Bispo de Angra conta com os jovens para uma igreja “mais activa, alegre e missionária”

Bispo de Angra - igreja açroesNuma interpelação directa aos jovens da diocese de Angra, D. João Lavrador escreveu Domingo uma carta, publicada na imprensa e que deverá ser lida em todas as eucaristias dominicais, a convidar os jovens açorianos a participarem no Congresso Diocesano de Jovens, que se realizará em São Miguel de 28 de Junho a 1 de Julho.

“Este convite que te dirijo é para ti. Venho convidar-te para participares no Congresso Diocesano de Jovens que se vai realizar em S. Miguel, nos próximos dias 28 de Junho a 1 de Julho” escreve o prelado diocesano.

“Seria para mim e para todos os jovens uma grande alegria podermos partilhar ideias, alegria, sonhos e projectos” acrescenta sublinhando que conta com a juventude para construir uma igreja diocesana  “mais activa”, com “mais alegria”,  “mais jovem e mais missionária”.

“As tuas capacidades pessoais são muito importantes para revitalizar as comunidades cristãs e para levar Jesus Cristo ao mundo de hoje” refere o bispo de Angra.

“A tua voz é muito importante para todos nós que ficamos à espera da tua participação” diz ainda.

A carta termina com um convite à participação e com uma despedida dirigida aos jovens, num tom de maior proximidade, e deixa uma proposta de oração.

O Congresso Diocesano de Jovens pretende “Escutar os jovens, pensar com os jovens e comprometer todos em Igreja”, refere o director do Serviço Diocesano da Pastoral Juvenil, numa nota enviada ao Igreja Açores.

A Pastoral Juvenil da Diocese propõe a todos os Párocos da Diocese que ajudem na divulgação e dinamização deste encontro de jovens. Para isso, já está disponível nas redes sociais, um questionário dirigido a todos os jovens que servirá não só de base para a reflexão como será, principalmente, um meio para escutar os jovens da Diocese.

Quinta romaria de mulheres na Lagoa sai a 17 de Fevereiro

RomeirasA romaria de mulheres da ouvidoria da Lagoa sai à rua no próximo dia 17 de Fevereio.

Trata-se da quinta saída durante a Quaresma por parte deste grupo organizado, que integra mulheres de outras ouvidorias que saem de madrugada a Ribeira chã e terminam a romaria na igreja do Livramento.

Sob o lema “Partilha, vem e segue-me”, esta romaria terá quatro sessões de preparação: a primeira foi no dia 23, seguindo-se a 30 de Janeiro e a 6 e 8 de Fevereiro, entre as 20h30 e as 22h00. Nestas sessões orientadas pelo Padre Nuno Maiato, assistente do Movimento de Romeiros de São Miguel, serão ensaiados os cânticos e as orações.

A romaria sairá da Ribeira Chá, depois de uma Eucaristia às 6h00 e terminará no Livramento, com uma adoração Eucarística, passando por todas as igrejas da Ouvidoria.

O grupo será orientado pelos mestres dos Ranchos de Romeiros do Livramento e de Santa Cruz.

150 mil lâmpadas iluminam a partir de hoje o Santuário e o Campo de São Francisco

Humberto Moniz 2017Aos 81 anos de idade, Humberto Moniz passa os dias que antecedem o fim-de-semana das Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres sentado no lado norte do Campo de São Francisco a observar os trabalhos de montagem das luzes que vão iluminar a fachada do Santuário.

Apesar da avançada idade, continua a acompanhar até ao último dia os trabalhos que começaram a 24 de Abril. À conversa com o Diário dos Açores, Humberto Moniz adianta que este ano vão dar luz e cor ao Santuário do Santo Cristo e ao Campo de São Francisco um total de 150 mil lâmpadas. “As lâmpadas têm sete cores: branco, vermelho, amarelo, verde, roxo, azul e o opalino. As pessoas pensam que todos os anos é igual, mas há sempre diferenças e as cores mudam”, salienta o responsável.

A iluminação será inaugurada esta noite, pelas 21 horas, marcando o arranque do arraial da maior festa religiosa dos Açores, que ano após ano leva à cidade de Ponta Delgada milhares de pessoas, entre locais, açorianos de várias ilhas, emigrantes e turistas. A inauguração contará com a execução do hino do Senhor Santo Cristo, seguida de desfile da Charanga dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada. 

O momento é o culminar de semanas de trabalho de cerca de 40 trabalhadores, desde electricistas a carpinteiros e pedreiros.

Segundo conta Humberto Moniz, este ano os trabalhos estão a cargo de um empreiteiro. “Eu é que sou responsável por isso, assino os termos de responsabilidade perante a EDA, pois estão aqui envolvidas potências muito grandes, mas tenho confiança no rapaz que agora está aqui. Foi meu aprendiz”, conta.

 

Sete décadas ligado à iluminação das festas

 

Para trás, estão quase 70 anos como responsável pela iluminação destas festividades. É o “homem das luzes”.

“Vim para aqui aos 12 anos e aos 26 já era encarregado. Isto para mim é tudo. Gosto de estar aqui. Tenho muita fé e adoro a imagem do Senhor Santo Cristo”, afirma.

“Quando era rapaz”, continua, “o meu trabalho era transportar escadas e outros materiais de um lado para o outro. Só depois é que fui aprendendo a fazer ligações e a colorir as lâmpadas de vários tons”.

Humberto Moniz foi quem idealizou os motivos que figuram na fachada da igreja, na sacristia, no coreto do Campo de São Francisco e no torreão. 

Ao nosso jornal recorda que foi ele quem fez os desenhos, deu a orientação para a parte eléctrica e para as pinturas, explicando que o que dá mais trabalho entre todo o processo é a coloração das lâmpadas, feita com um verniz especial. Ano após ano, umas lâmpadas são pintadas e outras descoloridas com acetona”, relatou.

Quanto às expectativas para o fim-de-semana das festas, em especial para esta noite, Humberto Moniz salienta que o “importante é que esteja bom tempo”. “Se tiver que haver mau tempo, que venha antes, porque mesmo com tempo mau os trabalhos da iluminação avançam. Agora, mau tempo durante as festas é que não é bom”, conclui.

Por: Alexandra Narciso

Bispo de Angra defende o direito à migração

Bispo de Angra - igreja açroesO bispo de Angra afirmou que a migração “é um direito de qualquer pessoa que deve ser garantido pelas autoridades públicas e pelos governos dos diversos países” e apelou aos cristãos para exercitarem uma especial sensibilidade no acolhimento, na protecção e na integração dos migrantes.

“A nossa diocese conta com um elevado número de emigrantes e também com alguns imigrantes. Daí que apele à consciência cada vez mais necessária para a realidade daqueles que abandonam a sua terra para se encontrarem com a paz ou com melhores condições de vida”, referiu D. João Lavrador, na mensagem para o dia mundial da Paz, 1 de Janeiro, intitulada “Sou Migrante e Refugiado e me acolhestes”, que o portal Igreja Açores cita.

A partir da mensagem do Papa Francisco para o primeiro dia do ano, consagrado pela Igreja como o Dia Mundial da Paz, o bispo de Angra lembrou que a paz é um dom de Deus que deve merecer “um esforço contínuo” do homem para  garantir a paz entre os povos. A Paz “é dom e é tarefa”, frisou o prelado.

D. João Lavrador destacou como profeticamente Jerusalém aparece como uma cidade de portas abertas, para deixar entrar gente de todas as nações, que a admira e enche de riquezas, para afirmar que também os cristãos devem fazer do seu país um lugar de acolhimento para os que chegam na medida em que os migrantes e refugiados “trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspirações, para além dos tesouros das suas culturas nativas, e deste modo enriquecem a vida das nações que os acolhem”.

Para o bispo de Angra, é necessário que os cristãos abandonem a indiferença perante os problemas e as dificuldades dos outros e saibam, cada vez mais, acolher, promover e integrar.

“Poderemos pensar que esta realidade é longínqua e que se passa muito além das fronteiras da nossa vida quotidiana e por isso, não nos sensibiliza e muito menos nos compromete. Eis, a atitude que deve ser combatida, à qual tantas vezes o Papa Francisco tem advertido e que se chama de indiferença”, salientou o prelado na mensagem para o Dia Mundial da Paz.

“Nenhum ser humano pode ser alheio à sorte de um seu semelhante. Muito menos um cristão poderá ignorar a situação de fragilidade dum irmão seu, a qual, pelo contrário, deverá despertar um sentimento de acolhimento, de partilha e de integração”, acrescentou.

A mensagem de D. João Lavrador terminou com um convite a todos os diocesanos: “Convido todos os diocesanos a colocarmo-nos na disposição de acolhimento e de promoção de integração e de protecção de toda a fragilidade humana. Com o olhar colocado nestes grandes dramas humanos que nos sensibilizam para a causa da paz, temos o dever de actuar nas situações que junto de cada pessoa, família, localidade e Região estão a desafiar-nos na transformação da vida daqueles que vivem em situações de carência e não vêem respeitada a sua dignidade humana”.

A mensagem do Bispo de Angra inspira-se na mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz, na qual Francisco decidiu colocar os milhões de migrantes e refugiados da actualidade no centro das atenções.

“Muitos deles estão prontos a arriscar a vida numa viagem que se revela, em grande parte dos casos, longa e perigosa, a sujeitar-se a fadigas e sofrimentos, a enfrentar arames farpados e muros erguidos para os manter longe da meta”, assinalou Francisco na mensagem para o 51.º Dia Mundial da Paz.

No texto intitulado ‘Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz’, o Papa convida as comunidades católicas a acolher “com espírito de misericórdia” todos aqueles que fogem da guerra e da fome, deixando a sua terra “por causa de discriminações, perseguições, pobreza e degradação ambiental”.

“Estamos cientes de que não basta abrir os nossos corações ao sofrimento dos outros. Há muito que fazer antes de os nossos irmãos e irmãs poderem voltar a viver em paz numa casa segura”, assinala o documento.

O Dia Mundial da Paz foi instituído pelo Papa Paulo VI (1897-1978) e é celebrado no primeiro dia do novo ano.

(Foto: Direitos Reservados)

Papa recebe “presépio de lapinha” feito pelos idosos da Misericórdia da Ribeira Grande

idosos - presepio para o PapaOs idosos da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande montaram um presépio de lapinha para oferecer amanhã ao Papa Francisco. Conforme explicou ao Diário dos Açores, António Pedro Costa, provedor da Santa Casa, uma vez que os idosos da Santa Casa, dentro das suas actividades ocupacionais e de lazer, executam tarefas integradas na preparação de vários eventos anuais, “ao tomarem conhecimento da visita do Papa a Portugal surgiu a ideia de oferecer uma lembrança ao Santo Padre. Na escolha do tipo de prenda, os idosos hesitaram entre um registo do Senhor Santo Cristo e uma lapinha, acabando por prevalecer a ideia do presépio de lapinha, exactamente porque o Papa Francisco é devoto de S. Francisco”, conta.

Depois de concluído, o presépio foi remetido ao Santuário de Fátima, que ficou incumbido de entregá-lo na Casa Pontifícia. António Pedro Costa deu conta que a Santa Casa já recebeu o certificado da recepção da lapinha e a informação de que será, de imediato, remetido para a Casa Pontifícia, dada a curta visita ao nosso país”. Durante a sua passagem por Portugal, o Santo Padre apenas tomará conhecimento das lembranças que lhe foram ofertadas. “A única tristeza dos idosos da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande é que não puderam entregar a lapinha directamente ao Sumo Pontífice”, diz o Provedor, acrescentando, porém, que “estão muito felizes por saberem que o Santo Padre terá a oportunidade de apreciar a sua lembrança”.

Para António Pedro Costa, “esta lembrança tem um simbolismo muito especial, pelo que a Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande acolheu de imediato a iniciativa e acarinhou a ideia, tendo estabelecido contactos com os serviços do Santuário, a fim de se remeter aquela bonita peça para Fátima. Os utentes do nosso Centro de Dia acreditam que o Santo Padre ficará contente com a sua oferta, pois aquele presépio típico de São Miguel passou a constituir uma peça de arte que se tornou muito valiosa, pela marca de regozijo e pelas preces que os nossos idosos deixaram dentro daquela lapinha”.

Cerca de cinquenta idosos entregaram-se a esta actividade “com grande entusiasmo, porquanto sabiam que o fruto do seu trabalho iria chegar às mãos do Papa Francisco, que tanto admiram e amam”, assegura o Provedor da Santa Casa advertindo que “a lapinha foi construída por algumas mãos trémulas e mesmo com alguma dificuldade de visão de certos idosos, mas os olhos do coração estavam repletos de alegria e entusiasmo aquando da sua armação”.

Confiante que a prenda dos idosos da Santa Casa irá agradar ao Papa Francisco, António Pedro Costa não tem dúvidas que o Santo Padre “apreciará esta prenda em particular, não apenas por ser um presépio com o seu simbolismo de ter sido criado por S. Francisco, mas que foi montado por idosos a quem sempre dedica muito carinho. Por outro lalado, tratou-se de uma iniciativa na qual os idosos depositaram um grande empenho e os mobilizou na recolha das peças tradicionais para incluir no presépio. Cada um quis colocar uma miniatura das figurinhas que compõem a lapinha e à medida que o presépio se componha, o entusiasmo crescia e a emoção tomava conta das suas conversas”, frisou.

O presépio é uma lapinha típica da ilha de São Miguel e é montado a partir de materiais naturais, nomeadamente rochas, musgos, conchas e areias e composto por figuras de barro em miniatura, geralmente feitas por artesãos propositadamente para as lapinhas.

Por: Olivéria Santos