“A mulher deve ser quem e o que ela quer ser”

colecção Andreia sousa e cláudia borges“Who Runs the World?” é como se intitula a colecção que resulta da parceria entre a marca Dinina Design e a artista plástica Andreia Sousa,  que será amanhã apresentada, no Lava Jazz Bar, a partir das 18h30.

São de acessórios de moda pintados à mão, como carteiras, chapéus e ponchos, acompanhados por quadros pintados em acrílico, que têm como inspiração o lema do empoderamento feminino. Ao Diário dos Açores, as duas artistas falam sobre o projecto e sobre a necessidade de os artistas açorianos serem mais apoiados.

 

Antes de mais, quem são Andreia Sousa e Cláudia Borges? 

Andreia Sousa (AS) -  Andreia Sousa é uma artista plástica autodidata, que se licenciou em Psicologia, mas escolheu dedicar a sua vida a tempo inteiro à arte, nomeadamente à pintura, escultura e decoração de eventos. 

Cláudia Borges (CB) - Cláudia Borges é uma criativa e autodidata, fundadora da Dinina Design®, uma marca portuguesa registada, sediada na ilha de São Miguel - Açores. Na Dinina Design® são criadas peças de qualidade na área da moda, mais concretamente acessórios, carteiras e chapéus de senhora para diferentes ocasiões e destinadas essencialmente a Mulheres com personalidade forte, respeitando sempre a assinatura marca da Dinina Design® - Arrojadamente Simples!

 

1Como surgiu a oportunidade para trabalharem juntas neste projecto, a que deram o nome “Who Runs the World”?

AS -  A Cláudia propôs um café para nos conhecermos e estudarmos a possibilidade de criarmos uma parceria e, em pouco mais de três horas, delineamos toda a coleCção, o conceito da mesma e a forma como queríamos apresentá-la ao público... o resto é história.

CB - Conheci a Andreia em 2017 e gostei do trabalho dela e por isso coloquei em prática um dos objectivos da Dinina Design® que é o de trabalhar com parcerias diferentes, com o objcetivo de conjugar o melhor de ambas as artes para obter um produto diferente e com o glamour qb. Convidei-a em Fevereiro deste ano para um café e o resto já sabem…

 

Em que consiste exactamente esta colecção? Que tipo de trabalhos vamos poder conhecer?

AS e CB - A colecção é composta por acessórios de moda confeccionados e pintados à mão, nomeadamente carteiras, chapéus, um casaco e outras surpresas. A acompanhar a colecção vamos ter quadros pintados em acrílico. 

 

E porquê o tema do empoderamento feminino? 

AS e CB - O tema surge naturalmente, pois logo no primeiro contacto que tivemos percebemos que ambas já trabalhávamos, independentemente, para um público maioritariamente feminino, criando peças que reflectissem uma mulher de personalidade forte, uma guerreira do século XXI...

 

Que mensagens pretendem transmitir com esta colecção?

AS - A mensagem principal é que a mulher deve ser quem e o que ela quer ser, criando uma vida à sua medida e não se deixando abater com preconceitos enraizados na sociedade. Também queremos transmitir que juntas somos todas mais fortes. Não precisamos de querer as mesmas coisas, mas precisamos de apoiar as escolhas umas das outras, mesmo em decisões que nós próprias não escolheríamos para nós.

CB - Independentemente dos sonhos serem individuais ou colectivos, podem ser realizáveis mesmo que surjam obstáculos, intempéries, preconceitos e desfazedores de sonhos. Basta querermos, basta acreditarmos, não desistirmos, irmos sempre à luta, sermos persistentes, resilientes e sermos sobretudo sábias. Há um Tempo para tudo.

 

6O projecto, como referem, é inspirado em mulheres guerreiras do século XXI. Quem são estas mulheres? E porquê estas mulheres?

AS - Estas mulheres somos todas nós que lutámos diariamente para sermos vistas como iguais num mundo criado para homens, que lutamos para criarmos uma vida da qual nos orgulhemos. 

CB - São todas aquelas mulheres lutadoras que têm sonhos e defendem os seus ideais e aquilo que acharem ser melhor para elas. São as mulheres com voz mas sem voz! É para elas que estamos a mostrar que é possível!

 

Sentem que a desigualdade de género está patente na sociedade açoriana? 

AS - Claro que sim. A desigualdade de género está patente em todas as sociedades pois está enraizada na própria cultura e educação. Embora seja perceptível a mudança que ocorre no mundo neste momento, em relação à luta pela igualdade de género, a realidade é que ainda há muito a ser feito e muitos a serem educados neste sentido.

CB - Infelizmente sim! Mas está a mudar. Um passo de cada vez! Enquanto ser humano tenho os mesmos direitos e deveres que qualquer outro. Todos temos uma razão para existirmos, somos todos necessários para haver harmonia e equilíbrio.

 

Amanhã, além da apresentação da colecção vão também demonstrar como trabalham... 

AS e CB - O objectivo desta vertente de trabalho ao vivo é mostrar ao público como é que a colecção foi criada. Daí que a Andreia estará a pintar ao vivo, enquanto que a Cláudia irá estar a confeccionar os acessórios. 

 

No futuro, têm em mente a aposta em novos projectos? 

AS - Eu estou sempre a trabalhar em dois, três projectos ao mesmo tempo, para não saturar de nenhum deles. Mas devo confessar que para este ano o meu maior projecto será o investimento no meu próprio atelier, que estará aberto ao público.

CB - Claro que sim! Caso contrário a Dinina Design® não teria convidado a Andreia Sousa Arts para esta parceria. É na diversidade que está a beleza! É nesta sinergia que nascem as peças mais originais e as mais exclusivas. Tem sido um dos objetivos da marca as parcerias para parte das colecções e é um objectivo a manter preferencialmente com artistas de cá mas não só. Há também outros vôos mais altos! (risadas) Um passo de cada vez! 

 

Enquanto artistas, sentem que o vosso trabalho é valorizado, na região?

AS - Eu sinto que os meus clientes valorizam o meu trabalho, mas isto porque eles são amantes da arte, tal como eu. Contudo, se formos falar de instituições públicas ou privadas, dedicadas à arte, a valorização do artista açoriano é pouca.

CB - Por enquanto é valorizado por um nicho muito específico de pessoas sensíveis e com personalidade forte. Não é mais valorizado porque os preconceitos são ainda uma barreira.

 

Na vossa opinião, o que falta fazer para incrementar a produção artística nos Açores?

AS - Na minha opinião há duas grandes medidas que devem ser implementadas. A primeira passa por apoiar mais o artista açoriano em detrimento do artista “estrangeiro/nacional”. Criamos festivais, centros de arte contemporânea, etc, que se dedicam 95% a partilhar a obra e incentivar a produção de artistas de fora da região. A segunda medida passa por criar um apoio à divulgação e promoção dos artistas açorianos em território nacional ou internacional. Penso que a implementação destas duas medidas faria uma diferença significativa na vida de muitos artistas a produzir no nosso território. 

CB - Nos Açores já se nota algum cuidado em valorizar os artistas de cá. Já se encontram peças destes artistas em alguns estabelecimentos comerciais mas em poucos. Os artistas locais também já são valorizados em eventos e em algumas plataformas da NET mas não é suficiente. Uma sugestão seria por exemplo convidar um artista ou artistas locais a exporem em hotéis ou similares à semelhança do que o Lava Jazz Bar faz. Na minha opinião falta sobretudo crescer e amadurecer o sentido estético individual e colectivo.

 

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