Petição pede transparência na carga fiscal e formulação do preço dos combustíveis nos Açores

combustiveisA Associação Regional de Revendedores de Combustíveis Açores (ARRCA) já colocou online uma petição que pede mais transparência no que toca à carga fiscal e formulação do valor máximo de venda ao público do preço dos combustíveis nos Açores.

A petição, já enviada ao Parlamento regional, solicita que a Assembleia Legislativa Regional dos Açores “legisle no sentido da publicação na página oficial do governo, para além do despacho normativo indicativo do preço máximo de venda ao público, seja acompanhada da composição da fórmula do PVP, incluindo o preço de referência, o ISP e o IVA”.

A Associação pede ainda que o Parlamento regional recomende ao Governo açoriano “a alteração da Resolução do Conselho do Governo n.º 15/2010 de 27 de Janeiro, tendo por base preços de referência da Entidade Nacional para o mercado de combustíveis, e com parâmetros de actualizações das margens de revenda e do custo de transporte”.

Os subscritores da petição pedem ainda que “seja conferida a carga fiscal e os preços de referência entre o período de 1 de Janeiro de 2015 a Maio de 2018, referentes aos produtos petrolíferos G.P.L., Gasolina sem chumbo 95 e Gasóleo”.

Recorde-se que a ARRCA, constituída formalmente a 13 de Abril, já havia denunciado que, desde 2014, o Governo Regional tem “sistematicamente aumentado os impostos sobre os produtos petrolíferos e ignorado as descidas dos preços europeus de referência”. 

Numa conferência de imprensa, em Ponta Delgada, Sónia Borges de Sousa, membro da ARRCA e primeira subscritora da petição, revelou que a ARRCA ia apresentar uma acção à Comissão Europeia quanto à legalidade da fixação do regime de preços fixos e das fórmulas de actualização na região.

A porta-voz da Associação afirmou também, na ocasião, que os preços nos Açores são fixados administrativamente e que, apesar de existir “logo à partida o preço de referência europeu, nalguns casos, como no gás, este preço de referência nunca foi actualizado”, exemplificando que o preço de uma garrafa de gás de 13 quilos em Espanha, cujo IVA é de 21%, custa 14,51 euros e 18,98 euros nos Açores, onde o IVA regional é de 18%.

A ARRCA alerta que no gás se está perante um imposto encapotado, e no caso do gasóleo e gasolinas o imposto sobre produtos petrolíferos excede o valor determinado no código dos impostos especiais de consumo e de acordo com o orçamento de estado.

Produção de energia eléctrica cresce com bom desempenho nas alternativas

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A produção de energia eléctrica nos Açores aumentou no primeiro trimestre deste ano, passando de mais de 191 milhões de KWh para mais de 194 milhões, quando comparado com o mesmo trimestre do ano passado.

Segundo dados do SREA, as energias alternativas registam crescimentos, como a eólica, com 16 milhões de KWh, mais cerca de 1 milhão do que no ano anterior, e a geotérmica, que regista nestes primeiros três meses mais de 52 milhões de KWh, mais 7 milhões do que no ano passado.

 

Consumo sobe em Portugal

 

O consumo de energia elétrica em Portugal subiu 9,7% em Março, face a igual período do ano anterior, para 4.650 Gigawatt hora (GWh), devido, em parte, ao desvio acentuado das temperaturas, segundo indico a REN.  De acordo com a REN – Redes Energéticas Nacionais, a variação acumulada para o primeiro trimestre “situa-se agora em 4,7% ou 3,1% com correcção de temperatura e dias úteis”. A empresa avança que, após um período de 17 meses consecutivos com afluências inferiores aos valores médios, registou-se um índice de hidraulicidade de 2,2 em Março, o valor mais elevado desde 1971. Por sua vez, na produção eólica, o índice de produtibilidade situou-se em 1,54, o segundo valor mais elevado para Março.

Empresários defendem liberalização do transporte de carga aérea

Aeroporto PDLAbordagem ao problema tem sido um “fracasso”, diz CCIPD

A Direcção da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) defende a liberalização do transporte aéreo de carga para a ilha de São Miguel, considerando como um “fracasso” a abordagem feita até agora ao problema.

A informação foi ontem divulgada pelos empresários de São Miguel e Santa Maria, em comunicado, que avaliaram a actual situação do transporte de carga por via aérea entre o continente e a maior ilha dos Açores.

A associação empresarial diz ter analisado as estatísticas relativas ao referido transporte, bem como as manifestações de interesse nesta operação, que têm vindo a público nas últimas semanas e as “queixas contínuas das empresas quer as recebedoras de mercadorias, quer as exportadoras”. 

“Neste contexto e avaliadas as circunstâncias actuais, a Direcção entende que é chegado o momento de se evoluir para a liberalização do transporte aéreo de carga por via aérea para, pelo menos, São Miguel, sem prejuízo de outros mecanismos de apoio, que possam ser desenvolvidos para a resolução do problema na sua globalidade”, refere a CCIPD.

Os empresários referem, na mesma nota, que “para este segmento do transporte aéreo, uma situação similar à que foi adoptada, com enorme sucesso, com a liberalização do transporte aéreo de passageiros”.

“O facto do concurso público, realizado por duas vezes, não ter tido operadores interessados evidencia que a abordagem a este assunto se revelou um fracasso, que importa evitar no futuro”, diz ainda a CCIPD, acrescentando que “a problemática, se não for rapidamente resolvida, tenderá a agudizar-se na medida em que as companhias aéreas têm vindo a abandonar a utilização de aviões com maior espaço de carga, a favor de aviões estritamente adaptados para o transporte de passageiros”.

Recorde-se que o Presidente da Câmara do Comércio de Ponta Delgada já havia considerado, anteriormente, que um concurso com obrigações de serviço público não seria a melhor solução para resolver o problema do transporte de carga aérea para os Açores. O responsável defendeu se deve deixar funcionar o mercado, sem a imposição de condições economicamente inaceitáveis.

“Começámos do nada, numa garagem, e hoje já somos uma referência no gaming”

PC Bem - equipa

Montam computadores à medida para os seus clientes e vendem toda uma panóplia de artigos de informática, com maior enfoque na área do ‘gaming’. Falamos da PCBEM , uma empresa localizada na Rua Nova da Misericórdia, nº411 , em Ponta Delgada, que até há três anos era uma marca associada à AcoresPro. Marco Ferreira é um dos sócios da PCBEM e, em entrevista ao Diário dos Açores, salienta que o mercado do ‘gaming’ está a crescer cada vez mais. O responsável conta ao nosso jornal como tem crescido a empresa e fala dos desafios na sua gestão. 

 

Diário dos Açores - Como é que surgiu a empresa PCBEM?

Marco Ferreira (MF) – A PCBEM começou como uma marca que fazia parte da empresa AcoresPro, que se dedica ao desenvolvimento de sites. Tínhamos o nosso pequeno cantinho dedicado à informática e era lá que fazíamos reparações de computadores e serviços do género. Mais tarde, passámos para uma garagem e, desta garagem, eu e o meu sócio Filipe Raposo decidimos abrir a loja em Ponta Delgada, isto há cerca de três anos. Estivemos durante um ano à procura de uma oportunidade para vir para Ponta Delgada e foi um passo bem calculado. Fizemos as coisas de forma sustentada e conseguimos fazer a loja crescer, especialmente na área do ‘gaming’. Começámos do nada, numa garagem, e hoje já somos uma referência no ‘gaming’. 

 

 Como é que começou a trabalhar nesta área?

MF – Foi por gosto. Eu tirei o curso de Informática de Gestão na EPROSEC, mas os conhecimentos que tenho, actualmente, não se devem ao curso, mas sim ao gosto e à experiência que fui adquirindo por conta própria. Os melhores técnicos são os que aprendem por iniciativa própria. Ora arranjando os computadores da família, ora dos amigos… Vão fazendo asneiras pelo caminho, mas é assim que se aprende cada vez mais. Não há nenhum bom técnico que tenha aprendido tudo numa escola. É uma área que sempre gostei. O mesmo acontece com os meus colegas que aqui trabalham: gostam de jogar, gostam de montar ‘máquinas’ novas e fazemos disso o nosso trabalho. Somos curiosos, gostamos de criar coisas diferentes e malucas (risos).

 

Coisas malucas…?

MF – Sim. Por exemplo, temos um computador montado na parede da nossa loja e tem um visual muito diferente. Foi um projecto criado e feito por nós. Não é funcional para venda, mas é bonito e desperta a curiosidade dos nossos clientes. 

 

Quem é o cliente da PCBEM?

MF – Os nossos maiores clientes são os ‘gamers’, o pessoal jovem que gosta dos vídeojogos. Na maioria das vezes, quando chegam aqui já sabem o que querem comprar, mas o nosso trabalho é aconselhar. Podem, por exemplo, chegar aqui e dizer “eu quero montar um computador para jogar e quero um processador i7”. O i7 é realmente muito bom, mas para jogar pode usar um i5. Poupa no processador e investe mais, por exemplo, na placa gráfica. Ou seja, explicamos onde é mais vantajoso para o cliente aplicar o seu orçamento.   

Além dos ‘gamers’, temos também clientes que trabalham na área das artes gráficas, com Photoshop, vídeos, arquitectura… e também precisam de máquinas potentes. Tentamos perceber para que fim o cliente precisa do computador para aconselharmos se deverá investir mais, por exemplo, num processador ou na memória. 

 

Que outros serviços promovem?

MF – A nossa maior aposta é no ‘gaming’, mas somos uma loja de informática como as outras. Fazemos reparações de portáteis, limpezas de computadores, substituímos teclados ou baterias de portáteis, formatações, backups, damos assistência técnica… Fazemos tudo isso, mas o nosso crescimento, enquanto empresa, deve-se à boa fama que temos na área dos jogos: compreender o cliente e montar o PC à medida do que ele precisa, com a sinceridade acima de tudo. Não queremos impingir os produtos mais caros, queremos que os nossos clientes levem o melhor possível, com o orçamento que nos apresentam. 

Somos também parceiros oficiais da Asus nos Açores. Vendemos os produtos da marca, desde placas gráficas, monitores, motherboards e, enquanto parceiros, temos acesso a campanhas especiais da Asus que podemos disponibilizar para os nossos clientes. Podemos também ter acesso aos lançamentos de produtos que ocorrem a nível mundial. Conseguimos ter, por vezes,  o produto cá disponível na data em que é lançado no mercado a nível mundial. 

 

Enviam produtos por encomenda para fora de São Miguel?

MF – Sim. Aliás, não só para fora da ilha, como também para clientes mesmo de São Miguel. Podem viver em zonas mais distantes de Ponta Delgada e, em casa, na sua comodidade, recebem o seu produto sem gastar muito mais por isso. Vendemos também para outras ilhas e para o continente. 

 

Antes estavam nos Arrifes. Estavam relativamente longe de Ponta Delgada…

MF – Sim. Era muito mais difícil fazer chegar um cliente aos Arrifes, do que ao local onde estamos agora localizados. Não estamos bem no centro da cidade, mas isso é para nós uma vantagem, essencialmente devido ao estacionamento. Estamos numa zona calma, onde há sempre lugares de estacionamento, o que facilita muito a vida dos nossos clientes.

 

Marco ferreira - pcbemQual o maior desafio na gestão da PCBEM?

MF – Crescemos bastante depressa e esse crescimento foi um desafio. Viemos do nada e foi preciso saber crescer com sustentabilidade. Crescemos depressa porque o mercado assim o quis, mas queremos ir com calma. Neste último ano, a nossa aposta não tem sido no crescer mais, mas sim no melhorar o que já temos ao nível da organização interna, quer seja no atendimento ao cliente, quer seja no procedimento de garantias. Por exemplo, no último ano criámos uma plataforma apenas destinada à gestão dos computadores que vão dar entrada em garantia ou para reparações. Ou seja, o desafio agora passa por melhorar cada vez mais os nossos serviços e a nossa qualidade, e, a partir daí, as coisas irão continuar a evoluir. 

 

Imaginaram, quando iniciaram a actividade na tal garagem, que iam chegar aqui?

MF – Era um sonho… Não vou dizer que não achámos que seria possível, mas naquela altura abrir uma loja era apenas um sonho. E sabíamos que começar uma empresa não era fácil. As estatísticas dizem que muitas empresas abrem falência antes dos dois anos de actividade e tínhamos isso em mente. Por isso, tentámos fazer uma coisa de cada vez. Quando estávamos ainda nos Arrifes apostámos na angariação de alguns clientes, num site de promoção dos nossos produtos e serviços e tínhamos já algum stock. Portanto, já tínhamos uma base para poder abrir a loja em Ponta Delgada. 

 

Qual é a chave do sucesso?

MF – Diria que é mesmo o dar um passo de cada vez. Pensar sempre que não nos devemos meter em áreas onde não somos especializados, nem em dívidas que não podemos pagar. Não convém colocar “a carroça à frente dos bois”, como se costuma dizer. 

 

Como é que a PCBEM marca a diferença em relação à concorrência?

MF – Há uns anos, quando tirava um curso de marketing, aprendi que o preço não é uma vantagem comercial. A meu ver, até é porque os clientes procuram, muitas vezes,  o mais barato, mas ter um bom atendimento é também essencial. Ter sempre um sorriso na cara para os nossos clientes e vender exactamente o que eles precisam – nem mais, nem menos. O preço é importante, mas não é tudo. Temos que ter uma boa relação com os nossos clientes, porque um cliente satisfeito vai passar a palavra e essa é a melhor publicidade que podemos ter.

 

O facto de a PCBEM estar a evoluir com especialização na área do ‘gaming’ significa que este é um mercado que está a crescer nos Açores? 

MF – Sim. Há cada vez mais jovens a jogar e a investir em produtos que os façam ter um bom desempenho nos jogos. E estou a falar não só dos computadores em si, mas também de bons ratos, teclados, etc. Tudo isso melhora a performance do jogador e temos isso cá disponível. Quando era mais novo, cheguei a organizar nove ‘lan parties’, que são convívios onde os jogadores juntam-se no mesmo espaço para jogar. Ainda me recordo que a última que organizámos tinha 30 e tal computadores, o que era bastante. Hoje já há eventos do mesmo tipo muito maiores, como o Playnesti, da  Universidade dos Açores. Há também outro na Horta, que junta muitos ‘gamers’. Nota-se que há muito mais gente a jogar. Estes eventos mostram que, realmente, a comunidade de ‘gamers’ está a evoluir e há cada vez mais jovens a jogar nos Açores. Hoje em dia, basta ter internet para se poder jogar, mas eu, pessoalmente, penso que a piada de jogar está no convívio com os outros jogadores. É uma forma de diversão.

 

E quanto a expectativas para o futuro da PCBEM?

MF – Boa pergunta… Diria que há sempre algo que podemos melhorar. Como já referi, não podemos dar um passo maior do que a perna. Para já, não queremos expandir o negócio com mais lojas e achamos que temos ainda margem para evoluir aqui, nomeadamente em termos de gestão interna. Portanto, penso que o futuro passa por melhorar cada vez mais o que já temos e, eventualmente, pensar numa possível expansão. Tudo vai depender do que o mercado nos traz.

 

Aos 102 anos, Ermelindo Ávila lança 31º livro da sua autoria

Ermelindo ÁvilaCrónicas e Contos de Natal do Avô Ermelindo é o título do livro que o picoense Ermelindo Ávila - colaborador de longa data do Diário dos Açores - lança no próximo dia 25 de Abril, pelas 16 horas, no Museu dos Baleeiros das Lajes do Pico.

Com edição da Publiçor, colecção “Letras Lavadas”, trata-se do trigésimo primeiro título assinado pelo escritor e investigador histórico, que completará em Setembro próximo 103 anos de idade.

Segundo foi avançado ao nosso jornal, trata-se de um livro de crónicas e contos do Natal publicados ao longo dos anos, na imprensa regional, que relata as “tradições religiosas e familiares, típicas daquela muito apreciada quadra do ano”. 

Em Contos, o centenário autor aborda a problemática da paz e as vivências das famílias cujos entes haviam emigrado. Trata-se de um livro de carácter etnográfico destinado a quantos pretendem saber ou recordar como celebravam as gerações picoenses a Quadra Natalícia.

O livro integra um selo dos CTT, com a imagem do autor, destinado a coleccionadores.

Recorde-se que Ermelindo Ávila nasceu na vila das Lajes, no Pico,  a 18 de Setembro de 1915. Casou com Olga Lopes Neves, já falecida, e teve nove filhos. É Comendador da Ordem de Mérito (Presidência da República) e recebeu a Insígnia Autonómica de Reconhecimento, pela Assembleia Legislativa Regional dos Açores.

Estudou Filosofia no Seminário de Angra e, entre 1938 e 1954, foi ajudante do Cartório Notarial e dos serviços de Registos e do Notariado. Em 1940 foi nomeado Administrador do Concelho das Lajes do Pico e Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal. Em 1941 é nomeado Presidente da Câmara do mesmo concelho de cujas funções foi exonerado por divergências políticas. Ingressou no quadro administrativo da Câmara Municipal das Lajes do Pico em 1954. Foi chefe de secretaria da Câmara Municipal da Madalena e na Câmara Municipal das Lajes do Pico, onde se aposentou em 1984 como Assessor Autárquico.

Recebeu a medalha de prata do concelho, pelos serviços prestados durante 46 anos e, nas comemorações do V Centenário do concelho das Lajes do Pico, foi-lhe entregue a chave número um do Município.

Ermelindo Ávila iniciou a sua atividade jornalística em 1932, no semanário O Dever, de que foi editor entre 1938-1954, e tem colaboração dispersa por vários jornais e rádios regionais. Foi também correspondente dos jornais O Século e Diário de Notícias de Lisboa.

Proferiu palestras sobre a história e cultura picoenses na ilha do Pico, noutras ilhas açorianas e em comunidades emigrantes dos Estados Unidos e Canadá.

As suas últimas obras lançadas foram A Matriz da Santíssima Trindade das Lajes do Pico (2017), Culto Mariano na Ilha do Pico (2016), Nossa Senhora de Lourdes (2015) e A Terra e o Mar. Crónicas do meu sentir (2015). 

A apresentação das Crónicas e Contos de Natal do Avô Ermelindo, a acontecer na próxima Quarta-feira, estará a cargo de Alexandra Ávila, sua neta.