Açorianos recorrem ao SOS-Criança para ‘falar com alguém’

manuel coutinho sos criançaManuel Coutinho, psicólogo clínico, Coordenador do SOS-Criança

Diário dos Açores - O SOS-Criança acaba de divulgar os números da actividade de 2017. Relativamente aos Açores o que é que mais destaca?

Manuel Coutinho - O SOS-Criança é um serviço do Instituto de Apoio à Criança, anónimo e confidencial e de âmbito nacional.

Este serviço de prevenção funciona, desde 1988, nos dias úteis entre as 9h00 e as 19h00, através do número telefónico gratuito 116111, do Chat online (www.iacrianca.pt) e do e-mail ( Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ), tem como objectivo:

- Ouvir e dar Voz à Criança; Promover o desenvolvimento harmonioso e integral da criança; Apoiar a Criança e a Família; Prevenir situações problema; Garantir à criança o direito à palavra, protecção em situação de risco e/ ou mau trato, quando privada de afeição, isolada, abandonada, ameaçada de agressão física, sexual, negligenciada ou obrigada a trabalhar prematuramente; Sensibilizar as estruturas comunitárias e a sociedade em geral, para a problemática da criança em risco e em perigo.

No ano de 2017, o Serviço de Atendimento Telefónico SOS-Criança recebeu um total de 1841 chamadas, das quais, 1389 referiram-se a apelos efectivos que resultaram numa intervenção por parte dos técnicos, no sentido de informar, apoiar, orientar e/ou encaminhar os apelantes consoante as situações-problema expostas.

Em termos gerais, constatou-se que os apelos recebidos  pelo SOS-Criança, em 2017, vieram de todas as regiões de Portugal. Sendo a maioria dos apelantes residentes no distrito de Lisboa (26%), no do Porto (20%) e na Região Autónoma dos Açores (8%).

No que diz respeito à Região Autónoma dos Açores, em 2017, destacou-se a problemática “Falar com alguém”. Os apelantes nestas situações, recorrem ao Serviço para receber apoio psicológico, conversar sobre os seus problemas e expor situações da sua vida, procurando no SOS-Criança um suporte que as possa ajudar a ultrapassar as situações.

 

Há muitas chamadas por causa de casos de pedofilia, mas existem outros casos para os quais é pedida ajuda do SOS-Criança. Certo?

Em 2017, o SOS-Criança recebeu 24 situações de suspeita de abuso sexual e pedofilia. Situações essas que deram origem à abertura de um processo interno e ao respectivo encaminhamento para as autoridades competentes, para que pudessem analisar a veracidade das suspeitas.

O SOS-Criança é um serviço específico para situações inespecíficas. A nível nacional o SOS-Criança, para além da escuta empática que proporciona às crianças, registou um elevado número de  situações de negligência, crianças em risco e em perigo.

Todos temos o dever de apresentar ao SOS-Criança, através do telefone 116111 situações que cheguem ao nosso conhecimento e que possam colidir com a promoção e a defesa dos direitos da criança.

 

Comparando com anos anteriores qual é a sua percepção relativamente aos Açores? Há mais chamadas agora, mantém-se no mesmo ritmo ou diminuiu?

Em relação à Região Autónoma dos Açores, o número de apelos registados no Serviço SOS-Criança, através da linha nacional de atendimento, com o telefone nº 116111, comparativamente a 2016 diminuiu.

É de salientar que o Instituto de Apoio à Criança, Açores, criado em 1993, tem  entre as suas valências, o número de telefone regional - SOS Criança Açores, 296283383, serviço anónimo e confidencial que tem atendimento entre as 09:00 e as 17:00 e que também dá resposta às múltiplas situações da Região Autónoma dos Açores. O SOS – Criança nos Açores, é uma linha de apoio de situações para a qual, todos poderemos recorrer para fazer denuncias, ou até mesmo, para pedir aconselhamento e orientação.

 

Com a participação cada vez maior de jovens nas redes sociais certamente que será maior o número de casos de aliciamento, ameaças etc. Como combater este fenómeno?

Temos todos muito a aprender. Há sempre quem possa aproveitar-se “ilicitamente” nas redes sociais dos nossos dados e das nossas informações, em boa verdade, há muitos perigos. Urge prevenir.

As redes sociais têm modificado a forma como nos relacionamos uns com os outros e a sua utilização tem trazido muitos benefícios desde que  utilizadas de forma segura. No entanto, todos temos de ter algumas precauções. Uma das precauções a ter em conta, prende-se com o cuidado que devemos ter em não divulgar informações pessoais, nomeadamente local onde reside, escola ou outros dados que nos possam identificar a nós e à nossa família, etc., principalmente se forem crianças os protagonistas.

As fotografias de crianças não devem ser expostas nas redes sociais. Esta prática pode ser lesiva para a criança. Os pais não  devem divulgar fotografias dos filhos nas redes sociais, devem sim, assegurar o direito à sua imagem e à reserva da intimidade da  vida privada dos seu filhos menores de idade.

Gostava ainda de salientar que por desconhecimento e sem noção  que estas situações podem colidir com os direitos da criança, muitas pessoas fizeram e por vezes, ainda fazem, uma má utilização das redes sociais.

Agora que já todos sabemos o perigo que  corremos, temos de minimizar as  práticas que não são favoráveis ao superior interesse da criança. É tempo de parar, de informar e de proteger de riscos desnecessários todos os utilizadores directos ou indirectos das redes sociais, principalmente as crianças e jovens.

 

Que mensagem final gostaria de deixar às famílias açorianas?

Ninguém se pode alhear da realidade que actualmente ainda cruza a vida de muitas crianças inocentes. Realidade amarga, dura e cruel, sempre tão injusta e cobarde. 

Os direitos das crianças têm de ser sempre uma prioridade. 

Através da educação temos de igualar as oportunidades de crescimento e de desenvolvimento saudável das crianças. 

Cada um de nós tem de ser atuante.

Ninguém pode silenciar situações que colidam com o Superior Interesse da Criança. 

Ninguém se pode esquecer que em pleno século XXI ainda há crianças em risco e em perigo que sofrem em silêncio. 

Ainda há crianças que não brincam e que não vêm os seus direitos reconhecidos. 

Cada um de nós pode ser o seu defensor, o seu farol de esperança se não permitir que as crianças tenham os seus direitos beliscados ou violados.

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Hospitais dos Açores têm mais camas e mais tempo de internamento

Hospital interiorEm 2016, a lotação praticada pelos hospitais era de 35,3 mil camas (22,4 mil nos hospitais públicos, 11,3 mil nos hospitais privados e 1,7 mil nos hospitais em parceria público-privada), mais 447 camas do que em 2015 (+1,3%), revela um estudo do INE sobre o sector da Saúde em Portugal.

Do total de camas de internamento nos hospitais públicos, 90,2% eram camas de enfermaria, isto é, pertenciam a estruturas funcionais com um mínimo de 3 camas onde permanecem doentes internados.

No caso dos hospitais privados, a percentagem de camas de internamento em enfermarias, apesar de maioritária, não atingia 60%, e os quartos privados representavam 20,6%.

A análise da distribuição do número de camas de internamento por mil habitantes revela valores mais elevados na Região Autónoma dos Açores (6,2 camas por mil habitantes) e na Região Autónoma da Madeira (7,1). 

No Alentejo, o mesmo indicador era de apenas 2,1 camas por mil habitantes

Em 2016, registaram-se cerca de 1,2 milhões de internamentos nos hospitais portugueses (mais 2,5 mil internamentos do que em 2015, i.e. +0,2%), que corresponderam a cerca de 10,2 milhões de dias de internamento (mais 130,6 mil dias de internamento do que em 2015, i.e. +1,3%). 

Do total de internamentos, 72,0% ocorreram em hospitais públicos.

A duração média de internamento, ou seja, a proporção do total de dias de internamento no total de internamentos, foi de 8,8 dias, sendo mais elevada nos hospitais especializados – 36,6 dias em média contra 7,0 dias nos hospitais gerais. 

Por região, observa-se que a duração média dos internamentos nos hospitais gerais foi bastante homogénea (entre 6 e 8 dias), ao contrário da observada nos hospitais especializados com valores mais elevados no Alentejo, na Região Autónoma dos Açores e na Região Autónoma da Madeira. Esta particularidade das regiões autónomas está relacionada com uma frequência mais elevada de hospitais especializados em Psiquiatria. 

Em 2016, existiam em Portugal 225 hospitais (o mesmo número do que em 2014 e em 2015). Destes, 114 eram hospitais privados (50,7% do total de hospitais), 107 eram hospitais públicos (47,6%), e 4 eram hospitais em parceria público-privada (1,8%). Os hospitais públicos englobavam 101 hospitais de acesso universal e 6 hospitais militares ou prisionais.

Tendo em conta que todos os hospitais em parceria público-privada eram também de acesso universal, resulta que o número de hospitais de acesso universal por 100 mil habitantes era de 1,1 em 2016, tal como nos dois anos anteriores.

Em 2016, 76% dos hospitais eram hospitais gerais, ou seja, integravam mais do que uma valência. Entre os 54 hospitais especializados (menos 2 do que no ano anterior) predominava a área da Psiquiatria (26 hospitais, ou seja, o mesmo número do que em 2014 e em 2015).

A existência de hospitais gerais era mais frequente nas regiões Norte (84,5%), Alentejo (80,0%) e Algarve (80,0%), e menos frequente na Região Autónoma dos Açores (com 50,0%) e na Região Autónoma da Madeira (com 55,6%).

Mais de metade dos hospitais existentes em 2016 eram privados: no Continente, 103 hospitais privados e 99 hospitais de acesso universal (95 públicos e 4 em parceria público-privada); na Região Autónoma dos Açores, existiam 5 hospitais privados e 3 públicos; e na Região Autónoma da Madeira, 6 hospitais privados e 3 públicos.

Primeiro rancho de romeiros sai à rua em Sainte-Thérèse, perto de Montreal

romeiros montrealPrevisto para sair às 8h00 do dia 30 de Março, Sexta-Feira Santa, o 1.° Rancho de Romeiros de Ste-Thérèse acabou por se pôr a caminho já os ponteiros do relógio assinalavam 9h30.

A saída do primeiro rancho de Romeiros desta cidade nortista, que fica situada a cerca de 30 quilómetros de Montreal, onde está a maior concentração de portugueses no Quebeque, deu-se na Eglise St-Rédempteur, situada no 421, boulevard Labelle, no limite fronteiriço norte das cidades de Sainte-Thérèse e Blainville.

Com apenas 17 elementos (14 + 3, estes formados pelo Pai, Filho e Espírito Santo), o rancho dirigido pelo Mestre João Vital percorreu um trajeto de mais ou menos três horas, que o levou a percorrer Sainte-Thérèse, cidade-irmã de Lagoa, não se esqueça, de um extremo ao outro, parando nas igrejas situadas através do percurso para os habituais cânticos e orações.

A primeira peregrinação de um rancho de romeiros pelas ruas de Ste-Thérèse, a terceira cidade no Quebeque com mais portugueses, atrás, claro, de Montreal e Laval, provavelmente em competição com Gatineau e já não muito à frente de Blainville, sua vizinha, mas dizíamos, a peregrinação terminou na Eglise Coeur Immaculé-de-Marie, no Boulevard Desjardins quando já passava do meio-dia. No entanto e antes de ali chegar, o rancho ainda passou pelo cemitério local.

Com muito pouca gente a segui-lo, os elementos do 1.° Rancho de Romeiros de Ste-Thérèse não precisaram de levar merendas, visto o percurso ser curto e não muito demorado. De resto, no final há sempre um pequeno beberete, que serve essencialmente para confraternização dos romeiros entre si e seus acompanhantes.

Outra novidade, e esta deveras surpreendente, foi a ausência dos tradicionais bordões.... Do que não faltou, como não podia deixar de ser, pois então o rancho seria tudo menos um rancho de romeiros, foram os xailes, alguns lenços e a cruz, por sinal levada por uma mulher cinquentenária... por falta de crianças e/ou jovens.

Mas a novidade maior veio do facto de o 1.° Rancho de Romeiros de Sainte-Thérèse ter sido composto por apenas dois homens, a contar com o Mestre João Vital! Nesta condição, o Rancho, quanto a nós, deveria chamar-se Rancho de Romeiras, por estarem em grande maioria. Não estamos num tempo em que as Mulheres lutam pela igualdade de direitos? Porque é que num grupo assim – onde predomina o feminino – ter-se-á de «arredondar» a apelação pelo género masculino?

Sem querermos criar polémica, a verdade é que já era tempo de, na comunidade, darmos o devido valor e importância à condição feminina, como ainda há pouco, nestas mesmas páginas, defendia a jornalista Humberta Araújo, habitual colaboradora deste jornal.

Em resumo, o que se pode dizer desta experiência que foi o Primeiro Rancho de Romeiros de Ste-Thérèse é que João Vital, um Mestre credenciado, com passagens por ranchos como o de Lagoa (S. Miguel) e de Montreal, tem muito trabalho pela frente se quiser que a experiência se repita em 2019.

E a melhor maneira de isso ser possível é de começar já a definir o que quer para o futuro, recrutando mais género masculino, e, sobretudo, jovens para que esta tradição secular micaelense, que se diz ter começado no século XVI, em Vila Franca do Campo, por via do terramoto que ali teve lugar, quase arrasando a Vila por completo, se perpetue nesta terra de imigração.

 

Por: Norberto Aguiar

Exclusivo LusoPresse/Diário dos Açores

 

Cresce venda de produtos alimentares

supermercadarrinhoEm Fevereiro, a compra de produtos alimentares nas grandes superfícies comerciais apresenta, a preços constantes, uma variação trimestral homóloga positiva de 2,97% e mensal homóloga ligeiramente negativa de 0,18%, revela o SREA. 

Com efeito, o índice de vendas do comércio a retalho – produtos alimentares regista em Fevereiro, a preços constantes (valores brutos), uma variação trimestral homóloga positiva de 2,97% e mensal homóloga negativa de 0,18%. A preços constantes (corrigidos dos efeitos calendário e sazonalidade), verifica-se um acréscimo de 3,59% relativamente à variação média nos últimos 12 meses. Quanto à variação mensal, verifica-se uma descida de -0,90% Relativamente às variações mensal homóloga e média nos últimos 12 meses, a preços correntes (valores brutos), a mensal desceu 0,21% e a média nos últimos 12 meses subiu, 4,37%.

Revisão do Ordenamento Turístico dos Açores em consulta pública no segundo semestre

Vasco Cordeiro - PicoA revisão do Plano de Ordenamento Turístico dos Açores (POTRAA) será colocada em consulta pública no segundo semestre deste ano.

O anúncio foi feito ontem pelo Presidente do Governo Regional. “A nossa preocupação e o nosso cuidado centram-se, agora, na forma como o desenvolvimento turístico é devidamente orientado com o objectivo de garantir não só a sustentabilidade económica, mas também a sustentabilidade social e ambiental” do sector, afirmou Vasco Cordeiro.

O governante falava após ter visitado, no âmbito da visita estatutária ao Pico, o empreendimento turístico ‘Lava Homes’, composto por vários apartamentos, num total de 56 camas, candidatado ao sistema de incentivos Competir+ e que mereceu a classificação de Projecto de Interesse Regional (PIR).

Em declarações aos jornalistas, Vasco Cordeiro adiantou que o trabalho que foi feito de revisão do POTRAA permitirá que a Região fique dotada de um instrumento de ordenamento e de qualificação da oferta para que o turismo possa, cada vez mais, ser um fator de criação de emprego e de riqueza.

As perspectivas de crescimento do setor do turismo, conforme equacionadas no âmbito da revisão do POTRAA, têm por referência um cenário que permite atingir intensidades e densidades turísticas equilibradas e que respondem à estratégia perseguida, nomeadamente o reconhecimento e consolidação dos Açores como um destino turístico sustentável.

Após a visita ao ‘Lava Homes’, que representa um investimento de cerca de 2,4 milhões de euros, Vasco Cordeiro salientou que este empreendimento é um dos exemplos dos vários que existem nos Açores em que se cumpre este objectivo de qualificação da oferta turística e hoteleira.

“Esta visita permitiu ainda salientar uma especificidade da oferta de alojamento turístico no Pico, que, não se alicerçando na hotelaria tradicional, é a ilha que, entre 2016 e 2017, liderou o crescimento do número de camas” nos Açores, sublinhou o Presidente do Governo açoriano.