Houve “múltiplas interferências” e “quebra grave no protocolo”

hospital angraConforme a carta de demissão que publicamos na nossa edição do passado Sábado, a Presidente do Hospital de Angra do Heroísmo, Olga Freitas, a determinada altura escreve que “as indecisões em nada abonam a favor do bom funcionamento da Administração, aliás, como ficou provado na noite de 2 de fevereiro de 2017 com a indecisão da médica reguladora Dra. Manuela Henriques”.

A médica visada enviou ontem ao nosso jornal, com o pedido de publicação, a seguinte carta:

“Esclarecimento público ao caso ocorrido a 2 de Fevereiro de 2017,  em funções de regulação médica da SIV.

Apesar de haver exposto, logo após o acontecido, ao meu superior, todos os factos ocorridos e de, mais recentemente, ter prontamente respondido em processo de averiguações por parte da inspeção da saúde, vejo-me, infelizmente, moralmente obrigada a partilhar ao público geral alguns factos. 

Àquela data, encontrava-me a cumprir funções que me haviam sido confiadas, de regulação médica da SIV, funções essas que incluíam a decisão e priorização do transporte de vítimas, de acordo com ferramentas próprias protocoladas para esse efeito, contextualizadas com base em conhecimentos prévios e informações fornecidas pelos médicos referenciadores, que avaliam e monitorizam previamente as vítimas. 

Saliento que sempre desempenhei essas funções com responsabilidade e zelo, ciente da sua importância fulcral, tendo por base conhecimentos adquiridos na minha especialização em medicina intensiva e na vasta experiência de tratamento de doentes críticos, avaliação de prognósticos e elaboração de planos terapêuticos. 

Vendo sugerido que da minha parte teria havido indecisão e demora de atuação, mais informo que indecisão nunca houve, sendo que a demora eu mesma a lamentei e justifiquei nessa mesma ocasião, tendo resultado das múltiplas interferências, não só diretamente comigo, mas com grande parte dos intervenientes no processo, culminando numa decisão tomada por outro que não o médico regulador, como seria da sua competência e obrigação. 

Considerando ter havido uma quebra grave no protocolo, ciente de que poderiam ter havido consequências para as vítimas, o que felizmente não se verificou, decidi que desde essa data não poderia mais colaborar com a proteção civil no desempenho dessas funções. 

Sem mais a acrescentar, continuarei a aguardar, conforme prometido pelo nosso Exmo. Presidente do Governo, as conclusões do processo de averiguações.

 

Ponta Delgada 24/09/2018

 Manuela Henriques.”