Agricultura foi o único setor económico que cresceu no segundo trimestre

vacas2A agricultura foi o único sector da economia açoriana com evolução positiva no segundo trimestre deste ano, registando aumentos de produção nas áreas do leite e da carne, revelam dados ontem divulgados pelo Serviço Regional de Estatística (SREA). O boletim trimestral do SREA indica que, entre Março e Junho, ocorreram quebras de desempenho nas pescas, na construção civil e no turismo, em linha com o que já tinha acontecido em algumas destas actividades nos três meses anteriores. A evolução ocorrida na economia dos Açores entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano traduziu-se num agravamento de 1,7 pontos percentuais na taxa de desemprego, que atingiu 15,6 por cento. A taxa de desemprego apurada no segundo trimestre deste ano nos Açores, superior em 0,6 pontos percentuais face à média nacional, situa-se 5,9 pontos percentuais acima da registada no trimestre homólogo de 2011. O boletim do SREA revela ainda que, no segundo trimestre do ano, se verificou uma quebra na população empregada estimada em 1,3 por cento, comparativamente aos três meses imediatamente anteriores, para 102.450 activos.

Carlos César diz que apoio dado à Unileite “mostra bom uso dos recursos financeiros públicos”

 cesar-unileiteO presidente do Governo Regional doa Açores, Carlos César, afirmou ontem que o apoio dado na ampliação da fábrica da Unileite, na ilha de S. Miguel, demonstra “o bom uso dos recursos financeiros públicos”.
“É, afinal, um investimento apoiado pelo Governo em cerca de 19 milhões de euros, que mostra o bom uso dos nossos recursos financeiros públicos”, referiu Carlos César no discurso de inauguração da obra de expansão da fábrica, localizada na freguesia dos Arrifes, que teve um custo total de 30 milhões de euros.
Para o chefe do executivo açoriano, a inauguração do projecto de ampliação e modernização tecnológica vai permitir à Unileite melhorar a sua resposta aos produtores associados, às exigências de mercado e à sua própria autonomia, competitividade e sustentabilidade.
“O que conseguimos hoje é que a Unileite passe a ter a capacidade de transformação da totalidade do leite produzido pelos seus associados”, referiu, acrescentando que a cooperativa “pode reduzir os volumes enviados para transformação em pó e aumentar a valorização do produto que lhe é entregue pelos seus cooperantes”.
Segundo o governante, o “enorme percurso” da fábrica representa também “os enormes progressos a todos os níveis feitos ao longo desta década na fileira do leite e sector agropecuário em geral”.
Carlos César recordou que quando assumiu funções de presidente do Governo Regional, em 1996, encontrou uma fábrica “quase a fechar as portas” e a agricultura “em situação de pré-falência”, mas sublinhou que, passados estes ano, o sector modernizou-se.
“É mais um bom investimento do empresariado agrícola, na fileira do leite, na especialização e valorização produtiva dos Açores, da actividade exportadora, enfim, na sustentabilidade da nossa economia”, sustentou.
Carlos César frisou que o investimento realizado pela Unileite permitirá diversificar a produção e optimizar as estruturas de custo da empresa, que “fica dotada de outro e melhor potencial para assegurar os actuais mercados em que está implantada e para conquistar novos mercados de exportação”.
Para o presidente da cooperativa, Gil Jorge, o projecto de ampliação da fábrica “foi arrojado”, mas, apesar dos tempos difíceis que se avizinham e do ‘fantasma’ da abolição do regime de quotas, o futuro não é temido.
“Já arregaçámos as mangas, preparando com este projeto outras condições que nos permitem continuar a inovar e podermos ser competitivos em novos mercados”, afirmou Gil Jorge, revelando que a ampliação a fábrica duplica a capacidade instalada.
A Unileite, com 674 associados e 232 colaboradores, passa a ter capacidade para receber 600 mil litros de leite por dia.
No último ano, a fábrica da Unileite facturou 60 milhões de euros.

Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses insatisfeita pelo aumento do preço do custo de produção de ração

 vacas2O Presidente da Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses (AJAM), Hélio Carreiro, manifestou ontem a sua insatisfação e desagrado pelo aumento do preço do custo de produção ração ocorrido na passada segunda-feira.
De acordo com informação avançada em nota de imprensa pela Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses “o preço de subida foi de cerca de 10 euros a tonelada, o que representa um aumento significativo nos custos de produção das explorações agrícolas. Salienta-se que se trata de produto essencial na alimentação do gado.”
 A Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses defende que “tal aumento não se justifica, dado que, os combustíveis estão a diminuir, o preço dos cereais não sofreram alterações significativas e  tais produtos gozam do apoio do Poseima.”
Hélio Carreiro, presidente da Associação de Jovens Agricultores, defende que “com o aumento do custo das rações, o agricultor vê o seu rendimento diminuir significativamente. A continuar essa tendência, do aumento dos custos de produção e a diminuição do preço do leite, a breve trecho, avizinha-se tempos ainda mais difíceis para o sector, o que poderá conduzir à insolvência de muitas explorações.”

Patrão Neves insurge-se contra inércia do Secretário Regional da Agricultura

 patrao-nevesA Eurodeputada Patrão Neves insurgiu-se ontem contra aquilo que considera ser “uma incompreensível inércia e desresponsabilização” por parte de Noé Rodrigues, no caso da necessidade do aumento dos apoios à exportação de vitelos. “Há lavradores interessados na produção de vitelos, há mercado para a sua exportação para a Europa e não só, pelo que tem de haver também discernimento político para apoiar este sector com potencial de crescimento” – afirmou Patrão Neves.
Segundo Patrão Neves “é sabido que em todas as negociações do POSEI o Governo dos Açores sempre exigiu maior flexibilidade para este programa. É igualmente sabido que a Comissão Europeia tem acedido a esta reivindicação, imprimindo maior flexibilização ao Programa POSEI e, assim, atribuindo uma maior liberdade ao Governo Regional para adaptação do financiamento de cada uma das suas medidas às necessidades da Região. Daqui decorre também, obviamente, uma maior responsabilidade na gestão deste programa. Por isso, depois da Comissão Europeia ter dado as condições essenciais para que o POSEI possa ser gerido de forma a dar resposta às necessidades da Região, não é admissível que o Secretário Regional da Agricultura as ignore, não respondendo positivamente a um sector com capacidade para se desenvolver e dinamizar a nossa economia agrícola”.
No âmbito da recente notícia da RTP/Açores que dava conta de que o apoio do POSEI para o abate de vitelos é de 75 euros e que estes vitelos vêm a ser incinerados, processo que obriga a um gasto adicional, por parte do Governo regional, de cerca de 30 euros por cabeça, e que o apoio à exportação de vitelos é de apenas de 40 euros, Patrão Neves afirmou que “não tecendo apreciações do ponto de vista moral pelo total desrespeito pela vida animal que este processo representa, não posso deixar de me referir às implicações legais, sociais e económicas desta acção, pois leva ao desperdício de um bem alimentar com valor comercial.” E acrescentou “É certo que precisamos de apoios ao abate, mas temos de rever o destino que é dado às carcaças e, sobretudo, com a máxima urgência, confrontarmo-nos com o absurdo do apoio ao transporte e exportação de animais ser inferior à da sua destruição. Ora, numa época em que existem enormes restrições orçamentais e o objectivo deveria ser o aumento das exportações, esta atitude do Senhor Secretário leva a que se esteja a asfixiar e mesmo a amputar a capacidade exportadora da região. Já antes alertei e agora reforço este alerta de que não basta saber gastar o dinheiro que nos chega da Europa é necessário saber investi-lo e isto passa por aplicar estas verbas em actividades reprodutivas, que promovam a dinamização da economia, gerem emprego e riqueza, tragam mais-valias aos Açores”.
A finalizar, Patrão Neves deixou uma recomendação: “O Secretário Regional tem o poder de resolver esta situação até dia 30 deste mês e tem o dever de o exercer a bem dos Açores. Se, depois de pedir à Comissão Europeia mais poder na gestão do POSEI, não o saber exercer, saia e dê lugar a outro que o saiba fazer!”

Governo mantém intenção de alargar hortas comunitárias a todas as ilhas

horta1Batatas, feijão e milho são alguns produtos que nascem na horta comunitária do Aldeamento de S. Pedro, na Maia, em S. Miguel, para abastecer a dispensa dos que cultivam os terrenos e apoiar a Casa do Povo.
Segundo a agência Lusa, Manuel Branco, um reformado de 61 anos, residente naquela freguesia do concelho da Ribeira Grande, é um dos que cultiva uma parcela de terreno cedida pela Casa do Povo, o que lhe permite ocupar o tempo e manter um hábito que manteve durante “anos e anos para ajudar no sustento da família”.
“Agora que tenho mais tempo, decidi pedir um bocadinho de horta para cultivar hortaliças para casa e ajudar a Casa do Povo”, afirmou Manuel Branco em declarações àquela agência noticiosa, apontando orgulhosamente para o terreno de onde já tirou batatas para aquela instituição, de que é associado há três anos.
No terreno que tem para tratar, além de batata, também cultiva feijão, pimenta e batata-doce, mas já está a pensar no repolho que pretende semear “depois do verão”.
Manuel Branco frisou que “não se desperdiça nada” nesta horta, onde passa “todos os bocadinhos” de tempo que tem desde que há cerca de um ano recebeu o terreno para cultivar.
Desta forma, além de apoiar a Casa do Povo, ocupa o tempo e mantêm-se activo, manifestando evidente satisfação com o estado do terreno de que é responsável.
“Quem passa aqui gosta de ver estas hortas e olha mais para a que está mais bonita”, afirmou.
Esta horta comunitária, que inclui 10 talhões para cultivo, cada um com cerca de 200 metros quadrados, foi criada num terreno que pertence ao Governo Regional, dispondo a Casa do Povo da Maia do seu usufruto.
No concelho da Ribeira Grande, além desta horta comunitária, existe também uma iniciativa idêntica na Lomba de S. Pedro.
O executivo regional já cedeu também cerca de 70 talhões de terreno aos moradores dos loteamentos da Piedade Jovem e dos Milagres, ambos na freguesia dos Arrifes, numa horta comunitária gerida pela Casa do Povo dos Arrifes.
Em breve devem ser também abertos concursos para a ocupação de parcelas de terreno em hortas comunitárias que estão a ser preparadas nas freguesias das Capelas, S. Roque e Livramento, assumindo as autoridades regionais a intenção de estender este projecto a outros concelhos do arquipélago.
Os terrenos para as hortas comunitárias pertencem à Região, contando a iniciativa com o envolvimento dos moradores dos loteamentos onde elas são criadas, das casas do povo e das juntas de freguesia.