“Habitantes dos Açores dependem dos serviços aéreos” diz presidente da SATA

sata-dashO presidente do Grupo SATA, António Gomes de Menezes, afirmou ontem que os habitantes do arquipélago dos Açores “dependem dos serviços aéreos”, considerando que os transportes marítimos não resolvem as solicitações diárias da população.
“Todos dependem dos serviços aéreos”, afirmou António Gomes de Menezes, no Porto, onde participou na 3.ª sessão de conferências do encontro anual da Associação Europeia das Companhias Aéreas Regionais (ERA).
Segundo o responsável, as ligações aéreas entre as ilhas do arquipélago são fundamentais para o dia-a-dia dos habitantes, mesmo em questões sociais, porque é através da SATA que é possível transportar doentes entre ilhas ou para o Continente, ou retirar dali mercadoria perecível, como peixe fresco para Espanha.
António Gomes de Menezes admitiu, porém, que este “serviço público” prestado pela SATA é um factor de pressão para “as tripulações e para a manutenção” dos aviões.
“Os pilotos sabem disso e sofrem muita pressão”, disse, referindo-se às aterragens “em condições marginais” que os pilotos fazem.
Os transportes marítimos de pessoas e viaturas nos Açores apenas funcionam entre todo o arquipélago entre Maio e Outubro.
Durante todo o ano, apenas existem ligações marítimas regulares entre o Faial, S. Jorge e Pico.
António Gomes de Menezes disse mesmo que “há um sentido de urgência”, adiantando que os pilotos da SATA chegam a cumprir, no máximo, “oito ‘legs’ (percursos entre ilhas) por dia”.
No final da conferência, em declarações à Lusa, o responsável afirmou que “o corpo técnico” da direcção de operações de voo, bem como os responsáveis pelo treino e instrucção, “têm autonomia para decidir a melhor forma de cumprir as normas legais, instituir e adoptar as melhores práticas, às vezes ainda mais conservadoras” do que as impostas pela legislação.
António Gomes de Menezes salientou ainda que a SATA “tem uma rede bastante extensa para a sua dimensão”, estando agora a apostar numa “estratégia de internacionalização, com especial foco para os mercados estratégicos dos Estados Unidos da América, Canadá e Alemanha, onde reforçou a presença”.
“São mercados com economias mais fortes e resistentes, onde os Açores podem crescer turisticamente”, sustentou. O presidente do Grupo SATA disse ainda que a “redução de custos tem permitido obter resultados relativamente equilibrados”.

Aprovado relatório sobre o papel da política de coesão nas RUP

 

uniao-europeiaO Eurodeputado madeirense, nuno Teixeira, viu ontem o seu relatório sobre o papel da política de coesão nas Regiões Ultraperiféricas da União Europeia no contexto da Estratégia Europa 2020 aprovado por uma larga maioria dos Membros do Parlamento Europeu: 565 votos a favor, 21 abstenções e 74 votos contra, na sessão plenária que decorre em Estrasburgo.
Nuno Teixeira, à saída dos votos, congratulou-se com o resultado da votação que considerou “um sinal positivo de apoio do Parlamento Europeu a uma maior atenção às Regiões Ultraperiféricas da União Europeia, o que traduz um reconhecimento por parte deste das dificuldades e constrangimentos permanentes destas regiões. O relatório reúne um conjunto de propostas para melhorar o desempenho da política de coesão e também das demais políticas europeias nas Regiões Ultraperiféricas, permitindo assim contribuir para que estas possam alcançar os objectivos da Estratégia UE2020, isto é, um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo”, explica.
Acrescenta que agora “é chegado o momento, de forma construtiva e abrangente, de a nível regional se iniciar uma discussão séria sobre o tema, para delinear uma estratégia de futuro que permita efectivamente alcançar esse objectivo.”
Nuno Teixeira recorda ainda que “As Regiões Ultraperiféricas deverão, de acordo com a proposta da Comissão Europeia de orçamento para o período de 2014 a 2020, no que respeita à dotação específica adicional para estas regiões, receber menos 47% do que alocado durante o presente período de 2007 a 2013” e acrescenta que “A posição transmitida pelo relatório hoje aprovado é de forte crítica a esta drástica diminuição das verbas, a qual é não só preocupante por si só, como não tem, de todo, devidamente em conta a realidade destas regiões”.
Está previsto agora que a Comissão Europeia adopte em finais de Maio uma Comunicação sobre a Estratégia Renovada para a Ultraperiferia. O Eurodeputado madeirense espera, assim, que “A Comissão Europeia tenha em atenção esta posição do Parlamento Europeu e retenha no seu documento uma boa parte das propostas incluídas no meu relatório para que, no futuro período até 2020, as Regiões Ultraperiféricas tenham o tratamento que merecem no seio da União Europeia”.

Açores congratulam-se

O Governo Regional dos Açores, em nome da Conferência de Presidentes das Regiões Ultraperiféricas, exprimiu a sua satisfação. “Para além do mérito do conteúdo deste relatório de iniciativa, cujo processo de redação foi conduzido em forte articulação e com um contributo direto da Conferência das RUP, através da presidência dos Açores, devemos assinalar igualmente a sua oportunidade temporal, ou seja, a sua aprovação quando está em curso a preparação de uma Comunicação da Comissão Europeia sobre as Regiões Ultraperiféricas”, declarou, a propósito, o Subsecretário Regional dos Assuntos Europeus e Cooperação Externa.
Rodrigo Oliveira referiu ainda esperar “que a Comissão, não estando obrigada a acolher o teor deste relatório, esteja atenta às posições das RUP traduzidas no documento que foi hoje aprovado e as incorpore no texto da Comunicação que está em preparação e que o Colégio de Comissários adoptará em breve”.
O texto aprovado “reflete não apenas posições políticas das RUP expressas em documentos como os Memorandos de 2009 e 2010, bem como as alterações propostas pela Conferência de Presidentes das RUP, o que só foi possível através da receptividade do relator Nuno Teixeira em trabalhar proximamente com a Conferência dos Presidentes das RUP”.

Em Maio Congresso de Solidariedade Social reúne mais de 100 instituições e associações

congresso-de-solidariedade-O I Congresso Local de Solidariedade Social, a decorrer em Maio em Ponta Delgada, vai juntar mais de cem instituições e associações que vão reflectir e debater soluções para ultrapassar “dificuldades acrescidas” das famílias numa altura de crise.
Na apresentação do congresso, numa conferência de imprensa, o presidente da Associação Regional para o Desenvolvimento (ARDE), José Andrade, admitiu terça-feira que a realização do evento ganhou “uma pertinência acrescida tendo em conta a actual conjuntura”.
A iniciativa vai realizar-se a 18 e 19 de Maio e é organizada pela ARDE em parceria com a câmara e a Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada.
“Achamos que faltava, por uma razão óbvia, um evento marcante de natureza social que, mais do que apresentar os apoios que existem e que devem ser aproveitados, pudesse criar um espaço comum motivando e envolvendo os agentes que desenvolvem actividade social no terreno para, em torno da mesma mesa, poderem trocar experiências e encontrar soluções para os problemas que existem de natureza social”, referiu.
O congresso vai decorrer sob quatro painéis temáticos: crianças e jovens, envelhecimento activo, pessoas com deficiência e famílias carenciadas.
“Nos dias de hoje, as questões sociais estão na ordem do dia, porque a situação é particularmente vulnerável do ponto de vista social e económico. Mas nas situações de vulnerabilidade como na actual nunca pode faltar a mão amiga, a mão solidária de quem tem responsabilidades públicas”, defendeu a presidente da Câmara de Ponta Delgada, Berta Cabral.
A responsável sublinhou que os promotores “congregaram esforços - quer sejam instituições particulares ou públicas - para um olhar junto daqueles que mais precisam e para dar cada vez mais e melhores respostas às questões sociais que se colocam de forma cada vez mais premente no dia a dia”.
“Não podemos olhar a solidariedade social e a acção social de forma paternalista nem conformada. Temos que olhar para o apoio solidário que temos que dar com uma mão e ao mesmo tempo com a outra mão, procurando inserir as pessoas, dar-lhes dignidade e puxá-las para uma vida ativa”, sublinhou.
A autarca destacou a importância de os poderes públicos estarem atentos: “As questões económicas têm que dar resposta às sociedades modernas para podermos criar riqueza, ter emprego, poder distribui-la com justiça social para podermos dar a mão a quem precisa”.
Berta Cabral considerou também que as instituições de solidariedade social precisam de ter meios e condições suficientes para “poderem corresponder às solicitações que diariamente lhes batem à porta”.

CDS: Greve dos pilotos da SATA nas festas do Santo Cristo “é lamentável e inaceitável”

artur-lima-O Presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP Açores Artur Lima considerou, ontem, “lamentável e inaceitável” o pré-aviso de greve anunciado pelo sindicato representativo dos pilotos da SATA que se preparam para paralisar a companhia aérea açoriana nos dias das festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em São Miguel, “prejudicando a fé de milhares de pessoas”.
No âmbito do debate parlamentar de uma iniciativa do CDS-PP sobre a importância da promoção do turismo religioso dos Açores, Artur Lima criticou a opção do sindicato de “gratuitamente prejudicar os Açorianos, o turismo e as festas do Senhor Santo Cristo”, apelando para que o sindicato “retire a intenção de greve” permitindo que “as pessoas programem as suas vidas” e possam ir às festividades religiosas.   
“É inaceitável que o sindicato dos pilotos marque uma greve, sem justificação aparente, sobretudo, para a altura das festas do Senhor Santo Cristo. Não estou contra o direito à greve, agora estou contra a usar a greve para gratuitamente prejudicar os Açorianos, o turismo e as festas religiosas”, disse Artur Lima.
“Todos nós devemos dar o nosso contributo para o desenvolvimento dos Açores, para o turismo religioso e para a promoção das nossas festas. Nós, Deputados, o Governo, os cidadãos e as companhias públicas. A SATA é uma companhia pública essencial para a promoção do turismo, fundamental para trazer os nossos emigrantes, fundamental para levar das restantes ilhas a São Miguel quem quer ir pagar as suas promessas… Eu acho lamentável e inaceitável e devemos condenar esta greve, sem justificação aparente, sobretudo nas festas do Senhor Santo Cristo, e apelo a que o sindicato retire a intenção, a tempo e horas, para que as pessoas possam programar as suas vidas e possam ir às festas”, concluiu.

Novo modelo de avaliação de enfermeiros levanta “constrangimentos” nos Açores denuncia sindicato

enfermeirosO novo modelo de avaliação dos enfermeiros levanta alguns “constrangimentos” para a sua concretização nos Açores, nomeadamente ao nível da constituição dos orgãos de avaliação, alertou à Lusa Francisco Branco, coordenador regional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.
“Se, para os hospitais de Angra do Heroísmo ou de Ponta Delgada, dada a sua dimensão, é possível colocar todos os órgãos e hierarquias em funcionamento, há sítios onde isso não vai ser possível”, afirmou o dirigente sindical, defendendo a necessidade de “regimes de excepção ou um órgão coordenador de avaliação central, ao nível da Direcção Regional de Saúde, por exemplo, para as restantes ilhas”.
Francisco Branco referiu o caso das unidades de saúde das ilhas Graciosa, Flores e Santa Maria, que não possuem enfermeiros suficientes para a constituição dos órgãos de avaliação referidos na portaria publicada no Jornal Oficial na semana passada.
“Nós temos unidades de saúde de ilha numa dimensão diminuta, em que não há enfermeiros em número suficiente para compor os órgãos de avaliação”, frisou o dirigente sindical, recordando que a portaria prevê uma determinada hierarquia e órgãos de consulta, recurso e de aprovação, que, “nas ilhas mais pequenas não vai ser possível criar”.
Francisco Branco salientou que o modelo de avaliação a implementar nos Açores é uma adaptação do modelo nacional, anunciado a 21 de junho de 2011, considerando que levanta “alguns constrangimentos” devido à realidade específica do arquipélago, nomeadamente no que se refere ao cumprimento de objetivos traçados pelas instituições.
“A maioria das instituições ainda não tem muito claros ou planeados os seus objectivos individuais e isto vai ser o maior constrangimento”, afirmou o dirigente sindical, apontando também os problemas que serão criados com a alteração da periodicidade da avaliação para anual, à semelhança do regime geral dos funcionários públicos.
“Em termos de trabalho, para quem tem a obrigatoriedade de cuidar e seguir estas avaliações, isto dá muito mais trabalho porque se tem de abrir, acompanhar e concluir o processo em períodos de um ano, quando antes era de três em três anos”, frisou Francisco Branco, acrescentando que a mudança “vai consumir mais serviços, mais recursos e mais gente em coisas burocráticas”.