Jovens açorianos querem ser os protagonistas da Igreja Diocesana

congresso diocesano jovens 2018Terminou Domingo, na ilha de São Miguel, o I Congresso Diocesano de Juventude, que decorreu de 28 de Junho a 1 de Julho. No final dos trabalhos, os jovens apresentaram propostas concretas à Diocese, com o objectivo de, juntos, serem uma Igreja +. 

 

Aproximar, acolher, ouvir  e compreender são quatro verbos que a juventude cristã açoriana quer que a igreja desenvolva de forma a levar por diante a integração dos jovens e o seu comprometimento com as questões diocesanas.

No comunicado final do I Congresso Diocesano da Juventude, que terminou  Domingo em Ponta Delgada com uma Eucaristia presidida pelo bispo de Angra, D. João Lavrador, os jovens deixam apelos dirigidos à família e à igreja.

Os jovens reclamam maior protagonismo na hora da decisão e sobretudo querem que a igreja e a família os levem a sério.

“A nossa reflexão destacou como prioridades e focos de especial atenção: a Família, a Espiritualidade, Grupo de Jovens, Redes Sociais e a Escola” refere o comunicado que sugere caminhos a percorrer quer pela igreja quer por eles próprios: abertura, acolhimento, cativação, inclusão, auscultação, proximidade e disponibilidade.

No comunicado final deste primeiro congresso, em que estiveram presentes  cerca de duas centenas de jovens de seis ilhas dos Açores, há referências concretas a todos os destinatários, a começar pela família.

“À família pedimos: maior acompanhamento no nosso percurso humano e espiritual; momentos de reflexão em família, com a família e para a família e participação na Eucaristia”.

Já à igreja, ?os jovens falam numa abertura de mentalidade; em “Liberdade e criatividade de participação”, “compreensão das realidades juvenis”, maior investimento nos grupos de jovens, apoio ao desenvolvimento da espiritualidade e proximidade e “Aplicação das siglas “PPP” – Participação – Protagonismo – Paciência e “PDA” – ?Proximidade – Diálogo – Acção”.

No comunicado final os jovens dirigem-se também aos padres a quem pedem “Maior envolvimento, proximidade e presença;? Maior disponibilidade, abertura e acolhimento sem julgamento”.

De acordo com o comunicado, os jovens propõem à diocese uma  “maior representatividade e responsabilização dos jovens nas diversas instâncias, encontros diocesanos regulares, festivais de música/artes, formação de lideres e animadores de Pastoral Juvenil; às ouvidorias pedem a criação do “Dia C”, para “levar Jesus à Rua”, retiros e eventos de espiritualidade, intercâmbios entre Grupos de jovens, peregrinações e maior participação nas instâncias decisórias da ouvidoria.

Também nas paróquias querem mais protagonismo, promoção de voluntariado e celebrações mais dinâmicas, com a promoção de encontros inter-geracionais.

Os jovens garantem que estas “exigências” decorrem das propostas que  fizeram depois das auscultações desenvolvidas num inquérito diocesano para uma Igreja +.

“Juntos, vivemos este I Congresso Diocesano de Juventude como um encontro feliz de jovens de toda a Diocese onde pudemos partilhar ideias, alegria, sonhos e projectos e fazer a experiência da unidade da nossa Igreja” afirma o comunicado.

“Saudamos com alegria toda a nossa Igreja Diocesana, à qual confiamos estes nossos desafios e sonhos: juntos queremos ser +” refere ainda o comunicado final, que deixa ainda uma palavra para os jovens que se encontram numa situação de exclusão.

“Abraçamos com ternura todos os jovens açorianos, em particular os jovens que buscam o sentido da vida, aqueles que vivem qualquer tipo de exclusão e sofrimento ou que por qualquer motivo se ausentaram da Comunidade, a quem dirigimos uma mensagem de confiança e esperança, contando com todos para, juntos, fazermos desta nossa Igreja uma Igreja mais activa, mais alegre, mais jovem e aberta à missão: uma Igreja + é aquela onde todos são importantes e necessários, e onde os carismas se convertem em serviço” refere o comunicado.

 

A comunidade cristã “precisa de vós”, afirma D. João Lavrador que pede aos jovens “generosidade e coragem”

A igreja precisa da generosidade e da coragem dos jovens para denunciar os “males, as injustiças, os ódios, as ganâncias, as opressões, as violências e as exclusões do nosso tempo”, afirmou o bispo de Angra na homilia da missa que encerrou o I Congresso Diocesano de juventude.

“Urge, hoje, caros jovens, a ousadia dos profetas capazes de denunciarem os males do nosso tempo, as injustiças, os ódios, as ganâncias, as opressões, as violências, as exclusões, as escravidões… e de anunciarem a vinda constante de Deus que teima em não desistir de nós porque nos ama e nos quer conduzir para o bem e para a felicidade”, disse D. João Lavrador.

“Há uma humanidade, hoje, que necessita de quem se ofereça a Jesus de Nazaré para que uma vez aprendendo d’Ele possa oferecer os mesmos gestos de libertação que os homens e mulheres do mundo actual esperam” afirmou D. João Lavrador na missa concelebrada por parte do clero de São Miguel e das diferentes ilhas que acompanhou os trabalhos no Congresso.

“Caros jovens, a Igreja, isto é, a vossa comunidade cristã necessita de vós” afirmou assertivamente D. João Lavrador lembrando que a renovação das comunidades cristãs “só será efectiva quando os jovens ocuparem o seu lugar nos diversos grupos e sectores da pastoral paroquial e se deixarem cativar pelo olhar amoroso de Jesus Cristo que os convida à missão”.

O prelado diocesano, que abriu e encerrou o I Congresso Diocesano de juventude, que integrou um momento de ordenação presbiteral de um novo sacerdote, desafiou os jovens  a não se deixarem aprisionar “pela sensualidade, pelo desejo de poder, pela facilidade ou pelo desejo de posse. Aceitai o convite de Jesus Cristo a partilhar, a segui-Lo e a construir uma nova civilização que será norteada pelo amor”.

Lembrando que há muitas pessoas a necessitarem de “ajuda, de alivio e de sentido para a sua existência”, D. João Lavrador destacou que é com a coragem e a generosidade dos jovens que “temos confiança que o futuro da nossa Região, da nossa Diocese e das nossas comunidades paroquiais se abre cheio de esperança”.

Por outro lado, o prelado diocesano deixou também um apelo às próprias comunidades que, nem sempre, estão despertas para esta necessidade.

“Lanço o apelo às comunidades paroquiais, em todos os seus organismos, para que se abram à presença e participação dos jovens que exigem desinstalação e oferecem uma frescura tão necessárias para o anuncio e testemunho do Evangelho nos tempos em que vivemos, disse ainda,

Depois, interpelando directamente os mais novos que participaram no Congresso Diocesano, lembrou-lhes que devem ser “o rosto de Deus” na nossa cultura e na nossa sociedade, marcadas por um abandono de Deus.

 

Director nacional da pastoral juvenil pede aos jovens para falarem sobre a igreja

O Director Nacional do Secretariado da Pastoral Juvenil, Pe. Filipe Diniz, deslocou-se aos Açores para participar no I Congresso Diocesano da Juventude tendo pedido aos jovens dos Açores para falarem mais de Jesus.

“Este tema não é assunto só para velhos” referiu o sacerdote que pediu aos jovens para falarem mais “da igreja e da vida de Jesus”, testemunhando o que significa o “Deus Amor”. “Falamos com muita gente mas falamos pouco da igreja e de Jesus” disse o Pe. Filipe Diniz, lembrando que as novas tecnologias são uma ferramenta importante, que deve ser utilizada pela igreja, mas exige conhecimentos técnicos e, sobretudo “vontade para estar lá” e “partilhar”.

 

“É preciso professarmos a nossa fé, sem medo e nas redes sociais” até para mostrar “que somos mais” acrescentou o sacerdote, lembrando que ser igreja é ser família e por isso os jovens “deveriam dar o exemplo” apontou. “Ser igreja é sermos família” destacou o sacerdote, porque a fé tem de ser “partilhada e vivida em comunidade e não individualmente”, referiu.

 

“É na juventude que está o futuro da nossa igreja por isso temos de perceber o que eles necessitam e querem de nós”

O Congresso Diocesano de Juventude foi promovido pelo Serviço Diocesano da Pastoral Juvenil, cujo director é o padre Norberto Brum, tendo considerado, a propósito, que “os jovens merecem, a igreja merece e a nossa diocese precisa”, sublinhado a necessidade de haver um maior compromisso entre os jovens e a igreja.

“Os jovens têm necessidade de se entregarem, de darem um contributo” seja em que espaço for, mas naturalmente com uma maior incidência na comunicação social, “de forma clara e acessível”, e depois na família.

Para o padre Norberto Brum, este congresso não foi uma meta “mas sim um ponto de partida para uma maneira de ser e de estar diferentes na igreja açoriana”.

A ideia da elaboração de um guião de debate para a juventude saiu de D. João Lavrador porque a “igreja diocesana precisa de questionar os jovens de forma a que os jovens digam o que querem e o que precisam”, disse.

“Para nós é muito importante sabermos de que forma os podemos acolher porque eles têm uma linguagem muito especifica e nós temos de os ouvir e dar-lhes espaço” acrescentou o prelado.

“Foi muito interessante de ver a forma livre e directa com que abordaram os seus problemas, as suas necessidades e sobretudo as alternativas que têm para poderem participar mais” referiu ainda.

“É na juventude que está o futuro da nossa igreja por isso temos de perceber o que eles necessitam e querem de nós para podermos acolhê-los e eles se sentirem integrados e participantes”, acrescentou.

O Congresso da Juventude decorreu em vários palcos da ilha de São Miguel, com diversas actividades, distribuídos entre as ouvidorias de Ponta Delgada, Povoação e Vila Franca do Campo.

Na Quinta e Sexta-feira os jovens participaram nos trabalhos do Congresso no auditório Camões, em Ponta Delgada. Já na Sexta-feira, decorreu uma Vigília de oração pelo diácono Nuno Fidalgo que Sábado foi ordenado sacerdote. No Sábado, os trabalhos do congresso centraram-se justamente na ordenação, que teve lugar na Povoação, às 11h00.

A noite terminou com um concerto oração com Claudine Pinheiro, no auditório do Convento da Esperança, em Ponta Delgada.

O Congresso terminou no Domingo, com uma Eucaristia no claustro do Convento da Esperança.

 

Por: Olivéria Santos (com Igreja Açores)

 

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