Livro póstumo de Manuel Ferreira lançado até final do ano

MANUEL-FERREIRAO 36.º livro do escritor açoriano Manuel Ferreira será lançado, a título póstumo, no último trimestre do ano, adiantou o editor, revelando que a obra narra a vida amorosa de um filho do Marquês de Pombal.
“A obra está concluída. O autor iniciou connosco a paginação, mas não teve tempo de terminar os últimos dois capítulos. Temos uma pessoa que nos ajudou na coordenação e enviámos as provas à família para darem a sua aprovação”, disse à Lusa o editor Ernesto Resendes.
O escritor e jornalista Manuel Ferreira, considerado uma referência na vida literária dos Açores, morreu no início de Dezembro no Hospital de Ponta Delgada, aos 96 anos.
O livro, que terá uma primeira tiragem de 500 exemplares, é um romance “sobre o Marquês de Pombal casamenteiro”, onde, segundo Ernesto Resendes, “há um conto sobre um filho do marquês, que teve um casamento falhado e depois a senhora foi viver para um convento em Itália e voltou a ser feliz”.
“O lançamento do livro será no último trimeste. Estamos a agendar uma data que será possivelmente em Setembro, no início da nova época de livros ou então passar para Novembro. Temos de combinar com a família, que está metade em S. Miguel e metade em Lisboa. Gostávamos que estivessem todos presentes”, disse.
A editora açoriana Publiçor publicou grande parte dos livros de Manuel Ferreira, sendo que o escritor integra o Plano Regional de Leitura com “O Barco e o Sonho”.
A sua principal obra literária, o conto “O Barco e o Sonho”, publicada em 1979 pela editora Publiçor, com sucessivas reedições, foi adaptada a uma séria televisiva com o mesmo título na RTP/Açores pelo realizador José Medeiros.
A obra póstuma do escritor será apresentada na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, instituição que além de ter todos os livros publicados por Manuel Ferreira tem patente ao público até 07 de Novembro uma mostra de quatro edições especiais.
“Todos aqueles livros especiais que fizemos para o senhor Manuel Ferreira, como o livro do seu tamanho, com 1,68 metros, 39 quilos e 332 páginas, um livro que enviámos para o presidente do Estados Unidos da América, um livro com a viola de dois corações, que só existem dois exemplares, o que está exposto e outro está no Museu do Fado”, referiu Ernesto Resendes.

Médias nos exames de Portugês e Matemática negativas no arquipélago

exameOs alunos dos Açores tiveram notas médias negativas nos exames de Português e Matemática do 6.º e 9.º anos, e sempre abaixo dos resultados a nível nacional, segundo os dados disponibilizados pela Direcção Regional de Educação.
Segundo a agência Lusa, nas provas do segundo ciclo do ensino básico (6.º ano), a média nos Açores foi 44,23% a Português e 35,93% a Matemática, sendo que, no conjunto do país, estes resultados foram 52% e 49%, respectivamente.
Já no 9.º ano (terceiro ciclo do básico), as médias nos Açores foram 39,42% a Matemática e 32,18% a Português - a nível nacional foram 48% e 44%, respectivamente.
O responsável pela pasta da Educação no Governo dos Açores, Luís Fagundes Duarte, considerou ontem que estes resultados “estão muito longe” do desejável.
“Temos, na generalidade das nossas escolas, boas condições físicas, os nossos alunos têm mais tempo, no que respeita à aprendizagem do português e da matemática, do que os seus colegas do resto do país”, afirmou, citado num comunicado do Governo Regional, acrescentando: “Não podemos ter de maneira nenhuma os maus resultados que temos”.
“Estes resultados obrigam-nos a repensar muita coisa. O Governo [dos Açores] está, naquilo que lhe compete, a tomar as medidas legislativas necessárias e a dotar as escolas das condições funcionais para que o sistema funcione, designadamente ao nível pedagógico e das práticas didácticas”, assegurou.
Para Fagundes Duarte, “as escolas vão ter de repensar os seus aspectos organizacionais, porque têm competência para isso, os professores vão e estão dispostos a repensar as suas técnicas de ensino”, acrescentando que “as escolas têm os meios humanos e materiais necessários para se alcançar melhores resultados”.
O secretário regional da Educação revelou que os resultados nas escolas açorianas serão analisados na próxima reunião do Conselho Coordenador do Sistema Educativo.
“Perante os resultados obtidos e as condições que temos, há que fazer autocrítica”, afirmou.

Moda do “Crowdfunding” já chegou aos Açores

notas“Crowdfunding” ou financiamento colectivo é uma forma inovadora de conseguir financiar um projecto, através da internet.
Normalmente, os pedidos de financiamento são de baixo valor e costuma haver uma recompensa pelos contributos, que podem ser um simples cartão de agradecimento, uma ‘t-shirt’ ou mesmo, por exemplo, uma viagem e estadia.
O “crowdfunding” começou a ser aplicado nos EUA, sendo o caso do designer Scott Wilson o mais conhecido. O antigo director criativo da Nike pediu 15 mil dólares para fabricar um relógio de pulso e conseguiu arrecadar 942 mil dólares provenientes de mais de 13 mil internautas.
Nos últimos treze anos, o “crowdfunding” tornou-se um modelo de financiamento muito popular entre os empreendedores culturais e, desde o lançamento da ArtistShare, a plataforma digital pioneira nesta área, os casos de sucesso de projectos artísticos concretizados graças ao investimento colectivo e concertado de anónimos sucedem-se.
Nos Açores, a “moda” também já chegou e promete não parar. São muitos os projectos açorianos que têm surgido em diversos sites à espera de contributos dos internautas. Desde projectos culturais a projectos científicos. O projecto “Walk&Talk Azores” é um exemplo que recorreu  a patrocínios culturais através da internet, tendo lançado até quinta-feira passada uma campanha de “crowdfunding”. Os donativos começaram, neste caso, nos dez euros e os grandes mecenas da arte pública, pessoas com donativos superiores a 500 euros, poderão ver o seu nome desenhado por um artista num grande mural ou serem convidados de honra, com oferta de viagem e estadia em São Miguel, durante o festival.
O “Walk&Talk” conta desde a sua primeira edição com o patrocínio do Governo Regional e com o apoio de inúmeros parceiros públicos e privados. Este ano o Grupo Nabeiro tornou-se o primeiro patrocinador privado do evento, através das marcas Delta Cafés, Adega Mayor e Beck’s, com activações temáticas em várias rubricas do programa, como as “Conversas Mayor” e o “Bar Beck’s”, e do lançamento de uma edição especial de pacotes de açúcar “Walk&Talk”, com distribuição nacional a partir do dia 1 de Julho.
Outro exemplo açoriano que recorre ao “crowdfunding” é o de um grupo de investigadores da Universidade dos Açores que, apoiados pelo fotógrafo subaquático internacionalmente premiado Nuno Sá, lançaram uma campanha de financiamento colectivo para avaliação do impacto das actividades de observação de cetáceos nas suas populações e optimização desta actividade na região. Os promotores da campanha estabeleceram como valor-objectivo (12.500 dólares) e oferecem uma variedade de recompensas às pessoas que apoiarem este projecto, incluindo fotografias digitais, calendários e impressões fotográficas de qualidade da autoria do fotógrafo Nuno Sá, entre outras ofertas. A campanha está a decorrer até ao próximo dia 19 de Julho de 2013 e enquadra-se na iniciativa internacional de “crowdfunding” ambiental.
O projecto LIFE Laurissilva Sustentável, coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, também já teve várias iniciativas de “crowdfunding” para ajudar a  manter a conservação do Priolo.

“Crowdfunding” Açores
Também o Governo Regional, ao lançar em Dezembro de 2012 o documento estratégico “Agenda Açoriana para a Criação de Emprego e Competitividade Empresarial”, previa  a criação, até afinal do primeiro semestre deste ano, do “Crowdfunding Açores”.
O documento refere que o objectivo seria o de promover a obtenção de financiamento para ideias e projectos inovadores, através da criação de uma plataforma regional on-line de “crowdfunding” em articulação com as plataformas já existentes a nível internacional. A referida plataforma funcionaria em três eixos: “fundar projectos criativos”; “lançar novos produtos”; “iniciar um negócio”. Seria, segundo o documento, uma montra da criatividade açoriana que permitiria, não só o seu financiamento, mas também a sua exposição ao mercado da diáspora, dando hipóteses à comunidade açoriana de, à distância, participar no desenvolvimento da economia dos Açores.
A plataforma que o Executivo açoriano prevê criar ainda não se encontra em funcionamento, mas são já muitos os projectos açorianos que procuram financiamento para um negócio de sucesso em tempos de crise.

Organização internacional denuncia desmembramento ilegal de tubarão azul nos Açores

tubarão DOPA coordenadora da organização Sharkproject International nos Açores denunciou ontem que há pescadores espanhóis a desmembrarem tubarão azul no arquipélago, antes de chegar a terra, contrariando uma directiva europeia, o que o Governo Regional nega.
“A nova lei diz agora que não é possível remover as barbatanas aos tubarões, têm de ser descarregados com as barbatanas e com a cabeça, ou seja, o animal completo, mas a 5 de Julho voltou a acontecer na Horta e garanto-lhe que este barco não se importou com a lei”, denunciou Friederike Kremer.
Segundo a agência Lusa, esta Organização Não Governamental (ONG) internacional tem como objectivo proteger os tubarões enquanto “predadores mais importantes do ecossistema” e actua com organizações de países de todo o mundo.
Friederike Kremer assegura não estar contra os pescadores açorianos, alegando que estes respeitam a pesca sustentável ao contrário de barcos estrangeiros, como as embarcações espanholas, que diz serem os grandes responsáveis pela delapidação do tubarão azul nos mares dos Açores.
“De momento contamos aproximadamente 5 mil toneladas de tubarão azul que é descarregado todas as semanas somente na Horta. Isto é de loucos, estamos a falar de 100 mil toneladas de tubarão azul descarregados por ano somente na Horta, todas as semanas existem barcos por lá, às vezes os barcos espanhóis estão lá todos os dias, em Abril foi de loucos”, disse.
A responsável pela Sharkproject nos Açores diz que apesar de ser uma actividade legal, a pesca do tubarão azul (ou tintureiras) destrói o ecossistema.
“Nós já temos os sinais de que o ecossistema à volta dos Açores está a degradar-se, os tubarões azuis já não existem no mar de Santa Maria, por exemplo, já não há nada, é inacreditável”, afirmou.
A coordenadora do projecto chegou ontem aos Açores para tentar sensibilizar a população para a defesa do tubarão azul na Região, o único local da Europa onde ainda é possível mergulhar com a espécie e lamenta que este esteja a desaparecer do mar açoriano para ser vendido por 0,30 cêntimos o quilo. Isto quando o mergulho dá muito mais dinheiro e teria um efeito multiplicador na economia local, defende.
“É possível ganhar muito mais dinheiro com os cinco mil mergulhadores que vêm aos Açores, todos fazem pelo menos dois mergulhos com tubarões por 300 euros. Só para os centros de mergulho são 1,5 milhões de euros, isto sem contar com os voos, alojamento, aluguer de carro, ‘whalewatching’ [observação de baleias], entradas em museus ou idas a restaurantes, ou seja, representam dez vezes mais para a economia local”, assegura Friederike kremer.
O Secretário Regional dos Recursos Naturais, Luís Neto Viveiros, assegurou à agência Lusa que o Governo Regional está atento à captura de tubarões azuis nos Açores, que a espécie não está em perigo de extinção, que foram recentemente aprovadas um conjunto de normas que protegem os tubarões em todo o mar europeu e que se os navios espanhóis agirem contra a lei não vão passar impunes.
“Nós estamos atentos e estamos tranquilos porque toda a informação de que dispomos é que de facto não há nenhum perigo de extinção dessas espécies. Para além disso, há uma regulamentação europeia recente, que foi publicada no dia 2 deste mês e que entrou em vigor passada uma semana. Portanto, muito recentemente. Estamos sempre em absoluta consonância com a Marinha e através da Inspecção Regional das Pescas temos todas as ferramentas accionadas que permitam evitar situações dessas e garantir a sobrevivência da espécie “, disse.
O Governo Regional garante ainda, num esclarecimento enviado à agência Lusa, que as quantidades de tubarão azul descarregado na Horta referidas pela ONG são “incorrectas”: “Anualmente são descarregadas cerca de 2.800 toneladas desta espécie nos portos da Região”, lê-se na nota, que sublinha ainda que “as capturas realizadas pela frota comunitária com autorização para operar nos Açores ocorrem, na sua maioria [cerca de 90%], fora das águas açorianas”.

Encontrado com vida antigo carteiro da Lomba da Maia

BarcelonaFoi encontrado em Barcelona, Espanha, o carteiro da Lomba da Maia que estava desaparecido há quase quinze dias. A embaixada portuguesa avisou ontem a família.
José Amaral desapareceu no passado dia 20 de Junho, em Barcelona, durante uma viagem turística.
O genro, Mariano Melo, relatou à Antena 1 Açores que o carteiro reformado foi encontrado sem roupa e muito debilitado física e psicologicamente, desconhecendo até agora mais pormenores.
A família foi contactada pelo Consulado de Portugal em Barcelona, estando prevista a chegada de José Amaral a Ponta Delgada amanhã.  O antigo carteiro estava a participar numa excursão ao Santuário de Lourdes (França) e a várias cidades espanholas, na companhia de diversas pessoas da freguesia da Lomba da Maia.