Detido homem no Pico pela presumível prática de abuso sexual de criança

algemadoA Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal de Ponta Delgada, identificou e deteve um homem, pela presumível prática do crime de abuso sexual de criança, na sua forma agravada, de que foi vitima uma menina de 5 anos de idade.

De acordo com a PJ, “os abusos ocorreram na ilha do Pico, em casa do suspeito, que se aproveitou do facto de ser o padrasto da vitima e da inerente confiança associada, para a manipular e sujeitar a agressões sexuais”.

O detido, de 36 anos de idade, com antecedentes noutra área criminal, foi presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas coactivas tidas por adequadas.

 

Mulher detida após ter agredido o cônjuge

 

A Polícia de Segurança Pública, através da Divisão Policial de Ponta Delgada, deteve uma mulher de 29 anos por violência doméstica, após ter agredido o cônjuge.

Ainda no âmbito da actividade policial da PSP, elementos da Esquadra das Capelas, detiveram também, um homem de 27 anos, por condução de um veículo, sob a influência de álcool, com uma TAS de 1.61 g/l.

Na ilha do Pico, no âmbito da operação “Não ao Álcool e Drogas”, foi efectuada uma acção de sensibilização, junto de 19 alunos do 3.º Ciclo da Escola Básica e Secundária Cardeal Costa Nunes, com o objectivo de dissuadir, reduzir e minimizar os problemas relacionados com o consumo de substâncias psicotrópicas e do álcool.

A mesma acção foi desenvolvida por elementos da Esquadra da Horta, no Faial, tendo a PSP efectuado três acções de sensibilização, junto de 39 alunos do 3.º Ciclo da Escola Básica e Secundária Manuel de Arriaga.

Prejuízos da SATA em 2018 serão superiores aos 41 milhões do ano passado

SATA - Azores AirlinesAs contas da SATA em 2018 serão ainda piores que as de 2017. Quem o admitiu foi o presidente do conselho de administração do grupo SATA, que foi ouvido na Comissão Eventual de Inquérito ao Sector Público Empresarial Regional.

António Luís Teixeira assumiu que o prejuízo em 2018 deverá ser superior aos 41 milhões de euros gerados no ano passado, noticiou a Antena 1 Açores.

Em 2019, o conselho de administração pretende que entre em vigor uma nova estratégia, com o objectivo de inverter esta tragectória. António Luís Teixeira foi questionado sobre o processo de privatização da SATA e se esta nova trajectória será trilhada com ou sem a Icelandair como parceiro, ao que respondeu que a companhia aérea islandesa tem pedido informação adicional sobre a Azores Airlines.

Segundo António Luís Teixeira, o último pedido da Icelandair data de 17 e Outubro e a informação solicitada é de tal forma relevante que a SATA está a avaliar se pode ou não permitir o acesso da Icelandair a esta informação, indicou a Antena 1 Açores.

O presidente do conselho de administração da SATA não especificou que informação é pretendida pela empresa islandesa, mas percebe-se que o desfecho do negócio com a Icelandair depende, em larga medida, desse episódio, diz a rádio pública regional.

Em relação aos problemas de tesouraria que a SATA enfrenta, foi também dito na audição que em Novembro deverá ficar concluída a contracção de um empréstimo que vai dar alguma folga financeira ao dia-a-dia da companhia aérea açoriana. 

Por último, sobre a renovação da frota, o responsável adiantou que a SATA conseguiu vender um dos aviões A310 por dois milhões de euros. António Luís Teixeira confirmou ainda que o primeiro Neo321 long-range chega aos Açores em Março ou Abril do próximo ano e que, quanto ao A330, o avião com o cachalote, está nesse momento desactivado, mas  o seu futuro está a ser avaliado pelo conselho de administração da SATA.

Na segunda-feira, o ex-presidente do conselho de administração da SATA, Paulo Menezes, foi também ouvido pela comissão e afirmou que, com a nova frota, a empresa está “no bom caminho”, ressalvando a necessidade de alterações orgânicas. 

“Neste momento já não estou na empresa, mas penso que a empresa está no bom caminho” e “agora, com a nova frota, as coisas penso que vão ter um caminho melhor”, afirmou o gestor.

O antigo responsável pela transportadora aérea açoriana afirmou que não acha impossível que o grupo atinja resultados positivos em 2021, como defendeu a secretária regional que tutela os transportes, já que a empresa tinha “um plano que previa que, precisamente nessa altura” estivesse com resultados positivos, mas ressalvou que devem ser feitas “algumas retificações e correções na estrutura da própria empresa”.

“Foi indicado pelo novo presidente que haveria alterações e que estavam a proceder a alterações orgânicas na empresa: tornar a empresa menos horizontal e mais vertical”, disse.

Sobre o prejuízo de 41 milhões de euros no ano de 2017, o maior da história do grupo SATA, Paulo Menezes lamenta “os incidentes que tiveram um impacto muito grande nas contas”, lembrando que a transportadora teve, “em determinada altura, com mais de 50% da frota inoperacional”.

Esse facto, explicou, “provocou imensos constrangimentos”, já que a empresa teve que recorrer a “contratações externas para poder transportar os passageiros, mas, simultaneamente, teve um impacto muito negativo na imagem da empresa com consequências bastante graves para o futuro”.

Ainda assim, ressalva que “não foi esse, talvez, o maior fator” para os resultados de 2017, apontando a necessidade de baixar as tarifas devido não só ao “aumento da concorrência substancial que ocorreu nos Açores”, como também a “uma recessão no início do ano de 2017 que provocou uma redução substancial no número de passageiros transportados nesse primeiro trimestre”.

Paulo Menezes liderava o grupo SATA desde 2015, tendo sido substituído por António Teixeira em julho deste ano.

Equipas açorianas representam Portugal no NASA Space Apps Challenge

NASA Space Apps Challenge Açores

As equipas açorianas ‘PMAteam’ e ‘Carbonocracy’ foram seleccionadas, no passado fim-de-semana, para representar Portugal na competição internacional NASA Space Apps Challenge. 

A selecção ocorreu através de uma iniciativa promovida pela primeira vez nos Açores, em parceria entre o Consulado dos Estados Unidos da América e a Associação Nonagon – Parque de Ciência e Tecnologia de S. Miguel.

Esta primeira edição promovida na Região - que foi a única a realizar-se no país - iniciou-se com o Boot Camp de 19 de Outubro, onde, após recepção dos participantes, foram formadas as equipas, escolhidos os desafios, de entre as seis categorias disponibilizadas pela NASA, e iniciada a primeira troca de ideias.

Seguiu-se, no sábado, a ‘Hackathon’, tradicionalmente caracterizada como uma maratona de desenvolvimento, que contou com 15 participantes das áreas de informática, programação, biologia, engenharia, entre outras, que formaram as três equipas a concurso.

A equipa dos ‘Carbonocracy’ trabalhou numa aplicação que pretende informar o grau de emissão de carbono de cada indivíduo, com o objectivo de sensibilizar para a redução do seu impacto na Terra; a ‘PMAteam’ concebeu um jogo que pretende partilhar, com as crianças, conhecimento sobre o sistema solar através da montagem de puzzles reais e da utilização de uma aplicação complementar com recurso ao reconhecimento de voz e realidade aumentada, facilitando a aprendizagem; enquanto a equipa ENTAX, formada por quatro alunos da Escola de Novas Tecnologias dos Açores, mostrou uma ‘mobile app’ – aplicação para telemóvel - para observação de Space Debris - detritos espaciais -, com a intenção de consciencializar a população para a relevância deste fenómeno. 

Após apresentação dos projectos e avaliação do júri, os ‘Carbonocracy’ e a ‘PMAteam’ acabaram por ser as equipas eleccionadas para representar Portugal no NASA Space Apps Challenge, uma competição internacional em que, durante um período de 48 horas, milhares de equipas, em todo o mundo, trabalham para resolver desafios propostos por cientistas e engenheiros da NASA, sobre problemas que a Humanidade enfrenta, tanto na superfície do planeta, como no espaço.

(Foto: Direitos Reservados)

Venda de carros novos nos Açores diminuiu em Setembro

Carro - chaveA venda de carros novos na região sofreu uma diminuição em Setembro face ao mês anterior e em relação ao mês homólogo.

É o primeiro mês, de 2018, em que foram vendidos menos carros do que no ano passado.

Segundo os dados ontem divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), foram vendidos apenas 288 veículos no mês de Setembro, quando em Agosto haviam sido vendidos 421. Foram, portanto, vendidos menos 133 carros novos face a 2017.

Quanto a Setembro de 2017, foram vendidos 325 veículos novos, mais 37 do que no mesmo mês deste ano.

Apesar desta diminuição, no valor acumulado, ao longo de 2018, o SREA aponta que já foram vendidos mais carros este ano (3687), comparativamente com o mesmo período do ano passado (3230).

 

“Não se deve fazer julgamentos e tentar recuar à época”

livro criançasTânia Santos Mendes, investigadora, é autora do livro “A infância abandonada: o caso particular da ilha Terceira”, que  inspirou as reportagens que têm passado, por estes dias, nas televisões nacionais, a propósito das adopções de crianças terceirenses por militares norte-americanos. Tânia Mendes concedeu uma entrevista ao “Diário Insular”, a propósito do assunto, que transcrevemos a seguir.

 

 

Iniciou este estudo porque é mãe adoptiva...

É verdade. Vivenciei aquelas representações sociais do coitadinho do menino, que foi abandonado pelos progenitores e coitadinhos daqueles pais que, se calhar, não puderam ter filhos... Este coitadinho fazia-me muita confusão, porque eu dizia muitas vezes que ele foi abençoado, mas nós também fomos, se calhar a dobrar. Isso fez-me tentar perceber o que é que aconteceu no nosso contexto, o que é que inculcou essas representações.  Na Terceira é impensável, claro, fazer um estudo sem irmos ter à presença militar norte-americana. Foi isso que aconteceu, ao chegar ao período do Estado Novo. Este fenómeno da adopção por casais norte-americanos vai fazer toda a diferença na forma como muita gente interpreta a adopção.

 

O que se passou da década de 40 até 1974, período que estudou?

Assistimos a um facilitismo nesta gestão dos agregados familiares. Facilmente se dava uma criança e onde estavam as leis, algum processo burocrático? O mais interessante neste estudo é que, quando confrontamos os registos de passaportes, que comprovam essas saídas na companhia de casais norte-americanos, com os assentos de nascimento, cerca de metade dessas crianças não tem qualquer tipo de adopção. Continuam a estar registadas nos assentos de nascimento como filhos dos pais biológicos.  Até à década de 70, o único documento que era pedido para se ter um passaporte para se emigrar para a América era um termo de consentimento de como os pais entregavam a criança e os americanos responsabilizavam-se por ela. Iam e não voltavam. A partir dos anos 70 já começa a aparecer no processo de passaporte um termo de consentimento para adopção. As primeiras leis da adopção saem em 1966. Curiosamente, contudo, o tipo de adopção não lhes permitiria sair. Há dois tipos de adopção, a restrita e a plena. Na restrita tem de ser mantido contacto com os pais biológicos. Era seguida a adopção restrita, provavelmente por haver dificuldade em interpretar a lei. Era a forma mais simples.

 

O que levava os norte-americanos a adoptar?

Haviam, claro, os grandes motivos que hoje levam à adopção. A impossibilidade de uma parentalidade biológica... Depois, conhecia-se uma empregada que sabia de determinada família... Deparavam-se com um contexto e tomavam essa decisão.

 

Sobretudo de que sítios da ilha saíram crianças?

De acordo com os registos de passaportes, o grande fluxo foi da Fonte do Bastardo, o que é surpreendente, porque não é das freguesias mais próximas da Base das Lajes. Depois, das Lajes, principalmente da Serra de Santiago, da Agualva... Também saíram de outras ilhas. É referida muitas vezes, nas entrevistas que realizei, a presença de um intermediário. Não acredito que famílias tão pobres, sem ninguém que trabalhasse na Base, soubessem logo que aquele norte-americano precisava de uma criança. Como sabia aquele norte-americano que, naquela casa, havia uma criança para dar? Tinha de haver um intermediário que conhecesse bem o contexto de freguesia. Há menções a pessoas que eram de certa forma uma referência na freguesia, como, também, aos próprios trabalhadores da Base, principalmente as empregadas domésticas.

 

O que a surpreendeu mais na investigação que desenvolveu?

O número. Não aquele que consegui (97 adopções), mas aquele que penso que pode ser... É um número muito, muito grande. E não foi só a nível da Terceira, mas de arquipélago. Ainda hoje os laços familiares inter-ilhas são muito comuns. Há registo de casos desses. Também, no bairro da Serra de Santiago havia muita gente de outras ilhas. As crianças podiam ser naturais de outra ilha mas serem dadas cá.

 

Na sua maioria, terão sido crianças que partiram para uma vida melhor. O que a assombra ainda neste assunto?

Revejo-me na perspectiva dos norte-americanos, de receber a bênção de um filho. O que assombra é a necessidade destas crianças que foram dadas para adopção, agora adultos, sentirem a necessidade de fechar um capítulo. Começamos agora a ouvir falar de pessoas que viajam até cá, que procuram. Se calhar, depois de fecharem esse capítulo, tudo fica encerrado. Sinto responsabilidade de dar voz a todas estas pessoas, as que ficaram cá e as de lá... Entrevistei uma senhora que me agradeceu por me lembrar deles.  Dizia “isto aconteceu-nos”. Quando lancei o livro, convidei-a. Entretanto, a irmã que estava na América encontrou-a. Veio já à ilha.

 

Como é que as pessoas que foram dadas para adopção, ou que viram irmãos serem dados, encaram isso?

Há uma dicotomia de sentimentos. Digo sempre que é preciso não fazer julgamentos e tentar recuar à época. É preciso perceber todo aquele contexto social. O grande motivo que impulsionou as adopções foi a pobreza, mas há também os casos de manutenção da honra familiar. Filhos ilegítimos, maridos para a guerra...  Era preciso fazer “desaparecer” aquele filho. Há a questão social, ser julgada por toda a freguesia. Há 50 anos atrás, era uma sentença.

 

(in Diário Insular)