“Precisamos de um líder que seja amigo das Autonomias”

Alexandre Gaudêncio - candidatura PSD Açores

O líder do PSD-Açores, Alexandre Gaudêncio, revelou ontem ao “Diário dos Açores” que o seu partido vai apelar ao voto nas europeias de 26 de Maio, mas ainda não está definido como será esta indicação de voto.

Gaudêncio diz que quer ouvir primeiro os órgãos do partido, reunindo já na próxima semana com a comissão permanente para analisar a situação.

Uma certeza parece assente no interior dos órgãos regionais sociais-democratas: o PSD-Açores não fará campanha eleitoral, mas também não concorda que haja abstenção por parte dos eleitores, pelo que vai indicar ao eleitorado social-democrata que ocorra às urnas.

Resta saber se esta indicação será apelando ao voto livre ou ao voto em branco.

Alexandre Gaudêncio, que também fez as mesmas declarações ao jornal Público, disse ao nosso jornal que tem recebido muitas mensagens e apoios pessoais de muitos populares e militantes perante a atitude do PSD nacional, que Gaudêncio classifica de “centralista”.

E explica: “Esta questão de não ir um candidato açoriano, não é uma birra nossa. Os Açores e Madeira são diferentes e têm as suas especificidades próprias, daí que devem ter representação própria.”

O líder regional classifica a atitude de Rui Rio como “intransigente”, em deixar de fora Mota Amaral.

Perante esta decisão, segundo Alexandre Gaudêncio, não resta outra alternativa senão “tomarmos uma posição forte”, depois de já ter transmitido isso mesmo na reunião do Conselho Nacional, onde fez um discurso crítico, votando contra a lista apresentada pela direcção nacional.

“Precisamos de um líder que trate todos os portugueses por igual. Que não promova divisionismos e que seja amigo das autonomias”, sublinha Alexandre Gaudêncio, explicando que o que fica “disto tudo” é a atitude da direcção nacional do PSD em quebrar uma regra com 30 anos, em que as duas regiões autónomas sempre tiveram direito a um candidato cada uma.

“Nós temos toda a legitimidade de esperar ter um representante, ainda mais uma personalidade como o dr. Mota Amaral”, sublinha o líder açoriano, discordando da decisão nacional de alternar as duas candidaturas, porque “ninguém sabe o que vai acontecer daqui a cinco anos.”

Venda de cimento continua a cair nos Açores com quase 3 mil toneladas de diferença

construção civilA venda de cimento nos primeiros dois meses deste ano nos Açores está em queda.

De acordo com os números do SREA divulgados ontem, nos dois primeiros meses do ano venderam-se 19. 615 toneladas de cimento, quando nos mesmos dois meses do ano passado tinham sido 22.115 toneladas.

Janeiro e fevereiro registaram quedas, embora no mês passado tenha sido uma quebra menos acentuada do que em Janeiro.

Caso curioso é o facto da venda do cimento local ter diminuído, mas aumentou o cimento importado do continente.

A produção de cimento tem caíu nos dois primeiros meses, com uma diferença de quase 4 mil toneladas.

A mesma queda registou-se em 2018.

Reacções de dirigentes do PSD-Açores: Bruto da Costa diz ser “uma vergonha”

João Bruto da Costa deputado psdSão poucas as reacções de dirigentes ou deputados do PSD-Açores relativamente à decisão do PSD em não incluir Mota Amaral em lugar elegível na lista ao Parlamento Europeu.

O conhecido deputado regional, João Bruto da Costa, fez um comentário na sua página pessoal das redes sociais, escrevendo que é um “tremendo erro do PSD excluindo os Açores dos eurodeputados. Um erro que será notado também pelo PPE que como maior família política da Europa perde o representante desta realidade. Uma vergonha”.

 

Reacção de Cláudio Almeida

 

Por sua vez, o Vice-Presidente do PSD-Açores, Cláudio Almeida, também reagiu na sua página das redes sociais, com a seguinte mensagem: “Tenho receio dos paladinos do regionalismo, que muitas vezes são mais centralistas que os próprios centralistas na sua ânsia de combate ao centralismo. Pela primeira vez em mais de 30 anos de eleições para o parlamento europeu, o líder nacional do PSD não reconhece o estatuto autónomo do PSD Açores, nem o significado do poder que nos foi consagrado como Região Autónoma, com estatuto político e administrativo, na Constituição da República Portuguesa. Em 2006 numa moção global de estratégia ao congresso da JSD AÇORES e em 2007 numa moção temática ao Congresso nacional da JSD, defendi a criação de um círculo eleitoral ao parlamento europeu pelos Açores e pela Madeira. Chegou a altura de colocarmos em prática!”.

 

Negrão diz que Rangel vem aos Açores e problema está ultrapassado

 

O líder parlamentar do PSD considerou, ontem, que a ausência de um candidato açoriano em lugar elegível para as eleições europeias é “um problema ultrapassado” e antecipou que o cabeça de lista irá fazer campanha neste arquipélago. 

Em declarações aos jornalistas no final da reunião do grupo parlamentar do PSD, que decorreu na Assembleia da República, em Lisboa, Fernando Negrão afirmou ter a certeza de que “Paulo Rangel irá aos Açores e fará campanha”.

Questionado se o PSD vai conseguir fazer campanha no arquipélago, com o apoio do PSD/Açores, o líder da bancada parlamentar respondeu: “naturalmente que sim”.

Por isso, este “é, com certeza, um problema ultrapassado”, salientou.

“Neste momento o objectivo é que as ideias apresentadas pelo PSD tenham vencimento”, vincou o líder parlamentar aos jornalistas, acrescentando que “as europeias não dominaram esta reunião do grupo parlamentar”.

 

André Bradford diz que ninguém se deve abster de campanha

 

O candidato a eurodeputado André Bradford, indicado pelo PS/Açores para a lista nacional do partido, defendeu ontem que “ninguém se deve abster de fazer campanha” na região, até por causa da “baixa participação” registada nas europeias de 2014. 

“Ninguém se deve abster de fazer campanha”, defendeu André Bradford.

A campanha, sublinha Bradford, “já não é em prol deste ou daquele partido, é em prol da presença política dos Açores na União Europeia”, devendo por isso abranger “todos”, até porque os Açores tiveram apenas 20% de votantes no último sufrágio para o hemiciclo europeu.

 

“Uma obrigação política”

 

“Há uma obrigação política de todos de fazer com que isso não seja assim agora nas eleições de Maio. Dessa obrigação, acho que ninguém se deve eximir, é o dever daqueles que têm candidato, dos que não têm candidato, daqueles que têm responsabilidades políticas na região”, prosseguiu o candidato socialista.

Para Bradford, é “óbvio e natural que os Açores ficariam muito melhor representados” no Parlamento Europeu com dois eurodeputados, “ainda por cima” integrados “nas duas maiores famílias políticas” europeias. “Tenho a certeza que se o papel que me cabe é ser o único representante da Região Autónoma dos Açores no Parlamento Europeu, pois é esse papel que vou desempenhar com todo o estímulo, vontade e capacidade de agregar a região”, prosseguiu o socialista açoriano, que segue na lista nacional do partido às europeias em 5.º lugar, posição tida por elegível.

Actividade económica diminui

 notasEm Janeiro de 2019, o Indicador de Actividade Económica (IAE) dos Açores apresentou o valor de 1,7%, o que representa uma ligeira diminuição face ao mês anterior (1,8 %), sendo inferior também ao mês homólogo de 2018 (2,5 %), revela o SREA.

 Na análise dos resultados deverá ter-se presente que o IAE não se deve confundir com o PIB e não se pretende com ele medir a variação infra anual do PIB, mas sim retratar o “estado geral da economia”. 

Assim, dever-se-á reter, sobretudo, informação sobre a evolução em termos de acelerações, desacelerações e pontos de viragem e não o seu valor. 

 

Rui Rio desconsiderou os Açores... e a candidata da Madeira

mota amaral 3

Rui Rio não aceitou que o nome de Mota Amaral fosse em lugar elegível da lista do PSD ao parlamento Europeu.

Ofereceu o oitavo lugar, mas o PSD-Açores não aceitou.

Dos primeiros seis nomes da lista, os mais facilmente “elegíveis“, há dois estreantes (Lídia Pereira e Álvaro Amaro) e quatro repetentes em Bruxelas (Paulo Rangel, José Manuel Fernandes e Cláudia Monteiro Aguiar, actualmente eleitos, e Maria da Graça Carvalho, que regressa a Bruxelas).

Carlos Coelho, o eurodeputado mais antigo, está em sétimo lugar e em lugar que provavelmente já não será eleito.

Os Açores recusaram o oitavo lugar e, por isso, ficam de fora.

Rui Rio explicou que “com esta formulação da lista” o PSD consegue “albergar a região Norte, que é representada por José Manuel Fernandes, a região Sul, representada por Maria da Graça Carvalho, que é natural de Beja, a região Centro, representada por Álvaro Amaro, as Regiões Autónomas representadas por Cláudia Aguiar, a área metropolitana de Lisboa por Carlos Coelho, e uma novidade, Ana Miguel dos Santos que neste momento está a viver em Cambridge, onde está a fazer o doutoramento, é especialista em Segurança na óptica jurídica e são estes os oito primeiros, que são aqueles que têm mais possibilidades de ser eleitos”.

 

Gaudêncio bate com a porta

 

“Antes morrer livres, que em paz sujeitos”. 

A frase, que consta do brasão que representa a autonomia açoriana, foi proferida pelo Presidente do PSD/Açores antes do início do Conselho Nacional do PSD.

Alexandre Gaudêncio, que se fazia acompanhar por um grupo de dirigentes açorianos, acusou a direcção do PSD de dar um “papel de segunda” aos Açores ou dar-lhe apenas o oitavo lugar da lista.

O PSD/Açores retirou mesmo a indicação da lista e disse que as “consequências políticas” não se vão ficar por aqui. Embora ainda não tenha discutido a questão internamente, Alexandre Gaudêncio ameaçou: “Permitam-me dizer que uma das consequências é provavelmente não fazermos qualquer campanha política nos Açores”.

Alexandre Gaudêncio explicou que “infelizmente” o PSD/Açores não levou a melhor no braço-de-ferro com Rui Rio. Os açorianos tinham a  “legítima expectativa, desde que há tradição neste partido de Europeias, que os Açores tivessem a sua representação legítima.

O nome de Mota Amaral, lembrou Gaudêncio, foi indicado “de forma unânime, devido ao perfil e à personalidade que representa“, o que adensou a ideia de que o PSD/Açores teria “um lugar mais do que legítimo elegível pela direcção nacional do partido”. No entanto, na lista final, no entender da direcção regional, “os Açores são relegados para um papel de segunda”.

Ora, para Gaudêncio “os Açores têm um papel fundamental na construção da União Europeia” e lembrou que no seu cargo defende “primeiro os interesses dos Açores e só depois do partido”.

Assim, nunca poderiam aceitar o lugar que foi atribuído à Região Autónoma.

 

Rio desconsidera madeirense

 

Segundo o Observador, que relata com pormenores o que se passou no Conselho Nacional do PSD, Rui Rio leu os nomes dos candidatos e por cada um deles fazia uma referência ao currículo ou um elogio ao seu trabalho.

Conta o jornal que a sala apercebeu-se do desconforto da candidata madeirense por Rui Rio não ter feito qualquer referência ao currículo da candidata (acumula, por exemplo, experiência como deputada na Assembleia da República com a experiência de deputada europeia).

A eurodeputada acabou por não ficar até ao fim do Conselho Nacional.

“Cláudia Monteiro de Aguiar também já começou, num caso inédito, a ser condicionada pela direcção nacional. A Comissão Política deliberou que no seu gabinete tem de ter uma pessoa dos Açores para compensar a ausência de um açoriano dos lugares cimeiros da lista”, escreve o Observador.

 

Rangel vem aos Açores

 

Já no final do Conselho Nacional, o chefe da delegação do PSD em Bruxelas, Paulo Rangel, veio pôr água na fervura neste desconforto. 

Fez - tal como Rio tinha feito perante os conselheiros - uma análise detalhada aos primeiros 10 nomes da lista, mas enalteceu Cláudia Monteiro Aguiar na mesma linha dos outros candidatos.

Sobre os Açores, Rangel também fez de apaziguador, dizendo que é normal este tipo de atritos: “Há sempre algum calor em todos os Conselhos Nacionais em que há listas”, mas isso não apaga o essencial: “Há aqui uma forte unanimidade em volta da lista”. Já posteriormente, em declarações aos jornalistas, Rangel afirmou que virá aos Açores.