As taxas mais altas de doenças que mais matam nos Açores

Doente - cama hospitalAs doenças que mais matam nos Açores, apresentando as taxas mais altas do país, são as provocadas pelos tumores malignos da traqueia, brônquios e pulmão, o tumor maligno do ovário, doenças do aparelho circulatório, doença pulmonar obstrutiva e doenaç isquémica do coração.

A revelação é feita pelo Instituto Nacional de estatística, que ontem revelou os resultados estatísticos relativos às causas de morte ocorridas em território nacional em 2016.

Os Açores apresentam taxas elevadas noutras patologias, embora outras regiões estejam à nossa frente, como o caso de doenças cardiovasculares e cancro da próstata.

Naquele ano 34 açorianos suicidaram-se, um número só ultrapassado pelo Alentejo.

Segundo os dados do INE, há dois anos registaram-se 110.970 óbitos no país para os quais foram apontadas duas razões predominantes: as doenças do aparelho circulatório que representaram 29,6% das mortes registadas; e os tumores malignos, que representaram 24,7%. 

Juntas as duas causas abrangem mais de metade dos óbitos ocorridos em Portugal (54,2%). 

Ainda assim, em 2016, ocorreram menos 0,2% de mortes por doenças do aparelho circulatório, num total de 32.805. 

A idade média de óbito no país foi de 81,1 anos. 

Foram as mulheres a contribuir para a subida desta média, uma vez que para os homens a idade média foi de 78 anos e para elas de 83,7.

 

As taxas mais baixas nos Açores

 

Relativamente aos Açores, as boas notícias é que a Região apresenta as taxas de morte mais baixas nos tumores malignos do cólon, recto e ânus, tumores malignos da mama, doença de Parkinson, Sintomas, sinais e exames anormais, e quedas acidentais.

No caso da taxa bruta de mortalidade devido a Tumor maligno da traqueia, brônquios e pulmão, em 2016, foi de 39,6 óbitos por 100 000 habitantes (64,2 para os homens e 17,4 para as mulheres). 

A Região Autónoma dos Açores (com 6,1%) e a Área Metropolitana do Porto (com 4,8%) registaram as proporções mais elevadas de mortes por Tumor maligno da traqueia, brônquios e pulmão. 

Contudo, tomando em consideração a dimensão populacional das regiões NUTS III, constata-se que a taxa bruta de mortalidade foi mais elevada na Região Autónoma dos Açores (60,3) e no Baixo Alentejo (52,7) e por outro lado, a taxa mais baixa foi verificada na Região de Leiria (22,5).

 

Tumor do ovário

 

A Região Autónoma dos Açores (com 1,3%), o Alentejo Litoral (com 1,1%) e o Tâmega e Sousa (com 0,9%) registaram as proporções mais elevadas de mortes por Tumor maligno do ovário no país. 

A Região Autónoma dos Açores (32,8) e a região do Oeste (32,4%) registaram as proporções mais elevados no país e na região do Algarve registou- -se o valor mais baixo (25,6%). 

Contudo, tomando em consideração a dimensão populacional das regiões NUTS III, constata-se que a taxa bruta de mortalidade foi mais elevada na região do Alto Alentejo (522,0) e a mais baixa na região do Ave (231,4). 

Para o Total, no ano em análise, a taxa de mortalidade padronizada para todas as idades foi de 148,2 óbitos por 100 000 habitantes (174,0 para os homens e 126,5 para as mulheres). 

A taxa de mortalidade padronizada para as idades a partir dos 65 anos foi de 1 119,0 óbitos por 100 000 habitantes, valor superior quando comparado com o de 28,2 para as idades inferiores a 65 anos. 

 

Doença isquémica do coração

 

A Área Metropolitana de Lisboa com (9,3%) e a Região Autónoma dos Açores (com 9,0%) registaram as proporções mais elevadas de mortes por Doença isquémica do coração no país e a região de Viseu Dão Lafões apresentou a proporção mais baixa (3,8%). 

Contudo tomando em consideração a dimensão populacional das regiões NUTS III, constata-se que a taxa bruta de mortalidade foi mais elevada nas regiões do Alto Alentejo (128,9) e do Alentejo Central (121,7). 

As taxas mais baixas foram registadas nas regiões do Ave (38,6) e do Cávado (42,6). 

Para o Total, no ano em análise, a taxa de mortalidade padronizada para todas as idades foi de 36,9 óbitos por 100 000 habitantes (53,5 para os homens e 23,6 para as mulheres). A taxa de mortalidade padronizada para as idades a partir dos 65 anos foi de 239,8 óbitos por 100 000 habitantes, valor superior quando comparado com o de 11,9 para as idades inferiores a 65 anos. 

 

Doença pulmonar obstrutiva

 

A Região Autónoma dos Açores (com 4,2%) registou a proporção mais elevada de mortes por Doença pulmonar obstrutiva crónica no país e a região da Lezíria do Tejo a mais baixa (1,6%). 

Contudo tomando em consideração a dimensão populacional das regiões NUTS III, constata-se que a taxa bruta de mortalidade foi mais elevada na região do Alto Alentejo (65,8). 

Na Região de Aveiro foram registados os valores mais baixos, com 20,3 óbitos por 100 mil habitantes. 

Para o Total, a taxa de mortalidade padronizada para todas as idades foi de 12,3 óbitos por 100 000 habitantes (19,7 nos homens e 7,1 nas mulheres). 

A taxa de mortalidade padronizada para as idades de 65 e mais anos foi de 97,5 óbitos por 100 000 habitantes valor superior ao da referente às idades inferiores a 65 anos, com 1,8 óbitos por 100 000 habitantes. 

No país (Total), o número de anos potenciais de vida perdidos foi de 2 658 anos em 2016 mais elevados para os homens (2 038 anos potenciais de vida perdidos) do que para as mulheres (620 anos).

 

1.100 novos casos de cancro

 

O Secretário Regional da Saúde dos Açores, Rui Luís, admitiu que anualmente “surgem cerca de 1.100 novos casos de cancro” na região e destacou o investimento feito pelo executivo açoriano nos rastreios como forma de “prevenção primária”.

“O Registo Oncológico, numa série de 1997 a 2014, revela-nos que todos os anos surgem nos Açores cerca de 1.100 novos casos de cancro”, informou Rui Luís citado numa nota enviada às redacções pelo Gabinete de Apoio à Comunicação Social (GACS) do Governo Regional dos Açores.

Segundo a mesma nota, esse número foi revelado por Rui Luís no âmbito das Jornadas de Radioncologia, que decorreram em Ponta Delgada.

Rui Luís falava sobre o investimento feito pelo Governo Regional em “programas de rastreios oncológicos” como forma de “prevenção primária” adequada “à realidade arquipelágica”.

“Temos quatro rastreios a funcionar nos Açores, tendo sido rastreadas cerca de 180 mil pessoas e, por essa via, já foram detectados perto de 400 cancros, o que tem sido muito positivo, porque são detecções precoces e é fundamental para a evolução no tratamento”, afirmou Rui Luís. O governante anunciou, também, a criação de uma “rede de referenciação oncológica” nos Açores, destacando a importância da prevenção, do diagnóstico, do tratamento e do acompanhamento dos doentes oncológicos da Região.

“Na última reunião do Conselho Consultivo de Combate à Doença Oncológica foi analisada uma proposta de criação de uma Rede de Referenciação Oncológica, havendo abertura por parte da Direcção Regional de Saúde, pelo que penso que, muito em breve, teremos uma ferramenta importante para melhorar as condições de diagnóstico dos doentes oncológicos”, revelou Rui Luís à margem de uma mesa redonda sobre ‘Insularidade e Investimentos em Oncologia’.

O Secretário Regional da Saúde referiu, ainda, que estão a ser elaborados protocolos de abordagem comum entre os três hospitais dos Açores (hospitais de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta) para o diagnóstico, tratamento e seguimento da doença oncológica.