Colmeia está a celebrar uma década: “inovar faz parte do nosso ADN”

Colmeia

O empresário Fernando Neves, proprietário de vários projectos na área da hotelaria e restauração, abriu há 10 anos a Colmeia – Confeitaria. Com uma esplanada virada para a avenida marginal de Ponta Delgada, o espaço tem primado pela criação de vários doces que têm a sua essência nos produtos regionais. O “bolo malamanhado” é um dos exemplos. Trata-se de um bolo-rei à moda açoriana, que tem o ananás como base. Ao Diário dos Açores, o responsável afirma que o doce tem tido muito sucesso e já enviou “algumas centenas” para o continente. A Queijada de Ponta Delgada e a Nata dos Açores, de ananás ou maracujá, são outras das inovações desta pastelaria.

 

Diário dos Açores – Como surgiu a ideia para abrir a Colmeia-Confeitaria?

Fernando Neves (FN) – No espaço onde actualmente está a Colmeia tínhamos antes uma loja de pronto-a-vestir. Na altura, já havia algum desenvolvimento turístico e assistia-se a uma baixa na área do pronto-a-vestir devido ao Parque Atlântico, pelo que decidimos alterar a área de negócio para um novo conceito. E decidimos abrir a confeitaria por duas razões. Primeiro, porque já estávamos na área, quer pelo Hotel Colégio, quer pelo restaurante, e, segundo, porque sentíamos que havia a necessidade de haver algo diferente na área da pastelaria cá em Ponta Delgada. Este natal faz 10 anos que abrimos.

 

E o que veio trazer de diferente a Colmeia? Em que marca a diferença?

FN - A ideia foi ter uma pastelaria que viesse trazer uma oferta inovadora e diferente, baseada nos nossos produtos regionais e nas nossas tradições. E o nosso objectivo tem sido esse, marcar a diferença, dando um bom uso aos nossos produtos. Queremos valorizar os produtos locais e é isso que temos tentado fazer ao longo dos anos. 

 

O “bolo Malamanhado” é um exemplo destas inovações? 

FN – Sim. Na época de Natal nós inovamos no bolo-rei. O bolo-rei é um doce tradicional do continente. E o que nós tentamos fazer foi alterá-lo e criar um bolo-rei dos Açores à base do ananás. Demos-lhe o nome de “Malamanhado”, que é um termo que se usa muito em São Miguel. Este bolo tem tido algum sucesso e tem sido muito procurado por locais. Também é procurado no continente. Nesta época de Natal, damos resposta a muitos pedidos de encomenda para o continente. É um doce que nos distingue. Nesta altura, fazemos ainda outras especialidades, como o tronco de natal de chocolate. 

Entre as inovações, ao longo dos anos criámos também a Queijada de Ponta Delgada, cuja receita foi construída a partir da história de Ponta Delgada. Outro produto que tem procura são as “esperanças”. Fomos buscar uma receita do Convento da Esperança, fazendo-lhe pequenas alterações e adaptações. A nata dos Açores também foi uma criação da Colmeia, que é baseada no tradicional pastel de nata português, mas feito com ananás ou com maracujá. 

Portanto, damos aqui importância à valorização e ao aproveitamento dos produtos da Região, o que qualifica e valoriza a nossa oferta na área da pastelaria.  

 

Nesta época de Natal, é possível quantificar o número de bolos “Malamanhados” que enviam para o continente? E quem são estes clientes?

FN – São algumas centenas. Só esta semana mandamos mais do que cem bolos, mas todas as semanas vamos enviando. O nosso bolo-rei dos Açores tem muito ananás e tem muita fruta, o que permite que a sua duração seja maior, pelo que é viável o seu envio para o continente. No mercado local também temos notado que é cada vez mais conhecido e tem uma procura cada vez maior. Quanto aos clientes, são sobretudo individuais e lojas que vendem produtos açorianos.

 

Mas além dos doces, também têm outras especialidades…

FN – Sim. Ao nível das refeições rápidas também temos uma oferta diferenciada. É o caso dos nossos hambúrgueres, com carne 100% regional, servidos em bolo lêvedo, entre outros pratos que servimos. Há pouco tempo lançamos as nossas pizzas. A pizza é um produto italiano, mas quisemos dar-lhe um toque açoriano e criamos pizzas associadas a cada uma das nove ilhas dos Açores, com produtos e cores típicos de cada ilha, desde Santa Maria ao Corvo. Por exemplo, a Pizza Verde é de São Miguel, a Branca, da Graciosa... Em termos de doçaria, fazemos ainda os chamados doces finos, como os camafeus, os queijinhos…  Temos igualmente as trufas. São três tipos diferentes dos que existem, a trufa de ananás – a de maior sucesso –, a trufa de maracujá e a trufa de limão galego, esta última mais ácida. 

 

Estão, neste Natal, a celebrar uma década desde a abertura do espaço… Que balanço faz deste tempo de actividade?

FN – O balanço é positivo. Penso que marcamos a diferença. Além disso, eu vejo este projecto de um jeito muito pessoal, pois já tenho aqui a família envolvida, nomeadamente a minha filha e o meu genro. Tenho outros negócios, mas acompanho o trabalho aqui desenvolvido de maneira muito especial. Traz-me alguma satisfação pessoal. Já criámos mais de 20 postos de trabalho e temos apostado na formação. Nas áreas da pastelaria e da cozinha não há muita oferta a nível de recursos humamos e nós, aqui, tentamos formar as pessoas que vêm trabalhar connosco. Por exemplo, a nossa responsável de pastelaria começou a sua formação em cozinha e pastelaria aqui.

 

O aumento do fluxo turístico reflectiu-se também na actividade da Colmeia?

FN – Com certeza. Por aqui passa muita gente. Entram muitos turistas e há quem goste de levar doces de cá para oferecer aos seus familiares, na sua terra natal. Levam alguns dos nossos doces tradicionais, como a Queijada de Ponta Delgada ou as natas de maracujá e ananás. Esta é também uma forma de dar a conhecer as nossas tradições a quem nos visita. Acho isso muito importante, porque existe aquele turista gastronómico, que gosta de conhecer o que nos diferencia ao nível da comida e dos doces. Neste aspecto, a Colmeia tem tentado dar resposta a esta procura.

 

 A seu ver, qual tem sido o maior desafio na gestão da Colmeia – Confeitaria?

FN – O maior desafio está nos recursos humanos e este é um problema transversal a vários sectores. É difícil, neste momento, encontrar recursos humanos formados. Tem havido algum esforço da nossa parte, em termos de formação, mas esta é a nossa maior dificuldade. No entanto, temos conseguido ultrapassar este desafio. A nossa equipa tem estado estabilizada. E é uma boa equipa, com muito à vontade e com alguma atitude, que a meu ver é muito importante nesta área. 

Qual diria ser a chave para o sucesso e longevidade da Colmeia?

FN – Tem tudo a ver com a qualidade e com o serviço que se presta aos clientes. É o saber corresponder às expectativas do cliente. Aliar qualidade do produto, à inovação, diferenciação e ao serviço dado ao cliente. Aliás, uma das coisas que nos define é o tratamento próximo para com quem nos visita.

 

Têm em vista a criação de novos produtos num futuro próximo?

FN – Nós criamos produtos novos com alguma regularidade. Inovar faz parte do nosso ADN. Há um ditado que diz que “parar é morrer”, pelo que a nossa ideia é continuar a inovar, fazer coisas novas e diferentes relacionadas com os Açores.  Há produtos que criamos e que são um sucesso e outros nem tanto e são retirados do mercado. Isso é natural. O próprio bolo-rei dos Açores tem sofrido uma evolução anual. Todos os anos damos-lhe uma nova roupagem: começou por ser o bolo-rei escangalhado de ananás e passou a bolo “malamanhado”. E certamente irá evoluir ainda mais, de forma a acrescentar mais requinte ao seu sabor. Digamos que o produto nunca está no fim, mas sempre no caminho de ser melhorado. 

 

E como surgem as ideias para serem criados novos doces? É dada uma indicação neste sentido ou há um trabalho de equipa?

FN – Neste aspecto, costumo dar muitas ideias, pois não gosto de me acomodar com o que já existe. Gosto sempre de apostar na diferenciação. Depois de serem dadas as ideias, elas são trabalhadas em equipa. Os pasteleiros trabalham e melhoram a ideia até ser criado o produto final. Portanto, no fundo, o resultado do trabalho que apresentamos só é possível porque temos uma equipa que trabalha em conjunto. E há sempre esta vontade de toda a equipa de mostrar a sua capacidade e criatividade. É um trabalho bom para a Colmeia, mas também para outros espaços, pois já se vêem alguns dos nossos produtos a serem recriados por outras pastelarias. É bom para o mercado. 

 

Com vê o futuro da pastelaria?

FN – Eu sou uma pessoa muito positiva e, naturalmente, que a minha perspectiva segue neste sentido. Sou um homem ligado ao Turismo e penso que o Turismo vai assumir a sua posição de motor da economia. É uma área que toca e movimenta vários sectores de actividade e as potencialidade enormes que temos nos Açores, o produto de excelência que temos a oferecer, só me fazem estar muito positivo em relação ao futuro da Região e, consequentemente, também da Colmeia, que presta este serviço de dar a conhecer os nossos produtos regionais.  

 

Operadores turísticos vendem “últimos lugares” dos programas de Fim de Ano nos Açores

fogo artificio pdl

O operador turístico Solférias está a divulgar promoções de “últimos lugares” para os seus programas de Fim de Ano nos Açores e na Madeira, com voos TAP ou SATA e três ou quatro noites de alojamento.

Para os Açores, a Solférias tem programas de réveillon com três noites de alojamento e voos de ida e volta, com preços por pessoa em quarto duplo a partir de 387 euros para a Terceira, desde 402 euros para São Miguel e a partir de 419 euros para o Faial.

O programa para a passagem de ano na Madeira, por sua vez, está no mercado a partir de 599 euros por pessoa em quarto duplo, com voos de ida e volta e quatro noites de alojamento.

 

Açores, Marraquexe, Cabo Verde

 

Por sua vez, o operador turístico Soltrópico divulgou para o mercado um conjunto de ofertas de “últimos lugares” para os seus programas de Fim de Ano, nos Açores, em Marraquexe e na ilha cabo-verdiana da Boavista.

Para os Açores, o operador destaca um programa para a Ilha de São Miguel com quatro noites de alojamento e voos SATA de ida e volta à partida de Lisboa, desde 380 euros por pessoa em quarto duplo.

A oferta para Marraquexe, por sua vez, está no mercado a partir de 446 euros por pessoa em quarto duplo, com três noites de alojamento, voos de ida e volta à saída do Porto e oferta d eum city tour de meio dia pela cidade.

O programa para celebrar a passagem de ano na Ilha da Boavista, por fim, está no mercado a partir de 1.032 euros por pessoa em quarto duplo, com voos TAP de ida e volta à saída de Lisboa e sete noites de alojamento.

 

Quebra de passageiros espanhóis no aeroporto de S. Miguel

 

Os aeroportos espanhóis contabilizaram 4,51 milhões de passageiros de voos de/para Portugal entre Janeiro a Novembro, inclusive, que já é um novo recorde anual, superando por mais cerca de 227 mil o total dos 12 meses de 2017, de acordo com dados da AENA, gestora dos aeroportos espanhóis, recolhidos pelo PressTUR.

Relativamente aos 11 meses de Janeiro a Novembro de 2017, o total este ano traduz um crescimento médio em 14%, que significa um aumento superior a meio milhão (mais 554,3 mil).

A informação recolhida pelo PressTUR indica que as ligações com o Porto foram as que tiveram o maior aumento de passageiros, em 282,3 mil (+24,1%, para 1,45 milhões), que previsivelmente está associado à retoma pela TAP da rota Porto - Barcelona, cuja totalidade das operações tiveram um aumento de passageiros em 34,3% ou 140 mil, para 547,9 mil.

Seguiram-se os voos de/para Lisboa, com mais 263 mil passageiros (+9,9%, para 2,91 milhões), com mais 90,7 mil nas ligações com origem/destino em Madrid (+6,9%, para 1,4 milhões) e mais 53,6 mil nos voos de/para Barcelona (+6,9%, para 827,4 mil).

Beja, que foi o aeroporto ‘imposto’ aos operadores turísticos para poderem realizar alguns charters para as ilhas espanholas, foi, por essa razão, o que teve o terceiro maior aumento, com 5,2 mil passageiros, quando entre Janeiro e Novembro de 2017 tivera apenas 179 em voos de/para aeroportos espanhóis.

Seguiram-se Faro, com mais cerca de três mil passageiros em voos de/para Espanha (+6,3%, para 50,9 mil), Funchal, com mais cerca de 2,4 mil (+3,8%, para 66,3 mil), e Terceira, com mais 1,2 mil (+10%, para 13,8 mil).

Ponta Delgada foi o único aeroporto português que teve quebra de passageiros em voos de/para Espanha, com um decréscimo em 26,1% ou menos 3,4 mil, para 9,6 mil.

Ponta Delgada é assim, também, o único aeroporto português que de Janeiro a Novembro deste ano não teve já mais passageiros que nos 12 meses de 2017.

 

Quota de goraz será repartida por ilha em 2019 e 2020

Goraz1A portaria que fixa a repartição da quota de goraz destinada aos Açores para cada ilha do arquipélago, respeitando o historial de captura de cada uma delas, foi ontem publicada em Jornal Oficial, no seguimento da publicação do Regulamento Comunitário que determina o acréscimo para 566 toneladas de quota de goraz atribuído aos Açores.

Tendo por base o modelo de gestão estabelecido em parceria com o sector desde 2017, a portaria mantém a chave de repartição da quota de goraz entre as diferentes ilhas do arquipélago. 

O diploma, segundo a Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, pretende garantir uma repartição “justa e equitativa” da quota destinada aos Açores e permitir a cada ilha gerir “de forma racional” este recurso.

O Secretário Regional pretende que os pescadores de cada uma das ilhas do arquipélago estejam habilitados a gerir a quota que lhes é atribuída, “de forma a concentrarem o esforço de pesca nos meses em que a espécie atinge valores mais elevados em lota”.

Gui Menezes salientou o “sucesso” do modelo de gestão implementado desde 2017, “em estreita parceria com sector”, que permitiu um aumento considerável dos rendimentos dos pescadores.

Esta pescaria rendeu no ano passado cerca de sete milhões de euros, sendo que este ano, até à data, o goraz rendeu na primeira venda 6,5 milhões de euros.

“As 566 toneladas de quota de captura de goraz anual que a Região dispõe para 2019 e 2020 são repartidas pelo conjunto da frota do arquipélago, ilha por ilha”, com base no seu historial de capturas, permitindo a cada ilha gerir “de forma racional este importante recurso”, frisou Gui Menezes.

“Este aumento de 59 toneladas para os próximos dois anos pode representar, aos preços médios actuais da primeira venda em lota, um aumento de cerca de 1,7 milhões de euros no rendimento dos nossos pescadores”, acrescentou.

O Secretário Regional destacou ainda o reforço da quota para o próximo biénio, frisando que os Açores registaram “um aumento histórico, nunca antes alcançado, passando de 507 para 566 toneladas, “fruto de uma gestão adequada, que permitiu a recuperação de um recurso fundamental para o sucesso do sector da pesca na Região”.

Santa Maria será a sede da Agência Espacial Portuguesa

estação esa santa mariaOs Açores vão integrar, na qualidade de membro associado fundador, a Agência Espacial Portuguesa – Portugal Espaço, que será criada durante o primeiro trimestre do próximo ano e que terá como missão o desenvolvimento do sector nacional do Espaço, promovendo e gerindo programas nacionais ligados a este sector.

A Portugal Espaço, que está a ser criada em articulação entre o Governo da República e o Governo dos Açores, ficará sedeada na ilha de Santa Maria.

O Secretário Regional da Ciência e Tecnologia salientou que esta é a prova de que “os Açores são decisivos na estratégia nacional para o Espaço”, recordando que, desde 2008, a Região tem investido neste sector.

Segundo Gui Menezes, através da participação na Portugal Espaço, “os Açores poderão atrair empresas ligadas ao sector espacial, que contribuam para a implementação de novas tecnologias e para o desenvolvimento de projectos neste domínio, contribuindo, assim, para a criação de emprego qualificado e para a prestação de serviços ligado às ciências e tecnologias do Espaço”.

Refira-se que, no âmbito de alguns projectos já em curso nos Açores, e em estreita colaboração com a Agência Espacial Europeia, a Portugal Espaço deverá ainda garantir o suporte técnico e a necessária cooperação com vista à criação, avaliação e/ou aperfeiçoamento dos processos e serviços baseados em tecnologia aeroespacial.

Vasco Cordeiro sobre a SATA: “Está em curso a reorganização da empresa”

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O Presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, assegurou que a transportadora aérea SATA tem nesta fase “todas as condições” para “continuara a servir os Açores e a sua economia”, após “alguns períodos de turbulência”.

“Há uma administração empenhada em reforçar a empresa, está em curso uma renovação da frota com os mais modernos aviões do mercado, foram tomadas medidas de reforço da estabilidade financeira do grupo, está em curso a reorganização da própria empresa e pretende-se um parceiro estratégico que robusteça a atividade operacional da companhia”, frisou o governante.

Vasco Cordeiro falava na delegação de Ponta Delgada da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, na Comissão Eventual de Inquérito ao Sector Público Empresarial Regional (SPER).

Na sua intervenção inicial, de cerca de 15 minutos, o chefe do Executivo açoriano fez ainda um “apelo” aos deputados e partidos políticos para que, “sem prejuízo dos direitos de cada um”, fosse possível “estabelecer um clima fundamental” para que sejam tomadas medidas na empresa que resultem nos “resultados pretendidos” de mais-valia para os Açores, os açorianos e a economia regional”.

O governante lembrou a crise recente na economia mundial, europeia e portuguesa para sustentar que a SATA “fez a diferença”, não para o executivo, “mas sim para milhares e milhares de açorianos que, trabalhando no sector turístico ou em actividades com este relacionadas, nesse período puderam manter o seu posto de trabalho” ou “manter as suas empresas”.

“Foi a SATA que, com a sua operação para a Europa, garantiu que entrassem, entre 2009 e 2014, mais de 50 milhões de euros nas empresas turísticas dos Açores, ajudando, por esta via, a manter emprego na Região, quando este sector estava em grande recessão a nível mundial”, disse.

Posteriormente, a transportadora viveu um “trajecto de recuperação” que “teve seguimento em 2016, ano marcado por uma grande paz social, e no qual se verificou uma evolução generalizada dos resultados operacionais”, que melhoraram 7,7 milhões de euros, recuperando dos 16,7 milhões de euros negativos para os nove milhões de euros também negativos.

“Chegamos, assim, a 2017. Enfrentámos um ano atípico por uma série de razões que interessa, aqui, recordar, pelo impacto que tiveram nas contas do grupo SATA”, disse Vasco Cordeiro, falando nos aumentos de custos de combustível, incidentes com aviões ou “cancelamentos por razões operacionais e meteorológicas que, não sendo exclusivos deste ano, impactaram significativamente” os resultados da empresa.

E prosseguiu: “Para os que, consciente ou inconscientemente, alimentam em si próprios ou noutros a ilusão de que a SATA poderia estar protegida numa redoma ou que tudo vai bem na aviação civil e só a SATA tem os desafios que tem, convém talvez lembrar que só desde 2017, por todo o mundo, já se extinguiram mais de 260 companhias de aviação, das quais, apenas em 2017 e 2018, mais de três dezenas”.

 

Oposição desiludida com Vasco Cordeiro

 

A maioria dos partidos da oposição no Parlamento dos Açores mostrou-se desiludida com a audição do Presidente do Executivo regional sobre a SATA, com Vasco Cordeiro e o PS a falarem em “rigor” nas declarações prestadas.

O PSD, maior partido da oposição, disse que Vasco Cordeiro não abordou nas mais de três horas de audição sobre a transportadora aérea açoriana mais do que “generalidades”, sem identificar devidamente as causas para “os 200 milhões de euros que a SATA perdeu em dez anos”.

“Sem um bom diagnóstico não há um bom prognóstico”, vincou o deputado António Vasco Viveiros, que durante a audição do Presidente do Governo dos Açores disse não encontrar “ligação” nem “relação” directa entre os prejuízos em anos recentes da transportadora e mais-valias económicas, por via da chegada de turistas de novos mercados aos Açores.

Ainda à direita, o chefe da bancada parlamentar do CDS/Açores, Artur Lima, pediu estabilidade para a empresa açoriana, que “não pode estar a mudar de administração de ano a ano”, e precisa de uma “reestruturação interna” que promova “gente capaz e competente”.

“A primeira reestruturação que tem de se fazer na SATA é com gente competente e capaz de levar a SATA a bom porto”, disse na comissão de inquérito ao sector público empresarial dos Açores, que ouviu Vasco Cordeiro.

Pelo PPM, o deputado Paulo Estêvão mostrou-se decepcionado pela “ausência de autocrítica”.

“Todas as pessoas cometem erros, ninguém é perfeito. E nesta matéria, no âmbito da SATA, é muito evidente que vossa excelência cometeu erros”, disse na Comissão, dirigindo-se ao Presidente do Executivo açoriano.

O representante do PCP, João Paulo Corvelo, abordou o processo de alienação de 49% da Azores Airlines, entretanto interrompido, mas que terá um segundo concurso, para dizer que, para os comunistas, “a SATA deve continuar na esfera pública e deve ser uma empresa bem gerida, que deve aprender com os erros do passado”.

 

Já o Bloco de Esquerda (BE), pelo deputado Paulo Mendes, abordou as “rotas deficitárias” de anos recentes da transportadora aérea, advogando que “a SATA deveria ter sido devidamente compensada por esse esforço”.

O PS, partido que tem maioria absoluta no Parlamento e que forma o executivo, sustentou que Vasco Cordeiro se apresentou em sede de Comissão com “rigor”.

“Tudo o que foi perguntado dentro do âmbito da Comissão foi respondido pelo Presidente” do Executivo, sublinhou o parlamentar Francisco César, que lamentou “generalizações abusivas, citações fora do contexto ou omissões de partes dos documentos” da parte de outras bancadas.

Aos jornalistas, no final dos trabalhos, Vasco Cordeiro sustentou que houve “partidos que entraram com uma ideia formada” na Comissão, num “objectivo partidário e de ataque” ao Governo Regional e, “surpreendentemente”, também à SATA.