“Queremos consolidar ainda mais a nossa posição no mercado” micaelense

carreiro e filhosA Carreiro e Filhos arrancou em 1982 pelas mãos de João Carlos Carreiro. Passados 36 anos de actividade a empresa é hoje gerida por neto João Carreiro, depois do contributo do pai, Eduardo Carreiro. Uma empresa que vai na terceira geração e que o Diário dos Açores foi conhecer melhor junto da Eduardo e João Carreiro, pai e filho respectivamente.

Diário dos Açores – Como nasceu a empresa Carreiro e Filhos?

Eduardo Carreiro – A empresa começa entre os anos 1979/1980 pelas mãos do meu pai, João Carlos Carreiro que era gerente de uma empresa ligada às tintas. No entanto, na altura, como o meu pai era técnico de contas ele saiu daquela empresa e decidiu montar um gabinete de contabilidade. Em 1981, fui trabalhar com o meu pai, deixando a minha actividade na função pública, isto porque já tínhamos um bom leque de clientes e muitas empresas com alguma dimensão.

Entretanto, em 1982, fruto da ligação que o meu pai tinha às tintas, surgiu a hipótese de ele ficar com a Valentine que era uma multinacional de capital maioritariamente francês. Na altura foi então constituída uma sociedade, a Carreiro e Cabral, Lda., que alguns meses depois alterou a sua denominação social para Carreiro e Cª, Lda., por aquisição da quota ao sócio Cabral.

É então fundada a empresa Carreiro e Companhia, Lda., que em associação com a Valentine SA, criam a Valentine Açores, Lda. que fica com a representação e distribuição nos Açores dos produtos fabricados pela Valentine Portugal então líder da repintura automóvel a nível nacional.

Uma sociedade que durou até 1987, altura em que se vendeu a Valentine SA. A empresa passa a chamar-se Carreiro e Filhos, deixando de ter os capitais da empresa Carreiro e Cª e da Valentine SA, ficando a Carreiro e Filhos a ser detida pelo meu pai e os três filhos. Como a empresa Carreiro e Cª se dedicava à área da informática, foi criada uma outra empresa para esta área, onde eu fiquei como sócio-gerente até 2011, altura em que o meu pai se reformou. Voltei então para a Carreiro e Filhos, entre 2011 e 2015, tendo a empresa sido liderada por mim e pela minha irmã durante este período de tempo. Como também passei à reforma, a partir de 2015 o meu filho João Carreiro passou a ser o sócio-gerente da empresa, em sociedade com o meu outro filho.

 

Como se deu o crescimento da empresa?

EC – Abrimos na Rua Caetano de Andrade, no rés-do-chão do palácio Caetano de Andrade, e em 1999, adquirimos um imóvel sito à Rua do Mercado, 17 – 19, em Ponta Delgada, parte do Solar dos Pacheco de Castro, com vista a concentrar ao máximo as empresas do Grupo, (Carreiro e Cª e Carreiro e Filhos), numa área de 1.000 m2, perspectivando a racionalização e optimização dos recursos físicos e humanos existentes.

Antes, em 1992, compramos uma antiga fábrica de chicória Dinis da Mota Soares, que se encontrava em ruínas, que restauramos, reconstruímos e transformamo-la em armazéns, bem como restauramos e reconstruímos também a residência existente.

No ano 2000 inauguramos, em Setembro, as novas instalações da Rua do Mercado (em frente ao Mercado da Graça), após um ano de obras de profunda restauração com amplo espaço de exposição, vendas, escritórios e armazenagem, complementado com uma melhoria significativa das condições de trabalho de todos os funcionários e colaboradores.

Em 2016, para maior conforto dos clientes abrimos um novo espaço na Rua das Laranjeiras, onde o estacionamento é mais fácil e onde permanecemos até hoje.

Foi uma empresa que foi sempre crescendo desde a sua fundação, e que foi líder no mercado durante muitos anos.

Fomos a primeira empresa, em 1987, a adquirir e a montar a primeira cabine/estufa que apareceu nos Açores, a fim de possibilitar a aplicação das tintas acrílicas, neste caso o VALROC na repintura automóvel que surge como sistema revolucionário.

Aquela cabine teve a intenção de, não só possibilitar as indispensáveis acções de formação aos profissionais de pintura, mas também, e em simultâneo, disponibilizá-la aos nossos clientes para as suas esmaltagens, o que contribuiu decisivamente para a nossa conquista e liderança do mercado.

Durante estes 36 anos fomos consolidando a nossa posição no mercado, até à chegada da crise que também nos afectou e que fez com que as nossas vendas caíssem muito. 

Hoje em dia a concorrência é muito maior e nos últimos 5/6 anos temos vindo a retomar a nossa posição de liderança. Neste momento, não sei se já o somos, mas espero que o sejamos muito em breve.

 

O que começou num pequeno espaço, está hoje transformado num grande negócio com três empresas distintas e em áreas bem diferentes…

EC – Sim. Hoje somos três empresas: A Carreiro e Cª, que se dedica à venda e aluguer de bicicletas, continua a ser a empresa que é do meu pai, onde os meus irmãos trabalham, e em que o meu irmão é o responsável. Vamos desenvolver este ano, sendo uma ideia da minha irmã, na parte superior do edifício junto ao Mercado da Graça, um projecto de alojamento local, uma vez que o espaço ficou muito vazio com a saída das tintas de lá para as Laranjeiras.

Temos a Carreiro e Filhos que se dedica ao comércio e indústria de tintas e a CT Sfot que se dedica ao ramo da informática, sendo que o meu filho João é o sócio gerente destas duas empresas distintas. A CT Soft é uma empresa à parte do grupo.

 

Nos anos da crise a Carreiro e Filhos também se ressentiu. Como conseguiu dar a volta por cima?

EC – Foi preciso muito trabalho, muito esforço e utilizando algum capital que tínhamos angariado ao longo dos nossos anos de actividade…

João Carreiro – Passou também por fazer algumas reestruturações na empresa. Tendo em conta a dimensão da nossa empresa foi preciso controlar custos. Uma vez que os volumes de facturação tinha vindo a decair muito, não podíamos ter a mesma estrutura que, na altura, era muito pesada. Foi necessário reinvestir. Basicamente, tivemos que dar um passo atrás, para poder dar dois passos para a frente, tentando sempre consolidar a nossa posição no mercado, tendo em vista retomar a liderança no mercado micaelense e nos Açores. Felizmente, actualmente já estamos a colher os frutos da aposta que fizemos na repintura automóvel e especialização nesta área.

EC - Uma aposta que foi reforçada pelo facto dos nossos parceiros serem os mais fortes no mercado. Trabalhamos com a Styseck que é líder no mercado nacional e recentemente tornamo-nos parceiros da 3M que é líder mundial. Nos últimos três anos tivemos que investir e fazer este esforço, consolidando estas parcerias. Pensamos que actualmente estamos muito mais fortes e certos que conseguiremos retomar a nossa posição no mercado.

 

Onde reside a vossa maior aposta?

EC – Está na especialização dos serviços na área da repintura automóvel. Trabalhamos também com a construção civil, mas o nosso forte é, de facto, o ramo automóvel. Trabalhamos com marcas líderes, apostando sempre na formação e nos nossos serviços.

 

O que vos distingue da concorrência?

EC – A qualidade dos nossos produtos e serviços e a própria relação que temos com os nossos clientes.

 

Há novos projectos a levar a cabo?

JC – Para já, pensando no futuro e sem nunca esquecer o presente, queremos consolidar ainda mais a nossa posição no mercado para conseguirmos ser líderes, termos uma posição mais confortável perante a nossa concorrência, e também para podermos estar numa posição negocial com os nossos parceiros mais fortalecida. A nossa aposta agora passa por aumentar a nossa quota no mercado da repintura automóvel, baseada sempre naquilo que é a nossa especialização e as nossas vantagens que passam pelo nosso know-how nesta área que foi uma conquista de 36 anos de actividade desta empresa.

A partir daí, a ideia é dar um passo de cada vez, analisando o mercado e observando o que indica o futuro. Estamos a apostar noutras áreas de negócio, mas, nesta fase, não podemos ir para ramos onde não temos possibilidades de sermos uma referência. Vamo-nos manter na área onde somos e queremos continuar a ser uma boa referência.

 

O João está na empresa desde 2015, como tem sido a sua actividade?

JC – Tem sido um trabalho contínuo no esforço de conseguir quota de mercado, apostando na formação dos nossos técnicos, não só na parte comercial, mas também nas aplicações e apostando também nas parcerias com os nossos fornecedores, nomeadamente a Spies Hecker, a 3M e a Indasa que para além da tinta, também nos fornecem todos os produtos que são utilizados para aplicação em todos os processos da repintura automóvel, desde a preparação até aos acabamentos.

Primamos por oferecer aos nossos clientes não só os nossos produtos, como também conhecimento de forma a que possam saber aplicar, da melhor forma possível, os nossos produtos para que eles também possam fornecer aos seus clientes o melhor serviço possível a um bom preço.

Ou seja, essa formação vai servir para os nossos clientes ficarem a conhecer o produto, saberem como o aplicar, aumentar os seus níveis de eficiência ao utilizarem os nossos produtos e comprovarem que o temos é o melhor que existe no mercado, tendo um melhor acabamento e melhor eficiência económica para quem o adquire. Queremos tornar sustentáveis e rentáveis os negócios dos nossos clientes, porque se não apostarmos na rentabilidade dos nossos clientes, não estamos a apostar na nossa própria rentabilidade.

 

Ao nível de recursos humanos, como está organizada a empresa?

EC – Temos três vendedores na rua, um técnico, um gerente de loja e a parte administrativa.

 

Mantêm a vossa actividade unicamente em São Miguel?

EC – Temos um distribuidor na ilha do Pico, e já tivemos representação nas ilhas todas, mas hoje em dia estamos focados apenas um São Miguel. O trabalho de consolidação que estamos a levar a cabo tem como prioridade a ilha de São Miguel, depois desse trabalho iremos pensar nas restantes ilhas dos Açores, porque as parcerias e representações que temos são para todo o arquipélago.

 

Uma empresa que já vai na terceira geração acarreta muita responsabilidade?

JC – Sim, sem dúvida. Tudo começou com o meu avô que arriscou tudo o que tinha para seguir em frente com este projecto, conseguindo criar uma empresa sólida e com bases para que os que viessem a seguir pudessem levar a empresa em frente. São pontos de referência para mim, e são sempre pessoas que podemos contar para nos ensinar e dar conselhos. É verdade que hoje o mercado está diferente do que era há 30 anos, e temos que dar outras respostas, mas as bases do passado são fundamentais para se poder levar a empresa rumo ao futuro. 

É uma pressão extra, mas saudável.

 

É um orgulho para o Eduardo ver que a empresa que começou com o seu pai e que já passou pelas suas mãos, tem agora o seu filho como sócio-gerente?

EC – Sim, é um grande orgulho ver que o que o meu pai construiu e eu ajudei a construir tem agora alguém a continuar este projecto. Ele está empenhado e sabe o que quer.

 

Como olha para o futuro?

JC – O futuro é sempre uma incógnita. A história já nos mostrou que nada é previsível. Nunca sabemos o que o mercado tem para nos dar. Aquilo que fazemos é estabelecer metas e objectivos, e tentar alcançá-los, tendo sempre como foco o nosso cliente e a sua satisfação, de modo a que todos possamos crescer enquanto empresas.

Queremos expandir, ter uma empresa que corresponda às necessidades dos nossos clientes e apostar nas nossas parcerias.

 

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