Viagens no Tempo: O professor Quental

 Um dos episódios que demonstra essa lealdade à causa monárquica, aconteceu com a vista de estado aos Açores do então presidente da república, general António Óscar Fragoso Carmona, em que as escolas e seus mestres, todos envergando batas brancas, alvas de neve, subiram o Caminho Novo, até à estrada nacional e o dedicado professor beijou a mão de Sua Excelência.

Em chegando à freguesia, o abnegado mestre dizia a quem encontrava, “beija a minha mão, porque beijei a do nosso presidente Carmona”.

Era uma pessoa que primava pelo asseio, quer no seu vestuário, ou nos papéis que recebia, como jornais, cartas e os assentos de casamento, já que ele representava o Registo Civil.

Por outro lado, os seus dois prédios de estufas, sempre muito bem cuidados, e com milhares de plantas, conferiam-lhe o estatuto de maior ananaseiro da freguesia.

Excetuando o primeiro período da primária, com o dinâmico Eduíno da Terra Vargas, oriundo da freguesia de Pedro Miguel, ilha do Faial, foi ele o meu professor até final, mantendo a disciplina com os padrões da época. E se batia, era com a régua atrás das costas, permitindo-nos chegar à frente e lá a dita apanhava em cheio a carteira…

Se, porventura, desejava falar com meu pai, gritava à porta da rua, “Sampaio, Sampaio”, e não aparecendo, logo, alguém, punha pés ao caminho.

Irmão, entre outros, do padre Quental, costumava comentar que ele poderia vir a ser um bom bispo para a diocese de Angra e ilhas dos Açores, mas debalde…

O seu jeito de ser meticuloso com os assentos de batismo e casamento que vinham da igreja, pela mão do sacristão, Caros da Costa Feiteira, resultou em atritos com o padre Manuel Gonçalves Rei, natural da Maia. Porém, era ele quem empunhava a umbrela nas procissões.

E era assim o saudoso professor Quental, que a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, por sugestão da Junta de Freguesia de Ponta Garça, decidiu atribuir ao largo, abaixo do Polivalente, o nome de João de Medeiros Quental, aliás naquilo que fora o seu prédio de estufas, a menina dos seus olhos, descerrando uma lápide, em que a sua filha, professora D. Maria Luísa Pacheco Quental, proferiu uma alocução em sua memória.