Enguia pelicano observada pela primeira vez a caçar presa nos Açores

enguia pelicano

A tripulação do submarino científico tripulado LULA1000 conseguiu, pela primeira vez, registar um vídeo de uma enguia pelicano a caçar uma presa em grande profundidade 

A observação foi feita a 1000 metros de profundidade a sul da ilha de São Jorge pelos operadores do submersível tripulado LULA1000, Kirsten e Joachim Jakobsen. Esta é a primeira vez que este peixe bizarro foi observado directamente por homens no seu habitat. 

O vídeo, muito recentemente publicado pela revista Science Magazine, nos Estados Unidos, mostra uma enguia pelicano a caçar uma presa activamente: https://www.youtube.com/watch?v=ph6R0yY2WzI

Muito pouco se sabe sobre esta espécie de peixes que vivem em profundidades extremas. O seu nome enguia pelicano (Eurypharynx pelecanoides) deve-se à sua capacidade de ampliar a sua cabeça para captar a presa, semelhante aos pelicanos.  

Até à data, os cientistas pensaram que estes animais se alimentariam de forma mais passiva, pendurados verticalmente na água, à espera que os alimentos lhes caíssem de cima na boca. Este vídeo é a primeira evidência de que esta espécie de peixe de facto persegue activamente e caça a sua presa, em vez de apenas esperar que a presa “caia” na sua boca. 

Além disso, os cientistas ficaram surpreendidos ao ver o quanto a boca pode ser ampliada para sugar a presa, e que esses peixes realmente nadam como enguias, o que não se esperava visto o seu corpo magro e aparentemente frágil.

O vídeo é também uma surpresa em relação ao habitat desta espécie de peixe: em estudos anteriores, todas as espécimes tinham sido capturadas de forma pelágica ou batipelágica, no Atlântico, entre os 500 e os 3000 metros de profundidade - muito acima do fundo do mar. Este vídeo, ao contrário do que foi assumido até agora, mostra uma enguia pelicano a caçar a sua presa - muito perto do fundo do mar. 

Tais conhecimentos sobre o comportamento da fauna do mar profundo só podem ser obtidas por observação directa nas profundezas, em sítio. Estas observações fornecem informações valiosas sobre a biologia e adaptações de organismos do mar profundo.  

O submersível LULA1000 está a ser operado pela Fundação Rebikoff-Niggeler, instituição de Utilidade Pública com sede na ilha do Faial (www.rebikoff.org).

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