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Estudo de opinião demonstra oposição clara dos açorianos à concentração horária da emissão da RTP Açores

 rtp aoresA sondagem de opinião sobre os hábitos televisivos dos açorianos que a empresa Norma Açores realizou, por solicitação do Governo Regional, entre os dias 29 de Maio e 4 de Junho, a uma amostra de 800 pessoas de todas as ilhas, indica que 79,7% dos inquiridos não concordam com a decisão de concentrar a emissão de programação regional no horário das 17h00 às 23h30, em vigência desde segunda-feira.
O estudo aponta também para uma clara adesão do público açoriano à RTP Açores, que surge em primeiro lugar em termos de notoriedade total (reconhecimento e visualização), com 85,5%, sendo igualmente o canal mais visto do Grupo RTP nos Açores; seguida da TVI com 79%, e da SIC com 75,3%, respectivamente. Dentro do universo RTP, a RTP/Açores é, não só o canal que merece maior reconhecimento dos açorianos (47,5% para a RTP/Açores contra 41,5% da RTP 1), como é também o que é visto com maior regularidade (37% para a RTP/Açores, 18% para o Canal 1).
A sondagem conclui ainda que o programa da RTP Açores que os inquiridos mais viam é o, agora extinto, “Bom dia”, com 74,8%, seguido do “Telejornal”, com 50,1%, e dos “Açores VIP”, com 29%. O “Bom dia” é também o programa que tem maior reconhecimento pelo público em termos notoriedade total e espontânea, registando 60,3.% e 44,3% respetivamente, muito à frente de qualquer outro programa do canal regional. A esmagadora maioria dos inquiridos conhece o programa (96,4%) e, destes, 79,8% costumavam vê-lo numa média de três a quatro vezes por semana
O Secretário Regional da Presidência, André Bradford, afirmou, a este propósito, que “o estudo, que devia ter sido encomendado pela própria RTP antes da tomada de decisão, vem suprimir a inexistência de dados concretos sobre esta matéria e demonstrar de forma evidente que os açorianos não querem uma RTP Açores reduzida a uma janela e defendem a capacidade da RTP Açores definir os seus próprios horários e conteúdos”.
Aquele responsável governamental acrescentou ainda que “caem assim por terra os argumentos, sempre vagos e infundados, daqueles que, tendo o dever de justificar as suas opções e decisões, alegavam que a RTP Açores tinha terminado a suma ‘missão histórica’ e que não eram vista e valorizada pelos açorianos”.

FICHA TÉCNICA

A sondagem de opinião foi realizada pela Norma-Açores, Sociedade de Estudos e Apoio ao Desenvolvimento Regional, S.A. para a Secretaria Regional da Presidência, nos dias 29 de Maio a 4 de Junho de 2012.
A sondagem de opinião teve como objectivo conhecer a opinião da população residente nos Açores sobre os hábitos televisivos, bem como a opinião sobre o programa da RTP-Açores “BOM DIA”. Foi ainda inquirida a opinião sobre a redução do horário da programação da RTP-Açores.
A amostra é de 800 entrevistas telefónicas a cidadãos eleitores maiores de 18 anos e residentes nos Açores. A taxa de resposta imediata foi de 51,5%
A amostra foi estratificada por ilha (Santa Maria, 2,25%; São Miguel, 55,9%; Terceira, 22,9%; Graciosa, 1,8%; São Jorge, 3,7%; Pico, 5,7%; Faial, 6,1%; Flores, 1,5%; Corvo, 0,2%), sexo (masculino, 48,5%; feminino 51,5%) e grupo etário (18 a 34 anos, 37,3%; 35 a 54 anos, 34,4%; 55 a 64 anos, 11,2%; 65 ou mais anos, 17,2%).
Para um grau de confiança de 95% a margem de erro para 800 inquéritos é ± 3,5.

Americanos açor-descendentes em busca das raízes em de S. Miguel

toddJanice Wagner e o seu filho Todd Pacheco, naturais da área de New Bedford, realizaram esta semana uma viagem de uma semana à ilha de S. Miguel mas não com um intuito de turismo normal: vieram em busca das suas raízes familiares. E poderá não ser a última vez…
A curiosidade começou há cerca de 7 anos quando a doença da mãe de Janice, Maria Fernanda Cabral Nunes, a conduziu a viver com ela. Quando vagaram a casa onde a senhora vivia, depararam-se com inúmeras recordações e documentos – desde fotografias aos documentos de identificação portugueses, o Visto de emigração para os EUA e imensas cartas de familiares e amigos na ilha de S. Miguel.
Maria Fernanda havia viajado para os EUA com o pai, António Cabral Nunes, tendo apenas 4 anos de idade. Viria a casar com um albanês e o resultado foi que as origens portugueses de certo modo enfraqueceram! Ou pelo menos assim parecia: nos últimos anos de vida, Maria Fernanda, atacada de Alzeimer, passou a falar apenas na língua portuguesa!
Sem se aperceber bem como, Janice começou a desenvolver uma curiosidade sobre a terra de origem da mãe. “Sinto que não aproveitei na totalidade essa herança cultural”, refere à laia de explicação “e senti necessidade de a recuperar”.
Para o seu filho, Todd, a ligação aos Açores era ainda mais forte! Os seus avós paternos tinham emigrado para os EUA de S. Miguel, e apesar de o pai ser já americano, as origens nunca se dissiparam tanto como no caso da mãe. O facto de viverem numa área onde a cultura açoriana está muito presente, manteve a curiosidade acesa! Todd reconhece: “sinto-me ligado aos Açores, nada disto para mim é novidade, é como se eu sempre tivesse conhecido esta terra”, diz convicto, sublinhando como se lembra dos seus “vavô” e “vavó”. “Sinto uma espécie de alegria profunda aqui nos Açores”, diz!
Mais do que apenas traçar a árvore genealógica, o seu objectivo é mesmo conhecer a família que esperam existir. Encontraram amigos na ilha que os orientaram e ficou estabelecida uma missão concreta: saber se as moradas que têm ainda existem e quem lá vive. É nestas coisas que a relativa pequenês de S. Miguel vale ouro: já começaram a aparecer pistas e até pessoas que se lembram dos ascendentes!
Descobrir detalhes das suas vidas será eventualmente um pouco mais difícil. Há retalhos por colar, como por exemplo que António Cabral Nunes chegou a ter uma loja de música em Ponta Delgada, na década de 1910, e tocava numa orquestra local.
Já há cerca de 2 anos Todd tinha feito uma primeira “viagem de reconhecimento” a S. Miguel, destinada a preparar o terreno para a vinda da mãe. Agora foi ela a ser “mordida” pela ilha e não esconde que o seu objectivo deverá incluir uma nova viagem, em breve. “Talvez no Inverno, quando é mais barato”, diz. “Quero compreender o que perdi”...

Navio impedido de operar no Porto da Horta por “falta de espaço”

hortaUm navio de transporte de mercadorias foi hoje impedido de operar no Porto da Horta, nos Açores, por falta de espaço, situação que ocorreu “pela primeira vez em 30 anos”, afirmou o proprietário da embarcação.
Manuel Cristiano, proprietário da Empresa de Lanchas do Pico, revelou que o navio ‘Cecília A’, que assegura o transporte de mercadorias entre as ilhas do Triângulo (Faial, Pico e S. Jorge), foi obrigado a regressar ao Porto da Madalena, no Pico, depois de não ter conseguido atracar na Horta, no Faial.
“Depois de cinco horas de navegação à espera de oportunidade para atracar e depois de 400 litros de gasóleo gastos, dei instruções para que o navio regressasse ao Pico”, afirmou o empresário, garantindo ter sido “a primeira vez em 30 anos” que aconteceu uma situação destas.
O navio transportava gás butano, viaturas e produtos congelados, que acabaram por não ser descarregados.
Luís Paulo Morais, administrador da empresa Portos dos Açores, afirmou que havia espaço para o navio atracar, acrescentando que isso não aconteceu por causa da “recusa” do comandante de um barco de recreio em fazer avançar a embarcação ao longo do cais para criar espaço para o navio de mercadorias.
“O comandante do iate recusou-se a fazer isso”, frisou Luís Paulo Morais, acrescentando que a Portos dos Açores pediu a intervenção da Polícia Marítima e do capitão do Porto da Horta para tentar ultrapassar a situação.
Por seu lado, Jorge Chícharo, capitão do Porto da Horta, salientou que o comandante do iate alegou “não ter condições de segurança” para efetuar a manobra, atendendo ao vento forte e à ondulação.
“Perante estas razões de força maior, não podemos intervir”, afirmou.
Apesar disso, Luís Paulo Morais assegurou que a Portos dos Açores vai imputar ao armador do iate as despesas decorrentes do facto de o navio de mercadorias não ter conseguido descarregar.
O ‘Cecília A’ vai tentar atracar de novo no Porto da Horta na manhã de quinta-feira, o que obrigará a cancelar a viagem que deveria realizar para a ilha de S. Jorge.
As más condições atmosféricas provocaram também um acidente no molhe do novo Cais de Passageiros do Porto da Horta, ainda em construção, envolvendo um iate de pequenas dimensões que estava com problemas de motor.
A embarcação, com três tripulantes, sofreu um pequeno rombo no casco provocado pelo choque contra o molhe, tendo sido socorrida por um rebocador e, posteriormente, retirada da água para reparação.

Chamarrita é “rock n’roll” no novo filme de Tiago Pereira

chamarritaA chamarrita é a protagonista do documentário “Não me importava morrer se houvesse guitarras no céu”, no qual o realizador Tiago Pereira se debruça sobre o “rock n’roll absoluto da música tradicional”.
O filme terá ante-estreia amanhã no Musicbox, em Lisboa, seguindo depois para o Porto antes da estreia oficial, no final do mês, no Museu de Etnologia, na capital, disse o realizador à agência Lusa.
“Não me importava morrer se houvesse guitarras no céu” é um retrato sobre um baile tradicional das ilhas do Pico e Faial  que o realizador Tiago Pereira documentou durante os meses de Fevereiro e Março.
“Não se consegue ficar indiferente à chamarrita. Parece simples, mas é complexo, tem um poder descomunal e uma energia que o torna o rock n’roll absoluto da música tradicional”, disse Tiago Pereira.
A chamarrita inclui um mandador, bailadores, tocadores e cantadores, explicou, e é vista como um baile acústico e não um rancho folclórico.
“Aquilo mexe com as pessoas, que passam a semana a trabalhar e, no fim-de-semana, canalizam as energias para ali. Faz parte deles e é uma coisa que é praticamente desconhecida no continente”, referiu.
Tiago Pereira viu várias chamarritas e percebeu a espontaneidade de quem quer dançar só porque sim, seja novo seja velho, acompanhado por uma viola da terra “a rasgar como se fosse do rock”.
“Isso fez-me lembrar obviamente a infância e o meu pai [Júlio Pereira], um músico do rock que tocava cavaquinho também a rasgar”, disse.
Estas recolhas visuais de Tiago Pereira ficarão com a Direcção Regional de Cultura dos Açores, que apoiou financeiramente a produção do documentário, por ter manifestado um interesse arquivista.
“É bom saber que querem documentar uma coisa que é importante e que está viva! A chamarrita representa a vitória do homem sobre a natureza, sobre a ilha e sobre o mar. É uma celebração do estar vivo”, sublinhou o realizador.
O título do filme - “Não me importava morrer se houvesse guitarras no céu” - foi retirado de um livro do etnólogo Ernesto Veiga de Oliveira sobre instrumentos musicais.
Tiago Pereira, 39 anos, é possivelmente um dos mais activos guardadores de memórias da música tradicional portuguesa, autor do projecto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria” e de filmes como “Sinfonia Imaterial”, “Quem canta seus males espanta”, “Folk-Lore” e “11 burros caem no estômago vazio”.
Tudo isto faz parte de um processo que apelida de “alfabetização da memória” em relação ao que é tradicional.
Quando, em 2009, cumpriu dez anos de trabalho nesta área disse à Lusa: “As pessoas são analfabetas em relação a recolher e a terem memória. É preciso ensinar a fazer recolhas, a criar o bicho de recolher as suas coisas em vez de terem vergonha dos sítios onde nasceram e de onde são”.
Feito o documentário sobre as chamarritas – que deverá ter várias exibições no continente e uma estreia nos Açores –Tiago Pereira partirá para a Galiza, em Espanha, para fazer “A Música Galaico Portuguesa a Gostar Dela Própria”.

Distribuição de electrodomésticos pela Câmara de Ponta Delgada gera fervor entre os socialistas

camara pdlO PS denuncia, em comunicado de imprensa, que tomou conhecimento, na passada segunda-feira, “de uma situação grave que envolve a Câmara Municipal de Ponta Delgada em supostas acções de solidariedade, decorrente dos danos provocados pelas intensas chuvas do passado dia 11 de Maio, nas freguesias dos Mosteiros, Pilar da Bretanha e Ajuda da Bretanha.”
Assim, os socialistas afirmam que “foi com perplexidade que souberam da distribuição de electrodomésticos–frigoríficos, arcas, fogões e microondas –nas referidas freguesias por parte de responsáveis da Câmara de Ponta Delgada.”
Em causa, está o facto de nos Mosteiros e Pilar essa distribuição ter ocorrido, segundo o PS,  em articulação com os presidentes das juntas de freguesias do local, ambos do PSD, ao passo que “no caso da Ajuda, uma das freguesias mais atingidas, a distribuição foi feita sem haver qualquer articulação, ou sequer um contacto, com o presidente da junta de freguesia local, eleito pelo PS.”
Para os socialistas estas acções revelam “dualidade de critérios” e “um tipo de prática que pensávamos já não existir. Faz lembrar o que de pior caracterizou os velhos governos do PSD em que imperava o clientelismo, a arbitrariedade e o sectarismo.”
Desse modo, o PS criticia a forma “inaceitável” e “anti-democrática” com que a Câmara de Ponta Delgada actuou e denuncia a existência, “na Freguesia da Ajuda da Bretanha, de casos de famílias que foram fortemente afectadas pelas intempéries do dia 11 mas que não mereceram o mesmo tratamento da parte da Câmara Municipal de Ponta Delgada, pelo simples facto da CMPD não ter trabalhado em parceria e articulação com a Junta de Freguesia local.”
Não negando a necessidade de apoiar essas famílias afectadas, o PS defende, no entanto, que estas acções devem ser desenvolvidas em coordenação com todas as juntas de freguesias locais e “deve obedecer aos mais rigorosos critérios de justiça e equidade.”
Nesse sentido, “o PS comunica que os seus vereadores em Ponta Delgada exigirão, na próxima reunião da Câmara Municipal, todas as informações que se exigem perante tão flagrantes atropelos.”