PSD denuncia “falta de verbas para análises de doenças bovinas”

vacas2O PSD/Açores denunciou ontem “dificuldades na realização de análises, por parte dos serviços oficiais, às doenças ditas económicas nas explorações agro-pecuárias”, tudo porque “a verba destinada para aquele fim terminou, mesmo se ainda estamos a meio do ano”, disse o deputado António Ventura.
“As queixas surgem-nos através de diversos empresários agrícolas e não se percebe que, nesta altura do ano, não haja dinheiro para a pesquisa de determinadas doenças bovinas”, frisou o social-democrata, alertando para um facto “que vai agravar, ainda mais, o difícil estado social e económico dos produtores. É urgente que o Governo Regional se pronuncie sobre o assunto”, referiu.
Segundo nota de imprensa veiculada pelo PSD/Açores, para António Ventura, estas carências, “acabam por se reflectir um pouco em todos os açorianos, pois a agricultura continua a ser o principal suporte da nossa economia”, adiantou, lamentando “uma situação que ainda se torna mais grave depois das recentes notícias sobre os excessivos gastos do Governo Regional”, concluiu.

Berto Messias reafirma importância do sector agrícola para o futuro dos Açores e defende compensações para a região

berto messias corO presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores defende que, num cenário europeu sem quotas leiteiras, os produtores açorianos e a Região tenham as devidas compensações.
De acordo com nota de imprensa veiculada pelo PS/Açores, para Berto Messias “durante anos, os produtores açorianos responderam bem aos desafios colocados por Bruxelas, apostando na qualidade do leite, no melhoramento genético e, em muitos casos, investindo na compra de quota. Bruxelas incentivou e financiou esta estratégia e os Açores cumpriram, produzindo o melhor leite de Portugal, que representa 30% da produção nacional. É imoral que, agora, se diga que, afinal, todo este esforço foi em vão porque o caminho é a total liberalização da produção e dos mercados”.
Num artigo de opinião publicado num jornal da especialidade, o líder parlamentar socialista afirma que “o desmantelamento do regime de quotas não é a mesma coisa para uma região do centro da Europa e para um arquipélago periférico, afastado dos mercados, com produtores que produzem o melhor leite de Portugal”.
“Nesse âmbito, defendo que, quanto à nova PAC parece-me importante que mantenham os dois pilares desta política comum. As ajudas directas ao rendimento com o aumento do envelope financeiro das ajudas directas, comparticipado a 100% pela União Europeia, como compensação do desmantelamento do regime de quotas leiteiras e o Desenvolvimento Rural com o aumento do envelope financeiro ao desenvolvimento rural, em particular o financiamento destinado à modernização agrícola e à indústria agro-alimentar”, realça Berto Messias.
O dirigente socialista afirma ainda que “é pertinente na nova PAC que, em defesa da nossa Região e das nossas especificidades, seja possível consagrar o adiamento do desmantelamento por um período de cinco a dez anos, a criação de medidas de regulação do mercado, que visem equilibrar a oferta e a procura, o reforço dos incentivos à diversificação dos produtos lácteos para conquistar novos mercados, apoiados em estratégias de marketing e valorização dos produtos e o reforço do envelope financeiro do POSEI – Açores, designadamente nas medidas específicas de apoio às explorações de leite, nomeadamente o prémio aos produtos lácteos e vacas leiteiras.”
Berto Messias aborda ainda outras áreas agrícolas como o mercado da carne, apontando várias criticas a instituições europeias.
Para o parlamentar socialista “também na área da carne, temos feito um caminho importante, de reforço da qualidade desse produto e, mais uma vez, a Europa não responde da melhor forma ao esforço e imenso investimento feitos na área da qualidade e da certificação porque agora, pretende abrir o mercado Europeu ao Mercosul, o que será uma imensa subversão das funções europeias de defesa dos seus produtos e das suas regiões”.
Berto Messias defende, igualmente, a importância da diversificação agrícola, afirmando que “muito foi feito mas podemos ir mais longe. É necessário criar mais valor acrescentado para a Região, produzindo para abastecer o mercado local, para diminuir as importações e, porque não, para exportar produtos aqui produzidos. Mas tudo deve ser feito com uma estratégia articulada de planeamento entre as entidades públicas e as associações e cooperativas representativas do sector. Um mau planeamento ou a sua inexistência pode causar problemas de excedentes e de desequilíbrios graves na nossa balança comercial”, finalizou.

Regime de Incentivos à Compra de Terras Agrícolas aprovou apoio a 91,5 hectares

 

vacas2O Governo Regional aprovou mais 18 projectos no quadro do Regime de Incentivos à Compra de Terras Agrícolas (RICTA), que abrangem uma área total de 91,5 hectares e representam um investimento superior a 1,2 milhões de euros.
Segundo a agência Lusa, os projectos aprovados, revelou ontem a Secretaria Regional da Agricultura, referem-se à aquisição 10 terrenos na ilha Terceira, quatro em S. Miguel, dois no Pico, um em S. Jorge e um no Faial.
Desde a sua criação, em 2009, o RICTA já apoiou 92 candidaturas para aquisição de terras agrícolas em sete das nove ilhas dos Açores, numa área global de 387 hectares.
Este regime de incentivos destina-se a agricultores que pretendam adquirir terrenos na qualidade de arrendatários, comproprietários, proprietários de prédios encravados ou confinantes.
Nesse sentido, segundo o executivo regional, “representa um instrumento essencial de reestruturação fundiária e de preservação da unidade das explorações existentes, possibilitando o acesso ao crédito em condições mais favoráveis, prevendo ainda a atribuição de uma comparticipação a fundo perdido nas acções de emparcelamento”.
Este apoio à aquisição de terras agrícolas, em conjunto com a reforma antecipada de agricultores mais idosos, tem permitido, de acordo com o Governo Regional, “o rejuvenescimento e o redimensionamento fundiário das explorações agrícolas” existentes no arquipélago.

Feira Agro Comercial da Ilha Terceira com número recorde de bovinos

vacas2A 12.ª Exposição Agro Comercial da Ilha Terceira (AGROTER) arrancou, ontem,  na Praia da Vitória, conta com menos expositores comerciais, mas tem mais animais em exposição e a concurso.
“Vamos bater recordes no número de bovinos em exposição e a concurso, o que significa que as pessoas já não têm vergonha de mostrar os seus animais”, afirmou Paulo Simões Ferreira, presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT), em declarações à Lusa.
A feira, que decorre até domingo no recinto da Zona Verde da Praia da Vitória, tem este ano menos expositores comerciais, já que o evento deixou de ser realizado em parceria com a Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo.
Paulo Simões Ferreira salientou que a falta de um espaço coberto, como o Parque de Exposições da Ilha Terceira, que está em construção, implica custos acrescidos para a organização de um evento desta natureza, pelo que a AAIT optou por abdicar dos espaços comerciais.
A AGROTER tem em exposição e a concurso 172 bovinos da raça ‘Holstein Frísia’, que predomina nos Açores, propriedade de 31 produtores, estando ainda a concurso animais da raça ‘Ramo Grande’ e de raças vocacionadas para a produção de carne.
O presidente da AAIT frisou que se tem verificado uma evolução positiva nos animais que se apresentam a concurso, salientando que, nos últimos anos, os juizes estrangeiros têm considerado que “a melhoria genética é muito significativa”.
A feira não tem ovinos e caprinos em exposição, como aconteceu noutras edições, mas terá cavalos e exemplares de ‘Pónei da Terceira’. O programa inclui ainda provas de produtos regionais, espectáculos equestres e espectáculos de música com artistas locais.

Investigadora defende aposta numa nova raça de bovinos nos Açores

vacas2A investigadora Graça Silveira, da Universidade dos Açores, defendeu ontem que os agricultores da região devem apostar numa raça diferente de bovinos, que permita valorizar mais a qualidade do leite produzido do que a quantidade.
“Deve haver uma reconversão gradual do efectivo leiteiro para raças com maior produção de proteína e de gordura, nomeadamente a ‘Jersey’, e um reajustamento das tabelas de valorização”, afirmou Graça Silveira, em declarações aos jornalistas à margem das Jornadas de Produção Leiteira, em Angra do Heroísmo.
De acordo com a agência Lusa, Graça Silveira salientou que “a indústria alimentar valoriza um leite que seja mais rico em gordura, porque é aquele que é convertido em nata e depois em manteiga, e um leite que seja mais rico em proteína, porque o rendimento queijeiro está baseado na quantidade de proteína”.
Nesse sentido, a investigadora defendeu a substituição da raça ‘Holstein Frísia’ pela ‘Jersey’, que frisou ser “uma raça com boa apetência para o pastoreio”.
Esta investigadora na área da Engenharia Agroalimentar considerou ainda que a tabela do SERCLA (Serviço de Classificação do Leite) está desajustada, alegando que “os agricultores só começam a beneficiar de pontos adicionais para percentagens de proteína acima dos 3.2, quando o máximo de proteína que uma ‘Holstein’ pode dar são 3.2/3.3”.
Nestas jornadas será apresentado um estudo da autoria da investigadora universitária açoriana Emiliana Silva, sobre a influência dos subsídios europeus nos rendimentos dos agricultores dos Açores.
Emiliana Silva, especialista em Economia Agrária, concluiu, com base em dados de explorações do Faial, Terceira e S. Miguel, recolhidos desde 1996, que “cerca de 20% do rendimento dos agricultores é suportado pelos subsídios”, sendo que foram encontrados alguns casos de dependência total.
“Isto é muito preocupante”, alertou, recordando que a Europa vive um período de “instabilidade” e que poderá ocorrer uma diminuição do orçamento da Política Agrícola Comum, apesar de estar convencida de que não se colocará um cenário de ausência de subsídios.