Entrega de A330 à Hi Fly é “negócio ruinoso” para a companhia açoriana, diz sindicato

sata a330 baleiaO Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) manifestou-se insatisfeito com a entrega do A330 (conhecido como o “cachalote”) pela SATA à operadora Hi Fly, em sistema de leasing, considerando ser um negócio “ruinoso” para a companhia aérea açoriana, e pediu esclarecimentos sobre a medida.

“A bem da transparência e para cabal esclarecimento de todos os portugueses, em especial do povo açoriano e dos trabalhadores da SATA, deve o Conselho de Administração explicar o princípio que norteou a decisão, os benefícios para a empresa SATA, a bondade do negócio para os Açores e para os açorianos, o porquê da decisão tomada e sua sustentação económica”, lê-se num comunicado emitido, na sequência da notícia publicada esta quinta-feira pelo Diário dos Açores a dar conta que, com a entrega do A330, a Hi Fly irá assegurar as operações este ano para Toronto e Oakland.

O sindicato diz ser “falso que o A330 tenha tido avarias que obriguem a ‘oferecer’ esse avião à companhia aérea Hi Fly, para ser esta a realizar os voos da SATA Internacional/Azores Airlines”. “Aliás”, continua o sindicato, “solicitamos que sejam apresentados publicamente os dados que confirmam a veracidade do que é afirmado, porque se nos afigura absurda a decisão e, quem sabe, encomendada para esconder mais uma opção de gestão prejudicial aos interesses da SATA”.

“Por esse motivo, após ler o artigo publicado no Diário dos Açores, não podemos deixar de tentar esclarecer os portugueses, e principalmente os açorianos que são os verdadeiros accionistas da empresa, pois, caso o Conselho de Administração da SATA avance com o referido negócio, estão em causa dinheiros públicos indevidamente gastos, mas pagos por todos”, escreve o SNPVAC.

O sindicato diz já ter pedido a intervenção do Governo Regional dos Açores, “para que a Azores Airlines/SATA Internacional não seja prejudicada por decisões de gestão mal norteadas”, questionando ainda o ‘timing’ do anúncio.

“Este anúncio acontece numa altura em que está a decorrer a privatização da empresa e um negócio destes deveria ser travado, pois tem repercussões no futuro da companhia e, possivelmente, no desfecho da própria privatização. Posteriormente tudo será avaliado por gestores profissionais e com experiência no ramo da aviação, algo que a SATA não tem”, refere o SNPVAC.

 

A330 é “recente e fiável”

 

Recorde-se que fonte da SATA adiantou ao Diário dos Açores que, com a entrega do avião à Hi Fly, “a única diferença é que passamos a ter assegurada esta operação ao longo do ano, porque se o aparelho tiver alguma avaria a própria Hi Fly encarrega-se de o substituir de imediato”.

Mas, segundo considera por sua vez o sindicato, “o problema não é uma suposta avaria do A330 acontecer, porque este avião é recente e fiável. Talvez se tenham equivocado com os A310, que são os únicos aviões que tiveram vários problemas e que, apenas por insistência do actual Conselho de Administração, se foram teimosamente mantendo ao serviço da empresa”. 

O SNPVAC questiona, neste sentido, “como é possível um dos responsáveis da SATA, referido no artigo do Diário dos Açores, ter chegado à conclusão que, na SATA, o A330 iria ter avarias no Verão. Quer dizer que na Hi Fly o A330 não terá avarias? Ou as avarias só estão previstas para a SATA?”.

“E isso quer dizer que o Conselho de Administração da Azores Airlines/SATA Internacional adquiriu há cerca de dois anos um avião que não era fiável, que era propenso a avarias, tendo de pagar agora um valor superior ao exigido no caderno de encargos para compra de 49% do capital da empresa para a Hi Fly fazer uma única rota?”, perguntam ainda.

O sindicato salienta que aquele tipo de equipamento não opera apenas na SATA, acrescentando “não haver nota de problemas nas outras companhias”.

 

Negócio “camufla” falta de pilotos na Azores Airlines

 

Para o sindicato, o “possível negócio ruinoso para a SATA Internacional/Azores Airlines está a ser ‘construído’ para camuflar outras opções de gestão que demonstraram enormes falhas, tais como a não contratação atempada de pilotos para o A320”.

Para o pessoal de voo e aviação civil, “a falta de pilotos nesse aparelho será colmatada pela mudança de pilotos da frota do A330 para essa frota (A320), visto que, esses pilotos para mudar de frota têm apenas que fazer uma semana de formação e, ao invés, contratar os pilotos necessários para acautelar o tempo de duração da formação necessária, e que deveria ter sido uma decisão tomada há algum tempo, tal como os sindicatos têm alertado e tal não foi feito”.

O sindicato diz ser uma “opção de gestão que prejudica a SATA, os seus Trabalhadores e os Açores”, sublinhando serem “situações como estas que têm obrigado os Trabalhadores a tomar posições extremas, quando bastaria existir profissionalismo e competência para todos os problemas laborais terminarem”.

Apontando a gravidade do assunto, o SNPAV considera, por último, “que são estas opções de gestão duvidosa que obrigaram os dois últimos administradores financeiros da SATA Internacional/Azores Airlines a apresentarem a demissão, apenas alguns meses depois de serem nomeados”.