterar radicalmente o rumo político que lhes estava a ser imposto, transformando num sentido mais justo e humano a triste realidade a que a direita nos conduziu. 

Para isso torna-se necessário ir mais longe, afrontando sem tibiezas os constrangimentos múltiplos que continuam a ser impostos tanto a Portugal como às suas regiões autónomas pelo diretório europeu, e os resultantes da existência de uma dívida pública impagável, os quais continuam a coartar profundamente o nosso desenvolvimento socialmente útil. 

E se nesta outra batalha se poderá dizer que ao nível partidário o PCP tem estado quase sempre só, já o mesmo se não passa ao nível social, económico e cultural, onde muitas vozes insuspeitas de serem afetas a esta força política se têm manifestado em consonância com o que ela defende.

Como em outras vezes, a vida e a realidade impor-se-ão certamente…