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Electricidade dos Açores mantém projeto geotérmico da ilha Terceira

electricidade1Uma central piloto para produção de energia a partir da exploração de recursos geotérmicos deverá começar a funcionar na ilha Terceira dentro de “dois a dois anos e meio”, admitiu ontem o presidente da Eletricidade dos Açores (EDA).
Essa unidade, com uma capacidade de 3 MW, aproveitará os fluidos gerados por um dos poços já abertos naquela ilha do grupo Central, que “revelou capacidade produtiva contínua”, afirmou Duarte Ponte, em declarações à Lusa no final de uma reunião de responsáveis da Geoterceira, empresa com capital da EDA (50,04 por cento) e da EDP que visa a exploração da energia geotérmica na Terceira, com investigadores e técnicos nacionais e estrangeiros.
Duarte Ponte salientou, no entanto, que esta central apenas avançará depois de serem feitos testes aos furos já realizados, que se deverão prolongar por um ano.
No encontro que decorreu durante dois dias em Angra do Heroísmo, ficou decidido manter o projecto para exploração de energia geotérmica na Terceira, aproximando “o seu processo de desenvolvimento ao modelo adoptado em S. Miguel”, a única ilha dos Açores onde é produzida eletricidade através da utilização de recursos geotérmicos.
Por essa razão, segundo Duarte Ponte, a central piloto só avançará depois da realização de testes e pesquisas que permitam avaliar a capacidade dos furos já realizados.
O presidente da EDA, que preside também ao Conselho de Administração da Geoterceira, assegurou igualmente que se mantém o objectivo inicial de instalação na Terceira de uma capacidade de produção de electricidade com base na geotermia da ordem dos 10 MW, mas agora remetido para uma fase posterior.
Na fase de teste e na implantação da central piloto deverão ser investidos entre “seis a sete milhões de euros”, salientando Duarte Ponte que, se o projeto tiver o desenvolvimento esperado, a geotermia passará a assegurar entre 12 a 15 por cento da consumo eléctrico da Terceira dentro de dois a dois anos e meio.
Em 2011, as centrais geotérmicas da ilha de S. Miguel garantiram a produção de cerca de 21 por cento da eletricidade consumida nos Açores, segundo dados da elétrica regional.

PS vai propor alteração da lei sobre ajudas de custo a membros do Governo

berto-messias-parlamentoO PS vai apresentar na Assembleia Legislativa dos Açores uma proposta de alteração da legislação relativa às ajudas de custo atribuídas aos membros do executivo que abrangerá a questão da residência oficial.
A iniciativa foi ontem  revelada à agência Lusa pelo líder parlamentar do PS/Açores, Berto Messias, acrescentando que a proposta de alteração será entregue nos serviços do parlamento regional até ao final da manhã de hoje.
Berto Messias frisou que os socialistas estão a estudar a “forma técnica e jurídica” que a proposta vai assumir, mas assegurou que a questão da residência oficial dos membros do executivo regional será uma das matérias a rever.
“Não queremos que exista qualquer dúvida sobre o que fazem os membros do Governo Regional”, frisou o líder parlamentar socialista, manifestando “total confiança na honestidade e na seriedade” dos elementos que integram o executivo açoriano.
As ajudas de custo atribuídas aos membros do Governo Regional têm estado recentemente no centro das atenções, especialmente devido às verbas que recebem os que residem numa ilha diferente daquela onde está sediada a sua Secretaria Regional.
A questão surgiu devido ao facto de alguns membros do executivo regional terem mudado a sua residência oficial para a ilha onde está localizada a sede da sua secretaria regional, o que faz com que recebam ajudas de custo quando se encontram fora dessa ilha.
O caso de secretários regionais que recebem ajudas de custo quando se encontram na ilha onde residem, mas não onde está a sua residência oficial, suscitou críticas generalizadas, pretendendo agora o PS/Açores definir novas regras nesta matéria.

Hospital contra declarações de Miguel Correia

hospitalNa sequência das declarações do secretário Regional da Saúde, sugerindo que se há problemas nos hospitais, tal deve-se à sua gestão e que “os hospitais têm tido os recursos que precisam para prestarem os cuidados de saúde necessários”, o Conselho de Administração do Hospital de Ponta Delgada emitiu uma Deliberação a contestar essa posição.
O Conselho de Administração, que fez distribuir uma nota a todos os Serviços, refere que elaborou um “documento de resposta”, em que rebate as afirmações de Miguel Correia.
Segundo o conselho de Administração, “as origens das dificuldades financeiras centram-se exclusivamente no subfinanciamento do Hospital de Ponta Delgada”.

Santa Maria recebe o 9º Workshop de “Paleontologia em Ilhas Atlânticas”

peleontologiaO 9º Workshop “Paleontologia em Ilhas Atlânticas” decorrerá em Santa Maria, entre 12 e 21 de Julho, sob a organização do Grupo de Investigação de Paleobiogeografia do Departamento de Biologia da Universidade dos Açores.
Durante o workshop decorrerá no “Centro de Interpretação Ambiental Dalberto Pombo”, em Vila do Porto, um ciclo de comunicações científicas, entre 14 e 20 de Julho (inclusive), aberto a todos os interessados.
No dia 20 de Julho, será efectuada a antestreia do documentário Os Tesouros Fósseis da “Ilha Amarela”, que será transmitido ainda este ano na RTP-2 e na RTP-Internacional.
Santa Maria é a única ilha do arquipélago dos Açores que possui sedimentos marinhos fossilíferos e, segundo nota da organização do evento “só começaram a ser estudados do ponto de vista cientifíco, a partir da década de 1860”. A nota refere que “a criação de um grupo de investigação na Universidade dos Açores, em 2002, dedicado ao estudo da paleontologia e da paleobiogeografia dos Açores, potenciou a importância científica dos fósseis de Santa Maria, que adquiriram relevo internacional. Para tal muito contribuiram os vários artigos publicados em revistas nacionais e internacionais, as anteriores oito edições dos workshops internacionais “Paleontologia em Ilhas Atlânticas” já realizados em Santa Maria, os “Ciclos de Palestras”, bem como a publicação de livros de divulgação científica acerca deste património natural único na região”.
Todos os dias haverá trabalhos de campo, “com prioridade às recolhas a efectuar no âmbito das 4 teses de doutoramento que decorrem neste momento no seio da equipa do MPB (Patrícia Madeira, Ana Cristina Rebelo, Ricardo Cordeiro e Ricardo Meireles)”.
É referido que “nos workshops de 2009 e 2010, descobriram-se afloramentos com registos muito interessantes de icnofósseis, tendo na reunião final do workshop de 2010 ficado decidido que se deveria abrir esta linha de investigação com carácter de urgência”. Foram por isso convidados 2 investigadores do Museum für Naturkunde (Berlim, Alemanha) “com reconhecida competência técnica nesta área, para liderarem os trabalhos de campo”.
Haverá equipas multidisciplinares dedicadas ao estudo dos seguintes assuntos específicos:
a) Caracterizar os campos de rodólitos e de outras algas calcárias fósseis, para a tese de doutoramento da Mestre Ana Cristina Rebelo;
b) Recolher amostras de Ostracoda e Bryozoa fósseis nos sedimentos marinhos fossilíferos Mio-Pliocénicos e Plistocénicos, para a tese de doutoramento do Mestre Ricardo Meireles;
c) Recolher amostras nos sedimentos marinhos fossilíferos Mio-Pliocénicos e Plistocénicos para identificação dos Mollusca fósseis;
d) Recolher amostras nos sedimentos marinhos fossilíferos Mio-Pliocénicos e Plistocénicos para identificação dos Echinodermata fósseis;
e) Efectuar estudos de tafonomia e de interpretação paleoambiental na jazida da “Malbusca”;
f) Efectuar estudos de paleoicnologia de estruturas de bioerosão e de bioturbação associadas a substratos mineralizados na jazida da “Malbusca”;
g) Estabelecer a evolução vulcanostratigráfica e morfológica da ilha de Santa Maria através de observações rigorosas de campo, amostragem de produtos vulcânicos seleccionados e posterior datação por métodos de geocronologia absoluta, utilizando tecnologia de ponta – geocronologia Ar/Ar por aquecimento sequencial a laser infra-vermelho, em rocha total;
h) Confirmar a posição estratigráfica relativa entre as várias jazidas, no contexto do edifício insular, com base em observações estrutrais e vulcanoestratigráficas;
i) Identificar e datar as plataformas de abrasão marinha levantadas que ocorrem em vários pontos do litoral da ilha;
j) Inferir as condições de profundidade e ambiente energético para cada jazida, vigentes aquando da sua deposição, através das características vulcanológicas, morfológicas, estruturais e sedimentológicas da sequência aflorante (Ricardo Ramalho, Rui Quartau e Sérgio Ávila);
k) Completar os trabalhos de cartografia em SIG das jazidas de Santa Maria;
l) Continuar a caracterização das jazidas fossilíferas incluídas no projecto “A Rota dos Fósseis” (Sérgio Ávila, Ricardo Cordeiro e Ricardo Ramalho);
m) Continuar o trabalho de datação dos fósseis marinhos encontrados nas jazidas Mio-Pliocénicas (Sérgio Ávila e Ricardo Ramalho, com a colaboração de Adam Goss e Michael Kirby, Universidade da Florida, USA).

“Função pública e empresas públicas provocam onda para assegurar lugares” acusa o PSD

 clelio-menesesO PSD/Açores denunciou ontem uma verdadeira “onda de dirigentes e de nomeados dos vários departamentos do governo regional, à procura de assegurar lugar nos quadros da função pública ou das empresas públicas da região”, numa situação “que tem sido notícia e comentário em várias estruturas da administração regional, e que tem de ser explicada pelo governo”, afirmou o deputado Clélio Meneses.
Segundo o social-democrata, “são relatadas situações de dirigentes e de titulares de cargos políticos que solicitaram a sua mobilidade para outros lugares de quadros diferentes”, existindo igualmente “diversas situações, também de dirigentes e de titulares de cargos políticos, que pretendem a sua aposentação antecipada, e cujo caso mais visível foi o do próprio presidente do governo regional”, adianta.
Num requerimento enviado à Assembleia Legislativa, Clélio Meneses considera que, “independentemente do receio que todos essas pessoas possam ter, relativamente ao resultado das próximas eleições, o certo é que a ocupação de cargos públicos não pode servir para benefício pessoal”, pelo que “é essencial que todos os processos decorram com a transparência e o rigor adequados à gestão pública”, defende.
Assim, e por considerar necessário que, “no cumprimento dos deveres de fiscalização da Assembleia ao governo, sejam esclarecidas todas essas situações, para que se evite qualquer tipo de especulações”, o deputado do PSD solicitou um conjunto de informações à tutela, de forma a que se conheçam “os titulares de cargos políticos, os dirigentes da administração regional, e todos aqueles que ocupam lugares de nomeação, que passaram a fazer parte dos quadros de qualquer departamento ou empresa pública regional, nos últimos dois anos”, avançou
De igual modo, o social-democrata quer dados sobre “esses mesmos titulares e nomeados políticos, mas que solicitaram a sua mobilidade para qualquer outro lugar de quadro diferente daquele que ocupavam, ou que solicitaram a sua aposentação antecipada, isto igualmente nos últimos dois anos. É ainda essencial que o governo regional explique se emanou alguma orientação relativamente a este tipo de situações”, concluiu Clélio Meneses.