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Messias lamenta que o Governo da República “se orgulhe em ir mais além do que exige a troika”

Berto Messias, líder parlamentar do PS/Açores, lamentou, esta quarta-feira, que o Governo da República "se orgulhe em ir mais além do que exige a troika", informa nota de imprensa do partido político.

"Como ficou provado nas recentes declarações proferidas depois da assinatura do acordo de concertação social", disse, o parlamentar salientou que "este é um Governo que se orgulha em ir mais além do que a troika para mostrar serviço à senhora Merkel e aos mercados, o que decorre da concepção neoliberal que Passos Coelho tem do Estado."

No debate parlamentar sobre o Acordo de Concertação Social, que decorreu na cidade da Horta, o deputado assegurou que o acordo em matéria laboral, "não deixa de ser penalizador para os trabalhadores portugueses por conta de outrem."

"É preciso que fique claro: nesta matéria laboral, já se foi até ao limite e não será aceitável que se verifiquem mais reduções de direitos e garantias dos trabalhadores", alertou Berto Messias, que defendeu que a aplicação das matérias previstas no acordo deve ser, agora, "alvo de grande vigilância" pelos partidos políticos e parceiros sociais para que "não se tenha a tentação de ir mais além, sob a capa da austeridade."

Berto Messias disse, ainda, que "essa função fiscalizadora é fundamental quando temos um Presidente da República totalmente passivo sobre a austeridade e quando o Governo da República tem uma concepção sobre o Estado muito perigosa e neoliberal. Além disso, não vale a pena equilibrar as finanças do país se esta melhoria não se reflectir na melhoria das condições de vida dos portugueses e, naturalmente, dos trabalhadores", frizou.

No debate parlamentar, Berto Messias lamentou, também, que "o PSD/Açores se tenha dedicado a discutir a paternidade da crise nacional e internacional, quando o PS/A está mais preocupado em resolver os problemas dos açorianos e em defender os interesses dos Açores."

AIPA lança revista ‘Viver Aqui - Percursos de Imigrantes Empreendedores’

A Associação de Imigrantes nos Açores (AIPA) lançou uma revista para divulgar casos de empreendedorismo na comunidade imigrante, numa iniciativa que pretende demonstrar o contributo dos estrangeiros no combate à crise.

"A presença dos imigrantes constitui, de forma inquestionável, uma mais-valia", afirmou o presidente da AIPA, Paulo Mendes, em declarações à Lusa.

A revista, intitulada ‘Viver Aqui - Percursos de Imigrantes Empreendedores’, que já está disponível em S. Miguel e na Terceira, descreve 19 trajectos de imigrantes residentes em várias ilhas dos Açores, provenientes de 10 países, que se distinguiram em diversas áreas.

Paulo Mendes salientou que esta é uma forma de "desmistificar a ideia de que todos os imigrantes trabalham em sectores de baixa qualificação", frisando que 14% dos estrangeiros a residir em Portugal trabalham por conta própria.

Numa altura em que também os imigrantes sentem as consequências da crise económica, o presidente da AIPA defendeu ser importante mostrar que é possível ser bem sucedido, dando a conhecer "um outro lado da imigração".

Um estudo realizado em S. Miguel pela AIPA aponta para uma taxa de 20% de desempregados entre a população imigrante, admitindo Paulo Mendes ser "expectável que a taxa seja estendida a outras ilhas".

"O impacto da crise tem sido muito doloroso para a população imigrante, por isso é preciso uma atenção particular e um discurso pedagógico", frisou.

Desde 2008, segundo Paulo Mendes, os Açores registam "um decréscimo do fluxo imigratório", ainda que "o retorno não tenha sido tão intenso como se podia esperar".

Paulo Mendes salientou que são sobretudo os brasileiros que regressam a casa, devido ao crescimento da economia do país, mas os imigrantes que constituíram família nos Açores têm tendência a permanecer na região.

Em Março, a associação pretende lançar outra revista, que incidirá sobre "mulheres imigrantes", igualmente inserida no projeto ‘Migraçores’.

"Queremos lançar pelo menos três revistas por ano, com enfoques diferentes", revelou Paulo Mendes.

II Fórum da Cultura Taurina arranca hoje debaixo de protestos

toiro1O II Fórum Mundial da Cultura Taurina, um evento que reúne aficionados de uma dezena de países, arranca hoje em Angra do Heroísmo, na Terceira, Açores, debaixo de muitos protestos.

A iniciativa, organizada pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense (TTT), é contestada por centenas de cidadãos que, nas últimas semanas, encheram as caixas de correio electrónico dos deputados à Assembleia Legislativa dos Açores com cartas de "repúdio" e "contestação".

Os subscritores deste protesto recusaram-se, no entanto, a ser ouvidos pelo parlamento regional, revelou à Lusa a presidente da Comissão Parlamentar de Assuntos Sociais, Catarina Furtado, a quem competiria apreciar o tema.

A Assembleia Legislativa dos Açores assumiu as mensagens electrónicas enviadas aos deputados como se fosse uma petição, mas os signatários, contactados pelos serviços parlamentares, "explicaram que apenas pretendiam manifestar o seu desagrado em relação ao evento", que entendem ser um primeiro passo para uma nova tentativa de legalização da ‘sorte de varas’ nos Açores.

O tema, que divide a opinião dos deputados açorianos, não será, por isso, discutido no plenário da Assembleia Legislativa dos Açores.

Apesar disso, o II Fórum Mundial da Cultura Taurina, que vai decorrer até sábado, continua a ser alvo de contestação popular e também de algumas associações de defesa dos animais, nomeadamente da associação ANIMAL, que já anunciou a intenção de se manifestar no local de forma "simbólica e silenciosa", por ser contra qualquer tipo de iniciativa que envolva "sofrimento para os animais".

O presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Arlindo Teles, desvalorizou as críticas que a realização do evento tem suscitado, considerando que "não fazem sentido".

Nesse sentido, criticou que se pretenda "fazer passar a ideia de que o fórum é para relançar a sorte de varas, quando se trata de uma reunião à escala internacional para um momento de reflexão".

"O fórum é mais um dos meios previstos no projeto Taurotur, desenvolvido pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense, para a internacionalização da tauromaquia terceirense, a sua afirmação como produto turístico e a divulgação do destino Açores", frisou Arlindo Teles.

As touradas são uma expressão cultural com grande tradição nos Açores, especialmente na ilha Terceira.

Dia dos Amigos fortalece “interacção social”, diz sociólogo

dia-dos-amigosA partir de hoje, e durante as próximas três quintas-feiras que antecedem o Carnaval, um pouco por todas as ilhas dos Açores, há festejos muito particulares dedicados aos amigos, amigas, compadres e comadres.

Acredita-se que o Dia de Amigos, comemorado hoje na Região, foi criado pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro, a 20 de Julho de 1969, em Buenos Aires, na Argentina, com o propósito de comemorar o dia da chegada do homem à Lua, tendo sido a partir daí adoptado por outros países.

Contudo, nos Açores, esta tradição, segundo alguns relatos orais que passaram de geração em geração, já existe há mais de um século, o que nos leva a concluir que as comemorações iniciadas por Ernesto Febbraro não têm qualquer relação com as que se fazem sentir nas ilhas açorianas.

Esta tradição peculiar que, além de festejar a época carnavalesca, assinala também a amizade e fortalece a interacção social.

De acordo com o sociológo Miguel Brilhante, em declarações à agência Lusa, esta "é uma tradição que preza a união e a interacção entre as pessoas, neste caso vivenciar, nas suas quatro semanas anteriores, provavelmente aquilo que seja a folia do Carnaval."

Estas comemorações têm atraído cada vez mais pessoas, mas prevalece sempre um dado curioso: a separação dos sexos e dos géneros. "São quatro elos de interacção muito importantes que fazem parte da proximidade interpessoal dos indivíduos", referiu, ao analisar o facto de a celebração de amigos ser restringida a grupos de homens e das amigas a mulheres.

De acordo com Miguel Brilhante, "acabam por ser sempre grandes laços de proximidade entre as pessoas, mas o que carrega mais unicidade desde fenómeno é a separação dos sexos, dos géneros, fazendo convívios em que são partilhados com amigos e na semana seguinte com as amigas e depois os compadres e as comadres."

"E é curioso verificar que, quer no jantar de amigos ou no dia das amigas, as pessoas transformam-se como se o mundo fosse daquele sexo naquele dia", afirmou.

Para assinalar as datas, restaurantes e bares organizam almoços e jantares especiais, mas a tradição tem também vindo a sofrer algumas alterações associadas às ofertas dos tempos modernos, com a realização de espectáculos de striptease masculinos e femininos.

Miguel Brilhante sublinhou ainda os efeitos transversais que a realização deste tipo de eventos provoca junto dos empresários locais. "Podemos verificar que esta tradição convoca as pessoas todas as quintas-feiras a um almoço ou jantar e depois associar a estes tipos de festejos extras que ou são mais interactivos ou mais selectos ou fora do contexto que qualquer um consegue dinamizar no seu dia-a-dia", acrescentou.

Para o sociólogo, esta tradição trata-se, assim, de "uma particularidade histórica com repercussões sociais interessantes", quer seja no Dia dos Amigos ou Amigas, mas ambos dando importância ao "papel e continuidade da amizade", finaliza.

Para a semana, elas terão a oportunidade de fazer o que eles fazem o resto do ano com muito mais facilidade. Desde as jovens às menos jovens, casadas ou solteiras, juntam-se em grupos, jantam, desinibem-se sem olhar para o relógio e os bares e restaurantes fazem tudo para não as desiludirem.

No entanto, ainda se mantêm os convívios mais resguardados e sem grande confusão, compostos por jantares em ambientes calmos, onde há a oportunidade de conversar. Afinal, é da celebração da amizade que esses dias simbolizam.

Rodrigo Oliveira defende que “Regiões Ultraperiféricas são exemplos de afirmação dos valores europeus”

Rodrigo Oliveira, Subsecretário Regional dos Assuntos Europeus e Cooperação Externa, defendeu ontem, em Bruxelas, que é necessário "uma resposta eficaz à crise que nos atinge, transversalmente e nos mais variados níveis", informa nota de imprensa do GaCS.

Na presença do Comissário Europeu responsável pelo Desenvolvimento, Andrís Piebalgs, do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Villy Søvndahl e da Ministra do Ultramar de França, Marie-Luce Penchard, Rodrigo Oliveira salientou a importância "da projecção global da Europa, dos seus valores e do seu modelo de desenvolvimento" acrescentando que "as Regiões Ultraperiféricas são, sem excepção, exemplos da pertinência e da afirmação global destes valores europeus."

Rodrigo Oliveira discursava na sessão de abertura do Fórum "União Europeia – Países e Territórios Ultramarinos", no qual participa em representação do Presidente do Governo e Presidente da Conferência de Presidentes das Regiões Ultraperiféricas, Carlos César. "Independentemente dos diferentes estatutos jurídico-constitucionais dos nossos territórios, não é difícil encontrar semelhanças entre as oito Regiões Ultraperiféricas da UE e os vinte e seis Países e Territórios Ultramarinos associados à União Europeia", frizou, dando como exemplo a grande distância, pequena dimensão ou a insularidade, mas também o facto de serem "repositórios de uma imensa e valiosa biodiversidade, em terra e no mar, laboratórios naturais por excelência para a investigação científica, em áreas como a oceanografia, vulcanologia, nas tecnologias aeroespaciais, biotecnologia ou energias renováveis."

O Fórum "União Europeia – Países e Territórios Ultramarinos" reúne representantes das instituições europeias e dos vinte e seis Países e Territórios Ultramarinos (PTU). Embora não façam parte da União Europeia, devido às ligações constitucionais que têm com os Estados-Membros da Dinamarca, França, Países Baixos e Reino Unido, possuem um estatuto particular de "associados", concebido para promover o seu desenvolvimento económico e social.

"A Europa nunca se poderá afirmar globalmente sem o diálogo, a estabilidade, a parceria e o desenvolvimento dos seus parceiros estratégicos. Sem prejuízo dos diferentes estatutos que nos diferenciam, Regiões Ultraperiféricas e Países e Territórios Ultramarinos constituem verdadeiras mais-valias, cuja potencialidade urge aproveitar em benefício da projecção da Europa no Mundo", finalizou Rodrigo Oliveira.