“Não vale a pena fazer foguetório com o ‘rating’ porque não apaga as dívidas”

Mario fortuna111“Não vale a pena fazer foguetório com esta baixa do ‘rating’ da Moody’s, porque é uma coisa normal, e não apaga as dívidas aos fornecedores” - é assim que Mário Fortuna, Presidente da Câmara do Comércio dos Açores reage às declarações do Vice-Presidente do Governo, Sérgio Ávila, que ontem  manifestou satisfação com a nova notação da agência financeira Moody’s, salientando que a subida do ‘rating’ da Região confirma a “solidez e o equilíbrio” das finanças públicas regionais. 

“Efectivamente, mais esta melhoria do ‘rating’ da Região evidencia e confirma aquilo que temos vindo sempre a afirmar sobre a solidez das finanças públicas regionais, o equilíbrio das finanças públicas da Região, que é agora reconhecido pela agência de notação internacional”, afirmou Sérgio Ávila. 

Considerando que a subida do ‘rating’ do país, na semana passada, originou um reconhecimento e uma satisfação generalizada a nível nacional, o titular da pasta das Finanças espera que “as entidades da Região façam o mesmo em relação ao ‘rating’ agora anunciado para os Açores”.

Refere o executivo que a situação das finanças públicas regionais dos Açores “tem vindo a ser confirmada, consecutivamente, por todas as entidades nacionais e internacionais com competência na matéria”, salientou Sérgio Ávila, que espera uma nova subida do ‘rating’ dos Açores no próximo ano.

A agência de notação financeira Moody’s melhorou os ‘ratings’ atribuídos aos Açores, de ‘Ba2’ para ‘Ba1’, e à Madeira, de ‘B1’ para ‘Ba3’, e reviu em baixa a perspetiva para ambas as regiões autónomas de positiva para estável.

Em reacção a estas declarações, o líder dos empresários açorianos, Mário Fortuna, declarou ao “Diário dos Açores” que o ‘rating’ baseia-se “numa avaliação dos factores de risco de um credor. Ora, se Portugal está a melhorar, fruto do esforço e equilíbrio destes últimos anos, os Açores beneficiam disso, porque estão inseridos em Portugal, influenciados pelo ‘rating’ nacional”.

Mário Fortuna sublinha que “os Açores estão sempre acoplados ao ‘rating’ nacional, acompanha o Estado, à semelhança do que aconteceu antes quando também baixou”.

“A Madeira, como se sabe, foi resgatada pelo Estado português, porque tinha os problemas que todos sabemos, e aqui poderá acontecer o mesmo, quando também não estivermos em condições de pagar”, reforça Mário Fortuna.

O Presidente da Câmara do Comércio diz que, o reflexo disso, é que “os Açores estão a financiar-se à mesma taxa que o resto do país e devia financiar-se mais para pagar as dívidas aos fornecedores. O problema é que corre o risco de estragar as contas nacionais...”, conclui Mário Fortuna.