A líder do PSD/Açores afirmou segunda-feira que o Serviço Regional de Saúde (SRS) pode melhorar os cuidados prestados aos utentes “gastando melhor” os recursos de que dispõe e garantiu que a primeira “grande tarefa” de um governo social-democrata é “sanear financeiramente” o setor.
“A primeira grande tarefa é sanear financeiramente o SRS, garantindo uma eficiente utilização dos recursos disponíveis e uma rigorosa contenção de gastos, combatendo a ineficiência e o despesismo descontrolado, promovendo a efetiva responsabilização dos gestores das unidades de saúde pelos seus orçamentos e assegurando transparência, certeza e previsibilidade na relação financeira da Região com as unidades de saúde”, disse Berta Cabral, num seminário sobre políticas de saúde e cuidados paliativos, integrado nas jornadas parlamentares do partido.
A líder social-democrata salientou que o SRS, cuja dívida é “superior a 600 milhões de euros”, pode prestar cuidados de saúde melhorados aos açorianos “gastando melhor os recursos de que dispõe”, necessitando, por isso, de uma “reforma exigente e cuidadosa” que assegure o “acesso efetivo de todos aos cuidados de saúde, dum modo tendencialmente gratuito”.
“O SRS apresenta um acentuado descontrolo dos gastos públicos, que coloca em causa a sua sustentabilidade e as suas prestações e é disfuncional entre os seus três níveis: cuidados primários de saúde, cuidados hospitalares e cuidados continuados”, sublinhou.
Berta Cabral referiu que outros dos objetivos do partido é “aumentar a cobertura” dos cuidados primários de saúde para que todos os açorianos tenham médico de família, o que será alcançado através de uma “nova contratualização” com os médicos de clínica geral e familiar do setor público “que aceitem aumentar as suas listas de utentes” ou do setor privado que “aceitem utentes do SRS, mediante um preço de consulta convencionado”.
A líder social-democrata recordou que cerca de 60 mil açorianos não têm médico de família e as listas de espera, “longas e demasiado demoradas, constituem uma vergonha social”.
A presidente do PSD/Açores destacou que, “apesar dos enormes recursos financeiros à sua disposição ao longo dos anos, os governos da responsabilidade do PS foram incapazes de garantir um acesso universal e justo dos açorianos aos cuidados primários de saúde”.
“Poderemos ainda obter ganhos de eficiência e de prestação de cuidados de saúde com a reforma do funcionamento e gestão dos centros de saúde, aproximando-a de novos modelos, mais modernos e mais próximos das pessoas, otimizando o papel dos médicos, enfermeiros e técnicos de saúde”, frisou.
Berta Cabral revelou que outra das tarefas de um governo social-democrata no sector é “humanizar a prestação dos cuidados de saúde”, garantindo que as pessoas sejam “tratadas com dignidade e estimulando um maior protagonismo dos cidadãos na utilização dos serviços de saúde, permitindo a liberdade de escolha, no quadro de novas regras de acesso a definir, do médico de família ou do centro de saúde ou do hospital”.
A líder social-democrata lembrou que, apesar da existência de legislação regional que criou, em 2008, a rede regional de cuidados continuados integrados, “na verdade as coisas não passaram do papel”.
“Não há nenhum recurso de cuidados paliativos a funcionar na Região, embora estejam nomeadas equipas nos hospitais e centros de saúde, desde março de 2010. Nos Açores há profissionais com formação nesta área, os quais, infelizmente, não conseguem desenvolver o seu trabalho por deficiente gestão e organização das unidades de saúde”, considerou.
De acordo com Berta Cabral, a atenção devida “aos que sofrem e às suas famílias, minimizando a dor física e o sofrimento emocional, impõe-se como uma prioridade num SRS que se deseja mais humano”, estimando-se que cerca de quatro mil pessoas por ano necessitem de cuidados paliativos.
“Também quanto aos cuidados paliativos, já não há desculpas para que o governo regional não faça o que é exigível, em nome da ética e da dignidade de cada pessoa”, disse.
Berta Cabral alerta para “dificuldades financeiras dos hospitais açorianos”
A presidente do PSD/Açores mostrou-se segunda-feira à tarde “preocupada com a situação financeira dos hospitais açorianos”, que considerou ser “uma questão que carece de grande atenção e que é motivo de grande preocupação para os seus gestores, pois, neste momento, a banca está com muita dificuldade de concessão de crédito”, frisou, recordando que “os três hospitais da região têm vivido com crédito alheio”.
Berta Cabral falava após reunir com a administração do Hospital da Horta onde referiu que “tem sido através do financiamento bancário, do factoring, e de outros mecanismos de financiamento, através da Saudaçor, que se vai fazendo a gestão dos hospitais. Ou seja os recursos financeiros são escassos, numa situação que é muito delicada a nível regional, e o hospital da Horta não é excepção”, avançou.
A líder social-democrata defendeu “uma estratégia para esta unidade de saúde, dentro do contexto regional, em que a manutenção de um vasto conjunto de valências possa optimizar os cuidados de saúde prestados, que não se resumem ao Faial, mas também se estendem ao Pico, Flores e Corvo”, concluiu.
Governo reafirma que são cada vez menos os açorianos sem médico de família
A Secretaria Regional da Saúde através de nota difundida junto da comunicação social esclarece que “o número de açorianos sem médico de família são 36.200 e não 60 mil como, erradamente, foi referido pela líder do PSD, em declarações prestadas na Horta.
Com a entrada dos oito médicos colombianos e dos quatro internos que terminaram o curso, a situação alterou-se bastante e segundo Miguel Correia “nunca, como agora, houve tantos açorianos com médico de família” e isto deve-se “à política que o governo tem feito de ir contratar médicos ao estrangeiro e de formar médicos no Serviço Regional de Saúde”.
Relativamente ao valor da dívida do sector da saúde a secretaria lembra que todos os dados são conhecidos do Tribunal de Contas e, ainda recentemente, foram objecto de debate na Assembleia Legislativa Regional, tenho o Vice-presidente do Governo esclarecido, até ao cêntimo, os valores em causa.
Acresce que o Governo tem já um plano traçado, que visa uma reorganização dos serviços com o objectivo de reduzir os custos da saúde e conseguiu já alterar a evolução negativa do sector. E, ainda bem que, nos Açores, se iniciou este processo mais cedo, para se evitarem as situações que todos os dias são notícias no plano nacional, no sector da saúde.
O Secretário da Saúde estranha que este assunto volte à baila, sem dados novos, sem novas evidências, repetindo uma cassete já gasta, com soluções mágicas para resolver o sector. O que nós queremos ver são medidas e soluções específicas.
Para Miguel Correia, “o PSD terá de que fazer na Região mais do que copy/paste do que o Governo da República está fazer no continente, porque muitas dessas medidas já foram implementadas pelo executivo açoriano”.
A presidente do PSD/Açores, Berta Cabral, comentou ontem a decisão de Carlos César não se candidatar a um novo mandato como presidente do executivo regional, frisando que “não basta mudar de caras”, é necessário “mudar de políticas”.
“Não basta mudar as caras, nem rodar de cadeiras, é preciso mudar de pessoas, de políticos e de políticas”, afirmou Berta Cabral, para quem o “novo ciclo” político que se está a iniciar na região faz-se com a “mudança para o PSD”.
A líder regional do PSD/Açores, que falava aos jornalistas no final de uma reunião com o Conselho de Administração do Hospital da Horta, no Faial, considerou que a decisão de Carlos César de não se recandidatar e a escolha de Vasco Cordeiro como candidato do PS às eleições regionais de 2012, não representa a “verdadeira alternância” que é necessária no arquipélago.
Berta Cabral, que será a candidata do PSD/Açores à presidência do Governo Regional nas eleições do próximo ano, recordou que foi “o próprio PS” que disse estar “na altura de mudar”, tarefa em que o PSD/Açores tem estado “há muito empenhado”
“Nós temos o nosso trabalho, a nossa própria estratégia e o nosso percurso até 2012, empenhados numa alternância e numa mudança substancial de governo e de políticas dentro do arquipélago”, frisou.
Para Berta Cabral, “há políticas que têm de ser alteradas”, no sentido de garantir “sustentabilidade à economia” regional, criar mais emprego e fazer crescer a atividade económica.
No final deste encontro com a administração do Hospital da Horta, Berta Cabral manifestou preocupação com a situação financeira dos hospitais açorianos, em especial o que hoje visitou, que serve os habitantes de quatro ilhas (Faial, Pico, Flores e Corvo).
“É uma questão que carece de grande atenção e é motivo de grande preocupação para os seus gestores, porque, neste momento, a banca está com muita dificuldade de concessão de crédito”, frisou, recordando que os três hospitais da região têm vivido com “crédito alheio”.
“Não estou a tratar do meu futuro político, mas do futuro da nossa região. As observações sobre a relação entre a decisão que tomei e a participação na vida política nacional são ocupações ociosas de alguns observadores que não compreendem os Açores”, afirmou Carlos César em declarações aos jornalistas em Ponta Delgada.
Carlos César frisou ser “viciado nos Açores”, acrescentando que, em termos políticos, “nada” o faria sair do arquipélago.
O líder regional socialista, que anunciou na sexta-feira a decisão de não se candidatar a um novo mandato como presidente do governo regional nas eleições de 2012, frisou, no entanto, que pretende continuar na vida política depois de terminar o actual mandato.
“Sou um ser político, sou um cidadão de corpo inteiro e a cidadania exerce-se também nessa dimensão”, frisou, remetendo para “o tempo devido” a decisão sobre quais as funções que poderá vir a desempenhar.
Nas primeiras declarações que prestou aos jornalistas depois da escolha de Vasco Cordeiro como candidato do PS à presidência do executivo regional nas eleições de 2012, Carlos César elogiou o “grande exemplo de unidade, consciência e responsabilidade” que o partido deu.
O líder do PS/Açores referia-se ao facto de o partido ter escolhido, por unanimidade, em dois órgãos diferentes, no espaço de dois dias o seu candidato às eleições regionais.
“Vasco Cordeiro conquistou rapidamente o coração dos socialistas açorianos, agora a sua tarefa é conquistar solidamente o coração de todos os açorianos”, afirmou, acrescentando que o atual secretário regional da Economia é “é o que os Açores precisam”.
“Ele merece a confiança dos açorianos, é competente, inovador, criativo”, frisou.
Carlos César escusou-se, no entanto, a revelar se vai manter-se na presidência do PS/Açores até às eleições regionais de 2012 ou se passará o cargo para Vasco Cordeiro, considerando que “uma coisa não tem relação com a outra”, além de ser “um detalhe” em que os socialistas ainda não pensaram.
No mesmo sentido, não revelou se pretende candidatar-se a deputado nas regionais do próximo ano, frisando apenas que não tem preocupações nessa área.
“O meu objectivo é continuar a garantir um governo eficiente, de combate, capaz de ajudar as famílias e as empresas nesta situação difícil”, afirmou.
Para o PSD/Açores, trata-se de uma “questão interna” dos socialistas açorianos, pelo que o partido “não faz comentários”, afirmou à agência Lusa o líder parlamentar social-democrata, Duarte Freitas.
No mesmo sentido, Zuraida Soares, coordenadora regional do BE/Açores, considerou que a escolha do sucessor de Carlos César é uma decisão “apenas do PS”, frisando, no entanto, que “mais do que os protagonistas, o que interessa são as políticas”.
A Lusa durante o fim de semana não conseguiu contactar o líder regional do CDS/PP nos Açores, Artur Lima, mas este partido já se tinha escusado na sexta-feira a comentar a decisão de Carlos César de não se candidatar de novo à presidência do governo em 2012, tendo uma fonte do partido admitido que o silêncio se deve manter sobre a escolha de Vasco Cordeiro.
Por seu lado, Aníbal Pires, coordenador regional do PCP/Açores, considerou que esta escolha “não constitui uma surpresa”, admitindo que era “esperado” que Vasco Cordeiro viesse a assumir “este protagonismo”, apesar de considerar que o futuro candidato a presidente do Governo Regional “terá muitas dificuldades” em impor-se devido à crise financeira.
Paulo Estevão, líder nacional e regional do PPM, também afirmou não ter ficado surpreendido com a escolha de Vasco Cordeiro, que considerou ser “mais do que evidente”, apesar de salientar que se trata de uma figura “fragilizada” dentro do executivo regional devido aos “falhanços” na política económica, no turismo e no processo de construção de novos navios.
O presidente do PS/Açores, Carlos César, anunciou na sexta-feira que não se vai candidatar a um novo mandato como presidente do governo regional nas eleições de 2012 e hoje, por unanimidade, o Secretariado e a Comissão Regional do partido aprovaram a escolha de Vasco Cordeiro como candidato socialista à presidência do executivo nas regionais do próximo ano.
Nas declarações que prestou aos jornalistas depois de confirmada a sua escolha, Vasco Cordeiro não especificou se pretende manter-se como secretário regional da Economia, nem se tenciona assumir a presidência do PS/Açores antes das próximas eleições regionais, salientando apenas a importância da “união e coesão” revelada nas votações realizadas nos orgãos internos do partido.
“O desafio é de colocar todas as minhas forças, todo o meu trabalho e todo o meu empenho ao serviço deste projecto e para benefício das açorianas e dos açorianos”, salientou Vasco Cordeiro em declarações aos jornalistas.
O dirigente socialista falava após a Comissão Regional do PS/Açores, que se reuniu este sábado, depois do nome de Vasco Cordeiro ter sido também votado por unanimidade no Secretariado Regional, que decorreu em Ponta Delgada.
Após a reunião do órgão máximo entre congressos, Vasco Cordeiro adiantou que os “Açores têm grandes desafios pela frente”, razão pela qual se manifestou “disponível e empenhado em colocar toda a energia ao serviço deste projecto do Partido Socialista para dar a melhor resposta possível”.
Segundo o candidato socialista às regionais do próximo ano, os resultados das votações secretas do Secretariado e da Comissão “falam por si”, o que leva a que, neste momento, o PS/Açores esteja “unido, coeso e profundamente empenhado e com um único objectivo em mente: em cada dia, em cada hora, trabalhar para dar as melhores respostas aos desafios com que os Açores estão confrontados”.
“Este é o principal desafio que o PS tem e que eu, encabeçando a candidatura do Partido Socialista à presidência do Governo, pretendo dedicar todas as minhas energias para fazer com que a nossa terra continue, efectivamente, na senda do progresso e desenvolvimento que tem tido”, concluiu.