“Havia uma grande falha nesta área e a Unipélago veio mostrar inovação”

Pedro ToméComeçou por vender formulários em contínuo, mas rapidamente percebeu que seriam os produtos e equipamentos de limpeza que o fariam vingar no mercado. Há 24 anos, Pedro Tomé fundava, assim, a Unipélago, actualmente com sede no Caminho da Levada, em Ponta Delgada. Ao Diário dos Açores, o proprietário fala sobre a história e evolução da empresa que, segundo afirma, veio colmatar a falta de oferta que havia neste sector, na ilha de São Miguel. É com sentimento de orgulho que, aos 65 anos de idade, prepara agora a sua sucessão, deixando em breve a gestão da Unipélago nas mãos dos filhos. 

 

Diário dos Açores - A Unipélago é uma empresa já com mais de duas décadas na mercado. Fale-nos um pouco da história desta empresa. Como surgiu a Unipélago?

Pedro Tomé (PT) – Tudo começou quando eu dei início à minha actividade como empresário, em Julho de 1992. Comecei na comercialização de formulários em contínuo. Logo depois, pude verificar o decréscimo deste produto no mercado, que aconteceu justamente com o aparecimento dos PC’s. Anteriormente aos computadores, os gestores das empresas quando precisavam de consultar um balancete de clientes ou de fornecedores tinham que listar. Não tinham o ecrã para ver a informação e precisavam do papel. Com o aparecimento dos PC’s, isso mudou e o papel teve o seu declínio. Ao constatar isso, como tinha acabado de iniciar a minha actividade, comecei a procurar outras áreas de mercado, outros produtos para poder comercializar. Antes de começar por minha conta, já tinha vendido produtos de limpeza por conta de outrem, pelo que decidi apostar nessa área, criando uma empresa neste ramo. No dia 28 de Fevereiro de 1994 foi feita a escritura da empresa com o nome Unipélago e iniciámos a nossa actividade no dia 1 de Junho do mesmo ano. 

Trabalhávamos a partir de um escritório, no centro da cidade de Ponta Delgada, que servia também de armazém. Passados cerca de sete ou oito meses, adquirimos por trespasse uma loja na zona da Calheta, com a parte administrativa, e um armazém em Santa Clara, onde guardávamos as nossas mercadorias e tínhamos um pequeno ‘showroom’. Um desejo que tínhamos, era o de poder agregar todos os serviços no mesmo local e hoje temos isso, num espaço de 810 metros quadrados. A logística tornou-se mais fácil. Antes de termos este espaço [no Caminho da Levada], chegámos a ter dois armazéns, mas era difícil de controlar tudo, além de ser mais dispendioso. Depois disso, mudámo-nos ainda para outro espaço, onde agregámos todos os serviços, mas acabou por se tornar pequeno para armazenar a mercadoria. Foi então que surgiu a oportunidade para nos mudarmos para o actual espaço, onde estamos há 12 anos.

Inicialmente, começámos a trabalhar com alguns fornecedores que ainda hoje conservamos. Mantemos uma relação de confiança com eles, pois são a coluna dorsal do nosso negócio. Mais recentemente e por exigências do mercado, começámos a trabalhar com novos fornecedores. A maioria deles é fabricante de produtos, pelo que temos condições de dar boa resposta aos nossos clientes, com qualidade e bons preços.

 

Há algum momento marcante a registar na história da empresa?

PT - Ao longo destes 24 anos, posso indicar alguns momentos que nos foram marcantes, pela positiva. Nós fomos a primeira empresa em Portugal a vender uma máquina polidora de pavimentos. Uma máquina em que o operador vai sentado, a conduzi-la. Outra venda que nos apraz registar e nos orgulha muito foi a de uma máquina de limpeza de praias. Essa máquina ainda está operacional, ronda os sete metros de comprimento, e faz a limpeza de todos os detritos que há nas praias: desde latas, a beatas e guardanapos, mas também – e infelizmente – seringas. Desgostou-me saber que existiam tantas seringas nas praias…  

Um momento também marcante foi termos ganho, por três vezes seguidas, com um dos nossos fornecedores, o primeiro prémio por crescimento de vendas, a nível nacional. Ganhámos ainda, por duas vezes, o segundo lugar. Além disso, obtivemos o estatuto de PME Líder em 2014.

 

Além do espaço físico onde se encontram, o que mais evoluiu ao longo destes 24 anos na empresa?

PT – Por exemplo, a nossa frota de viaturas aumentou, começámos apenas com uma e hoje já são 12. Outra mudança foi a forma como descarregávamos a mercadoria. Fazíamo-lo à mão, enquanto, agora, já temos empilhadores e porta paletes que facilitam o trabalho. Sinal da evolução tecnológica, a parte como actuámos no mercado, também sofreu alterações. Já há meia dúzia de anos que os nossos vendedores usam um tablet e uma impressora portátil, de modo a registar a encomenda do cliente e emitir recibos. Deixámos de ter os catálogos em papel e apresentamos tudo em formato pdf. 

Registamos também a evolução no que toca às feiras ou eventos de promoção de produtos, que antes não existiam como hoje em dia. Actualmente, procuramos acompanhar sempre o mercado através de visitas a estas feiras e participando em workshops ou em acções de formação, promovidos pelos nossos fornecedores. Marcamos sempre presença nestas acções e estamos sempre em sintonia com o que há no mercado. Mais a nível pessoal, do que a nível da empresa, uma grande mudança para mim foi também o facto de ter deixado de passar tantas horas aqui a trabalhar. Passei muitos serões nesse gabinete, muitas horas à noite a trabalhar porque não tinha tempo suficiente para fazê-lo durante o dia. Hoje, graças à evolução da tecnologia, é possível fazer tudo a partir de casa. Deixei de passar tanto tempo no escritório, como antes. 

 

unipélagoQue produtos comercializam exactamente?

PT – Dedicamos-nos à comercialização de produtos de limpeza numa vertente profissional, que passam pelos detergentes e utensílios, como vassouras, espanadores, panos, esponjas… Além das máquinas de limpeza, a que já fiz referência. Vendemos desde o trivial aspirador, a aspiradores específicos, varredores, polidores, etc. Também comercializamos papel de limpeza, desde o papel higiénico ao papel de mão, e embalagens, como sacos de papel. Por outro lado, dedicamo-nos ainda à venda e aluguer de purificadores de água, que têm tido bastante procura, na medida em que vêm combater o uso das garrafas de plásticos. Temos toda essa gama de produtos que vendemos essencialmente às empresas.

 

Como era o mercado micaelense na área da vossa actividade há duas décadas?

PT – Era muito diferente… Quando iniciámos a actividade, havia no mercado apenas duas empresas. Uma delas vendia produtos de limpeza e a outra vendia também papel de limpeza. Havia uma grande falha nesta área e a Unipélago veio mostrar inovação, trazendo para o mercado o que faltava. E o que faltava? Faltava a oferta de utensílios, máquinas de limpeza… Costumo dizer em tom de brincadeira que nós temos desde a vassoura ao camião de lixo. Na verdade, nunca vendemos um camião de lixo, mas estivemos lá perto, com a tal máquina de limpezas de praias. Conseguimos introduzir no mercado vários utensílios e equipamentos que permitiam formas de limpeza menos dura. Presentemente, vemos mais intervenientes no mercado nesta área de actividade. E um número elevado de intervenientes no mercado, muitas vezes, conduz à sua degradação. Esta degradação acontece pela inexperiência e falta de informação que têm. Por isso, fazemos questão de trabalhar com fabricantes e com fornecedores de qualidade. Se alguma coisa correr mal, felizmente temos fornecedores experientes que nos apoiam. Este apoio é muito importante. Além disso, hoje em dia, para se ser empresário não é necessário só saber vender. É preciso ter formação académica, conhecimentos de contabilidade, de fiscalidade, legislação… é preciso reunir isso tudo, além do conhecimento do mercado e das suas tendências. O que vejo é que hoje em dia é muito fácil ser empresário. Em cinco minutos cria-se uma empresa. Mas criar uma empresa não é uma aventura… É preciso ter cuidado. Antes, havia apenas duas empresas – três com a Unipélago -, quando agora somam-se 12 empresas nesta área na ilha de São Miguel. O mercado não evoluiu o suficiente para tanta oferta.

 

As exigências do mercado mudaram muito, no que toca aos padrões de higiene e limpeza?

PT – Há uma exigência muito maior, sem dúvida. Há 20 anos, o que existia era basicamente lixívia. A lixívia resolvia tudo. A verdade é que os micro-organismos resistem a ela. Felizmente, já existem muitos produtos específicos para desinfecções. O canal Horeca (hotelaria, restauração e cafés) tem, aliás, obrigações nesse sentido. São obrigados a implementar o sistema HACCP e, para tal, têm que ter as ferramentas necessárias. Nós fomos acompanhando esta evolução e ajudamos as empresas nesse sentido, fazendo planos de higiene. 

 

Disse que os clientes da Unipélago são essencialmente as empresas…

PT – Sim, empresas e não só. Os nossos clientes vão desde o canal Horeca, ao comércio e serviços. Fornecemos escritórios, gabinetes médicos, instituições para crianças e idosos. Também vendemos para clientes particulares, mas estes têm uma expressão muito pequena no nosso volume de negócios. 

 

Quais os maiores desafios que se encontra na gestão de uma empresa desta dimensão?

PT – Numa empresa com a dimensão da nossa, o desafio passa sempre pela gestão do stock e tesouraria. Temos que ter mercadoria para vender e é preciso ter dinheiro para a comprar. Estas duas áreas têm que ser bem controladas e geridas. Também é de vital importância para a nossa empresa manter a estabilidade das contas correntes dos clientes. São estes pormenores que nos permite ter capacidade de pagar, em primeiro lugar, os nossos funcionários, depois os fornecedores e o estado. 

 

Sente-se satisfeito com o percurso que a empresa tomou?

PT – De uma forma geral, sim. Sinto orgulho. Sei que os funcionários sentem na empresa confiança e estabilidade. O último dia de cada mês é o dia em que todos recebem e tem sido assim há 24 anos. Vou continuar a fazer todos os possíveis, enquanto aqui estiver, para que assim continue. Claro que isto não é tudo um mar de rosas. Volta e meia acontece alguma situação menos positiva, mas são pontuais, a que qualquer empresa está sujeita. Tentamos não correr riscos desnecessários e não dar, como se costuma dizer, “um passo maior do que a perna”. Não nos iludimos com muito. O que nos interessa é ter um desenvolvimento harmonioso, calmo, honrando sempre os nossos compromissos, de forma a continuarmos uma empresa sólida e estável. 

 

Que expectativas tem para o futuro da Unipélago?

PT – Neste momento, estou a preparar a minha sucessão. Tenho 65 anos, já trabalho há 46 e já sinto algum cansaço. Entendo, por isso, que é necessário prepara a minha sucessão na Unipélago. Já tenho os meus filhos a trabalhar aqui comigo, que vieram por vontade própria. Não lhes incuti essa obrigação, mas acho bem que cá estejam. Eles são novos, têm ideias frescas e estão em sintonia com o mercado actual. Trabalhei muito ao longo destes anos, entre 10 a 12 horas por dia, e penso que chegou a hora de me afastar um pouco. Serei uma espécie de conselheiro. Quanto a projectos para o futuro, estamos a ultimar um negócio que requer algum investimento financeiro e também prevemos recrutar mais pessoal. No próximo ano, vamos completar o nosso 25º aniversário e espero estar aqui, mas para ver o trabalho a ser desenvolvido pelos meus filhos e, no futuro, quem sabe os meus netos também. É um desejo que eu tenho.

 

Vários açorianos adquiriram nacionalidade americana

açorianos juramAntónio B. Pacheco, José Rego, Laurénio Medeiros e Ana Vieira foram quatro dos vários portugueses que se tornaram cidadãos norte-americanos em cerimónia que teve lugar na manhã da passada sexta-feira, no Centro de Assistência ao Imigrante em New Bedford.

Vinte e oito imigrantes provenientes de vários países (Portugal, Cabo Verde, Bulgária, Brasil, El Salvador, Gana, Guatemala, Filipinas) tornaram-se cidadãos norte-americanos.

A juiz Sharon E. Dona­telle ao dirigir-se aos novos cidadãos americanos sa­lientou a diversidade e multiculturalismo como uma das riquezas dos Estados Unidos, para Thomas Quinn III, procurador do Condado de Bristol sublinhar que “os imi­grantes têm dado um im­portante e grande contri­buto para o desenvolvi­mento dos Estados Unidos a todos os níveis”, em cerimónia presidida por Mark Santos, do Tribunal Superior de New Bedford.

 

“Um momento muito especial”

 

António Bernardo Pacheco, natural de Ponta Garça, S. Miguel, que reside em Dartmouth e está nos EUA há 51 anos, foi um dos portugueses que adqui­riram cidadania norte-americana. 

“É um momento muito especial da minha vida e estou muito con­tente”, disse Pacheco, que estava acompanhado por alguns familiares.

José Rego, natural de Santo António, Capelas, S. Miguel, que reside em Fall River, imigrou para os EUA há 47 anos. 

“Agora tive esta oportunidade de adquirir a cidadania norte-americana, estou muito contente, eu que nunca fui visitar a minha terra, mas agora conto ir no próximo ano”.

 

“Conto finalmente visitar as Capelas”

 

Laurénio Medeiros, de New Bedford, natural da Ribeira Seca da Ribeira Grande e residente nos EUA há 39 anos, não con­seguia também esconder a emoção nesta nova etapa da sua vida de tornar-se cidadão americano.

Francisco Lopes Pereira, natural de Cabo Verde e residente em New Bedford, não disfarçou a emoção. “Estou muito feliz e este é o meu sonho ame­ricano tornado realidade”, disse.

Helena da Silva Hughes, Directora executiva do Centro de Assistência ao Imigrante, tem-se em­penhado ativamente nesta campanha de obtenção da cidadania norte-americana, em especial desde 2014, altura em que o Centro de Assistência ao Imigrante conseguiu um certificado por parte dos Serviços de Imigração dos Estados Unidos para desempenhar tal papel.

“Fico muito emocionada com estes momentos em especial ao constatar que muitos destes novos cida­dãos estão já aqui nos EUA há largas dezenas de anos e agora decidem tornar-se cidadãos americanos, o que lhes proporciona participar activamente na vida política e social dos Estados Unidos, que é uma das várias mis­sões do Centro de Assis­tência ao Imigrante, em especial nestes tempos con­turbados da vida política deste país relativamente à imigração”, referiu Helena da Silva Hughes, que alertou para os “falsos profetas” nesta área que se fazem passar por advogados dos serviços de imigração e que cobram avultadas quantias monetárias. “O nosso centro está aqui para ajudar os imi­grantes de várias origens não apenas na obtenção da cida­dania norte-americana mas também em muitos outros diversos assuntos que lhes dizem respeito”, concluiu a directora executiva do Centro de Assistência ao Imigrante, que tem ajudado milhares de imigrantes ao longo dos anos e participado activa­mente no processo de natu­ra­lização norte-ameri­cana.

 

Por Francisco Resendes (texto) e Vasco Pedro (fotos)

Exclusivo Portuguese Times/Diário dos Açores

Produção da sala de pequena cirurgia do Hospital de Ponta Delgada aumentou 30%

Hospital interiorO Secretário Regional da Saúde reafirmou ontem que o Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, tem todas as condições de eficiência para concentrar a realização de pequenas cirurgias.

“A centralização das pequenas cirurgias no Hospital do Divino Espírito Santo é uma medida que já foi tomada há vários anos, decorre desde 2012, e aquilo que temos vindo a verificar é que tem havido uma produção cada vez maior ao nível das pequenas cirurgias”, frisou Rui Luís, que falava no final de uma audição na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa.

Nesse sentido, o titular da pasta da Saúde, que foi ouvido no âmbito de uma iniciativa do PSD que propõe a abertura das salas de pequena cirurgia nos centros de Saúde de Ponta Delgada e da Ribeira Grande, avançou que os dados da produção em pequena cirurgia no Hospital do Divino Espírito Santo aumentaram 15% em 2017 e, no decorrer deste ano, 30%.

Rui Luís, questionado sobre o aumento do tempo de espera em pequena cirurgia, salientou que “a lista tem vindo a aumentar, mas aumenta porque há uma maior acessibilidade, ou seja, estão a ser feitas mais consultas de especialidade que denotam a necessidade de se fazerem pequenas cirurgias”.

O Secretário Regional afirmou que as salas dos centros de saúde da Ribeira Grande e de Ponta Delgada não têm o número de médicos, nem de enfermeiros suficiente com formação específica.

“Teria que haver um investimento significativo para tornar estas salas aptas, com os níveis de higiene e segurança necessários para haver essas pequenas cirurgias. É uma questão que foi ultrapassada em 2014, com a abertura de uma sala para pequenas cirurgias no Hospital do Divino Espírito Santo”, acrescentou.

Rui Luís defendeu a necessidade de se continuar a apostar na eficiência ao nível da produção, qualidade e reforço de recursos humanos no Serviço Regional de Saúde, adiantando, por exemplo, que, no ano passado, no Hospital de Ponta Delgada, foram contratados 28 enfermeiros e este ano foram contratados mais 26.

No sentido da maximização da sala de pequena cirurgia, o governante afirmou que “a gestão interna dos recursos humanos é uma responsabilidade do Conselho de Administração do Hospital de Ponta Delgada, juntamente com as Direcções de Serviço”, sendo que os indicadores denotam um aumento da eficiência.

“Temos que centrar o nosso esforço na diminuição do tempo que as pessoas estão em lista de espera, e é isso que tem vindo a acontecer“, frisou Rui Luís.

Demora na decisão do processo de alienação da Azores Airlines é “incompreensível”

camara-do-comercioA Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) afirma ser “incompreensível” a demora na decisão do processo de alienação de 49% da Azores Airlines.

Num comunicado enviado ontem às redacções, a associação empresarial “considera incompreensível a demora no encerramento do processo de alienação de 49% do capital social da SATA Internacional – Azores Airlines em face da urgência de introdução de mudanças estruturais no funcionamento desta empresa”.

A Câmara do Comércio lamenta ainda “a persistência de falhas graves na operação da SATA Internacional - Azores AirLines, com reflexos negativos profundos na imagem do destino Açores, particularmente no mercado norte americano”.

Recorde-se que o Executivo açoriano avançou, no final do mês de Agosto, que a SATA está a analisar a proposta apresentada. A secretária regional dos Transportes e Obras Públicas disse, na altura, que contava ter, “num breve espaço de tempo, o resultado dessa análise”, acrescentando que “não é uma operação de confronto e de decisão imediata” porque “há diversos pontos e muita informação na proposta que têm de ser analisados, nomeadamente do ponto de vista da sua conformidade com o caderno de encargos”.

No mesmo comunicado, publicado após uma reunião da Direcção, nesta Sexta-feira, a CCIPD  diz-se ainda registar com “apreensão” “a subida dos impostos indirectos e da quebra de execução de verbas advindas da União Europeia, fundamentais para a dinamização do investimento”.

Segundo refere a associação, a execução orçamental até Julho de 2018 evidencia, comparativamente com o mês homólogo de 2017, evidencia “alguma estabilidade (com ligeira quebra) dos impostos sobre o rendimento”, a par de “um elevado crescimento dos impostos indirectos (particularmente do IVA, e ISP), com um incremento de cerca de 22, 1 milhões de euros”. Aponta ainda “uma quebra acentuada nos fundos comunitários (cerca de 38 milhões de euros, ou seja, uma redução de 59,5%)”.

A instituição regista também ter havido “uma ligeira descida nas transferências do Orçamento do Estado” e “a receita fiscal subiu 6,17%, muito acima do crescimento da economia”.

No mesmo documento, a CCIPD considerou que a situação da execução do Quadro Comunitário de Apoio “reforça a tese de que os fundos estruturais são mais importantes para dinamizar a economia do que para comprar barcos que vão, sistematicamente, gerar mais encargos, excepção feita à substituição do “Mestre Simão”, peça importante na mobilidade do Grupo Central”.

Por outro lado, os empresários apontam ainda “não ser admissível” que se mantenham, da parte do Governo e empresas públicas (EP’s) “pagamentos em atraso que deixaram de ser pontuais para serem estruturais”. Segundo refere a associação, trata-se de “um peso que recai indevidamente sobre os privados e prejudica profundamente a competitividade das empresas”.

Neste sentido, a Câmara do Comércio entende como “imperativo” que o Executivo açoriano “tome medidas para acabar com os pagamentos em atraso nas EP’s, particularmente, mas não só, nas da área da saúde”.

No comunicado, os empresários manifestam igualmente “preocupação com a retração que se verificou este verão nas dormidas na hotelaria tradicional, segmento do turismo onde existem investimentos muito avultados em amortização”.

Ribeira Grande baixa taxa de IRS e mantém IMI no valor mínimo

Ribeira GrandeA Câmara da Ribeira Grande anunciou ontem que vai manter, em 2019, a taxa de IMI no valor mínimo permitido por lei (0,3%) e decidiu baixar de 4 para 3,75% a taxa de IRS, mantendo nos valores de 2018 a taxa de derrama, montantes que já apresentavam uma redução face aos anos anteriores.

As propostas de redução da taxa da IRS e manutenção do IMI no valor mínimo foram apresentadas pelo executivo camarário, discutidas e votadas favoravelmente na reunião de Câmara de ontem, aguardando agora ratificação por parte da Assembleia Municipal que reúne no próximo dia 20. 

“O nosso propósito visa manter uma política de impostos baixos de modo a favorecer as famílias numa altura em que ainda se verificam dificuldades financeiras. Fazemo-lo a pensar nas pessoas e sem comprometer o equilíbrio financeiro da autarquia”, afirmou o Presidente da Câmara da Ribeira Grande.

“Vimos mantendo a taxa de IMI no valor mínimo ao longo dos últimos anos porque a nossa prioridade tem sido a acção social, preocupação que fica bem vincada com a redução da taxa de IRS”, disse Alexandre Gaudêncio, citado em nota emitida pela Câmara.

Segundo a mesma nota, a autarquia optou por manter as taxas de derrama já praticadas, mantendo em 0,5% a taxa de derrama (imposto sobre os lucros de pessoas colectivas) relativa às pequenas e médias empresas (que apresentem um valor tributável até 150 mil euros/ano) e 1% para as restantes empresas.