A renovação política nos Açores…

 Vasco Cordeiro abandonou a pasta da economia para ser candidato a tempo inteiro, assumindo o seu lugar de deputado. Provavelmente pediu o estatuto de deputado a meio tempo para poder ser candidato a tempo inteiro.
 Entende-se facilmente que Vasco Cordeiro, enquanto candidato, queira rapidamente descolar-se da conotação com casos mal resolvidos como, por exemplo, o barco Atlântida ou a complicada manutenção da concessão de licença para a exploração de um casino de jogos de fortuna e azar, entre outros…
Obviamente que se Vasco Cordeiro, enquanto governante, não fez mais e melhor foi porque não conseguiu. Entregou-se, certamente, de alma e coração e deu tudo o que tinha para dar à política.   
Vasco Cordeiro apresenta-se como a “renovação”, para além de se estranhar essa assunção, olha-se para quem está com o candidato e verifica-se que são os mesmos que já estiveram com Carlos César durante 16 anos. Será interessante ver a lista de candidatos que o partido socialista irá submeter às eleições para se verificar quem serão os renovados propostos pelo candidato.
Políticos de longa carreira como José San-Bento e Berto Messias farão, certamente, parte da lista para deputados do PS/Açores à Assembleia Legislativa Regional. Barões do PS como José Contente e Sérgio Ávila e talvez André Bradford figurarão, possivelmente, numa futura lista de candidatos do PS/Açores. Francisco César estará, porventura, garantido na lista de Vasco Cordeiro, representando o “cordão umbilical” de Cordeiro ao seu tutor político.
Tudo caras da antiga política. Se assim for, no núcleo duro da lista, a renovação será nula. Será interessante verificar se Carlos César figurará ou não na lista a deputados regionais e se será número um ou dois da lista.
Através da constituição das listas, será mais fácil desvendar se terá sido o candidato Vasco Cordeiro a ter tido liberdade para constituir a sua lista ou se terá sido o presidente do partido socialista, Carlos César, a ter usado a legitimidade de líder do partido chamando a si a constituição das lista, impondo a Cordeiro uma bancada parlamentar que não é da autoria do candidato.  
Juntando as caras dos protagonistas que rodeiam Vasco Cordeiro que estiveram com ele no passado, estão no presente e querem estar no futuro, torna-se difícil para o candidato socialista apresentar-se como sendo a renovação.
 Terá sido má estratégia política a massificação de cartazes do candidato apresentando-se como “renovação”. Seria aconselhável a substituição dos cartazes por outros com uma mensagem de continuidade, que aos olhos dos eleitores seria entendida como “mais séria”.

Quando a esmola é grande...

A mulher trazia os troquinhos embrulhados num papel amarrotado. Ao pagar, apresentou as moedas de cobre à menina da caixa, para que ela tirasse os cêntimos que faltavam. Perante a miséria, a empregada do supermercado pediu licença para tirar três moedinhas e a mulher negra abriu a palma da mão, oferecendo-lhe tudo o que possuía. Paga a despesa, a mulher voltou a embrulhar os cêntimos que sobraram, como se fossem toda a sua riqueza.
(Lembrei-me da parábola do óbulo da viúva narrada pelo Evangelho. A viúva, apesar de ofertar duas moedas, deu tudo o que tinha para viver, e deu mais do que os ricos que só oferecem parte do supérfluo.)  
A cena passou-se, curiosamente, numa superfície comercial onde, no dia do trabalhador houve reduções de 50% em compras, acima de 100 euros.
Dois dias depois, muitas prateleiras da loja continuam vazias. Parece que um tsunami varreu a mercadoria.
Quem pensar que a cadeia de supermercados efetuou um ato filantrópico, por oferecer aos clientes metade das compras, engana-se.
No complexo mundo da economia e do marketing, ninguém dá nada a ninguém. Todas as campanhas comerciais têm em vista o lucro. Os investidores sabem-no muito bem, por isso as ações da Jerónimo Martins continuam em alta na Bolsa de Valores.
A Confederação do Comércio criticou aquele grupo, acusando-o de “dumping”, e todos desconfiavam, mesmo a ASAE, que houve ilegalidade. Até os fornecedores, obrigados a esperar alguns meses pelo pagamento dos seus produtos interrogam-se, se serão eles a suportar os descontos. Enfim, o clamor dos mais fracos, face ao poderio económico de uns poucos!
Indigna-me a forma como se menospreza os clientes, comentando, ironicamente, que houve a preocupação de ajudar a gestão dos orçamentos das famílias nestes tempos difíceis. Como se um farto cabaz de compras, matasse a fome de um ano inteiro...
Há campanhas comerciais que ofendem a dignidade dos consumidores pois, embora não estejam avisados, são eles quem paga os descontos que, ilusioriamente, lhes concederam.
Uma empresa comercial se decide efetuar uma grande campanha pontual de vendas, por que não o faz também, ao longo do ano? Isso repartiria os encargos dos consumidores mais pobres sem os obrigar a desembolsar quantias elevadas. Muitos deles auferem baixos salários, não recebem  subsídio de férias, estão desempregados e as suas família passam por situações difíceis.
É irónico e de mau gosto, alegar ajuda à gestão de parcos orçamentos familiares, quando se sabe que, perante as dificuldades de crédito às empresas, a captação de dinheiro é o único, principal e grande negócio.
E não me digam que o dinheiro retirado aos pobres servirá para novos investimentos reprodutivos que gererão mais empregos. A lógica capitalista aumenta o produto interno bruto, mas não acrescenta o indice de desenvolvimento humano, como atestam os dados estatísticos.
O fosso entre ricos e pobres é cada vez mais evidente.
É um escandalo que, já este ano, em Portugal, tenham sido vendidos 92 carros de luxo - Porsche, cujo preço ultrapassa os 100 mil euros, quando o negócio dos veículos comerciais e pesados baixou mais de 45%.
A solução para atenuar os desequilíbrios passa pela solidariedade e pela repartição equitativa dos bens. À semelhança do que fez a viúva que deu pouco, mas foi tudo quanto tinha.
Cabe ao cidadão estar atento, para não ser levado pelo conto do vigário.
Como diz a sabedoria popular: Quando a esmola é grande, o povo desconfia.

Amargos sinais de Maio

O 1º. de Maio deste ano – efeméride mundialmente consagrada à Comemoração do Trabalho e à evocação das históricas lutas e conquistas dos Povos da Terra em prol do universal reconhecimento da dignidade, dos direitos e dos deveres dos Trabalhadores –, ficou marcado entre nós, para além das habituais manifestações sindicais e de outras mais ou menos festivas animações de salão, praça ou rua, por três acontecimentos cujo simbolismo e conteúdo reais merecem registo; a saber:
1) Os sucessivos atos de puro vandalismo (mutilação, destruição, roubo e incêndio!) de que foi vítima uma Exposição de Maios tradicionais esmeradamente trabalhada pelos alunos e professores das turmas de Educação Tecnológica da Escola Jerónimo Emiliano de Andrade, numa cinta urbana de Angra do Heroísmo aliás já useira e vezeira em destemperos, despautérios e criminalidades que crescem e conspurcam cada noite que se abre nas imediações do Corpo Santo, EDA, DI, Avenidas e ditas “docas” e locas do Porto das Pipas, em zona para-turística da desamparada e desalmada urbe Património Mundial…
2) O espantoso e degradante cenário de quase saque a prateleiras de todos os tipos de produtos de uma cadeia de supermercados – conquanto bem concorrencial e promocionalmente vendidos a saldo, ou facultados à carenciada mas legítima e compreensível compra por pobres e médias bolsas e por conta de uns apelativos descontos de 50% –, naquilo que nacional, humilhante e pouco docemente pingou como que em traslados de miséria, pré-catástrofe socioeconómica, açambarcamento de aflições, penúrias e prenúncio de armazenamento de rações para antecipatórios medos de sítio ou cerco…
3) A divulgação de um muito atento e crítico documento (intitulado Desemprego e Confiança) da Comissão Nacional Justiça e Paz de Coimbra, onde são detetadas e denunciadas muitas das angustiantes feridas e sinais do tempo que vivemos (desemprego, violência, falta de confiança, solidão, perda da autoestima, insanidade mental, implosão e instabilidade da estrutura familiar, desinformação, agiotagem financeira, despesismo e injustiças sociais, instabilidade legislativa, legislação laboral inadequada, condicionantes e penalizações empresariais, morosidade judicial, deficientes fiscalizações, debilidade empresarial, desarticulação governamental e estratégica, etc.), – tudo isto contra o verdadeiro Bem Comum mas a favor e ao serviço da “manutenção de privilégios abjetos a uma ‘nomenklatura’ que, como sempre, situada na órbita ou dentro do poder político, se mantém incólume nos sacrifícios que são exigidos aos outros”, fazendo de Portugal um país anestesiado e adiado!
Ora todos estes fenómenos e indicadores, cada um ao seu nível de impacto e grau de gravidade local, regional e nacional, devem fundar outros tantos motivos de reflexão e um apelo também pessoal e ético a cada um dos nossos concidadãos, porquanto também e como, sem ilusões, retoma a CNJP da Carta Octogesima adveniens, podem-se “alterar estruturas e criar novos métodos de gestão e decisão”, o que sendo “necessário nunca será suficiente, enquanto não percebermos o quanto as soluções dependem da conversão pessoal em mentalidade e nos comportamentos”. E assim então:
– “Seria bom que cada um procurasse examinar-se para ver o que é que já fez até agora e aquilo que deveria fazer. Não basta recordar os princípios, afirmar as intenções, fazer notar as injustiças gritantes e proferir denúncias proféticas; estas palavras ficarão sem efeito real se não forem acompanhadas, para cada um em particular, de uma tomada de consciência mais viva da sua própria responsabilidade e de uma ação efetiva. É por demais fácil alijar sobre os outros a responsabilidade das injustiças se se não dá conta, ao mesmo tempo, de como se tem parte nelas e de como a conversão pessoal é algo necessário, primeiro que tudo o mais”.

Lisboa Menina e Moça

Lisboa anda triste e descalça. A cada canto um pedinte, a cada esquina um olhar vazio. As pessoas vagueiam num chão sem chão para andar. Um murmuro de vozes perdidas misturam-se por entre traços de solidão, de quem não tem sequer espelho para falar consigo próprio. É um vira sem vira nesta louca vida desalmada.
A nossa capital descapitalizada. Onde o Rossio está pasmadado com o Sturbucks e Hard Rock sem ginginha, amêndoa amarga ou alvarinho. E os Hostels ganharam fama, sendo muitos em edifícios antigos e decaídos recuperados por jovens estrangeiros. Bom principio que tarda em se verificar nas boas intenções camarárias, desde Santana a Costa, de revitalizar prédios antigos para hospedar famílias.
Predomina os tons cinzentos na idomentária escolhida pelos jovens, com algumas excepções. Às portas da Universidade Autónoma de Lisboa ou Lusófona existem sorrisos de gente de barriga cheia, com capacidade de cumprir com as propinas mensais ao alcance de poucos e com fundo de maneio para o sumo natural, tostas e frutas tropicais. São portugueses, felizmente. Mas existem os outros, igualmente portugueses.
As farmácias estão corruptas. Não todas, mas algumas. É a “Máfia das Farmácias” que virou euromilhões em imóveis desde Cascais ao Lumiar. E cada vez mais, menos hospitais públicos. Os nascimentos dão prejuízo, nada melhor do que fechar a Maternidade Alfredo da Costa. Para quê nascer em segurança numa maternidade de referência na Europa, se podemos ter os nossos filhos em casa, no metro ou no autocarro?
Por cada unidade de saúde pública que fecha, duas ou três privadas desabrocham. E este serviço até é bom, simpático e charmoso. Mas tem o seu preço e mais de 25% dos portugueses já em 2010 estava em risco de pobreza ou exclusão social. Para estes e outros tantos milhões, já o Governo fez um “apagão” na isenção das taxas moderadoras. A escassez financeira familiar de acesso ao público, é a mesma que impede a experiência de ser atendido cordialmente no privado. Mas sempre há quem visite os privados: os não excluídos e os não pobres.
Somos uma cidade de hotéis com muito conforto. No ano de 2004, com um europeu de futebol, construiu-se sem mais não. Com tantos turistas nessa única e passageira época futebolística, a ocupação atingiu números interessantes. A partir daí, existem os hotéis e ficaram as camas. Passámos de cidade turística a cidade visitante. E até dizem que vão voltar. Ainda bem que assim é, desde que deixem umas patacas à malta do comércio e da restauração.
Mas os bancos dos jardins estão com uma taxa de ocupação em crescimento, atendendo ao ritmo alucinante que assistimos à perca de casas de famílias inteiras. São os novos tristes pássaros sem assas e com sonhos perdidos. Os mesmos considerados invisíveis para uns e fantasmas para outros. Os que foram abandonados pela mesma Lisboa Menina e Moça, cheia de luz e cor, onde se mantém os castelos, mas agora para por o cotovelo já se cobra. Com tantas medidas de desprezo, que se crie pelo menos equipas de saúde mental para apoiar famílias inteiras empobrecidas e com registos de aumento exponencial de suicídio.
Lisboa sabe nacionalizar de olhos vendados. O BPN porque só dentro de oito anos se saberá o significado do grandioso prejuízo para os contribuintes e a EDP porque conseguiu-se renacionalizar no idioma chinês. Só falta mesmo o Catroga fazer parte deste processo. Ou será que faz?
E a TAP que comprou os serviços de manutenção da empresa brasileira VEM, carregada de dívidas ao estado brasileiro (e não só) e que diariamente perde milhares de euros. Afinal será que o governo português prepara agora a privatização da aérea, preferencialmente para um grupo do Brasil? Qual a nacionalidade do Presidente da TAP, Fernando Pinto?
Hurras para a Semana Académica de Lisboa acolhendo este ano pela primeira vez o Fado. Este estilo musical, já foi em 2011 elevado à categoria de Património Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Do latim fatum, dolente e melancólico, é realmente um destino de muitos estudantes futuros desempregados. Sobra a Carminho, antiga estudante universitária e actual fadista académica.

Azedo!

Confesso que já tinha decidido deixar de escrever à limão galego (azedo, como qualquer limão, mas avermelhado, condição esta que não tem propriamente a ver com o “tom” das crónicas, é apenas um fait divers colorido). A razão é simples: quando comecei a “galegar”, fui pressionado por muita gente a refrear a limonada. Que era exagerado, que eu ia-me “queimar”, que as pessoas não iam gostar, que era quase uma questão de bom gosto não ser tão ácido! Reconheço que na altura pouca gente se dava com limão galego, pelo menos a ter em conta as críticas que eram produzidas nos jornais ou até nas redes sociais. Mui poucas, já se sabe...
Hoje o limão parece estar generalizado. E o que parecia (e era) uma excepção há tão pouco tempo, é hoje a norma. Todos criticam, com mais ou menos sabor, e parece que já ninguém tem medo de dizer que o Rei vai nú! Levou algum tempo a retirar as olheiras e abrir os olhos a todos estes novos cronistas que aparentemente não têm qualquer medo de represálias ou de não estarem na moda. Hoje a moda é exactamente azedar! E com razão, acho eu!
O papel que me cumpre como profissional destas andanças – e também sou profissional quando escrevo as minhas opiniões, pois um jornalista não pode apenas botar postas de bacalhau sem confirmar se não são de paloco do Pacífico. Para terem uma ideia, há artigos de opinião que são autênticas investigações, levando horas a pesquisar antes que eu possa digitar uma única letra! Ossos do ofício, já se sabe! Outros, sem a obrigação de acertar no bacalhau, serão talvez mais ligeiros, eventualmente ainda mais acutilantes, mas não obrigatoriamente mais verdadeiros!
Bom, mas o que me cumpre como pessoa que recebe um ordenado para olhar e ver o que se passa à minha volta, e depois escrevinhar o que consigo concluir, é estar um passo mais à frente. Estive-o quando comecei a limonada; e agora espero voltar a estar, quando passar para o meu novo sabor: a laranja azeda! A nêspera tinha sido a minha primeira opção, e confesso que não me desiludi com as primeiras que comi este ano (primeiras e últimas, provavelmente, pois não me parece que essa produção esteja propriamente organizada, à imagem de quase tudo nos Açores). A época da goiaba também passou rápido e apesar de ser de qualidade excelente, durou pouco. Tal como a anona! Sei que os araçás já estão em flor e se não houver nenhuma tempestade de monta iremos saboreá-los com desvelo!
Mas então, com tanta variedade possível, porquê a laranja, perguntarão? Simplesmente porque a laranja tem uma conotação histórica, tem um passado nestas ilhas, e até já foi responsável por um ciclo económico (é imaginar o ciclo da vaca, mas com mais folhas, quintas e navios ingleses no porto de Ponta Delgada – e os filhos dos ricos a estudarem nas capitais europeias, para regressarem à terrinha e nos colocarem no mapa europeu das grandes ideologias e filosofias do seu tempo; a vaca foi bem menos produtiva, parece-me). E há pelo menos dois anos consecutivos que não consigo pôr o dente numa Laranja de Umbigo, que é docíssima e quanto a mim, e aos raros que já as puderam saborear, é talvez a melhor do mundo! Se existisse, claro! Portanto, laranja por causa do seu seu simbolismo, azeda porque é o travo que a maior parte das que resistem tem. Ou seja… Há uma tentativa de alterar o sumo, digo rumo, sem me afastar em demasia do “corte” que caracteriza os frutícolas mal amanhados que temos!
Mas é difícil esquecer o limão! E por mais que queira, este governo – se é que o termo é aplicável – não me sai da ideia! Mesmo que o quisesse, a última edição do “Açores9” não me deixava: o órgão oficioso do PS, pago com dinheiro de todos os contribuintes (os que são e não são do PS), realizou uma espécie de “edição de ouro”, em que o PS e o Governo se fundem no patrocínio: memorável! Esta é a faceta dos princípios, da ética e da vergonha! Da falta deles, quero dizer!
A outra, do desgoverno, vai-se lendo todos os dias através do GACS, na versão oficial, e através da imprensa nacional, quando se quer ver a versão real. O caso da ligação de fibra óptica é um exemplo deste desmando – já por mais que uma vez tinha dito que o José Contente estava a revelar-se uma surpresa na área da info-exclusão, e isso parece confirmar-se! Esta gente não vive na Lua: provavelmente vive em Marte e quer manter-nos no centro de África!
Depois há o caso da “exploração dos fundos do mar”, que, tubarões me mordam, só pode trazer água salgada no bico! Ainda não sei ao certo quem é que vai lucrar com a delapidação dos fundos do mar açoriano, mas tenho cá os meus palpites em relação à sua origem: virão todos da família que se instalou no poder nos últimos anos – até aos sobrinhos, cunhados e netos! Aliás, já está cada vez mais gente de olho sobre o assunto, o que é salutar – e assustador!
E a incineração! É a última “revolução” que o cesarismo irá deixar à beira-mar plantado (não a mais cara, que essa é scutica), mas é outro erro tão grosseiro que até mete dó! Essa gente ainda não conseguiu perceber que o seu rumo está praticamente todo errado – desde os erros patéticos realizados nas lagoas e nas termas, ao modelo à la Monaco cuja expressão máxima é o Casino Fantasma da Calheta! E agora é a mais recente: uma incineradora em S. Miguel! Deus me perdoe, mas tal como em todos os outros casos, aqui denunciados quando ainda se poderia ter evitado o erro, e posteriormente confirmados pela triste realidade, esta é mais uma herança para esquecer! Eles ainda não perceberam que os Açores só terão presente e futuro se estiverem ligados indelevelmente ao Ambiente e à Ecologia! Nem nunca vão perceber! Ao menos tivessem a humildade de o reconhecer e não decidir, em fim de mandato, investimentos que nos condicionarão para os próximos 20 anos ou mais! É triste demais – e muito, muito azedo!
Claro que a populaça não é propriamente activa! Há uma pequena elite, informada, que sabe pensar, mas que não é propriamente dada a grandes extroversões: o silêncio é d’ouro, mesmo sem produzir espíritos (é um simples trocadilho com o Vinho do Porto). Ou seja, é uma elite sobretudo contemplativa, o que não é obrigatoriamente mau, mas não contribui lá muito para o melhoramento social.
E há os outros, os que lêem por alto, vêem por alto e ouvem por alto! A sua opinião também é por alto e se bem que por vezes falem pelos cotovelos, essa articulação não é propriamente conhecida por ser lá muito boa a reflectir, problematizar ou concluir! Curiosamente, é sobre esse mar de cotovelos que os governos têm a maior parte dos seus ouvidos e desejos. Por isso não será de admirar que a maior parte das decisões políticas sejam tomadas pelos cotovelos governamentais… É uma delícia! Raramente acertam, mas é só porque o cotovelo não está bem afinado!
Fico com a sensação que o Governo devia todo tomar a mesma decisão do seu líder (quer dizer, não sei se é líder, herdeiro de líder, ou eventual líder, tal é a trapalhada que está instalada nesta nomeação): abandonem os seus postos, nomeieem os assessores dos seus antecessores, e vão todos para deputados da Assembleia Regional. Teriam muio mais tempo para se dedicarem à pesca (penso que é esta a mensagem de Vasco Cordeiro sobre o Parlamento) ou ao que quisessem fazer e não fazer, e deixavam-se de governanças de fim de ciclo! Era um descanso!
Eu, por mim, podia finalmente dedicar-me à laranja azeda, com algumas incursões por outros frutos, à medida que fossem aparecendo em alguns quintais!
Já agora, alguém me sabe dizer como se distingue uma mandarina de um limão galego só pelo olhar? Eu digo: um tem umbigo, e o outro não! Claro que para um expert não é precido olhar para o umbigo da coisa para se perceber quem é quem! Já agora, o galego é que tem umbigo, e a mandarina não! Mas isso é até fácil! O que é mesmo difícil é governar bem, e obviamente que isso não está ao alcance de todos!

À parte:
Um amigo meu lembrou-me que o caso dos cágados aqui tratado na passada semana deixou no ar uma questão que me esqueci de resolver: como retirar os cágados das árvores sem os magoar! Realmente não sei! Para os retirar das árvores terá de ser pelo mesmo sistema, mas invertido – se alguém os pôs lá, outro alguém os terá de tirar, pois os cágados também não descem das árvores sozinhos! Agora, não há qualquer garantia que eles não se magoem! Desde logo, é provável que a massa muscular esteja algo definhada, porque no cimo das árvores eles não fazem muito exercício, a não ser agarrarem-se bem para não caírem. Portanto, é provável que seja necessária alguma fisioterapia. Em termos psicológicos também não me admira que seja necessário algum apoio, pois o mundo visto cá de baixo é muito diferente... Só espero é que não cheguem à conclusão que será mais barato deixá-los lá em cima, até porque eles já estão bem adaptados... Mas realmente, cada cágado representa um imbróglio complicado! E há tantos...

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