Sete ilhas dos Açores em alerta de aviso amarelo para vento e agitação marítima

mau tempoO Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou ontem para um agravamento do estado do tempo no arquipélago dos Açores.

“A passagem a norte do arquipélago  da depressão Callum, com um sistema frontal associado, deverá agravar o estado do tempo em todas as ilhas, com um aumento da intensidade do vento e da agitação marítima, em especial nas ilhas dos grupos Ocidental e Central”, refere o IPMA.

 Às seis horas da manhã de hoje a depressão “estará a cerca de 560 quilómetros a norte da ilha Graciosa, altura que se encontrará mais próxima do arquipélago dos Açores”, lê-se em comunicado.  

Nestas condições, o IPMA emitiu o alerta de aviso amarelo para o grupo ocidental - Flores e Corvo - para vento e agitação marítima. 

Entre as 00h00 e as 18h de hoje  estão previstas “rajadas até 100 quilómetros/hora de sudoeste, rodando para oeste” e “ondas de oeste, de seis a sete metros”, entre as 3h e as 21h.

Para as ilhas do grupo central, foi também emitido o alerta de aviso amarelo para vento e agitação marítima, prevendo-se, entre as 3h de hoje e as 00h00 de amanhã “rajadas até 95 quilómetros/hora de sudoeste, rodando para oeste” e, entre as 9h de hoje e as 00h00 de amanhã, “ondas de oeste, de seis metros”.

O Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores recomendou, entretanto, em comunicado, que sejam tomadas medidas de autoprotecção, como a consolidação de telhados, portas e janelas; o corte ou poda as árvores próximas em risco de queda, procure informação na sua autarquia; guardar objectos soltos do jardim.

“Um objecto, mesmo que o considere leve, projectado pelo vento forte pode causar grandes prejuízos materiais e até acidentes pessoais graves”, alerta a protecção civil açoriana, que apela a população para que “feche bem as janelas e persianas” e esteja “atento às indicações da Protecção Civil e das Forças de Segurança”.

 

Enguia pelicano observada pela primeira vez a caçar presa nos Açores

enguia pelicano

A tripulação do submarino científico tripulado LULA1000 conseguiu, pela primeira vez, registar um vídeo de uma enguia pelicano a caçar uma presa em grande profundidade 

A observação foi feita a 1000 metros de profundidade a sul da ilha de São Jorge pelos operadores do submersível tripulado LULA1000, Kirsten e Joachim Jakobsen. Esta é a primeira vez que este peixe bizarro foi observado directamente por homens no seu habitat. 

O vídeo, muito recentemente publicado pela revista Science Magazine, nos Estados Unidos, mostra uma enguia pelicano a caçar uma presa activamente: https://www.youtube.com/watch?v=ph6R0yY2WzI

Muito pouco se sabe sobre esta espécie de peixes que vivem em profundidades extremas. O seu nome enguia pelicano (Eurypharynx pelecanoides) deve-se à sua capacidade de ampliar a sua cabeça para captar a presa, semelhante aos pelicanos.  

Até à data, os cientistas pensaram que estes animais se alimentariam de forma mais passiva, pendurados verticalmente na água, à espera que os alimentos lhes caíssem de cima na boca. Este vídeo é a primeira evidência de que esta espécie de peixe de facto persegue activamente e caça a sua presa, em vez de apenas esperar que a presa “caia” na sua boca. 

Além disso, os cientistas ficaram surpreendidos ao ver o quanto a boca pode ser ampliada para sugar a presa, e que esses peixes realmente nadam como enguias, o que não se esperava visto o seu corpo magro e aparentemente frágil.

O vídeo é também uma surpresa em relação ao habitat desta espécie de peixe: em estudos anteriores, todas as espécimes tinham sido capturadas de forma pelágica ou batipelágica, no Atlântico, entre os 500 e os 3000 metros de profundidade - muito acima do fundo do mar. Este vídeo, ao contrário do que foi assumido até agora, mostra uma enguia pelicano a caçar a sua presa - muito perto do fundo do mar. 

Tais conhecimentos sobre o comportamento da fauna do mar profundo só podem ser obtidas por observação directa nas profundezas, em sítio. Estas observações fornecem informações valiosas sobre a biologia e adaptações de organismos do mar profundo.  

O submersível LULA1000 está a ser operado pela Fundação Rebikoff-Niggeler, instituição de Utilidade Pública com sede na ilha do Faial (www.rebikoff.org).

Governo dos Açores manifesta abertura para rever apoios à cana de açúcar no POSEI

joão ponte cana de açúcarO Secretário Regional da Agricultura e Florestas garantiu a total disponibilidade do Governo dos Açores para, no âmbito das alterações anuais feitas ao programa POSEI, propor a revisão dos apoios a conceder à produção de cana de açúcar, uma cultura que tem múltiplos aproveitamentos comerciais, um grande potencial económico e historial na Região.  

“O Governo dos Açores está disponível para, naquilo que são as alterações anuais que são feitas ao programa POSEI, rever essa situação”, afirmou João Ponte, acrescentando que “tal já só será possível em 2020”.

O Secretário Regional, que visitou a Fábrica de Licores Eduardo Ferreira e Filhos, na ilha de São Miguel, salientou que, em 2017, foi introduzida uma alteração no POSEI permitindo que a cana de açúcar passasse a ser elegível na Ajuda à Produção de Hortofrutícolas, Flores de Corte e Plantas Ornamentais, recebendo um apoio de 1.150 euros por hectare.

João Ponte afirmou que irá dar orientações aos Serviços de Desenvolvimento Agrário de São Miguel no sentido de acompanharem a cultura da cana de açúcar, de modo a perceber melhor o que são os rendimentos e os ciclos produtivos, informação que será importante para se encontrar, no âmbito da revisão do POSEI, um valor que seja justo e compatível com esta cultura.

Para o Secretário Regional, importa também estudar as vantagens que possam existir do ponto de vista da produção de cana de açúcar nos Açores e as mais valias enquanto complemento à bovinicultura.

“Não há uma tradição recente em termos desta cultura na Região, pelo menos desde que existem as ajudas no âmbito do POSEI”, disse João Ponte, acrescentando, porém, que a cana de açúcar já teve grande expressão nos Açores nos séculos XV e XVI.

O Secretário Regional da Agricultura e Florestas destacou ainda o percurso de crescimento, a inovação e a aposta na qualidade que a Fábrica de Licores Eduardo Ferreira e Filhos tem vindo a fazer ao longo dos anos, considerando-a um exemplo no contexto empresarial regional.

“É, de facto, notável o crescimento e a afirmação em termos de negócio, dentro e fora da Região, desta empresa familiar, dedicada à produção e comercialização de bebidas alcoólicas”, disse João Ponte, apontando o exemplo da produção de rum a partir de cana de açúcar.

Mais de 700 quilos de sementes de espécies endémicas recolhidos anualmente na Região

Anabela Isidoro - sementes endémicasTodos os anos, são recolhidos mais de 700 quilos de sementes de espécies endémicas em toda a Região, mais de metade na área do Serviço Florestal do Nordeste, em São Miguel, segundo informação divulgada pelo Executivo regional.

A Directora Regional dos Recursos Florestais destacou ontem, em São Miguel, a importância da recolha destas sementes dos Açores e a sua reprodução nos viveiros florestais, como forma de proteger os recursos naturais e, ao mesmo tempo, garantir a sua perpetuação no tempo.

“Desde que os Serviços Florestais produzem plantas endémicas nos seus viveiros tem existido o cuidado de fazer a reprodução destas espécies quase exclusivamente por via seminal, ou seja, através de semente”, afirmou Anabela Isidoro, que acompanhou no terreno o trabalho de uma equipa de recolha de sementes.

A Directora Regional disse que, para as espécies endémicas, é fundamental esta prática de recolha de sementes, pois aumenta a variabilidade genética das plantas produzidas nos viveiros e que, mais tarde, serão devolvidas aos espaços florestais “para cumprir com a sua missão de proteger os recursos naturais e criar corredores ecológicos”.

“Os Serviços Florestais na Região desde a sua constituição que se preocuparam em manter a vegetação primitiva existente e há cerca de 10 anos dotaram os viveiros florestais regionais de condições para a reprodução de plantas de espécies lenhosas endémicas”, frisou Anabela Isidoro, acrescentando que “na selecção de espécies endémicas a utilizar na arborização dos Perímetros Florestais são privilegiadas aquelas que garantem uma mais rápida cobertura e protecção do solo”.

Segundo adiantou, actualmente cerca de 93% da área de produção de plantas dos viveiros dos Serviços Florestais corresponde a espaços de produção de plantas de raiz-nua, onde predomina largamente a produção de criptoméria japónica, produção que está orientada para satisfazer as necessidades das arborizações e rearborizações das áreas florestais do sector privado com esta espécie florestal. As espécies endémicas são produzidas em estufa e são transplantadas para contentores próprios para o efeito. Até estarem aptas a ir para o meio natural ainda passam por algumas fases de aclimatação a condições mais adversas.

 

São Miguel e Terceira com 24 novas amas formadas

andreia cardoso amasA Secretaria Regional da Solidariedade Social deu início ontem, em Angra do Heroísmo, a uma nova formação inicial de Amas, uma iniciativa que irá formar 24 profissionais nas ilhas de São Miguel e Terceira.

Numa actividade promovida pelo Instituto da Segurança Social dos Açores, em parceria com a NORMA-Açores, o Governo Regional reforça, desta forma, a capacidade desta resposta social, formando candidatas de cerca de 20 freguesias das duas ilhas, as quais acolherão até quatro crianças cada uma.

A Secretária Regional da Solidariedade Social, que se dirigia às formandas na sessão de abertura desta formação, considerou “fundamental que, quem pretende passar a exercer legalmente e quem quer começar esta profissão, tivesse oportunidade de o fazer”, acrescentando que “é por isso que o Governo Regional avança com esta formação a 24 amas”.

Andreia Cardoso salientou que se garante, desta forma, a cerca de uma centena de crianças “o acesso a uma resposta que consideramos muito importante”.

Para a Secretária Regional, esta é uma medida abrangente e positiva para as famílias, não apenas por garantir condições para a conciliação da vida familiar e profissional, mas porque “potencia a empregabilidade feminina, por via das amas que aderem a esta formação e entram nesta profissão”.

“Também potencia a empregabilidade a outras mulheres e a entrada no mercado de trabalho das mulheres que colocam as crianças à vossa guarda”, aspecto muito relevante, por exemplo, em comunidades rurais, frisou Andreia Cardoso.

A mais recente legislação, introduzida há sensivelmente um ano, determina que todos os candidatos e amas em exercício participem em acções de formação de forma regular e contínua e a cada renovação de licença.

As alterações feitas ao exercício da actividade de ama tornaram igualmente possível o exercício da actividade fora do enquadramento institucional em creche familiar.

No primeiro semestre deste ano, estavam em ama cerca de 170 crianças das ilhas de São Miguel, Terceira e Faial, uma resposta social alternativa às creches, com o objectivo de apoiar as famílias no acolhimento das crianças em ambiente familiar, com as devidas condições ao seu desenvolvimento integral.

As amas integram até quatro crianças com idades entre o fim da Licença de Parentalidade e os três anos.