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“Esta é uma gelataria de dois italianos que querem ser açorianos”

Abracadabra - donos

A vontade de deixar a vida frenética em Itália e adoptar um modo de vida mais calmo, trouxe Stefano Finco e Luca Introini até Ponta Delgada, onde desde Abril de 2018 vendem gelados artesanais italianos. Deixaram a vida de contabilistas e adquiriram a Gelataria Abracadabra, localizada precisamente no edifício que albergou durante muitos anos o jornal Diário dos Açores. Um ano depois dizem não se arrepender da mudança de vida que fizeram. Usam produtos naturais açorianos nos gelados que criam, desde o leite, às natas e às frutas, combinando-os com produtos que chegam da terra natal, como o pistácio e a avelã. Ao nosso jornal, os dois italianos contam que o objectivo passa por tornarem-se cada vez mais açorianos.

 

Diário dos Açores –  Como é que dois italianos acabam a viver em São Miguel 

Stefano Finco (SF)- Nós éramos contabilistas. Éramos daquelas pessoas que precisavam muito de férias, porque o trabalho era muito cansativo e muito stressante. 

Luca Introini (LI)- Somos do norte de Itália, perto de Milão, e lá a vida é muito mais frenética, rápida e, por consequência, muito cansativa.

SF – Sim. Precisávamos muito de férias para poder descansar, mas depois começámos a ver as coisas de forma diferente. Começámos a pensar que poderia haver no mundo algum lugar que fosse melhor do que Itália, para viver calmamente. Visitámos vários locais, desde as Canárias, ao Japão, Mani… com culturas muito diferentes. E no verão de 2017 viemos também aos Açores e gostámos muito do que vimos. Visitamos o Pico, a Terceira, o Faial e São Miguel. Mas a ideia de abrir uma gelataria não era nova. Já há uns anos que estávamos a pensar nisto. Frequentámos um curso, em Itália, para aprender a fazer gelados e aos fins-de-semana íamos a uma gelataria bastante famosa lá, para ver como funcionava. Achávamos que seria interessante deixar tudo em Itália e abrir uma gelataria algures. Entre os locais que visitámos, ponderámos abrir o espaço nas Canárias, mas é um lugar muito diferente dos Açores. São ilhas turísticas, com muito movimento, só que não era esta vida que nós queríamos. Vender gelados a turistas é muito importante, mas a nossa ideia era vender gelados aos locais, falar com eles e fazer parte de um lugar.  

LI – Nas Canárias, vida seria muito cansativa. E de que nos valia ir para lá se íamos viver cansados como já estávamos em Itália? Não fazia sentido…

SF – Por isso, decidimos vir para os Açores abrir uma gelataria, usando produtos naturais e recorrendo a produtos locais, como o leite e a nata.

Escolheram então vir para a ilha de São Miguel…

SF – Sim, mas a nossa ideia inicial não era abrir em São Miguel, pois já existiam cá gelatarias. No entanto, encontramos um espaço à venda que já era uma gelataria e acabamos por aproveitar oportunidade. A anterior gelataria estava aberta desde 2015, mas fechou e nós reabrimo-la em Abril de 2018. Mantivemos o nome da gelataria, pois era um nome já conhecido dos locais.

 

E que alterações implementaram?

SF – Mudámos tudo. Quisemos introduzir as nossas ideias que passavam por utilizar novos produtos, novas receitas, inovando nos sabores. A ideia era fazer um gelado o mais natural possível e o mais barato possível, porque queremos vendê-lo aos locais. Sabemos que Os Açores não são o local mais rico do mundo… Não estamos em Lisboa, nem no Porto, nem nas Canárias, para cobrar muito por um gelado. Podíamos fazê-lo, mas a nossa ideia não é ganhar muito dinheiro para voltar a Itália. Não. Queremos apenas ganhar o suficiente para poder viver cá, à maneira açoriana. 

LI – E estamos sempre à procura de novos sabores e novidades.  

SF – Gostamos de falar com os locais para saber do que mais gostam e inovar a cada dia que passa.

 

E o que tem de especial o gelado italiano?

SF - O segredo dos gelados está precisamente na modalidade da produção, sem produtos químicos.

LI – Aqui na ilha há duas modalidades de preparação dos gelados: o artesanal italiano, com uma máquina bastante cara para misturar e estruturar o gelado, e os sistemas que encontramos em muitos quiosques, que produzem gelados instantâneos, os chamados gelados soft, que são feitos a partir de um pó - ou seja, com químicos. Aqui, recorremos à produção artesanal. Primeiro fazemos a mistura, depois o gelado tem que madurar. 

SF – Ou seja, o gelado é feito da maneira que tem que ser feito: com o leite, natas e açúcar. E depois adicionamos produtos, muitos locais e alguns italianos. A avelã que usamos é italiana, o pistácio também. Mas, no fundo, o instrumento mais importante para fazermos os nossos gelados é a calculadora. 

 

Porquê a calculadora? 

SF - Porque o gelado artesanal italiano tem uma estrutura crítica. Basta um pouco a mais de leite, ou outro ingrediente, que o gelado deixa de ter a consistência certa. O cálculo da quantidade de ingredientes é muito importante. E com isso a nossa vida acaba por voltar para a contabilidade na folha de excel… (risos)

 

Quais são os sabores mais procurados na Abracadabra?

SF - São o de avelã, pistácio e de chocolate. Temos o gelado de chocolate preto sem leite e de chocolate com leite. Também temos os sabores de cappuccino, de stracciatella… Depois temos os gelados de fruta, que são sorvetes sem leite. Sabemos que há muitas pessoas intolerantes à lactose, pelo que temos esta alternativa. Estes gelados são feitos mesmo com fruta que é picada. E nos sorvetes utilizamos muita fruta local. Utilizamos as bananas de Vila Franca, o ananás das estufas, a laranja regional… Não usamos fruta em pó. No caso das frutas que não são da época, congelamos para podermos fazer gelados em qualquer altura do ano. Mas é sempre tudo natural. Este é o nosso segredo. Sai mais caro trabalhar assim, mas somos apenas nós e mais dois funcionários aqui a trabalhar. E com um bom volume de clientes conseguimos um negócio sustentável.

 

Quem são os vossos clientes?

SF - No Verão, recebemos bastantes turistas, mas cerca de 50% são locais. No mês de Maio estivemos fechados devido a uma avaria de uma máquina que teve de ser reparada em Itália. Mas no fim-de-semana que reabrimos, foram os locais que voltaram cá. E foi incrível ver a afluência! Ficámos muito preocupados com o negócio por não conseguirmos estar abertos durante as festas em honra do Santo Cristo dos Milagres, mas temos continuado a trabalhar e a dar o nosso melhor. Para nós, isto é o mais importante. 

 

Qual o maior desafio na gestão da gelataria?

SF - O maior desafio é o facto de estarmos mais afastados do centro da cidade, especialmente no que toca aos turistas. Só os que gostam de caminhar é que vão chegar a este lado da cidade. Há também pessoas que moram cá e que não nos conhecem. E ficam surpresos: “há aqui uma gelataria?” 

Quanto ao turista de cruzeiro, nem chega aqui. Eles não chegam a esta parte da cidade. Ficam pela avenida, sentados numa esplanada a beber uma cerveja…  Aliás, a nosso ver, este não é de facto o turista de que a região precisa. O melhor turista é o de natureza, que vem com a mochila às costas para explorar a ilha e a cidade. O futuro do turismo dos Açores só pode ser isso.

LI – E há muitos lugares a explorar na cidade, para além da avenida e das Portas do Mar. Mas muitos não chegam a esta parte da cidade. 

SF - Quanto aos locais, vêm muito aqui depois de jantar. Principalmente famílias grandes. As famílias açorianas não são como as de Itália, onde os casais mal têm um filho quanto mais três ou quatro! (risos) Aqui vemos famílias grandes e conseguimos perceber que não são de grandes posses. Pedem o gelado mais pequeno, mas sabem que é muito saboroso. Quando vemos o sorriso de orelha a orelha das crianças a comer o gelado, sentimos que o nosso trabalho vale a pena. Estes sorrisos são o nosso melhor resultado.

 

Estão abertos há pouco mais de um ano. Que balanço fazem da actividade durante este tempo?

SF - Muito bom. O desafio maior era perceber se podíamos ou não concretizar a nossa actividade aqui e a resposta é sim, conseguimos fazê-lo. O próximo passo é tornarmo-nos mais açorianos. Conhecer mais pessoas locais, porque a actividade da gelataria, sabemos que está bem. E como fazemos isso? Frequentamos casas de pasto, em vez de irmos a restaurantes virados para o turista, comemos comida típica de cá, fazemos trilhos, frequentamos eventos locais como lançamentos de livros… Queremos fazer parte desta terra.

LI – Não queremos enriquecer à custa da gelataria, queremos o suficiente para mantê-la e ter uma vida calma nos Açores.

 

Tencionam ficar cá a viver para sempre?

SF – Sim, sem dúvida. Queremos ser açorianos. Por exemplo, nas eleições europeias que aconteceram no passado mês de Maio, podíamos escolher votar num candidato italiano ou num português, e escolhemos votar por Portugal. 

LI – Se queremos viver aqui, temos que participar na vida desta região e do país. Por isso, sentimos que fazia sentido votar num candidato português.

SF – Sim. E nós estamos atentos ao que se passa por cá, lemos os jornais e vamos discutindo entre nós o que se passa em termos políticos. 

LI – É uma boa forma de perceber e conhecer a vida política nos Açores e em Portugal. É importante para nós. 

 Portanto, está fora de questão voltar a viver em Itália…

SF – Oh, sem dúvida! Vir para cá não foi uma decisão repentina. Ponderámos muito. Nós tínhamos as nossas casas em Itália e tivemos que vender tudo. As nossas famílias também lá ficaram. E os meus pais já têm alguma idade… Não foi uma decisão fácil de tomar. Mas sentimos que precisávamos disto. Foi a melhor escolha da minha vida.

 

Um ano depois da mudança para São Miguel, já se sentem um bocadinho açorianos?

LI – Um pouquinho, sim. A ideia não é ficar aqui por dois ou três anos, ganhar muito dinheiro e voltar à Itália. Para isso, iríamos para as Canárias, onde há muito mais turismo. Aqui a vida é diferente, por isso fizemos esta escolha.

 

Como correu a fase de adaptação?

SF – A fase de nos instalarmos e de criarmos a empresa foi fácil. Tivemos muita ajuda. As pessoas cá são mais acessíveis do que os italianos. Por exemplo, em Itália quando temos de ir às Finanças sentimos arrepios de medo! (risos) Mas aqui, encontramos pessoas muito simpáticas que nos ajudaram muito quando cá chegamos e não percebíamos nada de português. No nosso primeiro dia em São Miguel fomos fazer o NIF e tivemos logo muita ajuda. Fomos muito bem recebidos. 

LI – Sentimos o mesmo nos serviços de correios ou no banco. Quando vêem que não somos portugueses são muito prestáveis. A coisa mais difícil, nos primeiros três ou quatro meses, foi habituarmo-nos à calma com que são feitas aqui as coisas… Depois de muitos anos a viver a um ritmo acelerado em Itália, foi um pouco difícil esta adaptação.

  

Contaram com o apoio da família e amigos nesta mudança de vida?

SF – Inicialmente não, mas agora sim. Os amigos estavam convencidos que pouco tempo depois estaríamos de volta a Itália e os meus pais não acharam muito bem irmos viver para o meio do mar… 

LI – Aqui não há ligação ao exterior por terra. É mais difícil chegar aqui. Por isso, não ficaram muito contentes.

SF – Mas agora já é diferente. A minha mãe já tem um ‘tablet’ e, com o Skype, tudo se torna mais fácil.

 

Que expectativas têm para o futuro?

SF – Queremos nos tornar o mais açorianos possível. Integrarmo-nos na comunidade local.  É esta a nossa grande expectativa. Isto e ter bastante tempo para poder fazer coisas, visitar lugares, fazer trilhos, explorar… No verão temos muito trabalho, mas entre Outubro e Fevereiro queremos ter tempo para gozar a vida e a ilha. Esta é uma gelataria de dois italianos que querem ser açorianos. É isto que queremos que as pessoas percebam sobre nós.

 

Venderam-se menos casas nos Açores

Ponta Delgada vista aereaOs Açores estão entre as três regiões do país onde se transaccionaram menos casas no primeiro trimestre deste ano, em contraciclo com os números nacionais.

Com efeito, as vendas de casas em Portugal aumentaram 7,6% no primeiro trimestre, face ao período homólogo, para 43.826 alojamentos familiares transaccionados, de acordo com dados da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP).

Estes valores, compilados pelo gabinete de estudos da entidade, são ainda assim inferiores em 5,6% em relação ao trimestre anterior.

Entre Janeiro e Março de 2019, o valor das vendas ascendeu aos 6,1 mil milhões de euros, um aumento de 12,9% face a igual período de 2018, indicou a entidade.

Segundo a APEMIP, “no período em análise, o valor das habitações transaccionadas na Área Metropolitana de Lisboa ascendeu aos 2,9 mil milhões de euros. 

Em termos de maiores montantes de valores de transacções, seguiu-se a região norte, com 1,4 mil milhões de euros, a região centro com um total de 725 milhões de euros e o Algarve com 672 milhões de euros”.

Por outro lado, “o Alentejo, a Região Autónoma da Madeira e a Região Autónoma dos Açores registaram o menor valor de habitações transaccionadas, correspondendo a aproximadamente 400 milhões de euros”, salientou a associação.

A APEMIP recorda ainda a análise do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgada ontem.

“Centrando a análise na evolução de preços, de acordo com o INE, o Índice de Preços da Habitação registou uma variação homóloga de 9,2%”, refere.

Além disso, diz a associação, “entre o 4.º trimestre de 2018 e o 1.º trimestre de 2019, o índice de preços aumentou 3,6%”.

Citado na mesma nota enviada pela APEMIP, o Presidente da entidade, Luís Lima, indicou que este comportamento é normal no início do ano “pelo que não há motivos para grande alarmismo, até porque, quando comparando com o período homólogo, regista-se uma subida das vendas”.

Ainda assim, de acordo com o dirigente associativo, “é natural que o mercado comece a assistir a uma ligeira quebra no número de transacções, que se justifica essencialmente pela falta de oferta imobiliária, que não corresponde à enorme procura existente”.

Defendida a liberalização das rotas e ampliação das pistas do Pico e Faial

aeroporto da horta

Na reunião de ontem, ao fim da tarde, realizada na Horta, entre o Presidente do Governo regional, Vasco Cordeiro, e representantes de várias associações do Triângulo, foi apresentada uma proposta pelo Grupo Aeroporto do Pico, onde é defendida a “flexibilização ou liberalização das rotas Lisboa/Pico/Lisboa e Lisboa/Horta/Lisboa, de forma a criar uma maior atractividade para qualquer companhia aérea que queira explorar estas rotas, incluindo a SATA/Azores Airlines”.

A reunião contou com a presença da Associação de Turismo Sustentável do Faial, Associação Comercial e Industrial da Ilha do Pico, Grupo Aeroporto da Horta, Grupo Aeroporto do Pico, Câmara de Comércio e Indústria da Horta e Núcleo Empresarial da Ilha de São Jorge.

O referido documento também já tinha sido apresentado à administração da SATA, na reunião que ocorreu no Pico.

 

Flexibilização das OSP

 

Nele é proposto que  se deve considerar “uma flexibilização das Obrigações de Serviço Público (OSP), onde na época de maior procura (Verão IATA) o espaço aéreo estaria mais próximo das regras de mercado livre, podendo ser oferecidos benefícios/compensações para a(s) companhia(s) que opere(m) na época baixa (Inverno IATA)”.

Em alternativa, segundo os proponentes, é de “considerar a liberalização total e acabar com as OSP, salvaguardando que o Governo Regional, acionista único da SATA, irá dar instruções para garantir um serviço mínimo adequado ao longo de todo o ano”.

O documento avança com algumas notas relativas a este processo e defende, igualmente, uma interligação entre o transporte aéreo e o marítimo, nomeadamente na “procura constante no ajuste e optimização dos horários dos aviões com os horários do transporte marítimo de passageiros, de forma a tentar potenciar ao máximo que qualquer voo para uma gateway do Triângulo sirva todas as três ilhas que compõem esta zona do arquipélago”.

O documento avança que “se os voos conseguirem servir as três ilhas do Triângulo ao mesmo tempo, então qualquer passageiro saberia que poderia chegar ao seu destino final por mais do que uma via, tornando os horários de voos para diferentes ilhas do Triângulo como verdadeiramente complementares e nunca concorrentes, o que é benéfico para todos (passageiros, companhias aéreas e empresas da área do turismo)”.

 

Interligação com os transportes marítimos

 

É proposto que, “para além de reservas online no que concerne ao transporte marítimo de passageiros (já existente no website da SATA/Azores Airlines), criação de um canal de comunicação directo entre os aeroportos e as gares marítimas do Triângulo, de forma a optimizar as interligações. Poder-se-ia informar antecipadamente quantos pretendem utilizar outro meio de transporte, o que não só ajuda na gestão de recursos (ex., chegada simultânea de várias pessoas a um aeroporto vindos de um terminal marítimo, ou vice-versa), bem como poderia salvaguardar que a interligação não era perdida devido a atrasos na partida/chegada (ex., um navio poderia esperar alguns minutos — apenas 5 minutos poderiam ser o suficiente — para garantir que os passageiros chegam ao destino no horário pretendido). Implementação de medidas operacionais e outras (ex., legais) de forma a ser possível ter uma experiência mais agradável entre a origem e o destino final. Exemplificando, fazer o check-in com bagagem de porão no aeroporto de Lisboa e apenas levantar a mesma no Terminal Marítimo das Velas, ou ser automaticamente realocado num navio posterior caso um voo se atrase em demasia (semelhante ao que já acontece com o serviço “Lufthansa Express Rail”) seriam inovações e mais-valias que demonstrariam como os Açores podem estar na vanguarda do serviço aéreo/marítimo mundial”.

 

Ampliação das pistas do Pico e Faial

 

A longo prazo, o documento propõe “ampliar as pistas do Pico e do Faial, de forma assegurar a operação sem limitações de payload para as aeronaves das famílias Airbus A320 e Boeing 737. Esta é a única solução que também resolve outros problemas para além de falta de tripulação técnica, tais como penalizações que inviabilizam o transporte de carga e bagagem de todos os passageiros, ou mesmo alguns cancelamentos em dias de condições atmosféricas adversas”.

 

Mais aviões para o Triângulo

 

É ainda proposta a “possibilidade de operar no Pico e no Faial um maior leque de aviões, incluindo o Airbus A321neo actualmente já pertencente à frota da SATA/Azores Airlines, o que também aumenta a redundância e reduz drasticamente a falta de alternativas. Ao diminuir as limitações operacionais destas pistas, também seria mais facilitada a operação de qualquer piloto ou companhia aérea, eventualmente sem necessidade de certificação, o que facilitaria não só a gestão de recursos humanos, mas também a contratação de empresas de ACMI em caso de necessidade”.

Outra proposta no documento é a “possibilidade de potenciar fluxos actuais e iniciar novas rotas através de operações sazonais ou voos charter (ex., voos directos para o mercado da saudade), o que também libertaria lugares nas rotas inter-ilhas, beneficiando todo o arquipélago”.

 

Um avião dedicado às rotas do Triângulo

 

Lê-se ainda no documento a seguinte nota: “como foi visto no início, apesar de esta solução de ampliação de pistas ser a mais onerosa, eventualmente ela paga-se a si própria. Em alternativa à ampliação, criação de uma base especial da SATA em Lisboa, com (pelo menos) um avião dedicado às rotas Lisboa/Pico/Lisboa e Lisboa/Horta/Lisboa. Esta solução permite ter uma aeronave adaptada às condições actuais das pistas do Pico e do Faial, que opere sem limitações nos dois aeroportos (ex., Airbus A319, Airbus A220 e Embraer E190-E2) e com capacidade adaptada à procura em ambas as estações IATA, com possibilidade de reforços no Verão IATA”.

“Projeta-se, com esta sugestão, uma rentabilidade da operação considerando uma rotação diária com Lisboa em ambos os aeroportos, atendendo ao número de lugares a preencher (menor que os A320) e com custos de operação bastante inferiores aos actuais. Com base na ocupação atual, no Verão IATA a operação continuaria a ser rentável com um reforço de uma segunda aeronave, permitindo duas rotações diárias para cada uma das ilhas do Pico e do Faial”, avança ainda a proposta.

“Com excepção do Airbus A319, as outras aeronaves sugeridas (Airbus A220 e Embraer E190-E2) permitem também voos desde o Pico ou o Faial para pontos do centro da Europa e mesmo até à costa leste da América do Norte, possibilitando não só potenciar fluxos actuais, mas também iniciar novas rotas através de operações sazonais ou voos charter (libertando igualmente lugares nas rotas inter-ilhas e beneficiando, assim, o arquipélago como um todo)”, lê-se no referido documento entregue ao Presidente do Governo. 

 

Conselho de Ilha também preocupado com acessibilidades

 

O Conselho de Ilha do Faial questionou ontem o Governo açoriano sobre as acessibilidades aéreas e marítimas à ilha, procurando saber qual a “fiabilidade” da operação da SATA para as viagens entre o continente e o Faial. 

No memorando entregue ao executivo, são lembrados cancelamentos recentes de viagens da Azores Airlines - empresa da SATA que opera para fora dos Açores - entre Lisboa e o Faial, não só motivados por mau tempo, mas por falta de tripulações ou avarias de aeronaves.

Ainda neste campo, os conselheiros do Faial querem saber em que ponto estão os contactos do executivo açoriano com o Governo da República sobre a realização de obras no aeroporto da Horta.

As acessibilidades marítimas, a operação no porto da Horta, as obras da Escola do Mar e a rede viária regional do Faial são outros tópicos apresentados pelo Conselho de Ilha ao Governo dos Açores.

O executivo açoriano, recorde-se, iniciou ontem uma visita de trabalho de três dias à ilha do Faial, durante a qual visita diversas obras em curso e reúne com representantes da sociedade civil.

Vasco Cordeiro, inaugurou ontem, no primeiro dia da visita, o novo Centro de Dia dos Flamengos e visitou a unidade de alojamento turístico “International Azores Boutique”, na Horta.

Durante a tarde, Vasco Cordeiro visita as obras da primeira fase do Edifício Intergeracional da Feteira, deslocando-se depois às instalações da Associação de Pais e Amigos do Deficiente da Ilha do Faial, tendo-se reunido depois com o Presidente da Câmara da Horta.

 

Turismo mantém tendência de crescimento em Maio

estima maio 19

Segundo o Indicador de Turismo-Açores as dormidas na Hotelaria Tradicional, no Turismo no Espaço Rural e no Alojamento Local durante o mês de Maio de 2019 terão sido aproximadamente 270 mil, segundo estimativas do SREA.

Os gráficos apresentam o número de dormidas registadas (em milhares) nos meses de Março, Abril e Maio de 2019, e respectivos meses homólogos, nos diversos tipos de alojamento turístico.

O IT de Maio de 2019 estima, assim, uma manutenção da tendência de crescimento do número de dormidas verificada em meses anteriores. 

Recorde-se que o Indicador de Turismo, IT-Açores, divulgado mensalmente pelo SREA com base numa Metodologia própria do SREA, surge da necessidade dos utilizadores de estatísticas do Turismo conhecerem uma estimativa do comportamento das dormidas nos alojamentos turísticos dos Açores com antecipação de cerca de um mês. O IT agrega as dormidas registadas nos estabelecimentos da Hotelaria Tradicional (HT), do Turismo no Espaço Rural (TER) e de Alojamento Local.

Desemprego baixa nos Açores e aumenta o número de ocupacionais

desemprego regiões

O número de desempregados  inscritos no país caiu para mínimos de 1991, segundo dados publicados ontem pelo IEFP. 

No espaço de 12 meses, o número de desempregados registados nos centros de emprego em Portugal caiu 12,9%. 

No total, havia no passado mês de Maio 305 mil pessoas registadas como desempregadas. 

Em Maio do ano anterior eram mais 45 mil. 

Já em relação a Abril, o número encolheu 5%, ou o equivalente a 16 mil pessoas. 

A nível regional, comparando com o mês de Maio de 2018, o desemprego registado diminuiu em todas as regiões do País, destacando-se, com as descidas percentuais mais acentuadas, a região de Lisboa e Vale do Tejo e a Região Autónoma dos Açores, ambas com 14,5%.

O IEFP divulgou também os números de desempregados em programas ocupacionais, revelando que nos Açores, no final de Abril, havia 4.338 pessoas nesses programas, mais 37 do que no primeiro mês do ano.