SPEA promove actividade de plantação de endémicas em São Miguel

No próximo sábado a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) promove mais uma actividade ligada ao voluntariado. Desta feita os voluntários poderão contribuir para a conservação da Floresta Naural dos Açores, a Floresta Laurissilva, através da plantação de plantas nativas dos Açores.
Esta actividade ao abrigo do projecto Life Laurissilva Sustentável, está integrada no plano de actividades que a SPEA programou no âmbito das comemorações do Ano Internacional das Florestas e no Ano Internacional do Voluntariado. Os voluntários poderão conhecer os trabalhos e o funcionamento dos viveiros do projecto Life Laurissilva Sustentável situados na Vila da Povoação, assim como colocar as plantas, produzidas por este viveiro, em áreas intervencionadas pelo projecto. Nestas áreas foram retiradas plantas invasoras como a Conteira, Cletra e Incenso acelerando assim o seu processo de recuperação, contribuindo para a conservação da Floresta Laurissilva.     
A actividade tem vagas limitadas a 15 participantes sendo gratuita a inscrição. Os interessados poderão inscrever-se até ao dia 21 de Outubro, através do site www.centropriolo.com.
O projecto Life Laurissilva Sustentável é um projecto para a conservação da floresta de laurissilva na Serra da Tronqueira e das Turfeiras do Planalto dos Graminhais, em São Miguel, Açores, resultante de uma parceria da SPEA com a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar (SRAM) e da Câmara Municipal da Povoação, financiado pelo programa Life+ da União Europeia.

Campeonato Europeu de Fotografia Subaquática estreia-se em 2012 nos Açores

mar1Os Açores vão acolher, em Setembro do próximo ano, a realização do primeiro Campeonato Europeu de Fotografia Subaquática, revelou sexta-feira, na Graciosa, ilha onde se realizará esta prova, o Secretário Regional da Economia.
Vasco Cordeiro, que participava na sessão de abertura da III Bienal de Turismo Subaquático, considerou “uma honra” o facto da Região ter sido escolhida pela Confederação Mundial de Actividades Subaquáticas para a realização deste evento, não só porque ele contribui para “afirmar a Graciosa e os Açores como um destino de referência para a prática do mergulho”, mas também porque “sinaliza que nos encontramos no caminho correcto”, no que à promoção do destino diz respeito.
“A realização deste evento aqui na Graciosa cumpre, também, o que temos vindo a estabelecer como uma prioridade para a promoção turística. Um destino de qualidade inquestionável, uma referência ao nível das condições de sustentabilidade, capaz de organizar iniciativas como esta independentemente da dimensão da ilha onde ela se realiza”, disse Vasco Cordeiro.
Para o governante, a eleição dos Açores como palco deste campeonato, “deriva, em primeiro lugar, das nossas excepcionais belezas naturais e do trabalho de todos: as entidades públicas, seguramente, que têm dotado a Região de infra-estruturas e que têm apostado de forma muito intensa na promoção, mas também, e de forma decisiva, dos nossos empresários e entidades como a Agraprome e a Associação Regional de Turismo”, responsáveis pela organização da III Bienal de Turismo Subaquático.
Vasco Cordeiro destacou também a importância do Mar como factor de desenvolvimento “em todas as ilhas, de Santa Maria ao Corvo. Já não é mais um factor de constrangimento mas sim, um factor gerador de negócios, que tanto podem existir em Ponta Delgada ou em Angra do Heroísmo, mas igualmente em Santa Cruz das Flores, aqui na Graciosa, ou em qualquer outro lugar”.
O Secretário Regional da Economia garantiu, por isso, que o Governo dos Açores está empenhado “em conseguir sempre mais e sempre melhor, trabalhando, todos os dias, em conjunto com os empresários e outras entidades do sector”.
Na sequência desse trabalho, anunciou, “é hoje assinado o contrato para uma grande campanha promocional em 11 países, que consideramos prioritários, como a Alemanha, França, Holanda, Itália, Espanha, entre outros, num investimento de cerca de 7 milhões de euros”.
“Estamos em crer que a estratégia do Governo dos Açores em apostar fortemente nos mercados internacionais está a dar os seus frutos, como se pode verificar pelo facto desses mercados terem contribuído para a subida no número de dormidas registada durante o Verão, compensando a significativa retracção que se verifica no mercado nacional”, referiu.
Nesse aspecto, o governante, considerou que “as medidas anunciadas para  o Orçamento do Estado vão ter um impacto muito significativo no mercado nacional” pelo que será necessário “conjugar o trabalho de todos, a criativadade que os nossos empresários têm demonstrado e ao vigor que temos imprimido para melhorar cada vez mais a nossa oferta já que esse trabalho contribuirá de forma decisiva para aumentar os nossos proveitos”.
Nesse sentido, e tal como foi anunciado ontem pelo Presidente do Governo, “no âmbito da promoção dos Açores no Continente, a Secretaria Regional da Economia, em conjugação com os empresários do sector vai lançar já no próximo domingo mais uma campanha de de promoção do destino Açores para a época baixa 2011/12, baseada em tarifas de aviação a um preço muito acessível”.
“Trata-se de um esforço institucional muito significativo com o objectivo de atingir o consumidor final. Durante três semanas procederemos a uma promoção exaustiva destas tarifas, disponíveis durante a época baixa por um valor de 88,5€, a partir do Continente para os Açores, utilizando para o efeito meios de grande espectro, tais como redes outdoor, mupis, multibanco, televisão, traseiras de autocarro/taxis/metro, bem como, montras de agências de viagens.”
Ou seja, “ao contrário do que alguns insinuam, estamos efectivamente a trabalhar afincadamente para continuar a construir este desafio formidável que são os Açores e este sector que, convém recordar, praticamente não existia à pouco mais de uma década atrás” concluiu.

A lagartixa-da-Madeira uma espécie introduzida que parece inofensiva

 

lagartixa-da-madeiraÉ uma espécie endémica do arquipélago vizinho, mas encontra-se em todas as ilhas dos Açores. A lagartixa-da-Madeira, Lacerta dugesii, é uma espécie muito comum em todas as ilhas da Região, exceptuando as Flores e o Corvo onde a sua presença foi detectada apenas em 2007. Foi também registada, pela primeira vez, há 19 anos, no porto de Lisboa.

Fátima Melo Medeiros, do Departamento de Biologia da Universidade dos Açores, UAç, explicou ao "Diário dos Açores" a presença e habitat desta espécie que se crê ter sido introduzida nos Açores no século XIX, provavelmente, proveniente da ‘vizinha’ Madeira.

Pode ter sido introduzida uma ou mais vezes, à partida, através do tráfego marítimo que se verifica ainda nos dias de hoje.

L. dugesii

Aproveitando o sol e o clima que se faz na Região, as lagartixas preferem os muros de pedra e alimentam-se à base de insectos, com tendência para serem generalistas (alimentação variada). "Ser generalista num meio insular é crucial para que um animal consiga ter sucesso", opina Fátima Melo Medeiros.

Nota importante, a lagartixa-da-Madeira é a única espécie de réptil que ocorre regularmente nos Açores, mas não tem sido a única a obter registos. Fátima Medeiros diz que esporadicamente foram detectadas algumas cobras desde há muitos anos. Quanto a estes répteis, a investigadora da UAç refere que não se sabe bem o porquê, mas as cobras não se conseguem reproduzir na Região, "talvez porque não se adaptem aqui ou sejam logo capturadas". Assim, a maioria dos indivíduos de outras espécies de répteis registada nos Açores, não passa a constituir populações naturalizadas, com excepção da osga-comum tal como documenta o excerto seguinte, do capítulo 12, do livro Borges et al., 2010. "Em 2002, num parque de contentores contíguo ao aeroporto João Paulo II, foi capturado o primeiro exemplar adulto de uma espécie de réptil nunca antes observada nos Açores, identificada como Tarentola mauritanica. Até 2009, foram capturados mais seis exemplares vivos e quatro mortos em armadilhas, quer em Ponta Delgada, quer na Fajã de Cima". "Nos locais referenciados têm sido observados muitos outros indivíduos, alguns dos quais juvenis, o que mostra a ocorrência de exemplares a nidificar na natureza, e indica que as populações respectivas estarão estabelecidas. Um estudo recente (Barreiros et al. 2010) confirma a presença da espécie em São Miguel, alargando a sua actual distribuição às ilhas Terceira e Faial".

Voltando à lagartixa, nas Flores e no Corvo (depois de várias expedições de naturalistas) só foi detectada no ano de 2007, mas provavelmente terá chegado ao Grupo Ocidental um pouco antes. "Nessa altura estava muito circunscrita ao concelho de Santa Cruz, de modo que a introdução deve ter sido efectuada em barcos com mantimentos) ", explicou à reportagem do "Diário dos Açores" Fátima Medeiros.

Questionar as vantagens ou possíveis desvantagens que esta espécie possa acarretar nos habitats açorianos poderá ser uma questão difícil de responder, uma vez que já está estabelecida e dado que são desconhecidos eventuais danos, quer a organismos nativos quer à agricultura. "Quando há uma introdução nunca se sabe quais são os efeitos que uma espécie poderá ter no novo meio" afirma a docente do Departamento de Biologia. Para Fátima Medeiros um dado certo é que quando a lagartixa foi introduzida não existia nenhum réptil no meio selvagem. "Esse foi um factor abonatório pois permitiu distribuir-se à vontade sem a competição de espécies com preferências semelhantes", sublinha.

Mas além da lagartixa, Fátima Medeiros alerta para o cuidado a ter em relação à introdução de espécies num meio diferente. "É preciso ter cuidado com a introdução de espécies porque mesmo conhecendo a biologia de uma espécie num determinado local originário, nunca se sabe qual será o comportamento da mesma em habitats completamente diferentes dos originários", diz. "E se as espécies tiverem sucesso podem trazer consequências drásticas para outras espécies (especialmente se se tratarem de espécies endémicas), podendo dar origem a pragas e a extinções", explica.

Algumas espécies de aves exóticas, escapam, por vezes de gaiolas, e vão para o meio selvagem, "o que é perigoso". "Nos répteis não são conhecidos esses casos na Região, mas pode acontecer", avisa Fátima Medeiros. "É preciso ter cuidado quando se tem animais exóticos em casa, deve-se prestar os cuidados que necessitam e não os deixar escapar para a Natureza", concluiu.

O alerta sublinha-se, e por via dos descuidos, a mensagem passa por "não introduzir qualquer espécie"!!!

é uma espécie de lagarto pertencente à família Lacertidae. Dos estudos que já se fizeram, explica Fátima Medeiros, "a origem poderá ser africana porque tem maior afinidade com uma espécie (L. perpicillata) que é endémica de Marrocos". A dispersão no interior das restantes ilhas do arquipélago não é de agora, ocorreu há já muito tempo.

Projecto inédito a nível europeu vai proteger zonas de nidificação de aves no Corvo, Açores

A ilha do Corvo, a mais pequena dos Açores, acolhe um projeto pioneiro na Europa, que envolve a construção de uma vedação contra predadores para proteger as zonas de nidificação, criando uma área reservada única no hemisfério Norte.

“Acreditamos que o índice de nidificação na zona que vai ficar reservada será muito superior ao do restante território da ilha do Corvo ou mesmo ao do restante território do arquipélago dos Açores”, afirmou Frederico Cardigos, diretor regional dos Assuntos do Mar, em declarações à Lusa.
A vedação em rede, que abrangerá uma área de três hectares, está a ser instalada na denominada Reserva Biológica de Baixa Altitude, na zona da Ponta do Topo, com o objetivo de impedir a entrada de gatos e ratos, entre outros predadores.
A iniciativa está integrada no projeto ‘Ilhas Santuário para Aves Marinhas’, financiado pelo Programa LIFE+ da Comissão Europeia, coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e pelo Governo dos Açores, envolvendo ainda a Royal Society for the Protection of Birds e a Câmara Municipal do Corvo.
Para Frederico Cardigos, este projeto pioneiro vai também permitir a realização de outras “experiências científicas” que necessitam de territórios isolados, além de poder “atrair” mais turistas vocacionados para a à conservação da natureza, já que se trata da “única zona reservada anti-predadores existente do Hemisfério Norte”.
A vedação que está a ser colocada no Corvo apresenta características próprias, não sendo usual no mercado europeu, estando a sua instalação, orçada em 150 mil euros, a cargo de uma empresa da Nova Zelândia.
Depois de colocada a vedação, a reserva será monitorizada diariamente pelos técnicos ligados ao projeto, que contarão também com o apoio de alguns equipamentos que serão instalados no local.
Nesse sentido, está prevista a instalação de dispositivos de fotografia automática para identificação de eventuais intrusos, assim como a colocação de dispositivos de captura, tendo em vista “erradicar os felinos e os roedores deste espaço”.
“Estamos também a equacionar a possibilidade de colocar uma câmara num sítio estratégico, mas mais como um espaço de divulgação e promoção do projeto e dos seus resultados e não tanto para a monitorização”, afirmou Frederico Cardigos, acrescentando que seria “impossível” filmar toda a vedação.

Galardão EDEN entregue em Bruxelas ao Parque Natural do Faial

eden-faialO galardão "EDEN – Destino Europeu de Excelência" foi entregue ao Parque Natural do Faial, na cerimónia solene da comemoração do Dia Mundial do Turismo, que decorreu em Bruxelas, na noite de 27 de Setembro.

Este prémio permitirá aos Açores, através do Parque Natural do Faial, consolidar uma imagem de um destino turístico de excelência, que alia o desenvolvimento do turismo ao respeito profundo pelo Ambiente, numa oferta sustentável.

O Parque Natural do Faial destaca-se como o primeiro destino EDEN Português, por ser a primeira vez que Portugal se candidatou a este prémio com enorme relevo internacional.

Com este prémio, o Parque Natural do Faial passa a pertencer à Rede Europeia de Destinos Turísticos Sustentáveis de Excelência, o que coloca a Região e, em particular a ilha do Faial, no grupo restrito de destinos sustentáveis a nível europeu.

De destacar que o segundo classificado a nível nacional foi o Parque Natural do Pico, igualmente na Região Autónoma dos Açores.

Estiveram presentes para receber o galardão o Director Regional do Ambiente, o Director do Parque Natural do Faial e a Directora do Departamento dos Assuntos Internacionais do Turismo de Portugal.

Na ocasião, o Director Regional do Ambiente, João Bettencourt, referiu que "os Açores manifestam o seu orgulho e satisfação pelo prémio alcançado, desejando que este galardão permita potenciar, ainda mais, a divulgação da qualidade ambiental da Região".

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