Receita bruta da produção de leite paga aos agricultores em 2017 foi de 170 milhões de euros

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vacas a comerO Secretário Regional da Agricultura e Florestas assegurou ontem, na Assembleia Legislativa, na Horta, que o Governo dos Açores tudo tem feito, “no limite das suas competências e recursos”, para aumentar o rendimento dos produtores de leite, valorizar as produções e incentivar a inovação, destacando a trajectória de “desenvolvimento e reforço estrutural” que o sector do leite e laticínios tem registado.

“Entre Setembro de 2016 e Dezembro de 2017, o preço do leite pago à produção aumentou quatro cêntimos. O volume de negócios das indústrias de leite cresceu 4%. Ao mesmo tempo, assistimos a uma redução da transformação de leite de consumo e de leite em pó e a um aumento da produção de queijo”, salientou João Ponte, num debate, requerido pelo PSD, sobre ‘Produção de Leite e Lacticínios nos Açores – Estratégia pós 2020’.

João Ponte frisou que, nos Açores, há “produtores de leite de excelência” e o sector está “bem preparado e estruturado”, apontando que “70% dos animais do país classificados de ‘Excelente’ estão na Região e que, nos últimos 10 anos, a produção de leite cresceu 21%”. 

O titular da pasta da Agricultura destacou ainda que a receita bruta da produção de leite paga aos agricultores em 2017 foi de 170 milhões de euros, as ajudas do POSEI referentes ao sector do leite atingiram 45 milhões de euros e o volume de negócios das indústrias de lacticínios foi superior a 300 milhões de euros.

“Estes valores demonstram bem a importância que o sector do leite e dos lacticínios tem ganho no tecido produtivo da Região e implica-nos a todos - associações, cooperativas e agricultores - a continuarmos a trabalhar, de forma articulada, para que seja possível aumentar os rendimentos gerados por este sector”, afirmou o Secretário Regional, recordando que, no último ano, as 2.544 explorações de leite existentes na Região superaram, pela primeira vez, os 610 milhões de litros e a produtividade média por exploração, nos últimos 10 anos, cresceu 74%.

João Ponte disse ser “indesmentível” que o desenvolvimento do sector do leite e lacticínios tem sido de “reforço estrutural e criação de valor”, pois “não há registo de insolvências em explorações, o número de produtores nos últimos dois anos não tem sofrido alterações significativas e a Região continua a bater recordes de produção”.

No que diz respeito ao futuro, João Ponte afirmou que a aposta na qualidade do leite produzido é “absolutamente necessária”, mas também é imprescindível que a futura Política Agrícola Comum (PAC) assegure uma melhor posição dos agricultores na cadeira de abastecimento alimentar, criando, por exemplo, uma regulação de boas práticas, impedindo práticas desleais de comércio, até porque “o preço pago aos produtores nos Açores é fortemente influenciado pelos mercados internacionais”.

No âmbito do mesmo debate. o deputado do PCP, João Paulo Corvelo, apontou, por seu lado, para a diminuição da produção de leite no valor três milhões de litros de leite, nos últimos 14 anos, bem como para a perda significativa do número de agricultores e trabalhadores ligados ao sector dos lacticínios.

Para o PCP, “produzir leite nos tempos actuais requer, atenção e cuidados aos múltiplos aspectos que a própria evolução técnica e dos conhecimentos impuseram e que necessariamente os nossos produtores têm de ter em consideração, que para defenderem a qualidade do seu produto, que para valorizarem e serem concorrenciais nas condições actuais”.

João Paulo Corvelo lembrou que “não se pode esquecer do grave problema que existe em São Jorge, onde o queijo é um ex-líbris da ilha e região, em relação à stockagem de queijo de São Jorge, onde é absolutamente necessário o apoio governamental, neste domínio, pelo menos por mais dois anos, bem como a imperiosa necessidade de uma adequada campanha de marketing que verdadeiramente promova os produtos dos nossos lacticínios”. 

Para o PCP, desenvolver este sector implica medidas concretas vão desde a definição das responsabilidades da manutenção dos caminhos de penetração à existência de técnicos que se desloquem ao terreno e “in loco” para avaliar e apoiar as situações e não apenas se manterem no necessário trabalho de gabinete. Isto implica que façam um efectivo trabalho de apoio no terreno aos nossos agricultores.