Maria Elvira Machado de Melo lança a suas memórias aos 91 anos

Elvira - professora reformadaAos 91 anos, Maria Elvira Machado de Melo, natural da Ribeira Seca, concelho da Ribeira Grande, lança hoje, no Teatro Ribeiragrandense, pelas 20h00, o seu primeiro livro, intitulado “As minhas memórias”. Professora durante 43 anos, Maria Elvira ainda hoje dá explicações em casa e, em alguns casos, de forma gratuita, pois o amor pelo ensino e pela Matemática é, como diz, o segredo para a sua longevidade.

 

Diário dos Açores – Como surgiu a ideia de lançar um livro?

Maria Elvira Melo – Nunca pensei em escrever um livro, porque toda a minha vida esteve à volta da Matemática. Certo dia, durante as minhas leituras diárias aos jornais vi que um senhor da ilha Terceira tinha lançado um livro e foi nessa altura que fiquei com isso na ideia. Pensei que eu também que tinha tanto para contar da minha vida, porque não haveria de escrever um livro? Naquele mesmo instante, há quatro anos atrás, comecei a escrever aos poucos e um amigo meu, o José Maria Teixeira, passava para o computador os meus escritos.

Entretanto, como fiquei doente, a escrita ficou parada e arrumei numa gaveta o que já tinha feito.

Recentemente, a mãe do presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, numa das suas deslocações a minha casa, viu aquele trabalho e perguntou o que era. Eu respondi que seria algo para ser publicado quando eu morresse, mas ela de imediato disse que não e que ia avançar com este projecto o quanto antes. E assim foi! Na Câmara Municipal consideraram o que tinha escrito muito interessante, principalmente porque tem muita história, e assumiram a publicação do livro, sem qualquer despesa para mim.

Desde então tem sido uma roda viva.

 

Do que fala o livro “As minhas memórias”?

MEM – Da minha vida desde os cinco anos de idade até à presente data. Das escolas por onde passei, das várias formas de ensino, do muito trabalho que realizei em muitas escolas, ora no ensino primário, ora no preparatório ou ainda no Colégio Ribeiragrandense.

Eu tive uma altura em que trabalhava nestes três sítios ao mesmo tempo. Havia dias em que eu começava às 08h00 e só terminava às 23h00.

 

Dedicou toda a sua vida ao ensino. É um amor para toda a vida?

MEM – O meu método de ensino é muito diferente porque quando ensino o que quer que seja faço-o de uma forma já concretizada. Vou esmiuçando a matéria de maneira a que os meus alunos comecem a aprender primeiro o que é mais simples e, depois, aos poucos, vou introduzindo as dificuldades.

Sempre tive alunos de Matemática primorosos. Toda a gente sabia Matemática comigo.

 

Foi só professora de Matemática?

MEM – Fui professora de tudo! Ensinei física, química, etc. Cheguei também a ensinar os jovens que tinham ido para a guerra e que quando voltaram tinham a vertente das letras, mas faltava-lhes as ciências. Naquela altura eu dei aulas a um grupo grande de rapazes que tinha voltado da guerra, mas também a outras pessoas que tinham deixado de estudar. Eu dei tudo o que havia para dar ao nível do 5º ano de escolaridade.

Até cheguei a dar também desenho. Aliás tenho muitas pinturas feitas por mim e que vão ilustrar o meu livro que tem cerca de 200 páginas.

 

Como acha que a sociedade vai acolher o seu livro, em particular na Ribeira Grande?

MEM – Sou uma pessoa muito conhecida e muitos dos meus alunos, hoje são homens e mulheres formados e todos eles são meus amigos até aos dias de hoje. Por exemplo posso falar no engenheiro Vieira que foi meu aluno durante cinco anos e será ele quem vai apresentar este livro. Foi também ele, a meu pedido, quem fez o desenho da capa do meu livro que ficou muito engraçado e é sobre Matemática. 

Eu fui professora dele, da mãe, da esposa e dos seus cinco filhos. É a casa onde tive mais alunos (risos).

 

Ainda ensina?

MEM – Sim, ainda ensino em casa. Dou explicações em casa de Matemática. Algumas vezes as explicações nem são pagas, quem pode pagar, paga, mas quem não pode, não paga. E isso ajuda-me a viver. Eu tive um aluno que não sabia nada de Matemática, ele foi aprendendo, foi passando nesta disciplina, foi sempre subindo as notas até que ao chegar ao 9º ano ele já apanhava notas na ordem dos 90%. Ele acabou por ser o melhor aluno do secundário da Ribeira Grande. Isso acontece porque eu acabo por perceber onde o aluno tem mais dificuldades e é isso que trabalho com eles. Muitas vezes os alunos esquecem e nós ajudamos a que eles se recordem, ou então, simplesmente, não lhes ensinaram. Hoje em dia há quem saia da 4ª classe sem saber nada…

 

Hoje em dia o ensino está muito diferente?

MEM – Muito! Antigamente começávamos a ensinar e, a partir de Janeiro/Fevereiro, as crianças já sabiam ler correctamente. Hoje, no primeiro ano, as crianças nem sabem os dígrafos. O mesmo se aplica à Matemática. Tenho crianças a quem dei explicações de Matemática que, num problema, nem sabiam que tipo de operação deveriam usar, se era soma, multiplicação ou divisão. Eu pergunto-me como é possível que isso aconteça? A Matemática começa na primeira classe, mas concretizada. Se assim não for, não se aprende Matemática. E a concretização parte sempre de um problema, sendo que cada operação vem de um problema. Por exemplo, dizer 5-2 a uma criança se calhar não lhe diz nada, mas já se eu disser tenho 5 laranjas e vou comer duas, quantas ficam?, a criança já vai perceber melhor, ou seja é a Matemática concretizável. Hoje a maneira de ensinar está muito diferente.

 

Qual o segredo para a sua longevidade?

MEM – O muito trabalhar. No início da minha carreira andava muito a pé, porque não tinha carro e trabalhava todo o dia! Hoje me dia, em casa, sou eu que ainda faço tudo: a minha comida, a minha roupa e trato da casa, à excepção de um dia por semana, que é quando tenho uma empregada.

Ainda tenho tempo para os meus livros, ler o jornal, jogar sudoku e ainda enviar e-mails. Mas essa parte é recente. Só há uns dois/três anos é que adquiri um tablet, porque eu não queria um computador, porque eram muito grandes e na minha casa não dava jeito ter um.

Sempre fui uma pessoa muito ocupada, até costura faço.

 

Como foi o seu percurso estudantil?

MEM - Eu fui para a escola com cinco anos para fazer companhia à minha irmã que não queria ir sozinha, e aos sete anos, quando entrei para o 1º ano, eu já sabia resolver problemas, fazer leituras, história… eu já sabia tudo porque fui aprendendo ali caladinha ao ver a professora a ensinar aos outros. 

Quando entrei para a escola eu já andava com um ponteiro a ensinar reduções à 3ª classe. Eu sabia aquilo tudo! Como a professora viu que eu já sabia, passou-me para a 2ª classe. Entretanto, veio uma outra professora que passou-me de vez para a 3ª classe.

Depois fiz a 4ª classe, com distinção, mas como não havia dinheiro, para eu continuar a estudar, porque o meu pai era lavrador, a minha mãe doméstica e como éramos oito filhos, acabei por ir para a costura.

Mas a costura dava-me dores nas costas por causa da posição e eu tinha vontade de aprender mais.

Entretanto, a minha professora acabou por ir-me convidar a ajudá-la. Nesta altura eu tinha apenas 12 anos, mas já era professora. Eu tomava conta de uma turma e ela de outra. Ela gostava muito que eu desse Matemática, porque eu inventava e ensinava problemas.

Depois de estar a dar aulas durante três anos, surgiu a hipótese de eu ser regente escolar, mas eu tinha que ter 18 anos. Então acabei por ir fazer um exame de admissão, e quando atingi os 18 anos já tinha o 3º ano. Pedi à minha mãe para me deixar continuar a estudar e acabei por ir para o Liceu de Ponta Delgada onde fiquei em casa da mãe da minha professora a viver. Aí, fiz os meus estudos até ao 6º ano.

No liceu fiquei amiga de Antonieta Pimentel e como ela sabia que eu queria ir para o 7º ano, íamos as duas à noite estudar juntas, enquanto durante o dia estava no 1º ano do Magistério Primário. Novamente fiz mais dois anos num.

Nessa altura um professor de Matemática que estava no liceu também me ajudou. Na única hora que eu tinha disponível ele ensinava-me a matéria da semana. Em seguida fui fazer exame e tirei 17 valores. Mas eu também não esqueço o retumbante chumbo que apanhei em biologia, quando tirei seis valores. Um valor que nunca tinha tido na minha vida, mas como eu não tinha livros, era mais difícil estudar a matéria.

Fui para casa, decidi ir fazer a segunda época, nunca deixei de estudar e tirei 14 valores.

Esse mesmo professor queria levar-me para o Porto para eu poder ir à Universidade. Na altura pedi aos meus pais, mas eles não deixaram e eu acabei por ir para o Magistério.

 

Em que escolas leccionou?

MEM - Depois de estar no Magistério fui para a escola na Ribeira Seca da Ribeira Grande, também passei pela Lombinha da Maia, depois estive no Pico da Pedra e, em seguida, fui para a Ribeirinha. Estive oito anos na Ribeira Grande. Aos 28 anos, quando estava no Pico da Pedra recebi o convite para ser professora no Colégio Ribeiragrandense. Nessa altura, estava em dois lados, na escola e no colégio. Como tinha que ter um diploma para poder leccionar, tive que ir a Lisboa, ao Liceu Pedro Nunes, durante três semanas, para poder ter este diploma.

Depois de já ter o diploma, entrei então no ciclo preparatório nos anos 73/74, ao mesmo tempo que estava no colégio, e à noite ainda dava explicações em casa. Também cheguei a leccionar ensino secundário a quatro turmas, mas nesta altura já não estava no colégio.

 

Sente orgulho do seu percurso e da sua carreira?

MEM – Sim, muito, principalmente porque fazia o que gostava. Aos cinco anos, nas minhas brincadeiras, eu já fingia que era professora e os meus irmãos e vizinhos eram os meus alunos. Essa vontade de ser professora nasceu comigo. E quando gostamos do que fazemos, conseguimos transmitir isso aos nossos alunos. Se um professor não gosta do que faz, isso reflecte-se nos alunos. Há quem torça o nariz quando se fala em Matemática, mas para mim a Matemática é linda!

Ao longo destes 43 anos de carreira tive muitos alunos, alguns deles são hoje padres, engenheiros, médicos, advogados, e até uma juíza que está em Ponta Delgada também foi minha aluna.

“Ministro não pode dizer que as questões ambientais da Base das Lajes são inexistentes”

base das lajes aquiferosO deputado do PSD/Açores na Assembleia da República, António Ventura, lamentou as declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros sobre a descontaminação dos solos e aquíferos da Praia da Vitória, “quando refere que o mais importante são as relações económicas e sociais com os EUA, e não as questões ambientais, que aliás diz serem questões inexistentes”, citou.

Augusto Santos Silva disse, na Quarta-feira, que “é um erro” reduzir o relacionamento entre Portugal e Estados Unidos à questão da base das Lajes, referindo a “importância estratégica” dos Açores para a segurança marítima e energética.

O Ministro sustentou que “é claro que o projecto do centro de defesa do Atlântico é de interesse estratégico para os EUA, assim como o é ter relacionamento bilateral com Portugal em consultas políticas regulares sobre África e América Latina”. “É absolutamente essencial para os EUA perceberem que a posição portuguesa é a posição de país europeu e atlântico”, disse, acrescentando: “Após o ‘Brexit’ seremos um interlocutor naturalmente essencial dos Estados Unidos na sua relação com a Europa”.

Isto, sublinhou, “não deve ser ofuscado por questões que hoje não existem”, dirigindo-se ao deputado social-democrata António Ventura, que respondeu: “Questões que não existem? Gostei dessa”.

“O senhor Ministro não pode dizer que as questões ambientais da Base das Lajes são inexistentes”, criticou o social democrata, após a audição.

Para António Ventura, a postura de Augusto Santos Silva, “uma vez mais mostrou o seu desinteresse, diminuindo e desvalorizando a descontaminação. Acabou por dizer em voz alta o que pensa, e que é um claro desinteresse para com a descontaminação”.

“O Ministro dos Negócios Estrangeiros está a trocar a descontaminação por outros interesses”, disse o deputado do PSD.

António Ventura salientou que, “habitualmente, há divergências entre os comunicados da República, os comunicados do Governo Regional, e o que é dado também a conhecer pela parte norte americana”.

“No fundo, falta objectividade e falta transparência às notícias que surgem sobre todo este processo, ao qual as declarações do senhor ministro nada trazem de positivo”, reforçou.

Na sua intervenção, António Ventura lembrou ainda que, em 2015, “o Governo Regional fez uma estimativa de 100 milhões de euros por ano para custear a descontaminação, e foi criada uma grande expectativa em torno do processo, mas em concreto nada se sabe de como as coisas estão a decorrer”, concluiu.

 

Lara Martinho: “Há muito trabalho para ser feito”

 

Por sua vez, a deputada socialista Lara Martinho referiu que foi realizado um “importante caminho” na descontaminação ambiental da ilha Terceira.

Na audição com o ministro dos Negócios Estrangeiros, a socialista açoriana disse que a “descontaminação ambiental na ilha Terceira afirmou-se como um problema nacional, que exige e que se concretiza em respostas nacionais”, revelando que houve uma “evolução que passou pelo assumir de novas responsabilidades por parte dos EUA, garantindo intervenções em mais locais do que os inicialmente previstos e também pelo assumir de novas responsabilidades por parte do Governo da República”.

“Isto não quer dizer que o assunto esteja resolvido ou que já não exija a nossa atenção”, reconheceu a parlamentar. “Aliás, não podemos esquecer que há muito trabalho para ser feito e haverá durante muito anos, porque um processo de descontaminação desta natureza não é algo que fique concluído a curto prazo”, defendeu.

 

Primeiro centenário das aparições no Monte D’Água de Pau (1918-2018)

Maria Joana Tavares do CantoA Ermida de Nossa Senhora do Monte, no Pico de Água de Pau, foi mandada edificar por Teófilo Tavares do Canto e sua esposa, Dona Isolina Adelaide Soares. Esta Ermida foi construída perto do local onde se deram as aparições de Nossa Senhora a Maria Joana Soares Tavares do Canto, filha deste casal. Maria Joana nasceu em Água de Pau, a 21 de Agosto de 1910. Em 1918, já andava na escola quando começou a vir para este Pico com 8 anos, umas vezes na companhia de seus avós, paterno e materno e mais tarde com meninas da sua idade. Maria Joana ia com frequência ao Pico rezar na companhia de uma amiga chamada Sofia, um pouco mais jovem, nascida na América do Norte, filha de pais irlandeses já falecidos e adoptada por um casal, sem filhos, desta vila. Às vezes iam acompanhadas de outras e começaram a ser notadas pela sua piedosa devoção. Um dia, Maria Joana disse que vira e falara com Nossa Senhora e revelou que voltaria a aparecer.

Semelhante notícia causou grande alvoroço e originou que uma imensa multidão desejasse assistir a essa aparição que veio a ocorrer numa Sexta-feira, 5 de Julho de 1918.

Pouco depois de chegar ao Monte, pelas seis horas da tarde daquele dia, ela disse que ia aparecer uma coisa no sol. De começo ninguém o podia olhar, tal a intensidade dos seus raios, mas logo esses raios enfraqueceram, permitindo fixá-lo, deixando ver então coisas semelhantes à figura de Nossa Senhora, Nosso Senhor, Anjos e até como que uma Igreja!

Mas, vamos à história de como tudo começou:

Estava-se, na altura, ainda em plena Primeira Guerra Mundial, quando duas crianças que brincavam descuidadas numa casa solarenga da zona da Ermida do Santiago, da Vila de Água de Pau, viram um clarão no fundo do quintal, isto na direção do “Pico do Concelho”, também conhecido por “Pico da Figueira”, do qual surgiu uma imagem de um homem chagado, de cuja fronte brotava sangue devido àquilo que lhe circundava a cabeça, das mãos e dos pés chagados. Deixava transparecer a imagem de Cristo crucificado, segundo depois julgamento feito.

Temerosas e apavoradas, as duas crianças correram ao encontro dos avós de uma delas, da Maria Joana Soares Tavares do Canto, neta dos donos da casa onde também moravam seus pais, Teófilo Tavares do Canto e sua esposa Isolina Adelaide Soares.

Seus avós não acreditaram naquilo que ambas contaram, tanto mais que as duas crianças ainda não haviam atingido oito anos, mas uma irmã do dono da casa, de João Carlos Tavares do Canto, senhora profundamente cristã, ouvindo aquilo que ambas as meninas diziam, quedou-se silenciosa, ficando em meditação, mas depois acreditou nas duas crianças, tornando-se, desta forma, sua confidente.

A outra menina tinha por nome Maria Sofia, também conhecida por Sofia Paulino - por apelido da mãe adotiva – nascida na América do Norte, filha de pais de origem irlandesa que lá haviam morrido, a qual havia sido adotada por um casal sem filhos que se veio fixar em Água de Pau – sem dúvida por ser dali natural – o qual residia em frente dos pais e avós da Maria Joana. Daí a sua amizade nos brinquedos e na escola.

As duas meninas continuaram a brincar, como de costume, sob a «japoneira» - roseira do Japão – que se situava ao fundo do enorme quintal onde colocavam as suas bonecas sobre uma banqueta de pedra que ao redor da árvore havia.

Mais a Maria Joana, embora também a Sofia, perdiam muito do tempo que brincavam rezando, porque jamais se lhes saía da cabeça aquele quadro sobrenatural do homem chagado que tinham visto.

Olhando furtivamente, de vez em quando, para o pico lá ao fundo, na mesma direção da primeira visão, a Joana notou que uma senhora vestida de branco envolta num clarão que seus olhos aceitaram, a chamava para o monte. Também a Sofia, por ter sido alertada, viu igualmente a misteriosa senhora.

Mais prudentes e para não serem desmentidas, como o haviam sido antes, as duas meninas contaram mais este acontecimento à tia-avó da Joana, já sua confidente. Esta, embora soubesse que a encosta do monte não possuía acesso e era muito íngreme e parcialmente coberta por silvado, aconselhou-as a irem ao monte rezar, ao encontro da senhora que as havia chamado. Mas não só as incentivou a cumprirem aquilo que sentiam, como também ela, muito devota senhora, dali avante procurou acompanhar as duas crianças que iam orar ao pico.

Nossa Senhora, na primeira aparição de aproximação, disse à vidente Joana, com quem falava, que esta mais a Sofia deviam ir ali, àquela inclinada encosta, rezar durante dezoito dias.

A Sofia possuía o poder da visão mas não o da comunicação com Nossa Senhora, por isso era a Joana quem transmitia à sua companheira aquilo que ouvia.

Postos os familiares a par do ocorrido, procuraram os mesmos desencorajá-las, mas as mesmas persistiam e afirmavam que era Nossa Senhora quem lhes pedia aquela obrigação. Porque já eram acompanhadas na subida e na descida por muita gente de Água de Pau, então os pais aceitaram aquela misteriosa atração.

Numa das aparições da Senhora às meninas, a Mesma, depois das orações devidas e as advertências habituais, repetiu-lhes que aquele lugar dali avante se chamaria Monte Santo, por isso o não chamassem mais pico. Prometeu-lhes também que ia dizer o dia em que ia fazer um milagre para que o povo nelas acreditasse.

Embora os familiares da Joana se não manifestassem ou se envolvessem diretamente no caso, não puderam evitar que seu nome aparecesse nos jornais. Além disso, desde há muito o milagre do Monte Santo já era sabido ao perto e ao longe, nos Açores.

Dada a sua elevada posição social, os pais da Maria Joana procuraram manter-se sempre à distância e não se envolver em qualquer veleidade. Porém, porque eram católicos responsáveis, não deixaram de consultar o seu confessor, o Padre João Moniz de Melo, então pároco da Igreja de Nossa Senhora dos Anjos, o qual, também, por sua vez se manteve fora dos acontecimentos, porque, naquela altura os milagres em Fátima ainda se mantinham e se mantiveram por muito tempo periclitantes.

Quem eram os pais da Joana?

Segundo dados fornecidos pelo genealogista Dr. Hugo Moreira:

«Daniel Tavares do Canto Taveira morgado da família Tavares do Canto, do solar de Nossa Senhora do Vencimento, Capitão-Mór da Vila da Ribeira Grande, padroeiro da capela-mór da Igreja do Convento dos Franciscanos, presidente da Câmara Municipal da Vila da Ribeira Grande, etc., casou em 26 de Abril de 1834, na Ribeira Grande, com Teresa Emília de Sousa Gamito. Tiveram, entre outros filhos, Fernando Enes Tavares do Canto Taveira, que casou em 9  de Maio de 1853 em Água de Pau, com Maria da Glória Teves de Vasconcelos. Casou-se segunda vez em S. Pedro de Ponta Delgada em 14 de Outubro de 1869 com Maria Isabel do Canto Medeiros e Albuquerque. Teve do 1º casamento, entre outros, João Carlos Tavares do Canto, que casou em 19 de Maio de 1880, em Água de Pau, com Estefânia Higínia de Almeida. Tiveram, entre outros, Teófilo Tavares do Canto» (estes últimos avô e pai de Maria Joana Soares Tavares do Canto).

Dado este esclarecimento genealógico, vem o mesmo mostrar que a família da Joana não podia deixar-se envolver em acontecimentos sobrenaturais postiços, tipo de religiosidade burlesca de extorsão. Estava-se, isto sim, perante mais um acontecimento de aparições sobrenaturais da Mãe de Cristo, tão idêntico como aqueles que aconteceram por todo o Mundo; como os acontecimentos ocorridos no Barral, norte de Portugal, distrito de Viana do Castelo; em Fátima e na Ilha da Madeira.

Há que notar que as aparições de Nossa Senhora sempre envolveram crianças ingénuas e sem males de pecado, aparições estas que surgiam – e surgem em períodos de guerras anárquicas e situações de desmandos sociais de nível mundial – e não por pedidos pessoais e igrejas que Nela creem, mas sim devido a algo que é confuso e não fácil de interpretação. A Igreja Católica, por justa posição, tem tido sempre lugar de primazia nestas aparições, mas não é a razão destas aparições.

Perfeitamente enquadrados no tempo e na sensibilidade religiosa dos açorianos, como é sabido, povo que se manteve ao longo dos séculos profundamente agarrado, ao Divino Espírito Santo, aceitar os acontecimentos foi fácil, tanto mais que se estava a atravessar um tremendo castigo, uma guerra de grande dimensão: a Primeira Grande Guerra Mundial que devastava riquezas históricas e gentes.

ermida monte santo1Todos os jornais dos Açores abordaram o tema das milagrosas aparições que ocorriam no já “Monte Santo” de Água de Pau – o jornalismo nos Açores não era então mistifório nem sensacional, era um jornalismo consensual, geralmente dirigidos pelos seus proprietários, os quais não viviam daquilo que escreviam, mas sim, embora com muita dificuldade, procuravam abordar pontos de vista de âmbito social – por isso muito daquilo que então se escreveu prevaleceu para a posteridade.

Quer o «Diário dos Açores», o Correio dos Açores, o Jornal «A Ilha», e outros que então havia, foram os mesmos pródigos no muito que escreveram sobre o então acontecimento ocorrido no já «Monte Santo».

Mas foi o «Autonómico» aquele que melhor relatou os acontecimentos, visto ter sido o seu diretor e dono quem descreveu tudo aquilo que sentiu e ouviu.

António Rodrigues Carroça, proprietário, diretor e editor do Jornal «Autonómico», jornal que ganhou no seu tempo alto conceito, tanto em Vila Franca do Campo como em toda a ilha, o mesmo viveu por dentro os acontecimentos do «Monte Santo». Embora homem envolvido no dia-a-dia das suas obrigações jornalísticas, nem por isso se limitou a inserir no seu jornal aquilo que então se dizia sobre a criança milagrosa de Água de Pau. Medindo a responsabilidade pelo prisma profissional, quis ser ele próprio a verificar in loco a possível verdade ou a possível mentira.

Assim, prometeu que, naquela ocasião, melindrosa, iria esforçar-se para satisfazer a espectativa dos que estavam à espera das suas impressões. Entrou no «pico» às 4 e 20 minutos da tarde daquela sexta-feira de 5 de julho de 1918 e o seu aspeto, parecia-lhe, soberbo e encantador. Para cima de 10 000 pessoas, com certeza, de vários pontos da ilha, povoavam a parte escalvada e se estendiam ainda pelas encostas, até quase ao arvoredo que o revestia indo até ao sopé dele. Umas estavam de pé e outras sentadas, muitas com ramos de verdura e flores, e todas no excelente panorama que gozavam aguardavam ansiosas a vinda da menina vidente, que já saíra de casa, cortejada por seus extremosos pais e muito povo.

Quatro e meia ou pouco mais chega a ditosa criança no pico. Todos colocavam seus olhares nela com admiração. Perante aquele mar de gente e sendo o atalho escabroso e escorregadio, a menina é conduzida ao colo dum homem até ao lado sul do pico onde a menina foi fazer a sua oração.

Enquanto ela se encontrava entregue às suas inocentes súplicas, Rodrigues Carroça começou a andar com grande dificuldade, de um lado para o outro, no intuito de ouvir o que diziam, o que havia já passado e corria de boca em boca.

Faltavam, porém, uns minutos para as 6 horas, e eis que ela apareceu subindo o pico e dizendo a algumas pessoas que a seguiam que ia aparecer uma coisa no sol!

Foi então que, vendo um facto extraordinário, que lhe pareceu sobrenatural, caiu em terra de joelhos ante tão grande maravilha, dos seus lábios se escapou esta frase, aprendida em criança com seus pais: - Louvado seja Deus!!

O sol havia-se despido do seu grande brilho para melhor o fitarem. Parecia um espelho deixando ver figuras que a sua vista não podia distinguir, mas que milhares de pessoas, que estavam em volta dele, diziam numa voz, com grande satisfação e assombro, serem de Nossa Senhora, de Nosso Senhor, de anjos e de uma igreja!

Lançando, depois, a vista pelo pico, viu quase todos sem chapéu, de joelhos como ele, com as mãos postas, irrompendo em exclamações de espanto dirigindo fervorosas suplicas à Virgem Santíssima. Um quadro verdadeiramente assombroso e que o comoveu até às lágrimas! E enquanto isso se passava, a feliz vidente parecia desmaiada ao colo do homem, mesmo ao seu lado.

Também nesta Vila de Água de Pau numerosas pessoas sérias e dignas de todo o crédito viram do mesmo modo, afirmando quase todas que distinguiram perfeitamente no centro daquele astro Nossa Senhora, anjos e uma igreja. Aguardou-se, em todo o caso, que as autoridades competentes se pronunciassem sobre os factos.

Leopoldo Brée d’Almeida Tavares de Medeiros, Regedor da Vila e farmacêutico de profissão, foi um daqueles que o responsável diretor do «Autonómico» procurou entre as cerca de 12 000 crentes que se estendiam pelo milagroso monte.

Esta extraordinária visão comoveu todos e alguns até às lágrimas. Simultaneamente levantou-se uma onda de incrédulos, entre os quais alguns sacerdotes. O caso foi discutido na imprensa, segundo a opinião de cada um.

Este tipo de factos estranhos ainda hoje é incompreensível, mormente por parte daqueles que se desviam de Deus. Foram muitos os outros acontecimentos que se desenrolaram no percurso entre a visão, o milagre do sol e o das imagens.

A ciência vezes sem conta tenta ultrapassar fenómenos religiosos que não quer aceitar por ser ciência, mas o sobrenatural porque é superior ao natural onde a ciência encontra o seu campo de ação, nunca permitiu nem permite que o mistério seja desvendado, precisamente por ser incompreensível.

No segredo do seu sentimento, os pais da Joana ocultavam uma tremenda preocupação que lhes ia minando as forças e a alma. No começo das aparições de Nossa Senhora à sua pequenina filha, a criança deslumbrada por aquilo que sentia e via, pediu ingenuamente que a Virgem Santíssima a levasse em sua companhia. A resposta da imagem foi afirmativa: que, sim, a levaria quando ela tivesse dezoito anos!...

Os pais da vidente notaram na filha um visível desinteresse por tudo aquilo que se desenrolava à sua volta, o que não era normal numa criança, deixando de brincar e passando a maior parte do tempo a rezar num ato de verdadeiro sentimento religioso.

Entretanto, os pais de Joana foram procurados pelas autoridades policiais de Ponta Delgada que vieram averiguar aquilo que havia acontecido. Verificando que não se tratava de qualquer burla espiritual de extorsão mental, porque era bastante evidente o grau de riqueza material e social dos pais da criança, a mesma não demorou a sua estadia na Vila de Água de Pau, ficando por isso, encerrado este caso de investigação civil, porque na outra ninguém tocava.

Prudentes, os pais de Maria Joana Tavares do Canto contribuíram para que as repercussões dos milagres ficassem circunscritos temporariamente ao seu meio próprio, mas também o Padre João Moniz Melo, então pároco de  Água de Pau, por lógica, nunca as abordou. Além disso a ditadura de Sidónio Pais não só aterrorizava a Igreja Portuguesa, como aqueles que a serviam, desviando-os da sua missão sacerdotal para cargos da função pública. Por esse motivo é que o Padre João Moniz Melo também era, ao tempo, administrador do Concelho da Lagoa, possivelmente por imposição política.

Decorreram os anos velozmente para os pais e familiares de Joana, porque através dela eles sabiam que esta tinha um tempo de vida material determinado. Dia a dia a Maria joana S. Tavares do Canto, a vidente, ia-se apagando fisicamente. A vidente adoeceu em 18 de Setembro e previu a data da sua morte que ocorreu a 6 de Outubro desse ano. Morreu quando completou os dezoito – dez anos depois do grande milagre – porque foi assim que Nossa Senhora lhe havia prometido, e a Joana o afirmava com toda a convicção.

contrução da ermidaSeus pais fizeram voto, depois da sua morte, de mandarem edificar uma Ermida no local das aparições para lembrar este acontecimento, mas o lugar era muito estreito, pelo que foi edificada um pouco afastada.

O projecto do edifício foi da autoria de Floriano Victor Borges, Agente Técnico de Engenharia, natural desta Vila de Água de Pau e vivia em frente à casa da Joana, onde hoje é a Junta de Freguesia e a obra de pedreiro esteve a cargo dos mestres José Luís Germano e Elias da Conceição Rocha.

A construção estava projetada para começar algum tempo mais tarde, mas foi antecipada para Janeiro de 1929 porque quiseram seguir o ditado popular que diz: “Em Janeiro mete obreiros” e continuou até darem por pronta em Setembro de 1931, como está insculpido numa lápide na parte posterior do edifício.

O corpo desta Ermida é de planta hexagonal. Só tem um altar, onde está a imagem de Nossa Senhora do Monte, que foi mandada fazer em Lisboa, tendo custado três mil escudos. É ornada com algumas jóias que pertenceram à vidente. Maria Joana, tais como três colares.

A coroa e os ramos de flores foram adquiridos para esse fim. A cada lado desta imagem estão dois nichos com suas peanhas, estando à direita São Joaquim, com duas rolas (que foi oferta de D. Julieta Amaral Costa em 1942) e à esquerda, Santa Ana, ensinando a ler à Virgem Maria. Esta foi oferecida por D. Ana Madalena Tavares do Canto, por volta de 1940.

Ladeando exteriormente estes nichos estão duas peanhas, ficando Santa Filomena à direita e Santa Terezinha à esquerda. Os paramentos foram sendo adquiridos consoante as necessidades.

Assim, a bonita custódia de prata, com o Santo Lenho tem a sua história: - Em 1867, veio de Portugal uma Missão constituída pelos missionários, Padres Carlos João Rademaker, João Rebelo Cardoso de Meneses, Luís Prosperi e Frei José do Bom Sucesso Guerreiro. Estes foram recebidos, quando estiveram em Água de Pau, em casa das senhoras Costa Roia que moravam na grande e bonita casa que a sua família tinha adquirido aos herdeiros da Capitão-mór, João Policarpo Botelho de Arruda [Casa do Povo]. Em reconhecimento da hospedagem ofereceram aquelas senhoras esta relíquia, que muitos anos volvidos, levaram de oferta aos instituidores desta Ermida.

A custódia foi adquirida aos herdeiros do Prior da Matriz de Ponta Delgada, Padre José Pereira Dâmaso, por 600.000 reis. Fora mandada vir de Lisboa, mas não chegara a ser usada e os herdeiros puseram-na à venda.

O crucifixo foi trazido de Lisboa pelo senhor António Tavares de Moura, aquando foi tratar-se, com êxito, de uma paralisia numa vista.

No corpo da ermida, do lado sul, está numa peanha, a imagem do Senhor dos passos oferecida pelo Vigário de Água de Pau, Padre João Moniz de Melo e na face norte, está o Sagrado Coração de Jesus, tendo na sua frente uma coroa de prata oferecida em 1935, pela esposa do Sr Francisco Maria, dos Biscoitos, da ilha Terceira, onde tinha uma Ermida.

No fecho do arco está um quadro com a Sagrada Família.

A Senhora D. Isabel Adelaide Tavares do canto ofereceu a imagem de S. José, uma pequena mesa e seis cadeiras que estão junto do altar.

O Padre José Luís Borges ofereceu três estampas de que se fizeram as sacras; o Padre Manuel de Medeiros Ferreira ofereceu a pedra ara, o cálix e o missal, que lhe serviam para dizer missa campal no Brasil, onde estivera anos, antes de vir ser Cura em Água de Pau e o Senhor Artur Barbosa e esposa  ofereceram a bandeja que serve à comunhão.

A primeira festa realizou-se no dia 16 de Julho de 1931 e daí por diante, quando o dia 16 de Julho cai num dia de semana, a festa é transferida para o primeiro Domingo seguinte. No entanto, houve anos em que foi realizada noutras datas até que deixou mesmo de se realizar, passando a haver apenas romarias por devotos. Também passou o Monte e a Ermida a ser muito visitados, diariamente, por turistas por causa das lindas panorâmicas que se desfruta dali. 

 

Por: Roberto Medeiros

 

Fontes: Gil Moniz Jerónimo, Jornais: Diário dos Açores, Correio dos Açores, A Ilha, o Autonómico; Manuel Egídio de Medeiros, Antone Amaral (USA) que regressou em 1992 a Água de Pau com 93 anos e subiu ao Pico, onde me contou o que vira e ouviu, Amélia Nabinha c/105 anos, ainda viva em New Bedford, nos USA.

Produção de batata com quebras de 30 a 40% devido à seca registada nos últimos meses

batataA escassez de chuva registada nos últimos meses está a gerar preocupação junto dos produtores agrícolas micaelenses. Só na produção de batata, estima-se uma quebra, em média, de 30 a 40%, havendo terrenos “que vão atingir os 70%” de quebras.

A informação é avançada ao Diário dos Açores pela Associação Terra Verde, que fez um levantamento de dados relativamente às áreas afectadas pela seca registada nos últimos três meses.

“Na batata que deveria ser colhida este mês, há quebras de 30 a 40% na produção”, afirma Manuel Ledo, referindo que os dados recolhidos apontam para aproximadamente 200 hectares de batata afectados, que se irão traduzir em “elevados prejuízos” para os produtores.

A cultura da batata é a mais representativa, em termos de prejuízos, mas o responsável salienta que há também registos de a seca estar a prejudicar a produção da melancia, milho doce, pimenta, meloa, batata-doce, abóboras e “outras mais”. 

Manuel Ledo diz que no caso destas culturas não foi possível quantificar a quantidade de hectares afectados, mas os relatos dos associados vão chegando à Terra Verde: “não temos dados concretos, mas, no caso das melancias, vimos que há cerca de 15 a 20 hectares afectados. O tabaco também estará na mesma proporção”, conta, acrescentando haver “campos de milhos que, mesmo chovendo, não vão conseguir reabilitar-se”.

“Sabemos também do caso de um produtor que não avançou com a plantação de batata-doce na devida época, por prever que as consequências negativas da seca. Vai esperar pelas primeiras chuvas para fazer essa plantação, o que atrasará a colheita. Atrasando a colheita, gera-se aqui também algum prejuízo para este produtor”, explica o presidente da Terra Verde, confirmando, neste sentido, que haverá uma diminuição “considerável” na produção da batata-doce este ano.

“Estes produtores já têm as despesas todas feitas e, por exemplo no caso da melancia, já deveriam estar a colher, mas não têm nada para colher…”, lamenta.

 

Associação Terra Verde espera reunir com o Secretário Regional

 

Manuel Ledo conta ao nosso jornal que a Associação Terra Verde avançou com este levantamento de áreas afectadas para mostrar ao Governo Regional que a seca é um problema “transversal” a todo o sector agrícola e não apenas dos produtores de carne e de leite.

O responsável revela ter solicitado, na passada semana, uma reunião com o Secretário Regional da Agricultura e Florestas, depois de ter tomado conhecimento de que João Ponte iria reunir com a Federação Agrícola dos Açores para abordar a situação da seca nos Açores. Manuel Ledo alerta, no entanto, que aquela federação “não representa todas as associações” do sector e quer que a Terra Verde seja também ouvida pelo Governo açoriano sobre o mesmo assunto.

“Queremos alertar que o problema da seca não afecta só as pastagens e a produção de leite e carne. É um problema transversal a todas as culturas, que afecta todo o sector agrícola e nós [hortofruticultores] somos sempre muito mais prejudicados”, afirma o presidente da associação, em declarações ao nosso jornal.

 

 

Sistema de captação de água das ribeiras e da chuva

 

O Presidente da Associação Terra Verde defende que a solução para as épocas de seca, que tendem a ocorrer com mais frequência, poderá passar pelo desenvolvimento de uma estratégia de captação de água da chuva e das ribeiras.

“Não se justifica, no caso da ilha de São Miguel, haver todos os anos falhas de água, havendo ribeiras e  chuva a correr para o mar”, aponta. O responsável alerta que se este sistema de captação não for implementado “muito rapidamente, vamos ter problemas gravíssimos na nossa agricultura e pecuária”. 

Segundo refere, “estas captações de água são fáceis de fazer”, bem como uma “rede de distribuição pelas explorações” e “não há razão para que os produtores andem, todos os anos, com o coração na mão”.

Manuel Ledo frisou que, ainda antes de se verificar a presente situação de seca, já defendia esta aposta junto do executivo, recordando que a Terra Verde sugeriu ao Governo Regional, no âmbito da Estratégia de Investigação e Inovação para a Especialização Inteligente (RIS3), a realização de um estudo de viabilidade de construção destes sistemas de captação de águas. A Terra Verde conta, actualmente, com 140 associados e, de acordo com o seu presidente, os poucos recursos que tem não permitem chegar a todos. “Temos apenas um engenheiro ao nosso serviço e precisávamos de, pelo menos mais dois, para poder dar o apoio técnico necessário”, admite Manuel Ledo.

 

Apreendidos 600 quilos de pescado capturado de forma ilícita no Banco Condor

NRP TejoA Inspecção Regional das Pescas (IRP), em colaboração com a Polícia Marítima e com o apoio do navio patrulha ‘Tejo’, da Marinha Portuguesa, apreendeu Terça-feira cerca de 600 quilos de pescado capturado de forma ilícita no Banco Condor.

O Banco Condor, situado a cerca de 17 quilómetros a oeste/sudoeste da ilha do Faial, encontra-se protegido por legislação regional, estando encerrado à actividade da pesca dirigida a espécies de fundo desde 2010.

Ao longo dos últimos anos este banco submarino tem sido utilizado como área experimental para usos científicos com o objectivo, entre outros, de estudar o efeito da proibição da pesca na dinâmica de recuperação das populações de peixes, bem como os efeitos da protecção sobre o ecossistema em geral.

De acordo com a legislação em vigor, o pescado apreendido cautelarmente foi leiloado em lota, ficando o produto da venda, que correspondeu a 6.700 euros, à guarda da Região Autónoma dos Açores até decisão do processo.

Esta missão conjunta decorreu no âmbito da cooperação regional existente entre as entidades do Sistema Integrado de Vigilância, Fiscalização e Controlo das Actividades da Pesca (SIFICAP) para garantir a exploração sustentável dos recursos pesqueiros e o rendimento futuro das comunidades piscatórias açorianas.

Ainda no âmbito das missões conjuntas das entidades do SIFICAP, durante o mês de Junho foram apreendidos na Região cerca de 500 quilos de goraz a embarcações que excederam os valores de quota permitidos para a pesca desta espécie.