A São Miguel Tours “foi uma oportunidade que a vida me deu e que eu soube aproveitar na altura certa”

Roberto SousaA São Miguel Tours é uma empresa de animação, especializada em organização de passeios turísticos por toda a ilha de São Miguel.

Sob o lema: “Sinta a nossa ilha, connosco”, Roberto Sousa confessa que o seu objectivo passa por mostrar tudo o que há de especial em São Miguel, proporcionando aos clientes que procuram os serviços da sua empresa experiências e sensações únicas de contacto com a Natureza. O empresário, que foi presidente da Junta de Freguesia de Água de Pau durante 16 anos, confessa que depois da política viu no turismo uma oportunidade que decidiu agarrar. Uma aposta que foi ganha, garante.

 

Diário dos Açores – Como nasceu a SM Tours?

Roberto Sousa – Fui presidente da Junta de Freguesia de Água de Pau durante 16 anos e, enquanto político, dei o máximo de mim pela minha terra e pelas pessoas. No entanto, tinha chegado a altura de seguir a minha vida para dar lugar a outros. Nesta altura fiquei sem emprego e tinha que sustentar a minha família. Primeiro tentei a minha sorte no Canadá, onde estive a trabalhar durante uns meses, mas acabei por regressar a São Miguel. Em seguida fui à procura de trabalho por cá. Depois de ter feito alguns biscates, comecei a fazer uns trabalhos na área do turismo por conta de outras pessoas. No entanto, no início de 2015 optei por criar a minha própria empresa e surgiu a São Miguel Tours.

 

Como foi a fase inicial?

RS - No início não foi nada fácil, mas depois da abertura do espaço aéreo dos Açores às companhias de baixo custo o negócio começou a prosperar. Que venham mais companhias. 

Vi neste negócio uma oportunidade de vida para mim, que decidi aproveitar tendo começado totalmente do zero. É que quando tempos dinheiro, não faltam bancos, mas quando precisamos viram-nos todos as costas. Felizmente tive amigos e família que me ajudaram.

Sei falar bem inglês, o que facilita, e a minha experiência como político também ajudou no que concerne ao conhecimento e à história da ilha de São Miguel e dos Açores. Também o facto de ter sido vendedor ambulante durante toda a minha vida foi uma mais-valia porque me possibilitou ter mais conhecimentos ao nível comercial.

Foi preciso trabalhar muito, e ainda se trabalha, mas felizmente, o negócio está a correr bem, tendo começado a correr melhor desde Abril de 2015 que foi quando assistimos a um incremento no turismo em São Miguel.

Não foi a primeira vez que iniciei um negócio totalmente do zero, já o havia feito em outras alturas da minha vida, mas quando temos vontade e queremos trabalhar conseguimos atingir os nossos objectivos.

 

Porque decidiu apostar na área do turismo?

RS – De facto poderia ter enveredado por muitos outros caminhos, sendo certo que o impensável era voltar à política. Também poderia ter ido para vendedor e trabalhar numa qualquer empresa, mas optei pelo turismo por ser algo diferente e por ter visto uma oportunidade nesta área. O turismo sempre foi algo que pensei fazer. Cheguei a equacionar enveredar pelo turismo local, mas acabei por me dedicar aos passeios turísticos também pelo facto de ter feito uns serviços como guia turístico para algumas empresas, o que me fez ver que era algo que eu gostava e sabia fazer.

 

O que a SM Tours tem para oferecer a quem procura os serviços desta empresa?

RS – No início, a empresa não tinha uma grande frota e comecei com o que era possível na altura. Valeu-me muito a minha experiência de vida e a minha personalidade, dando ao cliente alegria e deixando-o feliz com os meus serviços. O meu objectivo é colocar sorrisos nas pessoas. Com o passar do tempo, consegui investir na frota, sendo que a SM Tours possui agora carros com mais qualidade. Porque não basta proporcionar sorrisos e mostrar aos clientes a paixão que tenho pela ilha de São Miguel, também temos que dar conforto aos nossos clientes. Costumo dizer aos meus clientes que São Miguel é a ilha mais bonita do mundo e que vou provar-lhes isso mesmo! Aliás, quem não faz um bom trabalho nesta ilha, é porque não percebe nada disto, porque é muito fácil fazer um bom trabalho nesta ilha, mas é preciso dar o que as pessoas querem. Ou seja: qualidade, informações sobre a ilha e muita atenção ao cliente.

A SM Tours para além de oferecer os passeios clássicos aos pontos turísticos mais emblemáticos da ilha, como Sete Cidades, Furnas, Lagoa do Fogo e Nordeste tem uma oferta, dirigida a famílias, que gosto muito de proporcionar, que é diferenciada e que passa por planear todos os dias de férias de quem me procura. A família contacta-me, diz-me por quantos dias vem e eu faço um plano/roteiro para essa família. Desde que a família chega a São Miguel e até ir embora eu dedico-me por inteiro a essas pessoas, ficando com elas desde a hora que saem de casa até regressarem no fim do dia. Cada família tem os seus gostos, eles informam-me do que querem fazer e eu faço um planeamento conforme o que me é pedido e levo-os a todo o lado, incluindo aos restaurantes que procuro que sejam de qualidade e que não estejam localizados só em Ponta Delgada. Por este motivo, acompanho os clientes e sou eu quem os transporta para eles ficarem mais à vontade. Também organizo passeios termais à noite, saídas com pescadores, entre outras situações.

São Miguel já tem um vasto leque de actividades turísticas, seja em terra, seja no mar, que proporciona que o cliente tenha umas férias sensacionais.

 

Qual o tipo de turista que mais procura a sua empresa?

RS - Neste momento têm sido os americanos, canadianos e alguns turistas de Portugal Continental que mais procuram este tipo de serviço, tendo também muitos clientes que são emigrantes. Trata-se de uma oferta que gosto muito de fazer e em que o cliente não precisa de se preocupar com nada. Muitas vezes, na despedida, em vez de tirar um sorriso, chego a tirar uma lágrima de alegria a alguns clientes. 

 

Trata-se de uma oferta que implica da sua parte uma disponibilidade total…

RS – Sim! Têm sido todos os dias de manhã à noite sempre a trabalhar. Não tem sido fácil, mas é muito gratificante.

 

No Verão o trabalho intensifica-se, ou também na época baixa mantém o mesmo ritmo?

RS – O mês de Agosto é sempre aquele mês potente. Às vezes não consigo dar os dias todos que os clientes me pedem e chega a ser complicado responder a todas as solicitações. No Inverno, o trabalho abranda um pouco, mas já se começa a ver muito turismo na época baixa, principalmente norte-americanos que são clientes muito exigentes, mas também bem pagadores. 

 

A actividade da sua empresa está, actualmente, focada em São Miguel. Há ideias de alargar para outras ilhas?

RS – Não, apesar de já ter organizado uns passeios a Santa Maria utilizando o ferry. O ano passado cheguei a levar clientes a passarem o fim-de-semana em Santa Maria. Este ano ainda não o fiz, mas é algo que é possível fazer até porque conheço bem a ilha vizinha. Ir a outras ilhas é que ainda não fiz e não está nos meus planos.

 

Trabalha sozinho?

RS – No início comecei sozinho, mas agora, com o incremento do trabalho, foi necessário ter alguns colaboradores. Neste momento, ainda não tenho capacidade financeira para aumentar muito mais a equipa, no entanto prefiro manter o que tenho e ir fazendo um bom trabalho.

 

A SM Tours foi uma aposta ganha?

RS – Sim, sem dúvida! Trabalha-se muito de Verão, para poder descansar um pouco no Inverno. Às vezes reza-se no Verão para não virem mais turistas, e reza-se no Inverno para virem turistas (risos)… Mas a SM Tours é de, de facto, uma aposta ganha. Foi uma oportunidade que a vida me deu e que eu soube aproveitar na altura certa.

 

O facto de ter sido político durante 16 anos fá-lo ser crítico em relação ao que vê, por exemplo, e neste caso concreto, ao nível do turismo?

RS - Ao nível do turismo, esta é uma área que carece ainda de alguns melhoramentos e de investimentos. Precisamos de mais e melhores restaurantes, é preciso dar mais um passo em frente ao nível do alojamento, para além de ser necessário dar mais atenção a alguns pontos turísticos. Essa é uma responsabilidade de todos nós. Há lugares que estão sob a alçada do Governo ou das Câmara Municipais que já sofreram melhoramentos como foi o caso, por exemplo da Vista do Rei, nas Sete Cidades, ou do Pico de Ferro que ficaram muito melhores. A Lagoa do Fogo também está a sofrer algumas obras de melhoramento e é preciso dar os parabéns a quem de direito por estas alterações que foram para melhor. Mas ainda há lugares que precisam de uma atenção redobrada. Há sítios em que é uma vergonha e uma pena a forma como estão abandonados. Falo, por exemplo, do miradouro do Pisão que necessitava de uma obra de melhoramento. As pessoas vão para ali para ver Santa Maria, quando se consegue avistar, porque não sê vê mais nada! Para além do Pisão, há outros miradouros nas mesmas condições que precisam de intervenções das nossas entidades oficiais.

As Furnas, que são a sala de estar da ilha de São Miguel, precisam de outra imagem. Não se pode pagar para entrar na zona das caldeiras, para vermos o mesmo que se via há 25 anos atrás. A meu ver, aquele espaço necessita ser melhorado. O parque de estacionamento está sem condições, anda-se à volta das caldeiras e, à saída, vemos um camião parado num lado, outro no lado oposto, a venderem algumas coisas, e nada mais! Até não me importava de dar 2 euros ou mais, se fosse preciso, mas para estar num espaço melhorado e com mais qualidade. Actualmente pagamos para ir à Caldeira Velha, mas vale a pena porque aquele espaço está bonito, foi melhorado e está aprazível para o cliente. Outro exemplo é a poça da D. Beija. Dizem que está cara a entrada, mas é um valor que está ao nível da qualidade que se encontra lá. O turista paga, mas não reclama porque sai satisfeito.

 

Como profundo conhecedor da ilha de São Miguel o que um turista não pode, impreterivelmente, ir embora sem ver?

RS – Toda a ilha é linda! O grande postal de São Miguel são as Sete Cidades e o lugar mais interessante são as Furnas. A meu ver, estes dois lugares têm que ser visitados. Por outro lado, temos uma Lagoa do Fogo impressionante, uma Caloura fantástica, as praias, o Nordeste, o ilhéu de Vila Franca do Campo… tudo é bonito! Ao nível mais cultural temos o ananás, o chá, ou a Cerâmica Vieira, isto sem falar no que já perdemos, como é o caso das vindimas. Era bom que quem ainda tivesse terras com vinha que pudesse abrir as portas dos seus terrenos para que os turistas pudessem ver como se pratica esta cultura e como se fazia antigamente. Há lugares onde é possível fazer isso, por exemplo na Caloura ou em Vila Franca do Campo.

 

Como olha para o futuro da SM Tours?

RS – Dentro de um mês vou completar 50 anos. Neste momento a minha preocupação passa por desenvolver um bom trabalho. Não tenho objectivos de ter uma grande empresa, quero, isso sim, fazer alguns melhoramentos nas viaturas. Prefiro fazer menos, mas com o máximo de qualidade possível e temos condições para isso. Prefiro aumentar na qualidade em vez de ser na quantidade. Gosto muito do que faço e será para continuar enquanto puder. Quando se faz com amor e com paixão à terra é mais fácil realizar um bom trabalho. 

 

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