O Inferno na Terra…

“A Guerra é uma matança institucionalizada. Ocultando as razões que levam a ela, abre-se caminho à escabrosa distinção entre matanças boas e matanças más, garantindo a perenidade da lucrativa indústria da morte.” (José Goulão, jornalista – 12/03/2018)

Reproduzindo a afirmação de um suposto médico entrevistado pelos Capacetes Brancos, organização aliada aos terroristas do ramo sírio da Al-Qaida, perdão rebeldes anti-Assad, acantonados em Ghouta Oriental, o Secretário Geral da ONU, António Guterres, afirmou que a situação naquela zona de guerra, próxima de Damasco, capital da Síria, era o “inferno na terra”! Uma afirmação, quanto a mim manifestamente desproporcionada e parcial, pois, fiquei sem saber então que expressão se deveria usar para classificar, por exemplo, os mais de 50 milhões de mortos em seis anos (menos um que o da guerra na Síria), provocados pela 2ª guerra mundial, ou os mais de 215 mil mortos provocados em poucas horas pelas bombas atómicas norte-americanas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki… 

Na verdade, a “matança má” de Ghouta Oriental que já teria supostamente provocado mais de um milhar de mortos civis e que nos foi sendo relatada unilateralmente por apenas um dos lados do conflito, o dos terroristas, perdão rebeldes, por via dos seus aliados, os Capacetes Brancos e o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (com sede em Londres), pareceu atribuída exclusivamente ao Exército Árabe Sírio, perdão ao regime de Assad. Ora em qualquer guerra existem pelo menos dois contendores e ambos são agentes da matança, matança essa que da parte dos terroristas de Ghouta, perdão rebeldes de Ghouta, não se limitava aos civis arregimentados à força como escudos humanos ou às execuções públicas dos hereges e dos que se recusavam a combater ao seu lado, pois estendia-se também aos seus bombardeamentos sobre a população civil de Damasco, desde 2012, cuja continuidade foi aliás uma das causas da ofensiva do exército sírio desencadeada a partir de 12 de fevereiro passado sobre aquela zona.

Uma ofensiva em tudo semelhante à que foi desencadeada contra os terroristas de Mossul pelo exército iraquiano e os seus aliados dos EUA, França e Reino Unido, no Iraque, e que provocou cerca de 10.000 mortos civis, ou contra os terroristas de Raqqa, também na Síria, pela coligação árabe-curda, apoiada igualmente pelos EUA, França e Reino Unido, e que provocou mais de 1.200 mortos civis. Mas estas foram certamente classificadas como “matanças boas” pelos grandes meios de comunicação social, já que na altura ninguém ouviu qualificar de forma alarmante qualquer das duas ofensivas militares como sendo “o inferno na terra” e antes como sendo a “libertação” de Mossul ou de Raqqa. 

Na sequência das ofensivas sobre estas duas cidades, milhares e milhares de civis conseguiram escapar ao jugo dos terroristas para se refugiarem nos braços dos exércitos libertadores. À data em que escrevo este artigo, o mesmo já sucedeu também com mais de uma centena de milhar de civis de Ghuta oriental que, por incrível que pareça face à “maldade” da matança que no caso em apreço sobre eles supostamente se abateu, foram procurar refúgio e proteção precisamente nos braços dos seus pretensos executores, os militares do Exército Árabe Sírio...

Ghuta Oriental é (foi) pois mais uma página negra da desinformação na sua versão mais repugnante, agindo contra a paz, a cooperação entre os povos e o respeito mútuo entre Estados soberanos, ao serviço do prolongamento, alastramento e agravamento indeterminados, no tempo e no espaço, do “inferno na terra”: a Guerra!