Seria “inconcebível imaginar um mês de Agosto em Santa Maria sem a realização da Maré”
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- Publicado em 23-08-2018
- Escrito por Olivéria Santos
De hoje até Domingo, 26 de Agosto, a Praia Formosa, na ilha de Santa Maria, volta a acolher mais uma edição do mais antigo Festival de Portugal: a Maré de Agosto. O evento, que já vai na sua 34ª edição, atrai todos os anos milhares de pessoas à ilha do Sol e é já uma referência não só em Santa Maria, como também nas restantes ilhas dos Açores.
O Diário dos Açores falou com Hélvio Braga, director do Festival e Presidente da Associação Cultural Maré de Agosto, entidade que organiza este Festival Internacional de Música.
Diário dos Açores – Arranca hoje mais uma edição do Festival Maré de Agosto. Ansioso?
Hélvio Braga - Naturalmente, apesar da experiência de toda a equipa organizativa do Festival, há sempre alguma ansiedade até que se ouçam os primeiros sons no Palco da Maré. O início do Festival é o culminar de muitos dias de trabalho, de muitas horas entre a sede da Associação e o recinto do Festival, e, como tal, há sempre alguma ansiedade, na expectativa que tudo se inicie da melhor forma. Muito à semelhança do que acontece com os artistas quando sobem ao nosso palco e iniciam os seus concertos.
Como correram os preparativos? Muitos imprevistos?
HB - Organizar um evento desta dimensão numa ilha como Santa Maria, é sempre uma tarefa propícia para que possam ocorrer alguns imprevistos durante a fase de preparação do Festival. Este ano não foi excepção, mas felizmente através do esforço de todos os nossos parceiros e de um conjunto fantástico de colaboradores e voluntários, foi possível ultrapassar os imprevistos e iniciar dentro de algumas horas, aquela que acredito que será mais uma grande edição do Festival Maré de Agosto.
Quais as perspectivas para este ano?
HB - Este ano conseguimos novamente reunir um excelente conjunto de artistas nacionais e internacionais que nos dão garantidas de um cartaz com muita qualidade cultural e musical, e nesse sentido, as nossas perspectivas são as melhores. Temos o regresso do Fado com Camané, do Reggae com Groundation, temos a celebração dos 20 anos de carreira dos Marienses Ronda da Madrugada, temos os regressos de Terrakota e Olive Tree Dance, entre muitos outros artistas, e como tal as nossas perspectivas são muito boas, tendo a esperança que iremos corresponder à expectativas dos nossos festivaleiros.
Fazer 34 anos, é um orgulho?
HB - Sem dúvida! Um orgulho que se estende a todas as pessoas que fazem ou fizeram parte das Direcções do Festival, um orgulho para todos os sócios da Associação, para todos os Marienses, para todos os nossos parceiros e para todos aqueles, que de uma forma ou de outra, contribuíram para que a Maré seja actualmente em Portugal, o mais antigo festival de música em continuidade e por essa via o festival açoriano de maior notoriedade nacional.
A seu ver o que representa a Maré de Agosto não só para todos os marienses, mas também para todos aqueles que fora da ilha de Santa Maria fazem questão de marcar presença neste festival?
HB - Para todos os Marienses ou para quem propositadamente visita o Festival, penso que seria completamente impossível e inconcebível imaginar um mês de Agosto em Santa Maria sem a realização da Maré, e julgo que isso representa muito bem a sua importância para ilha e até para a região. Além de ser o maior evento cultural, de reconhecido interesse público e mérito cívico, é sem sombra de dúvida o maior acontecimento impulsionador da economia mariense durante o período de Verão, sendo vital para os sectores da animação turística, hotelaria, restauração e comércio. Além disso, pela sua história o Festival marca o Verão da ilha, havendo o sentimento claro de todos quantos conhecem a Maré de Agosto e Santa Maria de que existe um período de Verão pré Maré e pós Maré.
E para si, enquanto Presidente da Associação que organiza este evento, o que representa a maré?
HB - Actualmente e enquanto presidente da Associação Cultural Maré de Agosto, o Festival representa fundamentalmente uma grande responsabilidade. É um evento com uma enorme história que surgiu e se mantém pelo esforço, trabalho e persistência de muitas pessoas. É no fundo uma missão e compromisso em dar continuidade ao Festival, sabendo adaptar cada edição à realidade do mundo e das tendências musicais, sem nunca esquecer os princípios e linhas orientadoras que levaram ao surgimento da Maré enquanto Festival da música do mundo, dos encontros e reencontros de gerações.
Lembra-se dos seus primeiros passos neste Festival?
HB - Sim, sendo praticamente da idade do festival, e ainda sem memória, os primeiros passos foram dados em família, muitas das vezes fora até do recinto da Maré, nas mantas que muitas pessoas habitualmente colocavam na berma da estrada de Malbusca, a partir da qual era possível visualizar o Palco da Maré. Mais tarde, já no interior do recinto e sob o olhar atento dos meus irmãos mais velhos, as primeiras memórias recordam os concertos de Extreme, Gabriel O Pensador, Ronda, Rui Veloso, Xutos entre muitos outros…
Relativamente ao cartaz, houve este ano algum cuidado mais especial, alguma aposta mais particular?
HB - À semelhança de anteriores edições, este ano trabalhamos no sentido de apresentar um cartaz o mais equilibrado possível nos três dias de festival e com a maior qualidade artística possível dentro daquela que é a nossa capacidade e disponibilidade orçamental. Fizemos questão de manter os nossos critérios habituais para a elaboração do nosso alinhamento musical, nomeadamente através da presença de vários géneros musicais, respeitando as várias gerações de festivaleiros que passam pela Maré, através da selecção de artistas e projectos representativos de diferentes culturas e que dificilmente teriam oportunidade de actuar em qualquer outro palco dos Açores, assim como artistas de reconhecido mérito internacional, no seio dos seus géneros musicais, sem fazer como habitualmente a distinção de cabeças-de-cartaz, assumindo igual importância todos os artistas presentes na 34 edição.
Qual a parte mais difícil na organização de um Festival como o da Maré?
HB - Actualmente a parte mais difícil na organização de um Festival como a Maré é, claramente, toda a operação logística que envolve o transporte de equipamentos, técnicos e artistas. Além de ser a componente mais dispendiosa da produção do festival, é também aquela que exige maior articulação e coordenação por parte da organização, muito por culpa das limitações de uma ilha como Santa Maria, ao nível das ligações aéreas e marítimas.
Neste momento em que posição está a Maré de Agosto numa altura em que proliferam festivais por quase todas as ilhas dos Açores e, em particular, em São Miguel?
HB - Pessoalmente julgo que a Maré deverá manter a sua posição de Festival com características únicas no arquipélago, disponibilizando um cartaz verdadeiramente distinto dos restantes festivais dos Açores. O presente e futuro devem preservar a nossa capacidade de conciliar a música do mundo, a música dos Açores e os novos valores do panorama musical nacional. Se nos tentarmos colocar ao nível dos festivais das ilhas mais populosas, que baseiam os seus cartazes na música mainstream, penso que aí sim, teremos sérias dificuldades perante esses festivais que estão vocacionados para um público-alvo tendencionalmente maior que o nosso.
A realização, nos últimos anos, de outros festivais em datas próximas à da Maré prejudica o Festival de Santa Maria?
HB - Em certa forma é possível que venha a prejudicar, uma vez que, a maior percentagem dos nossos festivaleiros vem das ilhas onde ocorrem inúmeros festivais antes da Maré de Agosto. Se atendermos às limitações financeiras dos nossos jovens, estes são naturalmente forçados a fazer opções e por vezes a escolha recai pelo festival “à porta de casa” em detrimento de uma viagem a Santa Maria.
Quem gostaria de levar à Maré se tivesse hipótese?
HB - Muitas seriam as hipóteses, levariam algum tempo a decidir e está prestes a começar mais uma edição…
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