Na sequência da criação das taxas moderadoras no âmbito do serviço regional de saúde, através da Portaria n.° 49/2011, de 29 de Junho, os centros de saúde e hospitais que o integram determinaram que vários dos respectivos funcionários passassem a receber, contabilizar e entregar as receitas colectadas à sua sombra.
De acordo com o SINTAP/Açores face a esta determinação, inúmeros funcionários associados contactaram a estrutura sindical no sentido de saber se tal determinação era correcta e, sendo-a, se teriam direito ao respectivo abono para falhas previsto na lei. A este propósito SINTAP/Açores informa o seguinte: 1. Qualquer ordem emanada do legítimo superior hierárquico e dada em matéria de serviço, desde que fundada em diploma legal anteriormente aprovada, como parece ser o caso desta de mandar colectar as receitas das taxas moderadoras aprovadas por aquela portaria, é legal, logo devendo-se a ela a devida obediência. Como consequência disto, 2. E tendo presente o disposto no art. 7.° do DLR n.° 17/2009/A, de 14 de Outubro (alterado pelo DLR n.° 33/2010/A, de 18 de Novembro), todos os «trabalhadores que manuseiem ou tenham à sua guarda, nas áreas de tesouraria ou cobrança, valores, numerário, títulos ou documentos, sendo por eles responsáveis», têm direito a um «abono para falhas». Neste contexto, o SINTAP/Açores solicitou a intervenção da Vice-Presidência do Governo Regional com vista a proceder à fixação, nos termos legais, dos trabalhadores que manusearão aqueles receitas e que, assim, terão direito à percepção do respectivo abono para falhas.
O Vice-Presidente do Governo acusou ontem o PSD de ter protagonizado, em menos de um mês, um "processo de mudança rápida de opinião", a ponto de dizer agora que o aumento de impostos "é um acto de coragem".
Falando na Assembleia Legislativa, Sérgio Ávila referiu, contudo, que antes das eleições legislativas nacionais os sociais-democratas diziam que não eram necessários mais sacrifícios e que o aumento de impostos seria "uma insensibilidade social" e "uma injustiça".
"Neste processo de mudança rápida de opinião, não contem com o Governo dos Açores", advertiu o governante, assegurando que o executivo açoriano "disse ontem o que dirá hoje e assumiu ontem as mesmas posições que assume hoje".
Segundo referiu, o Governo dos Açores "irá manter a colaboração, o espírito construtivo e realista em todas as matérias que digam respeito ao País", mas, tal "como o fez no passado, como o faz no presente e como irá fazer no futuro", terá também uma posição de "intransigente" defesa dos interesses dos Açores.
"Não vamos ter qualquer alteração em relação àquilo que tem sido a nossa postura e tudo aquilo que dissemos ontem podemos subscrever hoje e defender amanhã", adiantou o Vice-Presidente do Governo.
Sérgio Ávila afirmou ainda que o Governo açoriano não irá cair "no populismo fácil" do PCP mas assegurou também que "não contem connosco para subscrever de forma incondicional todas as propostas que no passado não apoiamos".
"Temos a consciência plena que a defesa dos interesses dos Açores é o nosso limite, a nossa bandeira e o nosso objectivo", disse ainda o governante
O Grupo Parlamentar do PS/Açores congratula-se com a decisão do Tribunal Constitucional (TC) de considerar inconstitucional os artigos da Lei 90/2009 que tinham revogado legislação regional que previa medidas especiais de apoio para os doentes de Machado-Joseph nos Açores.
Esta decisão do TC vem, assim, dar razão ao Grupo Parlamentar do PS/Açores que, em 2009, tinha defendido a inconstitucionalidade das alíneas da lei em causa, aprovada pela Assembleia da República, alegando que resultaria numa cobertura menor da protecção na invalidez dos portadores da doença de Machado-Joseph.
Recorde-se que a Lei 90/2009, que aprovou um novo regime especial de protecção na invalidez, revogou expressamente um decreto legislativo regional e um decreto regulamentar regional, que estabelecia medidas especiais aos portadores da doença da Machado-Joseph e que regulava a protecção especial prevista para estes doentes, respectivamente.
Com estas revogações, os doentes açorianos deixariam de ter apoio na atribuição de material clínico de apoio, como cadeira de rodas, canadianas, calçado ortopédico, algálias, fraldas, entre outros, assim como na prescrição gratuita, pelos centros de saúde, de analgésicos, anti-espásticos, vitaminas e todo o material de planeamento familiar.
Atento a esta situação, o Grupo Parlamentar do PS/Açores desencadeou um processo de fiscalização abstracta, tendo o Tribunal Constitucional, no seu Acórdão 304/2011, declarado inconstitucional as alíneas dos artigos que revogavam a legislação regional.
O TC foi claro ao considerar que as leis e os decretos-lei, regra geral, só serão aplicáveis no território regional enquanto as respectivas Assembleias Legislativas não legislarem sobre a matéria. Se já o tiverem feito, a legislação nacional não pode revogar legislação regional.
Além disso, o TC baseou, também, a sua decisão de inconstitucionalidade no facto de os órgãos de governo próprio dos Açores não terem sido ouvidos sobre esta matéria, como obriga o artigo 229º da Constituição da República Portuguesa.
O Grupo Parlamentar do PS/Açores salienta que o seu único objectivo neste processo foi o de resolver a situação dos portadores de uma doença com elevada incidência nos Açores, que, desta forma, deixaram de ficar penalizados face à legislação nacional.
O parlamento açoriano aprovou ontem por unanimidade um projeto de resolução do PSD em que se reclama do Estado o reforço de meios das forças de segurança nos Açores, alegando que a criminalidade violenta e grave no arquipélago aumentou 12,9 por cento no último ano.
"A criminalidade violenta e grave aumentou 12,9 por cento no último ano. Os Açores têm um rácio superior a 40 crimes participados por cada mil habitantes. Os dados oficiais confirmam o aumento da criminalidade nos Açores e um crescente sentimento de insegurança, agravado pela insuficiência dos meios ao dispor das forças de segurança", afirmou o deputado social-democrata Pedro Gomes, na Assembleia Legislativa dos Açores, durante o debate do diploma.
O parlamentar do PSD/Açores defendeu que a Região necessita "mais agentes, para um melhor policiamento", considerando que os cerca de 900 agentes ao serviço das forças de segurança no arquipélago "colocam o número de efectivos num indesejável patamar mínimo que coloca em causa a sua operacionalidade".
Segundo Pedro Gomes, o Estado deve "reforçar de imediato" o contingente regional, "afectando aos Açores novos agentes, em formação neste momento, corrigindo o défice de cerca de 200 agentes nas forças de segurança". O deputado social-democrata salientou que, apesar da "difícil crise" que o país atravessa e que "impõe uma equitativa repartição dos sacrifícios", o Estado "não pode comprometer a missão das forças de segurança, pois tal significaria colocar em risco direitos, liberdades e garantias dos cidadãos".
"O projeto de resolução que o PSD apresentou pede ao Estado que assegure, de modo proporcional às necessidades regionais, os meios para que as forças de segurança nos Açores cumpram a sua missão quanto à ordem e segurança pública, protecção das pessoas e bens e prevenção da criminalidade, corrigindo o insuficiente investimento realizado nos últimos anos", afirmou.
O líder da bancada do PS na Assembleia Legislativa dos Açores, Berto Messias, admitiu ontem a possibilidade de o Governo Regional vir a compensar os açorianos pelos cortes nos subsídios de Natal anunciados pelo primeiro-ministro.
O líder da bancada socialista, que falava no plenário do Parlamento açoriano, reunido na cidade da Horta, respondia a um repto lançado pelo deputado do PCP, Aníbal Pires, que perguntou se o PS e o Governo estariam dispostos a "dispensar" os açorianos daquele imposto ou, em alternativa, de os "compensar".
"Estaremos, sobretudo, preocupados em defender os Açores e os açorianos, e em apresentar, se for necessário, uma agenda compensatória que permita compensar os açorianos das dificuldades em que vivemos hoje", afirmou Berto Messias.
A disponibilidade demonstrada pelo líder da bancada do PS, no sentido de compensar os açorianos pelos cortes nos subsídios de Natal, não foi, no entanto, confirmada pelo vice-presidente do Governo, também presente no Parlamento.
Sérgio Ávila, o governante que gere a pasta das Finanças no arquipélago, foi mais cauteloso e disse que o executivo socialista não pode ainda pronunciar-se sobre uma coisa que desconhece.
"O senhor primeiro-ministro disse que o ministro das Finanças iria explicar, nos próximos dias, essa medida, por isso, não peçam ao Governo dos Açores que se pronuncie sobre algo que não tem ainda qualquer conteúdo prático", advertiu o vice-presidente.
Mais tarde, o próprio líder parlamentar do PS esclareceu que a "agenda compensatória" a que se referiu no plenário "não se destina a compensar os cortes nos subsídios de Natal, mas apenas a minimizar o impacto da crise". Falando aos jornalistas, à margem dos trabalhos da Assembleia Regional, reunida na Horta, o parlamentar socialista disse que as suas declarações não eram "uma resposta concreta" ao repto lançado pelo PCP, que questionou o PS e o Governo sobre se iria "dispensar" os açorianos do imposto sobre o 13º mês. "Sobre o novo imposto anunciado pelo primeiro-ministro, ainda não podemos dizer nada, até porque a medida ainda não é conhecida ao pormenor", disse Berto Messias, acrescentando que a "agenda compensatória" a que se referiu no Parlamento, "será, caso venha a ser aplicada, uma ajuda genérica para amenizar o impacto da crise".
O deputado do PCP, que deu origem a esta discussão, considera que o novo imposto sobre o 13º mês é "um roubo" ao bolso dos portugueses que entende ser desnecessário. Aníbal Pires lembrou que existem outras formas do Estado arrecadar receitas extraordinárias, como por exemplo, criar uma taxa de 0,2% nas transacções em bolsa, aplicar uma taxa efetiva de IRS à banca ou taxar as empresas sediadas no off-shore da Madeira.