Revolução do 25 de Abril “foi o primeiro passo para aproximar as regiões”

Mota Amaral - clube de história

O antigo presidente do Governo Regional dos Açores, João Bosco Mota Amaral, afirmou, na quarta-feira, que a Revolução do 25 de Abril de 1974 foi um “primeiro passo” para aproximar as ilhas do arquipélago.

Mota Amaral falava no âmbito da última sessão do Clube de História, promovido pela Fundação Sousa d’Oliveira, da qual foi o orador convidado para falar sobre o tema “45 anos depois… o 25 de abril e o seu impacto nos Açores”. 

“Se não tivesse sido uma revolução, não se teria chegado a este ponto. A actualização e modernização nunca tinham existido antes, pelas nossas estruturas administrativas. Aliás, no princípio foi isso que se sucedeu. Deu-se o 25 de Abril e o país mudou. Como vai ser agora? A primeira ideia foi democratizar as Juntas Gerais. Aquele isolamento das ilhas umas das outras parecia irreversível, invencível. Era um dos projectos daquele tempo, do PPD na altura”, referiu.

Acabar com a tutela do Governador Civil foi, segundo salientou, “dar um primeiro passo numa aproximação regional”, com a “criação de uma assembleia representativa do povo açoriano”.

O primeiro presidente do governo açoriano frisou que na Região sentiu-se o “sobressalto cívico” da Revolução do 25 de Abril. “E a expressão desse sobressalto vê-se no independentismo”, fazendo referência à Frente de Libertação dos Açores (FLA).

“Não há dúvida que esta ideia da autodeterminação açoriana tinha um vigor enorme. Vinha deitar abaixo esses tais velhos preconceitos e velhos simbolismos dos serviços autónomos. Foi um bom contributo, de aproximar as pessoas, perceber que unidos conseguiriam fazer alguma coisa. Por um caminho que nos obrigava a uma aproximação e usarmos as nossas energias em conjunto”, considerou o histórico do PSD/Açores.

Segundo continuou, este movimento independentista veio a “perder dinamismo. E a situação em Portugal também mudou e o futuro de Portugal não iria ser uma República de ética e dominada pelos ‘sovietes’”, apontou. 

 

Ilhas transformaram-se em sociedades modernas

 

João Bosco Mota Amaral destacou que a queda do regime de Salazar veio transformar a qualidade de vida nas ilhas açorianas.

“A nossa alteração qualitativa do pós 25 de Abril dá-se com as estruturas políticas e administrativas, nas infraestruturas para o desenvolvimento que permitiram proporcionar as nossas ilhas de sociedades modernas. Aeroportos, portos, escolas, hospitais… Tudo isso que não existia”, lembrou.

O antigo governante recordou, por exemplo, que a electricidade estava longe de chegar a todas as zonas da ilha de São Miguel nos anos 60, como no caso dos Arrifes: “não havia electricidade nos Arrifes, à porta de Ponta Delgada”. A electrificação na ilha de São Miguel só veio a terminar em 1980, segundo apontou.

“As pessoas andavam descalças naquela altura. Na minha escola, em Ponta Delgada, no Campo de São Francisco, uma parte dos alunos iam descalços”, disse Mota Amaral, realçando que o cenário no resto de São Miguel e nas restantes ilhas seria pior. 

O antigo presidente do Governo Regional dos Açores frisou que foi a “dinâmica do 25 de Abril” que trouxe as alterações das condições sociais nos Açores.

 

“Afinação do pacto europeu”

 

Quatro décadas e meia depois da revolução, Mota Amaral salienta que as condições de vida melhoraram em Portugal: o país “progrediu e está noutro capítulo da sua história” que é o de “afinação do pacto europeu, com dificuldades, com problemas”, considerou. 

Para o antigo presidente do governo regional, a maior parte dos problemas não vem do ‘25 Abril’ mas da “má conduta, das más políticas que conduziram ao endividamento”. 

“Para além das políticas erradas, também existe a corrupção. E a maior parte do problema anda por aí a ser cantado e nós desesperados pela injustiça que isso representa”, afirmou na sessão do Clube de História dedicada ao 25 de Abril.

SATA com prejuízo de 48 milhões de euros

Azores Airlines 2O Grupo SATA terá fechado o ano passado com um prejuízo de 48 milhões de euros, segundo revelou ontem a Antena 1 Açores.

Durante o dia de ontem terá ocorrido  a aprovação das contas da SATA com as Assembleias Gerais das três empresas do Grupo: Sata Aeródromos, Air Açores e Azores Airlines

Em relação a 2017, este prejuízo representa um aumento de 15%, mais 7 milhões de euros

Trata-se de um recorde histórico nas contas da SATA. 

Confrontado ontem pelos jornalistas com estes números, Vasco Cordeiro, Presidente do Governo, remeteu comentários para depois da divulgação oficial dos resultados, o que deverá acontecer amanhã.

 

SATA anuncia amanhã as contas

 

Com efeito, amanhã, às 14h30m, no Teatro Micaelense, o Conselho de Administração do Grupo SATA  realizará uma conferência de imprensa para apresentação dos Resultados do ano 2018. 

“No âmbito deste tema, serão enunciados os principais factores que contribuíram para os resultados obtidos”, anunciou a SATA em comunicado enviado ao nosso jornal.

No final da conferência de imprensa, o Conselho de Administração do Grupo SATA reservará um período para responder às questões que lhe forem colocadas.

 

PSD diz que Vasco Cordeiro é o responsável

 

O PSD/Açores considerou ontem que “a gravidade da situação financeira do Grupo SATA é da responsabilidade de Vasco Cordeiro”, e que o Governo Regional “tem a obrigação moral de, perante todos os açorianos, explicar a real situação da companhia aérea”, de que é o único acionista.

Tendo sido noticiado na comunicação social que o Grupo SATA teve prejuízos de 48 milhões de euros em 2018, os social democratas exigem “que o Governo Regional divulgue os números oficiais, ou que confirme essa informação”, diz o deputado António Vasco Viveiros.

“Se for confirmado este valor, também se confirma que, desde que Vasco Cordeiro assumiu responsabilidade directas e indirectas na SATA, ou seja desde que foi Secretário Regional da Economia, a empresa perdeu 250 milhões de euros”, reforçou.

“Ou seja, são 250 milhões de euros, de todos os açorianos, perdidos por responsabilidade do atual presidente do governo”, adianta o parlamentar do PSD.

António Vasco Viveiros acrescenta que, “perante esta situação desastrosa, exige-se igualmente que o governo explique as medidas que já foram tomadas para que o mesmo não aconteça em 2019”, sublinhou.

“Da mesma forma, o governo deve, desde logo, divulgar quais foram os resultados do Grupo SATA no primeiro trimestre de 2019, uma vez que as contas fecharam a 30 de março”, explica o social democrata.

“Trata-se do pior resultado de sempre, na história da transportadora aérea regional”, diz ainda António Vasco Viveiros.

Refira-se que, quando confrontado com o valor avançado hoje pela Antena 1/Açores, o Presidente do Governo Regional declinou fazer qualquer comentário, de momento.

 

Região tem o menor registo de patentes do país

ponta delgada - avenidaEm 2018, os pedidos de invenção com origem nos Açores foi de apenas 5, o mais baixo de todas regiões do país, correspondendo a 0,7% do total.

De acordo com o INPI (Instituto Nacional de propriedade Industrial), no ano passado, foram registados 13 pedidos de invenções de origem madeirense, comparados com os 5 do ano anterior, para uma população calculada em 254.368. 

“Verificou-se, em 2018, que 39,2% dos Pedidos (285) tiveram origem na região Norte, 27,1% (197) na Área Metropolitana de Lisboa e 24,8% (180) na região Centro, sendo estas as regiões que registaram um maior número de Pedidos. A região dos Açores, foi a região com menor número de Pedidos (5), correspondendo a 0,7% do total de Pedidos”, diz o no recente relatório divulgado há cerca de um mês.

 

Açores sem evolução em 2017 nas patentes

 

Refira-se que a evolução de 2017 para 2018, por regiões NUTS II, a Madeira teve o maior aumento (160%, ainda que partindo de uma base irrisório para o todo), seguida de bem longe pela região Norte (+9,6%) e pela região Centro (+2,9%), sendo que as outras regiões não evoluíram (Açores, com 0,0%) ou diminuíram. 

No que toca aos “Objectos incluídos nos Pedidos de Design (DOM) de origem portuguesa, no ano de 2018 registou-se em Portugal um valor de 125 objectos por milhão de habitantes.

Em termos percentuais, as regiões do Norte, Área Metropolitana de Lisboa e Centro, foram as que registaram a maior concentração de Objectos incluídos nos Pedidos de Design (53,3%, 27,2% e 15,4% respectivamente). 

 

Pedidos de Design também sem expressão

 

A Madeira representou 0,4% do total, 20 pedidos por milhão de habitantes e um desvio sobre o valor nacional de -84%, o segundo mais baixo à frente dos Açores.

Por fim, os Pedidos de Marcas e OSDC (Outros Sinais Distintivos do Comércio) de origem portuguesa em Portugal, no ano 2018, o número por milhão de habitantes situou-se em 2.150. 

“Relativamente à distribuição do número de Pedidos por regiões, 37,7% destes têm origem na Área Metropolitana de Lisboa, 31,5% na região Norte, e 18,3% na região Centro. 

As regiões dos Açores e Madeira, foram as regiões que registaram o menor número de Pedidos (1,2% e 1,9% respectivamente)”.

Taxa de risco de pobreza nos Açores só é ultrapassada por Bulgária, Roménia e Grécia

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Em 2017, 22,5% da população da União Europeia estava em risco de pobreza ou exclusão social. Em Portugal e em Espanha havia, no mesmo ano, percentagens mais elevadas de população nestas condições: 23,3% e 26,6%, respectivamente. 

No âmbito da UE, o valor mais alto registou-se na Bulgária (38,9%) e o mais baixo na República Checa (12,2%).

 No que respeita à população jovem (15-29 anos), os países ibéricos registaram valores de pobreza ou exclusão social ainda mais elevados: 35,2% em Espanha e 27,5% em Portugal.  

Estes números foram agora divulgados pelo INE, numa publicação sobre “Península Ibérica em números”.

O mesmo INE já tinha divulgado as estatísticas de 2017 sobre o risco de pobreza nas regiões portuguesas, constatando-se que os Açores possuem o maior risco, com uma taxa de 31,5%.

Pior do que os Açores, na Europa, está, para além da Bulgária (38,9%), a Roménia (35,7%) e Grécia (34,8%).

Segundo o padrão adoptado pelo INE, a taxa de risco de pobreza correspondia, em 2017, à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos (por adulto equivalente) inferiores a 5.610 euros anuais (468 euros por mês).  

“No entanto, tendo em conta que há diferenças socioeconómicas significativas entre as regiões, foram complementarmente estimadas linhas de pobreza regionais que mostraram diferenças de proporções menos acentuadas entre as regiões”, ressalvou o estudo.

Em 2018 - estima o estudo - mantém-se a tendência de redução da taxa de privação material (16,6%, menos 1,4% que em 2017) e da taxa de privação material severa (6,0%, menos 0,9%que em 2017).

Entretanto, a estratégia económica de crescimento da União Europeia (UE) para a presente década (Europa 2020) define como objetivo a redução do número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social na União Europeia em, pelo menos, 20 milhões de pessoas até 2020.

Em 2018 - refere o INE - 2,2 milhões de pessoas em Portugal encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social (pessoas em risco de pobreza ou em situação de privação material severa ou vivendo em agregados com intensidade laboral per capita muito reduzida), o que equivale a uma taxa de pobreza ou exclusão social de 21,6% (menos 1,7% do que em 2017).

 

Açores com menos níveis de escolaridade

 

De acordo com o mesmo estudo do INE, em 2017, a maioria das regiões ibéricas tinha percentagens de população (25-64 anos) com níveis de escolaridade média entre 21% e 28%. 

Em Portugal, o valor mais baixo registou-se na Região Autónoma dos Açores (18,2%) e o mais elevado na Área Metropolitana de Lisboa (27,6%); em Espanha, o mínimo ocorreu na Extremadura (16,6%) e o máximo nas Illes Balears (27,2%) .

 

Açores com menos médicos

 

Em 2017, apenas uma região NUTS II de Portugal tinha mais do que 5 médicos por 1000 habitantes: a Área Metropolitana de Lisboa (6,4). 

Em Espanha, esta situação ocorria em 11 regiões, todas do NorteCentro, com valores a oscilarem entre 5,1 (Galicia e Extremadura) e 6,7 (Aragón e Comunidad de Madrid). 

As regiões ibéricas mais desfavorecidas neste domínio (menos de 4 médicos por 1000 habitantes) situavam-se sobretudo em Portugal – Algarve (3,9), R. A. Açores (3,3) e Alentejo (2,9) –, mas também existiam duas em Espanha abaixo deste limiar, as Cidades Autónomas de Ceuta (3,8) e de Melilla (3,4). 

Desemprego baixa nos Açores, mas também as ofertas de emprego e sobem os desempregados inscritos

desemprego2Os Açores registaram em Março uma descida de 11,5% no número de desempregados em relação ao mês homólogo do ano passado, mas tiveram uma descida nas ofertas de emprego, nas oferta de emprego recebidas, nas colocações efectuadas, e uma subida nos desempregados inscritos, revela o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

As ofertas de emprego foram apenas de 19, quando no ano passado tinham sido 62, uma variação de menos 69,4%.

O número de empregados inscritos foi de 1.054, quando no mesmo mês do ano anterior foi de 997, mais 5,7%. 

”Estes números vêm demonstrar a evolução notável do mercado de trabalho com a descida do desemprego”, disse ontem a Directora Regional do Emprego, em declarações à margem da segunda sessão do ‘Open Days - Emprego Jovem’.

Assim, no final do mês de Março estavam inscritos 7.624 desempregados à procura do primeiro e de novo emprego.

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