Vasco Cordeiro anuncia ligações aéreas com a Bélgica no Verão e entrada dos Açores no catálogo da Thomas Cook

vasco-cordeiro1Os Açores vão ter, no próximo ano, uma operação turística especialmente destinada ao mercado belga, anunciou ontem, em Ponta Delgada, o Secretário Regional da Economia.
Segundo Vasco Cordeiro, “trata-se uma operação que ligará a Bélgica aos Açores, disponibilizando 28 rotações” pelo que se estima “neste primeiro ano, poder disponibilizar um potencial de cerca de 28.000 dormidas”.
Ainda segundo o governante, esta operação tem alguns contornos diferentes em relação a outras do género realizadas anteriormente para outros países, uma vez que as ligações “não serão apenas comercializadas apenas pelo operador JETAIR encontrando-se abertas a qualquer operador que, nesses mercados, pretenda vender o destino Açores”.
Vasco Cordeiro anunciou ainda, no âmbito do trabalho que tem sido desenvolvido pelo Governo dos Açores com o objectivo de reduzir o impacto provocado pela retracção económica no mercado nacional, que “hoje mesmo, na sequência de contactos entre a Secretaria Regional da Economia, a Associação de Turismo dos Açores e o operador turístico alemão Ibero Tours, um dos principais vendedores de viagens para Portugal e Espanha, o destino turístico Açores está também presente no circuito de comercialização da segunda maior rede de distribuição alemã, a Thomas Cook”.
Para o governante, este é, por isso, “o caminho a seguir” para fazer face à esperada diminuição de turistas nacionais. No entanto, esclareceu, “não é por se verificarem dificuldades no mercado nacional que vamos desistir dele”.
Assim, “está actualmente em curso uma grande campanha promocional no país com especial incidência no factor preço, assente num tarifário aéreo de 88,5 euros”, a que acresce, “convém não esquecê-lo, o pedido já manifestado ao Governo da República para uma revisão das Obrigações de Serviço Público de transporte aéreo entre o Continente e os Açores no sentido de potenciar maior oferta e passagens mais baratas entre a nossa região e o Continente português”.
Segundo Vasco Cordeiro, “todas estas acções demonstram que há nos Açores uma grande vontade em contrariar as dificuldades e uma enorme aposta na concertação de esforços para continuar a afirmar o sector do turismo como um pilar do nosso desenvolvimento económico”.

Navio Atlântida apenas atingiu 16,5 nós de velocidade

atlant3O relatório dos testes de mar efetuados ao ferrie Atlântida pela empresa Germanischer Lloyd indica que o navio apenas atingiu uma velocidade de 16,5 nós a 85 por cento da potência dos motores, quando o contrato exigia 19 nós.
O documento, a que a Lusa teve  acesso, refere-se aos testes realizados entre 24 e 26 de Março de 2009 por encomenda dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), que construíram o navio para o Governo dos Açores, que o rejeitou por não cumprir os requisitos contratuais.

O relatório denominado ‘Ship Speed and Power Measuremenst on MV Atlântida’, com o número NB-EE 2009.048 B, indica que o navio Atlântida atingiu uma velocidade máxima de 17,78 nós quando usava 110 por cento da potência dos seus dois motores.
O contrato entre os ENVC e o Governo dos Açores exigia uma velocidade de 19 nós a 85 por cento da potência dos motores, admitindo que o navio poderia ser aceite se atingisse uma velocidade entre 18 e 19 nós, definindo para o caso clausulas indemnizatórias.
Mesmo usando 90 por cento da potência, cinco por cento acima do acordado, nos testes realizados pela Germanischer Lloyd o navio apenas conseguiu navegar a 17,13 nós.
Na sequência destes resultados, os ENVC repetiram os testes por duas vezes, uma com o acompanhamento da Atlânticoline e outra novamente com recurso à Germanischer Lloyd, não tendo o navio conseguido atingir os requisitos contratuais em nenhuma das ocasiões.
No início de outubro, o secretário de Estado da Defesa, Paulo Braga Lino, disse à Lusa que o Atlântida tinha conseguido atingir uma velocidade superior à contratualmente prevista durante os testes de mar recentemente realizados.
“Os testes de mar que o navio fez entre Viana do Castelo e Lisboa revelaram que é capaz de fazer uma velocidade superior a 19 nós, contrariamente ao que havia sido dito anteriormente e que teria sido uma das justificações para a celebração do acordo de rescisão do contrato de fornecimento”, afirmou o secretário de Estado.

Mercado do pão nos Açores funciona em “sistema de equilíbrio e de concorrência”

O Secretário Regional da Presidência garantiu quinta-feira no parlamento açoriano que o mercado do pão no arquipélago “funciona em sistema de equilíbrio e de concorrência”, por via dessa mesma concorrência.
Para André Bradford, o funcionamento deste mercado nos Açores “desmente a preocupação” do BE, autor de um projecto de Resolução que recomenda ao Governo a alteração da regulamentação dos preços do pão, farinha e cereais importados nos Açores.
Não acontece com todos os mercados, admitiu o governante, mas, neste caso do pão, temos um mercado equilibrado em função do número de agentes, já que são mais de 100 as empresas de panificação a operarem no arquipélago e esse número sobre para mais de 150 se contarmos com a vertente de pastelaria.
Lembrou também que um mercado com esta dimensão, que funciona com este número de agentes, num produto como é o pão, de consumo diário e de grande rotatividade, “é um mercado que se equilibra a si próprio”.
André Bradford adiantou ainda que, quando há muitos agentes no mercado a comercializar o mesmo produto, “a tendência e o que se verifica é que a diferenciação tem de fazer-se pela qualidade mas também pelo preço”, já que “ninguém arrisca subir o preço para um nível onde o preço se torna um factor de perda de competitividade”.
“Querer desvirtuar este funcionamento por via legal, por via de uma imposição acrescida no que diz respeito à fixação de preços, justificar-se-á nalguns casos”, disse o Secretário Regional da Presidência, mas “não neste mercado em concreto”.

Governo reconhece que “não é fácil” neste momento ter políticas de aumento de vencimentos

O Governo dos Açores reconheceu sexta-feira, na Assembleia Legislativa, que “vivemos num momento que não é fácil ter políticas de aumento de vencimentos”.
A opinião foi expressa pelo Secretário Regional do Ambiente e do Mar durante a discussão de um projecto de diploma, da iniciativa do PCP, propondo elevar de 5% para 7,5% na Região o montante da retribuição mínima mensal garantida, estabelecido ao nível nacional para os trabalhadores por conta de outrem. Segundo explicou Álamo Meneses, o Governo Regional “concorda com a maioria dos argumentos” apresentados pelo deputado do PCP e também “partilha da preocupação” aqui expressa com o rendimento das famílias e, em particular, com o emprego.
No entanto, lembrou o governante, “não é fácil neste momento tomar qualquer iniciativa que possa contribuir para potenciar um desemprego que infelizmente é crescente e para colocar em risco mais postos de trabalho dessas famílias”.
Lembrou ainda que o emprego é, neste momento, “uma das preocupações centrais na Região”, embora todos saibamos – disse – “que o rendimento de uma família que recebe apenas o ordenado mínimo é um rendimento demasiado baixo e todos nós reconhecemos as dificuldades, conhecemo-las e estamos solidários com elas”.
“Concordando com uma boa parte dos argumentos, estando solidários com aqueles que recebem tão pouco e que têm uma vida tão difícil, nesta altura o bom senso aconselha que não seja este o caminho a seguir”, defendeu Álamo Meneses. No entanto, adiantou o Secretário do Ambiente do Mar, “tempo virá em que, aí, poderemos chegar, como em 1999 o pudemos fazer, e esperemos que a breve trecho seja possível melhorar a qualidade de vida e melhorar o rendimento de tantos que nesta Região vivem com tão pouco

Mulheres abandonam trabalho doméstico e substituem os homens no mercado de trabalho

viladoportograndeA resposta à crise nos Açores é clara: um número crescente de mulheres que antes assumiam o papel de “domésticas”, está a entrar no mercado de trabalho em força.
No 2º trimestre de 2011, segundo dados do Serviço Regional de Estatítica, o número de “domésticos” nos Açores baixou 5,3% em relação ao 1º trimestre, ao mesmo tempo que o número de mulheres inactivas baixou 1,27%. Trata-se de menos 1.276 “domésticos” e menos 1.897 mulheres dadas como inactivas.
Quando se compara com o 2º trimestre de 2010, a imagem é ainda mais clara: uma redução de 19,1% no número de “domésticos” e de 2,44% no número de mulheres inactivas. Em números absolutos, são menos 5.373 “domésticos” e menos 4.278 mulheres inactivas. São variações enormes!
Entre os anos de 2007 e 2008 já tinha havido uma alteração estrutural importante, quando os “domésticos” baixaram da barreira dos 30 mil, com a consequente diminuição das mulheres inactivas. Neste momento podemos estar a assistir a uma segunda etapa dessa evolução.
De certo modo, em termos económicos as mulheres constituem uma espécie de reserva que pode ter uma grande influência na geração de riqueza nos Açores. Aparentemente é já isso que elas estão a fazer com este abandono do papel de doméstica.
É uma realidade que o peso das mulheres no mercado de trabalho continua deficitário, quando comparado com as médias nacionais. No país, 48% das mulheres são activas, enquanto que nos Açores, mesmo com as movimentações dos primeiros dois trimestres deste ano, o seu peso não passa dos 41,9%. Isso significa que para que a Região atinja a média nacional, mais cerca de 7.550 mulheres terão de entrar no mercado de trabalho, o que aumentará a taxa de população activa para 52,3% – exactamente a taxa nacional.
Mas esse aumento da riqueza por via do incremento da actividade feminina é, por enquanto, meramente teórico. Aliás, o que os dados do SREA revelam é uma tendência oposta: a substituição da mão de obra masculina pela feminina, mas sem aumento do total de empregados.
É que apesar de uma ligeira recuperação da população empregada no 2º trimestre, para 109.404 trabalhadores, esse aumento deveu-se a 47% de homens e 53% de mulheres. Comparando com o 2º trimestre de 2010, esta tendência torna-se mais clara: 4,56% dos homens perderam  empregos (menos cerca de 300 mil postos de trabalho), enquanto que houve um aumento de 4,3% nas mulheres (mais 1.911 empregos).