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Berta Cabral reafirma “necessidade de criação de um fundo para reestruturação de empresas”

berta-cabral-corA presidente do PSD/Açores, Berta Cabral, reafirmou sexta-feira a necessidade de se criar, com urgência, na região um fundo para a reestruturação de empresas tendo em vista combater a falta de liquidez.

"Não há tempo a perder, não se pode esperar muito mais tempo. É urgentíssimo criar esse mecanismo de apoio e financiamento às empresas", afirmou Berta Cabral em declarações aos jornalistas no final de uma visita a uma empresa de navegação e transitários em Angra do Heroísmo, na Terceira.

A líder regional social-democrata defendeu ainda que a criação de um mercado interno na região passa por um novo modelo de transportes, mas salientou que a linha de reestruturação é prioritária.

"Neste momento aquilo que mais importa é dar saúde financeira e liquidez às nossas empresas, porque a questão dos transportes vem à medida que o próprio mercado interno se vai construindo", frisou, acrescentando que o problema comum aos empresários açorianos com quem se tem reunido é a "falta de crédito".

CDS/PP questiona Governo dos Açores por ajuste directo de campanha promocional nas escolas de Lisboa e Porto

O CDS/PP questionou sexta-feira o Governo dos Açores sobre o ajuste directo de uma campanha promocional deste destino turístico dirigida às escolas do ensino pré-escolar e do primeiro ciclo das cidades de Lisboa e Porto.

"Numa altura em que o desemprego nos Açores é grave, especialmente entre os mais jovens, em que as famílias estão a passar dificuldades e as empresas a fechar, parece-nos uma afectação de recursos públicos de efeito duvidoso e nulo", refere um requerimento entregue na Assembleia Legislativa dos Açores.

Em causa está o ajuste directo da Secretaria Regional da Economia, através da Direcção Regional dos Transportes Aéreos e Marítimos, pelo preço base de 71.340 euros, mais IVA, de uma campanha promocional para "divulgação do destino Açores junto das escolas do ensino pré-escolar e do 1.º Ciclo nas cidades de Lisboa e Porto".

O requerimento, assinado por Artur Lima, líder parlamentar do CDS/PP nos Açores, questiona "quais os objectivos que se pretendem alcançar com o contrato realizado", mas também "qual o público-alvo da campanha".

O CDS/PP pretende ainda saber "quais as razões para realizar uma campanha de marketing nas escolas do ensino pré-escolar e do 1.º ciclo, quais as razões para escolher apenas aquelas as cidades de Lisboa e Porto, quais os critérios que presidiram à selecção das escolas do ensino pré-escolar e do 1.º ciclo nas cidades de Porto e Lisboa e quem é o responsável por essa selecção".

“Não entendo por que a luta biológica não tem expressão nos Açores”, diz técnico holandês

theo-de-groot_2Theo de Groot é um voluntário holandês, ao serviço da “PUM Netherlands”, uma associação sem fins  lucrativos que se dedica a utilizar a experiência dos seus membros, normalmente técnicos já em  idade de reforma, no apoio a empresas de zonas em desenvolvimento, que posteriormente acabam  realizando negócios com a Holanda. Theo está em S. Miguel há vários anos e está ligado à agricultura, especialmente na vertente  ecológica e da luta biológica. E a conclusão a que chegou é que os Açores, sendo uma região com  um potencial agrícola “enorme”, mas afectados “por um número enorme de pragas”, ainda não  perceberam como “resolver o seu problema de forma ecológica, estando ainda na fase da utilização  de químicos, o que é um erro enorme”.
Não há dúvidas sobre as pragas existentes no arquipélago. “Em boa parte devido às importações,  os Açores recebem pragas de quase todo o mundo. E devido ao seu clima ameno, elas conseguem  sobreviver nas ilhas, coexistindo neste momento pragas dos climas tropicais, sub-tropicais e  frios”, diz o técnico.
Para ele, não são os químicos, mas a luta biológica, a solução para o problema. “Os produtos  químicos foram introduzidos na década de 1930 e durante algum tempo pareceu que eram a solução.  O facto, no entanto, é que os químicos não são a solução: para além de matarem em simultâneo uma  série de organismos salutares para a agricultura, reduzindo assim as defesas naturais dos  terrenos, também dão provas de já não serem eficazes contra um número crescente de insectos,  obrigando ao aparecimento de novos químicos. Mas neste processo, a diversidade biológica  perde-se, o que é muito triste”.
Mais triste ainda, como refere, é que os processos da luta biológica já atingiram um estádio de  grande avanço que, no caso dos Açores, tornariam o uso de pesticidas perfeitamente  dispensável em inúmeros casos. Na Holanda, já 90% de todos os legumes produzidos no país utilizam a luta biológica  e já é possível comprar os organismos de que se necessita numa simples loja de produtos  agrícolas – e não em qualquer universidade. A tecnologia está perfeitamente dominada e já  existem mais de 400 organismos que são alvo de produção e comercialização regulares.
Um dos exemplos nos Açores é a temível “lagarta mineira” (Phyllocnistis citrella), que  praticamente ataca os poucos citrinos que ainda restam em S. Miguel – uma ilha que deveu um dos  seus ciclos económicos exactamente à laranja... “Na Espanha o problema foi resolvido num ápice,  com recurso à luta biológica”, diz Theo de Groot. “É um problema que está mais que estudado. No  caso açoriano, penso que bastaria a introdução do Ageniaspis citricola, um parasita da Lagarta  Mineira, para resolver o assunto rapidamente”...
“O maravilhoso da luta biológica é que ela funciona e não tem problemas colaterais ou impacto na  qualidade ambiental”, diz. O conceito assenta num princípio elementar: enquanto os insectos  introduzidos têm a praga  – da qual são inimigos naturais – para atacar, a sua população cresce;  à medida que a praga começa a reduzir-se, a população dos insectos introduzidos também decai.  Porquê? Porque esses novos insectos são os inimigos naturais de determinadas pragas e por isso  não atacarão outros animais – simplesmente vão desaparecendo à medida que a praga também  desaparece. O ideal, como refere, é que cada exploração agrícola tenha as condições ideais para que um  pequeno número desses insectos se mantenha vivo e capaz de atacar as pragas. E basta deixar umas  pequenas áreas com determinadas espécies – por exemplo o trevo – para que um pequeno número sobreviva. Por  exemplo, uma só planta de trevo é suficiente para albergar cerca de 50 joaninhas – um poderoso  auxiliar contra as pragas mas que é sistematicamente aniquilado pela luta química. O segredo, no  entanto, está na próximidade dessas “ilhas” em relação às culturas que se pretende proteger.
Costuma dar o exemplo de quando trabalhou numa quinta no Equador, de 1.200 hectares de produção  de brócolos. Quando a luta química provou que não era suficiente nem adequada para controlar uma  determinada praga, Theo de Groot de substituiu 1 em cada 30 filas de brócolos por espécies  benéficas ao insecto que era o seu inimigo natural.

Borboleta ataca
bananeiras, vimes, estrelícias e árvores

O problema nos Açores é que a actividade das novas pragas não pára, sem que pareça existir uma resposta oficial clara e decidida. Ainda recentemente uma árvore quase centenária que existia no jardim do Hotel de S. Pedro teve de ser abatida por ter sido atacada por uma borboleta chamada Opogona sacchari, que está a atacar inúmeras espécies de vimes, estrelícias, bananeiras e árvores decorativas. “É incrível que mesmo já se sabendo da sua existência, não existe qualquer tentativa de controlar este insecto através da luta biológica, optando-se sempre pela luta química. E este é tão táctil de resolver”… Theo de Goor afirma que “os Açores têm belíssimos investigadores nesta área e até as instalações necessárias para o desenvolvimento de uma acção concertada neste domínio, mas inexplicavelmente muito pouco é feito. Parece que têm medo e o facto é que a ligação entre a investigação e a prática parece não existir”...

Autarquia de Ponta Delgada faz ajuste directo para garantir serviço de mini-bus até ao novo concurso

A Câmara Municipal acaba de adjudicar, por ajuste directo, a prestação do serviço de transporte de passageiros (mini-bus) em Ponta Delgada.

A proposta foi assinada sexta-feira pelo Vice-Presidente da autarquia, José Manuel Bolieiro, em substituição da Presidente, Berta Cabral, e visa garantir o serviço de mini-bus aos munícipes até à realização do novo concurso público internacional para o efeito. Este segundo concurso surge depois do Tribunal de Contas ter recusado o visto prévio ao inicialmente realizado pelo Município de Ponta Delgada.

Na sequência da decisão do Tribunal de Contas, a Câmara de Ponta Delgada decidiu anular o concurso inicial e avançar para um novo procedimento concursal.

Foi precisamente este procedimento que levou a autarquia a convidar, a 24 de Janeiro último, as empresas Auto-Viação Micaelense Lda., Barraqueiro Transportes S.A., Caetano Raposo & Pereiras Lda., ETAC – Empresa de Transportes António Cunha S.A., União de Transportes dos Carvalhos Lda. e Varela & C.ª Lda. a apresentar proposta para o contrato com vista à prestação do serviço de transportes de passageiros.

No âmbito deste processo, as empresas Barraqueiro Transportes S.A., ETAC – Empresa de Transportes António Cunha S.A. e União de Transportes dos Carvalhos Lda. Não apresentaram qualquer proposta.

Já as empresas Auto-Viação Micaelense Lda., Caetano Raposo & Pereiras Lda. E Varela & C.ª Lda. Apresentaram uma proposta, como agrupamento, com o preço total de 140.427,14 euros (sem IVA). Foi precisamente esta proposta conjunta que hoje foi adjudicada e por um prazo que pode ir até 14 meses.

PSD quer “mais incentivo” para a economia regional

duarte-freitasO presidente do Grupo Parlamentar do PSD/Açores, Duarte Freitas, considerou ontem que a região precisa de uma mudança estratégica, no sentido de “incentivar mais a economia, em vez de a condicionar”.
“É certo que os manuais de economia não funcionam nos Açores, porque temos uma realidade muito pequena, mas um dos erros estratégicos dos últimos anos de governação foi não incentivar a nossa economia”, afirmou Duarte Freitas em declarações aos jornalistas no final de uma visita à Escola Profissional da Praia da Vitória, na Terceira.
Os deputados social-democratas, que estão reunidos em jornadas parlamentares nesta ilha, procuram soluções para o desemprego jovem, que atinge, segundo Duarte Freitas, “valores extremamente preocupantes”.
“Temos pessoas altamente qualificadas que começam a encontrar todas as portas fechadas. Isto é dramático para jovens, para as famílias, para a nossa sociedade e para a nossa economia”, frisou.
Nesse sentido, o líder parlamentar social-democrata na região considerou que as escolas profissionais têm um papel importante, salientando, ainda assim, que têm de estar em sintonia com a economia real, “para que possam garantir, não só uma melhor qualificação específica, mas também desenvolvimento e capacidade competitiva para as empresas no futuro”.
“Face à enorme crise económica e social que estamos a viver e face ao desemprego jovem, temos que ter a capacidade de formar as pessoas, qualificá-las e aproximá-las do mercado de trabalho”, acrescentou.
Duarte Freitas recordou que o PSD/Açores apresentou há dois dias uma proposta para a criação de um fundo de emergência para “salvar” empresas em dificuldades, criticando o “silêncio” e a “inação” do Governo Regional.
A Escola Profissional da Praia da Vitória, criada em 1995, tem actualmente 468 alunos, divididos por 27 cursos.