Aumento da população açoriana entre 2001 e 2011 foi abaixo da média nacional
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- Publicado em 01-07-2011
- Escrito por Manuel Moniz
A população residente nos Açores aumentou 1,79 por cento nos últimos dez anos, para 246.102 habitantes, mas apenas em sete dos 19 concelhos ao arquipélago se registou crescimento demográfico.
Com estes dados, os Açores continuam a ser uma das regiões com menor capacidade de aumentar a sua população. A nível nacional, apenas duas regiões viram a sua população reduzir (Centro, com -0,09%, e o Alentejo, com -2,3%). O Norte apenas conseguiu crescer 0,07%, e os Açores 1,79%, o que fica ainda abaixo da média nacional de 1,93%. O Algarve é a região com maior aumento, atingindo os 13,98%, seguindo-se a Madeira com 9,94% e Lisboa com 5,79%.
Segundo os dados provisórios dos Censos 2011 ontem divulgados, enquanto o concelho da Ribeira Grande viu aumentar a sua população em 12,5 por cento, a Calheta, em S. Jorge, registou um decréscimo demográfico de 11,11 por cento.
O Censos confirma a tendência das últimas décadas de redução da população das ilhas menos populosas – Santa Maria, Graciosa, S. Jorge, Pico e Flores (o Corvo revelou-se uma excepção com um acréscimo de 9,36 por cento).
Ponta Delgada, concelho em que se situa a capital da ilha viu aumentar o seu número de residentes em 4,4 por cento, para 68,7 mil e a Ribeira Grande, com a segunda cidade, para 32 mil.
Embora com crescimentos mais modestos (2,15% por cento), a Lagoa, concelho limítrofe de Ponta Delgada, a Vila Franca do Campo (0,94%) viram também aumentar a sua população, registando-se quebras nos concelhos micaelenses do Nordeste (7, 01%) e Povoação (6,13%).
Na ilha Terceira, segunda mais populosa ilha do arquipélago, Angra do Heroísmo perdeu 1,7 por cento dos seus habitantes, enquanto a Praia assistiu a um acréscimo de 4,12 por cento. O único concelho da ilha de Faial, onde se localiza a cidade da Horta, verificou uma descida no número de residentes no decénio pouco significativa, 0,07 por cento.
O caso da
Ribeira Grande
O presidente da Câmara da Ribeira Grande, Ricardo Silva, considerou ontem que a “centralidade” e a “melhoria das condições de vida” justificam o aumento em 12,5 por cento da população residente no concelho nos últimos dez anos.
Em declarações à agência Lusa, Ricardo Silva considerou que “a melhoria do parque habitacional e o aumento do número de empresas e de postos de trabalho disponibilizados explicam o fenómeno”. O crescimento da população “terá também que ver com a melhoria das acessibilidades que permitiu à Ribeira Grande potenciar a sua centralidade face aos outros concelhos da ilha de S. Miguel”, acrescentou.
Segundo sublinhou, “o crescimento demográfico deveu-se mais à procura por residentes em outros concelhos do que ao aumento da taxa de natalidade”.
Ricardo Silva disse que as freguesias urbanas da Ribeira Grande, a Calheta, o Pico da Pedra e Rabo de Peixe viram aumentar o seu número de habitantes, enquanto as povoações da zona nasceste (Porto Formoso, Maia, Lomba da Maia, Fenais da Ajuda e São Pedro) registaram uma estabilização demográfica.
