‘‘É uma dívida que tinha de pagar à minha consciência”

 

Luís Alberto BettencourtO conhecido músico açoriano, Luís Alberto Bettencourt, um dos mais activos compositores da nossa Região, lança um novo trabalho discográfico, uma compilação de 40 músicas originais, numa edição digital e física, contendo dois CDs em embalagem “digipack”. O lançamento será na próxima Quarta-feira, dia 29, pelas 18h30m, na Arco 8, em Ponta Delgada. Luís Bettencourt falou ao “Diário dos Açores” sobre este novo trabalho.

 

Desta vez, o músico e a sua equipa de técnicos decidiram abrir o seu baú discográfico e recuperar vários temas, desde do tempo do vinil até às suas mais recentes edições, numa surpreendente viagem sem qualquer preocupação de fidelidade estética sonora, possibilitando, desse modo, recordar algumas das suas mais emblemáticas composições que têm marcado a música contemporânea Açoreana, como, por exemplo, a mítica “Chamateia” ou “No Vapor da Madrugada” (nova versão), entre outras.

Num apurado trabalho de estúdio, onde a remasterização deu novo brilho a 40 obras já gravadas, podemos apreciar faixas dos álbuns “Cruzeiro” (1991), “Contemplações” (1997), “D’Azul e Negro” (2003), “O Silêncio das Horas” (2007), “Perfume das Ilhas” (2010) ,“Acústico” (2015) e ainda outras nunca editadas. A par destas, surgem novos temas compostos para este projeto.

 

O que é este novo CD; colectânea?

Este trabalho é uma dívida que tinha de pagar à minha consciência. 

Com várias gravações na gaveta, e outras editadas nos meus anteriores CDs, pensei que estava na altura de as reunir todas numa compilação, onde pudesse viajar sem qualquer tipo de fidelidade sonora, ou seja, diferentes sonoridades registadas ao longo dos anos.

Assim, podemos encontrar vários registos, desde o vinil até às mais recentes, incluindo alguns nunca  editados e compostos para este projecto. 

Depois, foi entrar no estúdio e com a colaboração dos técnicos fazê-las renascer num tempo mais actual.

 

Seguiste algum critério na escolha das músicas?

O critério foi baseado numa escolha seleccionada dos trabalhos anteriores, ou seja, as canções que julgo merecedoras de maior aceitação num público que felizmente me vai reconhecendo.

 

Aos anos que andas nesta roda viva, sentiste necessidade de mudar alguma sonoridade com o modernidade do tempo ou preferes manter a tua sonoridade desde quando começaste?

Penso que continuo fiel ao som que mais gosto, aquele que se afasta do electrónico e se aproxima do acústico. No entanto, há sinais audíveis de alguma introdução digital, porque um músico que não evolui acaba por estagnar. 

Como exemplo disso, posso adiantar que alguns temas são “vestidos” com sons Sample, uma maravilha da tecnologia que só vem enriquecer a produção de uma canção.

 

Vais divulgar este colectânea pelas ilhas e no exterior

Espero bem que sim. A minha editora está a trabalhar na promoção do trabalho, enviando várias propostas para a Região e espaço nacional, depois é esperar e agendar.

 Espero bem que ela tenha muito trabalho…

 

 Como vês a música hoje na nossa região, sobretudo com o aparecimento de novas vozes e bandas?

Há um pouco de tudo, do bom e do mau. 

O que eu sei é que esta nova geração tem talento e é com satisfação que vejo alguns projectos compondo a sua própria música e criando o seu som. 

Alguns são merecedores de reconhecimento ao nível do bom que se faz neste País. 

O maior obstáculo continua a ser a falta de visibilidade, a distância e a inércia; são espinhos cruéis, é preciso um esforço suplementar que às vezes se esgota no tempo, e  ainda por cima não existem grandes estímulos por parte de quem tem essa obrigação…

 

E televisão, saudades?

A televisão foi a minha casa durante quase 30 anos, como não havia de sentir saudades? 

Foi ela que me deu o pão para os meus filhos, foi ela que excitou a minha imaginação, foi ela que me ensinou a gerir conflitos (poucos), foi com ela que viajei  pelo mundo em busca do melhor e do mais bonito, nunca será possível esquecê-la! 

Quando se sente saudades não é só porque uma pessoa ou instituição está longe de nós, mas sim porque ela está “dentro” de nós.

 

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Ficha técnica

Músicas e Letras – Luís Alberto Bettencourt;

Gravação – Eduardo Botelho (excepto “Pedras Brancas” e “Estou Aqui Para te Ver” –Carlos Frazão);

Misturas, Masterização, Direcção e Produção de Estúdio – Eduardo Botelho;

Foto – José Borges;

Grafismo – Paulo Bettencourt;

Management - Pedro Fragoso;

Agenciamento – MediaPlay Agency

Detidos três suspeitos de tráfico de droga e apreendidas 600 doses de heroína

PSP3A Esquadra de Investigação Criminal da PSP deteve três homens na freguesia de São Roque, concelho de Ponta Delgada, suspeitos da prática do crime de tráfico de estupefacientes.

As detenções ocorreram na tarde de quinta-feira, após a realização de uma busca domiciliária que levou à apreensão de, “entre outras provas, cerca de 600 doses de heroína”.

Os detidos, com idades compreendidas entre os 24 anos e os 48 anos, foram ontem presentes a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coacção “tidas por convenientes”, referiu a PSP em comunicado.

Entretanto, a mesma esquadra deteve um homem de 45 anos, suspeito da prática do crime de violência doméstica. Segundo explicou a PSP em comunicado, a detenção foi ordenada pela magistrada do Ministério Público titular da investigação, tendo o suspeito sido localizado e detido no aeroporto João Paulo II, “quando, para sair da ilha, embarcava num avião”. O detido ficou sujeito à medida de coacção de prisão preventiva, após ter sido presente a primeiro interrogatório judicial.

Já em Rabo de Peixe, foi detido, também por violência doméstica, um homem, de 43 anos de idade, após ter ameaçado com arma branca a ex-companheira.

A PSP deteve ainda um homem de 33 anos, suspeito da prática de um crime de furto qualificado. O acto ilícito ocorreu no início de Outubro, no estabelecimento comercial de Ponta Delgada.

A PSP acrescenta que a detenção ocorreu no âmbito de um inquérito crime investigado pela mesma esquadra, e aconteceu “após a recolha de diversa prova que o dava como fortemente indiciado na prática do referido crime”. O indivíduo ficou sujeito à medida de coacção de prisão preventiva.

Na Ribeira Grande, foi detido, um homem de 64 anos de idade, por condução de um veículo, sob a influência do álcool, com uma taxa de alcoolémia de 2.00 g/l.

 

Detido suspeito de assaltar banco em Angra

 

Por sua vez, a PSP de Angra do Heroísmo deteve fora de flagrante delito um homem suspeito de ter furtado uma agência bancária, no passado dia 21 de Novembro.

“No decurso de diligências de inquérito em investigação, no dia de ontem [quinta-feira], a PSP logrou identificar e circunscrever o local onde o suspeito em fuga se ocultava e pelas 23h15 procedeu à sua intercepção e detenção tendo sido apreendidos elevados valores monetários e vários outros objectos relacionados com o ilícito”, informou a polícia, em comunicado.

Foram ainda realizadas buscas domiciliárias e não domiciliárias, que visaram “a recolha de elementos essenciais de prova”.

Quanto à sinistralidade rodoviária, a PSP registou a ocorrência de seis acidentes de viação na quinta-feira, dos quais resultaram um ferido ligeiro e danos materiais.

Estratégia da Comissão Europeia deve contemplar Política de Coesão e taxas de financiamento para as RUP

Vasco Cordeiro - políticas coesão RUPO Presidente do Governo dos Açores alertou ontem para a necessidade de a Comissão Europeia corrigir, na sua nova estratégia para as Regiões Ultraperiféricas (RUP), a falta de referências à Política de Coesão e às taxas de cofinanciamento dos fundos estruturais para investimentos nestas regiões.

“Estranhamos a ausência de referências claras à Política de Coesão para as RUP e às taxas de cofinanciamento diferenciadoras para estas regiões, bem como aos fundos estruturais FEDER e FSE”, afirmou Vasco Cordeiro, em Ponta Delgada, na sessão de abertura da conferência ‘A Sociedade Açoriana e a Política de Coesão Pós 2020’.

Para o chefe do executivo açoriano, na sua recente Comunicação ‘Uma Parceria Estratégica Reforçada e Renovada com as Regiões Ultraperiféricas da União Europeia’, seria expectável que a Comissão Junker reafirmasse, de forma clara, alguns princípios nucleares da política comunitária para estas regiões, como é caso do papel central que a Política de Coesão assume para superar as dificuldades específicas e estruturais com que estão confrontadas.

 Recorde-se que a anterior Comunicação, que data de 2012, propôs que as RUP continuassem a beneficiar de um tratamento específico para as ajudar a usar da melhor maneira os fundos de investimento disponíveis, assim como uma taxa de cofinanciamento de 85 por cento, independentemente do PIB da RUP.

 “Esta omissão, que pode ter sido inconsciente, mas que se torna particularmente preocupante se tiver sido consciente e propositada, não pode, nem deve passar em branco e, em nossa opinião, deve merecer correcção nas restantes etapas legislativas que agora se iniciam”, preconizou o Presidente do Governo.

 Na sua intervenção na abertura desta conferência, Vasco Cordeiro defendeu que o momento é, assim, o de pugnar por uma Política de Coesão forte, ousada e inclusiva, que alie a solidariedade e o desenvolvimento económico e que seja estruturante da ação da Comissão Europeia, dos Estados-Membros e das Regiões.

Ainda sobre a nova estratégia da Comissão Europeia para as RUP, o Presidente do Governo adiantou que a mesma avança com a proposta de um novo modelo de governança que, sendo positivo ao nível do maior envolvimento dos Estados–Membros e da própria Comissão, importa que não se sobreponha às competências das entidades regionais das ultraperiferias.

 Já ao nível da Agricultura, as referências positivas obtidas recentemente pelo POSEI no relatório de avaliação da Comissão, deveriam corresponder, nesta Comunicação, a um “compromisso claro, inequívoco e firme com o reforço financeiro deste mecanismo de apoio à agricultura e ao mundo rural nas RUP”, defendeu Vasco Cordeiro, recordando que regiões, como os Açores, foram afectadas por decisões comunitárias, como o fim do regime de quotas leiteiras.

“Merece uma apreciação positiva da nossa parte a defesa da necessidade de financiamento da atividade da Pesca e do Mar, incluindo um sistema de compensações para a pesca sustentável, a manutenção de utilização exclusiva das 100 milhas e as condições de operacionalização de uma economia do mar”, afirmou. 

Nesta intervenção, Vasco Cordeiro salientou, por outro lado, que, mais do que uma região pequena e ultraperiférica que apela a uma Política de Coesão forte, os Açores são um ativo para a Europa, destacando as áreas do mar, das energias renováveis e da sustentabilidade do processo de desenvolvimento regional.

Esta conferência, que contou com intervenções de representantes da Comissão Europeia e do Comité Económico e Social Europeu, é a terceira que se realiza no âmbito do processo de envolvimento da sociedade açoriana na definição da Política de Coesão pós 2020, que está a ser promovido pelo Governo dos Açores, desta feita com uma abordagem europeia, depois das duas primeiras conferências terem feito uma abordagem à situação regional e nacional.

Empresas de artesanato aumentaram mais de 20% desde 2015 nos Açores

Prenda 2017O número de empresas de artesanato registou um aumento de mais de 20 por cento nos Açores desde 2015, estando actualmente inscritas 543 unidades produtivas no Centro Regional de Apoio ao Artesanato (CRAA).

“O Governo dos Açores tem adequado os seus programas de apoio ao desenvolvimento do artesanato, numa perspectiva de aumentar o número de unidades produtivas artesanais na Região e elevar a qualidade do artesanato”, afirmou o Director Regional do Apoio ao Investimento e Competitividade.

Ricardo Medeiros, que falava quinta-feira, em Ponta Delgada, na abertura do V Festival de Artesanato dos Açores – Prenda, destacou os apoios existentes no sistema anual de incentivos financeiros do Centro Regional de Apoio ao Artesanato – SIDART, com o objectivo de “ajudar a atividade profissional dos artesãos e o desenvolvimento económico das empresas”.

Estes apoios contemplam a comercialização, a promoção, a formação e o investimento em estruturas e equipamento de produção.

“Este ano, candidataram-se 247 projectos, dos quais 142 foram aprovados, num investimento global de quase meio milhão de euros, a que correspondeu uma comparticipação financeira pública de mais de 240 mil euros”, afirmou o Director Regional.

Ricardo Medeiros salientou que, “nos últimos três anos, houve não só um aumento significativo de candidaturas, como os artesãos têm apostado nos projetos de melhoria da sua unidade produtiva e na qualificação e inovação do seu produto”.

O PRENDA tem-se “afirmado como o maior evento de promoção e comercialização de artesanato de sucesso, com uma grande adesão por parte do público e dos artesãos, dinamizando a época baixa do ano”, acrescentou.

Trata-se de uma iniciativa, segundo Ricardo Medeiros, “que revela o crescente dinamismo desta atividade, acarinhada pelo Governo dos Açores”, frisando que “o artesanato é hoje reconhecido pelas suas potencialidades como motor de desenvolvimento a várias escalas, sendo múltiplos os seus impactos, directos e indirectos”.

Desde 2015 participaram neste evento 154 unidades produtivas artesanais de diversas áreas, foram realizados 32 workshops para diferentes públicos no âmbito dos programas do festival e múltiplas actividades de animação e promocionais.

 Este ano, o Festival de Artesanato dos Açores, que decorre até domingo, 26 de Novembro, no Pavilhão do Mar, em Ponta Delgada, conta com mais de meia centena de artesãos e empresas de artesanato.

As 51 unidades produtivas artesanais presentes neste certame expõem e vendem trabalhos nas áreas dos presépios de lapinha, registos, bordados, escamas de peixe, brinquedos, cestaria, rendas, doçaria, bambu, bijuteria e cerâmica figurativa, entre outras. Este festival é o maior evento de artesanato do ano organizado pelo CRAA, destacando-se os produtos certificados ao abrigo da marca colectiva ‘Artesanato dos Açores’, com mais de 70 artesãos já certificados. O certame tem entrada gratuita e está aberto hoje, das 14h00 às 23h00, e domingo, das 14h00 às 22h00.

Governo da República não assume custo do Passe Sub-23 para estudantes da Universidade dos Açores

UNIVERSIDADE AÇORES CORO Governo da República não pretende assumir a implementação do Passe Sub-23 para os estudantes dos Açores e da Madeira, pelo que o Governo madeirense vai assumir o custo do Passe Sub-23 para estudantes da Universidade da Madeira (UMa), tendo inscrito meio milhão de euros no Orçamento Regional para 2018, mas afirma que deveria ser a República a suportar o encargo.

“Devia ser uma decisão do Governo nacional para abarcar todos os estudantes universitários, incluindo os da Madeira e dos Açores, mas eu tomei a decisão de inscrever meio milhão de euros no Orçamento Regional para 2018”, disse o Presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, no final de uma reunião com uma delegação da Associação Académica da UMa, no Funchal.

O governante referiu que “a situação fica resolvida na Madeira, acaba a discriminação”, mas sublinhou que a região não deixará de “continuar a reivindicar a nível nacional” a resolução da questão.

“Devia ser uma responsabilidade do Estado, mas como há neste momento uma centralização, e uma discriminação intolerável e vergonhosa relativamente aos estudantes que frequentam a UMa, nós vamos apoiar através do Orçamento Regional a solução deste problema”, acrescentou.

A lei do Passe Sub-23 (para transportes), que entrou em vigor em 2009, é aplicada aos estudantes que frequentam as universidades no continente, mas não tem aplicação nas regiões autónomas.

Segundo um levantamento da Associação Académica, os estudantes da UMa pagam mensalmente 150 euros por um passe, “o que é muito superior à prestação de uma propina”, salientou Andreia Nascimento, dirigente da associação académica.

A representante realçou que em causa está um montante “substancial” para um estudante.

O Governo Regional, recordando que o ensino universitário é da competência do Governo da República, diz que não tolera a continuação da situação.

Com esta medida do executivo regional, os estudantes universitários que estudam na região passarão a usufruir, a partir de Janeiro, de um desconto de 60% e 25% sobre o valor do passe, conforme tenham ou não direito a bolsa de estudo.