O Governo Regional, através da Secretaria Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos, elaborou uma proposta de Decreto Legislativo Regional que estabelece o novo regime jurídico do Sistema Científico e Tecnológico dos Açores (SCTA) que estabelece um novo sistema de atribuição de incentivos financeiros de nominado PRO-SCIENTIA.
O novo regulamento disciplina o quadro normativo aplicável às entidades que se dedicam à investigação científica; à difusão da cultura científica e tecnológica; ao desenvolvimento tecnológico e inovação; e à promoção das tecnologias da informação e comunicação na Região.
O Secretário Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos, sublinhou que durante a fase de análise do actual sistema de incentivos, o PICTI – Plano Integrado para a Ciência, Tecnologia e Inovação -, foram ouvidas várias entidades ligadas à ciência e à investigação, como os directores de departamento da Universidade dos Açores e dos centros de investigação, responsáveis de empresas e dirigentes da Câmara do Comércio dos Açores, “tendo as respectivas sugestões sido consideradas na proposta de diploma”. José Contente, que prestava declarações após a audição pela Comissão de Assuntos Sociais sobre a proposta de diploma, explicou que as entidades que se dedicam à investigação científica irão ficar agregadas em três susbsistemas: organismos de organização científica; infraestruturas tecnológicas e infraestruturas de investigação de ciência e tecnologia, identificando-se os respectivos fins e tipologias.
“Outra das áreas em que se legisla é a relativa ao programa de incentivos, agora denominado de PRO-SCIENTIA. Procuramos criar, neste âmbito, um quadro completo e transparente, de fácil compreensão para os potenciais beneficiários”, sublinhou o governante. De acordo com o Secretário Regional, o PRO-SCIENTIA assenta em quatro eixos – Valorizar, Cooperar, Qualificar e Actualizar - e visa consolidar “o potencial científico e tecnológico da Região, estimular a investigação, promover a valorização económica das actividades de investigação e desenvolvimento e ainda favorecer a criação de sinergias nacionais e internacionais que projectem os Açores no espaço europeu de investigação”.
A proposta de decreto legislativo regional garante apoios às instituições de investigação científica e tecnológica com sede no arquipélago; promove a divulgação científica e tecnológica; aposta na dinamização de projectos de investigação científica e tecnológica com interesse para o desenvolvimento sustentável dos Açores; prioriza a formação especializada nas áreas de ciência e tecnologia e ainda atribui apoios a iniciativas de investigação, desenvolvimento e inovação realizadas em contexto empresarial, explicou José Contente.
“Este novo diploma regional, em consonância com aquilo que está instituído no Estatuto Político Administrativo dos Açores, que dá competências à Assembleia Legislativa Regional de legislar sobre matéria científica e tecnológica, vai regular toda a actividade científica e tecnológica na Região”, acrescentou o governante.
Ainda não existe nenhuma confirmação oficial, mas numa versão do Orçamento de Estado para 2012 a que o Jornal de Negócios teve acesso, tudo indica que será introduzida uma “norma interpretativa” em relação à transferência dos 5%do IRS para as autarquias. O sentido será o mesmo já defendido pelo anterior Ministro das Finanças Teixeira dos Santos: esse dinheiro já se encontra na posse do Governo Regional, pelo que terá de ser este a dá-lo às câmaras municipais.
O Jornal de Negócios refere mesmo uma redução geral de verbas para as câmaras e freguesias do país na ordem dos 175 milhões, dos quais 30 milhões referentes aos Açores – o que inclui uma redução de 6,5% comum a todo o país, mais o montante do IRS em causa.
A lógica é clara: se as regiões autónomas ficam com a totalidade do IRS cobrado, esse montante inclui que se destina às câmaras. E caso o país voltasse a dar esse valor às autarquias, ele na realidade teria de ser como que inventado, pois na realidade não existe.
A questão, no entanto, é que as leis em vigor não contemplam esta questão. A Lei de Finanças Locais, que abrange também os Açores, apenas refere o direito das autarquias receberem essa verba. E por outro lado, a Lei de Finanças das Regiões Autónomas apenas refere que as regiões têm direito à totalidade dos impostos cobrados.
Resta saber se uma mera “norma interpretativa” é suficiente para clarificar a questão, ou se incorrerá numa ilegalidade.
Até ao momento o Governo Regional não se manifestou sobre o assunto. A Antena 1 tentou mesmo o Vice Presidente, que se recusou comentar. Resta saber, também, como irá o Governo Regional encarar a questão, uma vez que se trata de uma verba superior a 20 milhões de euros – muito superior à esperada redução de 14,5 milhões alegadamente já contida no Orçamento. É muito dinheiro, ainda para mais num ano eleitoral...
Ou seja, é provável que o Governo Regional se recuse entregar esse dinheiro às autarquias, o que deixa apenas uma solução: a revisão da Lei de Finanças Regionais.
O único partido que já se manifestou oficialmente sobre o assunto foi o PCP, que ontem defendeu que deve ser o Estado e não o Governo Regional a transferir os cinco por cento de IRS que a lei concede às autarquias da região.
“É evidente que as verbas são cobradas na Região, mas o que diz a Lei de Finanças Regionais é que elas são pagas pelo Estado, portanto deve ser o Estado a pagá-las”, disse Aníbal Pires.
Tudo indica que a revisão da Lei de Finanças Regionais poderá ser a única saída, mas será que os Açores têm interesse em revê-la nesta momento? É provável que não, tendo em conta o clima actual.
A realidade é que desde que o Ministro Teixeira dos Santos percebeu a incongruência, o cumprimento das leis em causa deixou de estar seguro. Em 2009 não houve transferências de Março a Dezembro, em 2010 o Governo foi “obrigado” a fazê-lo numa votação na Assembleia da República, e em 2011 nada transferiu. E não é de prever que os deputados repitam o que fizeram em 2010.
Apesar dos cenários em causa serem estes, a verdade é que a data limite para apresentação do Orçamento de Estado é o dia 15 de Outubro.
O Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada afirmou que a abertura da “Loja Comunitária” dos Arrifes, que funciona, desde segunda-feira, nas instalações do Centro Social e Paroquial Nossa Senhora dos Milagres, enriquece a comunidade local e sinaliza os tempos da atualidade.
“Há uma crise económica e financeira no mundo e no país que, pelo seu impacto, cria dificuldades na sociedade e se expressa numa crise social, por via do desemprego e do aumento do custo de vida das famílias. Esta iniciativa constitui-se numa ideia solidária, numa reação pela criatividade, é um exemplo de Economia Solidária”.
A “Loja Comunitária”, uma parceria da Junta de Freguesia, Patronato de São Miguel, técnicos sociais e forças vivas dos Arrifes, foi considerada um exemplo a seguir e mostra como iniciativas de Economia Solidária, de que o microcrédito é um exemplo de grande impacto, podem contribuir para o desenvolvimento da Economia.
Segundo o Vice-Presidente da Câmara de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro, é possível, em conjuntura de crise, compactibilizarem-se os interesses económicos do mercado com a solidariedade social.
Na “Loja Comunitária” dos Arrifes, que venderá peças de vestuário em segunda mão a preços muito simbólicos a famílias que enfrentam maiores dificuldades, o responsável político considerou que as iniciativas de Economia Solidária que não serão “inimigas” dos mercados, mas sim parceiras para um desenvolvimento sustentado.
A Economia Solidária resulta, muitas vezes, de parcerias entre entidades públicas e instituições privadas “sem concorrência ao mercado oferecendo espírito de partilha”. Pode haver “um cruzamento de interesses entre o mercado, como o comércio tradicional, e as iniciativas de apoio comunitário. Tudo é possível de se compatibilizar. A crise deve ser combatida pelos mercados com alternativas e as necessidades sociais com oportunidades”, frisou o responsável.
O conceito da nova “Loja Comunitária” serviu de exemplo para o que defendeu. “Esta loja representa o conceito de reutilização da própria vida e produção. Do mesmo modo como na natureza nada se perde, tudo se transforma, também, aqui, o vestuário comprado no comércio (mercado) que as famílias com mais recursos deixam de utilizar são postos à disposição de quem mais precisa, sendo aproveitados”.
Para o responsável camarário, o projeto dos Arrifes é, ainda, uma mais-valia para as acções que a Câmara Municipal, através da sua Divisão de Ação Social, tem vindo a desenvolver no concelho através do projeto “Uma Dádiva”.
Requalificação das ruas envolventes da baía de Angra arranca em 2012 As obras de requalificação das ruas envolventes da baía de Angra do Heroísmo, na Terceira, que vão melhorar a circulação de peões e veículos, devem começar no próximo ano e estar concluídas em 2013.
“O objectivo é disciplinar a circulação de viaturas e peões, criar melhores espaços para que haja um melhor usufruto da cidade em relação à baía”, afirmou Vasco Cordeiro, secretário regional da Economia, aos jornalistas.
O projeto de intervenção engloba o estacionamento, a iluminação e a requalificação das ruas Gaspar Corte-Real e Pêro Barcelos, prevendo a criação de espaços para a circulação de peões e uma ciclovia, além de uma melhoria na circulação de viaturas.
Estas intervenções estão orçadas em três milhões de euros e, segundo Vasco Cordeiro, vão “valorizar o espaço e a própria cidade”.
No final de um encontro com a Direcção-geral dos Portos da Terceira e Graciosa, o secretário regional da Economia garantiu que está concluído o projeto para o cais de cruzeiros, “quer a abordagem ao projeto, quer do ponto de vista do estudo de impacto ambiental”.
Vasco Cordeiro frisou que o governo dos Açores quer fazer uma “abordagem cuidada” e, por isso, vai promover o debate público.
“Vai ser agora desencadeado um processo de consulta pública, que decorrerá ao longo dos próximos meses”, afirmou, acrescentando que o debate público visa “permitir que todos os interessados possam conhecer o projeto e dar o seu contributo para arranjar a melhor solução”.
Nesse sentido, em breve, a Portos dos Açores vai promover uma sessão pública para dar a conhecer este projeto.
A informação foi revelada à agência Lusa pelo secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional: “Os testes de mar que o navio fez entre Viana do Castelo e Lisboa revelaram que o navio é capaz de fazer uma velocidade superior a 19 nós, contrariamente ao que havia sido dito anteriormente e que teria sido uma das justificações para a celebração do acordo de rescisão do contrato de fornecimento”, disse Paulo Braga Lino.
O navio deveria ter seguido em 2009 para os Açores, mas a empresa pública açoriana AtlânticoLine, que o tinha encomendado, rescindiu o contrato com a empresa pública de Viana, no valor de 50 milhões de euros, alegando uma diferença de 1,4 nós na velocidade máxima que o ferry conseguia alcançar em relação à que tinha sido acordada (18 nós).
“Neste momento, a nossa preocupação central é encontrar uma solução para o navio Atlântida e para os estaleiros. Nesse sentido, existem já contactos com três entidades internacionais potencialmente interessadas no navio, sem prejuízo de o nosso desejo se manter: de o navio poder ser entregue ao destinatário inicial, que é o Governo Regional [dos Açores]”, disse hoje o secretário de Estado.
Braga Lino esclareceu ainda que a empresa que gere os estaleiros de Viana, a Empordef, está a analisar agora a possibilidade de contra-argumentar em relação às justificações apresentados pelo Governo açoriano.
“[Mas] Não queria centrar tanto a questão na informação prestada ou não prestada ao Governo Regional Açores. A nossa preocupação neste momento, como digo, é encontrar um destino para o navio e, acima de tudo, salvaguardar o interesse nacional”, afirmou.
“Não nos podemos esquecer de que os contribuintes, nos quais estão obviamente incluídos os contribuintes açorianos, estarão a pagar duas vezes o navio”, explicou Braga Lino, acrescentando que todos os contribuintes terão de suportar “os custos com a fabricação e com o desenvolvimento deste navio e os contribuintes açorianos também estão a pagar neste momento os custos com o aluguer e o frete do navio que tem feito as ligações na Região Autónoma dos Açores, que não é propriedade do Governo Regional nem da AtlânticoLine”.
O secretário de Estado recusou ainda fazer “comentários adicionais” em relação ao caso do concurso aberto já este ano pela AtlânticoLine para a construção de mais dois navios e que, para o Ministério da Defesa Nacional, estabelece critérios que excluem à partida as empresas nacionais.
O Governo dos Açores reafirmou hoje, numa carta enviada a Braga Lino, que os requisitos do concurso não inviabilizam a participação de estaleiros portugueses, lamentando que, em lugar de criticar, não se trabalhe para se construir uma proposta vencedora. Esta foi a resposta do Governo Regional a uma carta do secretário de Estado, enviada a 29 de setembro, na qual Braga Lino pedia ao executivo açoriano para interceder neste caso em nome do “interesse regional e nacional”.
A Atlânticoline esclareceu sábado que considera “encerrado o assunto do navio Atlântida desde a assinatura, em 2009, do acordo de rescisão do contrato de construção” e aguarda o seu cumprimento integral.A posição da Atlânticoline surge depois de declarações do secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional, Paulo Braga Lino, que afirmou, na 6ª feira, que “o navio é capaz de fazer uma velocidade superior a 19 nós mais do que os 18 nós estabelecidos no contrato”.