Secretário da Saúde ignorou pedido da Protecção Civil para abrir inquérito

hospital ilha terceiraO Secretário Regional da Saúde, Rui Luís, ignorou um pedido do Presidente do Serviço Regional de Protecção Civil, Carlos Neves, solicitando que fosse aberto inquérito ao caso do helicóptero “desviado” pela Presidente do Hospital de Angra, Olga Freitas, na evacuação de um familiar.

Da investigação que fizemos e cujo principal relato publicámos na edição do passado dia 8 de Agosto, sabemos agora que o Presidente da Protecção Civil enviou, por escrito, ao Secretário Regional uma carta a pedir a intervenção da Inspecção Regional de Saúde a todo o processo, alegando a gravidade dos acontecimentos, conforme relato da equipa médica responsável pelas evacuações.

Fontes da Secretaria Regional da Saúde, contactadas pelo nosso jornal, recusam-se a falar do assunto, “receando represálias”, mas todas se recordam do assunto ter sido bastante analisado e comentado internamente, causando “muita tensão nas hostes”.

Do que conseguimos apurar, logo a seguir ao referido “desvio” do helicóptero, no dia 2 de Fevereiro de 2017, o Secretário Regional da Saúde foi alertado para o problema e que a equipa médica iria apresentar queixa.

 Rui Luís terá reunido de emergência com a sua principal equipa, entre os quais o filho da Presidente do Hospital, que é seu adjunto, e ordenou, segundo uma das nossas fontes, “que se fizesse o máximo possível para minimizar estragos”.

Foi nesta sequência que o Director Regional de Saúde tratou logo de considerar que “não havia necessidade de inquérito” e, de acordo com a mesma fonte, “tudo foi feito para que o assunto não viesse a público”.

O pedido da Protecção Civil para a abertura de inquérito foi enviado cerca de um mês depois dos acontecimentos envolvendo a Presidente do Hospital de Angra e nunca obteve resposta.

Ao ser pressionada pela equipa médica para conhecerem o andamento do processo, a Secretaria Regional optou então por reunir com os médicos reguladores, a 10 de Maio e a 14 de Junho de 2017 (dois e três meses dois), em encontros que decorreram em Ponta Delgada, conforme relato do próprio Secretário Regional ao nosso jornal, “onde foram debatidos diversos assuntos, mas focando sobretudo as evacuações aéreas e o relacionamento entre o médico regulador e os restantes intervenientes, reforçando-se que a tomada de decisões, responsabilidade e autoridade é do médico regulador. Posteriormente foi efectuada uma reunião na Zona Aérea dos Açores, versando as mesmas matérias, onde estiveram presentes médicos reguladores, médicos da unidade de evacuações aéreas do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira e responsáveis militares. Também nessa reunião ficou bem claro quais eram as responsabilidades de cada uma das entidades e a autoridade do médico regulado

Ainda de acordo com as nossas fontes, “foram reuniões sem nenhum efeito prático, porque todas as definições do papel de cada interveniente estão plasmadas em despacho oficiais publicados em Jornal Oficial, pelo que se tratou apenas de uma acção para tentar aliviar tensões e desmobilizar os queixosos”.

A verdade é que o assunto foi caindo no esquecimento, incomodando muita gente, até ao dia em que, um ano e meio depois, o “Diário dos Açores” revelou o caso.

Entretanto, a carta do Presidente da Protecção Civil, pedindo a abertura de um inquérito, continua na gaveta da Secretaria sem resposta.

O inquérito vai ser aberto, um ano e meio depois, por ordem do Presidente do Governo, Vasco Cordeiro.