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Investigadora alerta para a necessidade de preservar o património cultural dos Arrifes

Creusa Raposo1

“Arrifes: Detentores de Património  Cultural?”. É a resposta a esta questão que Creusa Raposo procurou dar no livro que apresenta hoje, pelas 19h00, no auditório da EPROSEC, na freguesia de Arrifes, concelho de Ponta Delgada.

Em entrevista ao Diário dos Açores, a investigadora, mestre em Património, Museologia e Desenvolvimento, afirma que sim, “há património cultural nos Arrifes”, mas lança a pergunta: “até quando?”

A obra que agora apresenta é fruto do trabalho de uma década de investigação e levantamento de informações sobre aquela freguesia, desde a história e caracterização da comunidade local, à evolução do território e ao património construído.

Uma das conclusões a que chegou, durante a investigação, foi a necessidade urgente de evitar que mais património cultural seja destruído naquela freguesia. 

Segundo a autora, o livro pretende ser “um grande alerta” para esta “necessidade de protecção e valorização”, tendo em conta o estado em que se encontra o património local: “abandonado, vandalizado, em ruínas, degradado”, pela “ausência de conhecimento por parte dos seus habitantes”.

Um exemplo que dá é o de um fontanário que datava de 1696 e que foi destruído há dois anos. “Aquele fontanário, que tinha um bebedouro destinado aos animais, era a prova de que aquela via já ali existia naquele século. É um património que agora já se perdeu… restam apenas as fotografias”, lamenta.  

A classificação do património como de interesse municipal ou regional, para Creusa Raposo, “não é suficiente”. “Mesmo havendo classificação, não só municipal, mas também regional, do património, não é suficiente para o proteger. Para além das entidades públicas, desde o município às secretarias regionais, tem que haver uma sensibilização porta-a-porta, junto do cidadão comum”, defende. 

“Todos nós somos detentores de património”, diz, explicando o papel da população na protecção do património: “por exemplo, um lavrador pode não perceber o património que possui. Pode possuir uma casa abastada, do século XVIII, com características únicas e este cidadão pode não perceber a dimensão histórica daquele edifício, ou a sua dimensão patrimonial ou artística, mas se ele for alertado para estas questões, fica a saber que os seus pertences podem ter importância. E então, antes de o destruir, irá procurar ajuda na junta de freguesia ou na câmara municipal”.

Há, neste sentido, “um trabalho de parceria a ser feito, juntando ao meu trabalho de investigação, de divulgação e de alerta, o trabalho das entidades e da população em prol da preservação”, salienta a autora do livro.

Segundo avança a investigadora ao nosso jornal, a obra começa com a história da localidade e caracterização da sua população, com uma “viagem” que vai desde a fixação do primeiro senhor e da sua exploração agrícola, até ao desenvolvimento industrial que vemos nos dias de hoje. Segue-se a evolução do território, desde o povoamento da ilha de São Miguel, até aos nossos dias, e termina debruçando-se sobre o património edificado. 

O calendário festivo da freguesia é descrito no livro, a par das tradições do folclore e do teatro popular, cujas peças eram escritas em quadra – algumas delas reconhecidas a nível internacional. A arquitectura religiosa, militar e habitacional dos Arrifes são outros aspectos abordados.

“O livro contém imagens e informação sobre peças de ourivesaria presentes nas igrejas da freguesia, peças de relojoaria, azulejaria, mobiliário antigo e até pinturas de Domingos Rebelo que permanecem em casas e solares da freguesia”, destaca. 

O objectivo do levantamento, salienta a investigadora, é fazer com que as pessoas dos Arrifes, e da ilha de São Miguel em geral, “percebam que não são só as freguesias citadinas que possuem arte. A população deve orgulhar-se do facto de a sua localidade ter um valor económico e patrimonial que merece ser deixado para as próximas gerações”. 

A recolha de informação feita pela autora, que contou com a colaboração de Cláudio Pacheco na fotografia, teve por base o recurso a diversas fontes, desde testemunhos orais, testamentos e legados pios, mapas, registos paroquiais, a arquivos particulares, jornais, revistas, entre outros. 

Creusa Raposo pretende que o livro, com edição da Letras Lavadas, venha a servir de base para futuros estudos. “Trata-se de um património colectivo, porque a história destas pequenas comunidades é que fazem a História dos Açores e de Portugal”, afirma.  

O estudo agora desenvolvido nos Arrifes poderia ser também feito em outras freguesias e concelhos, “pois cada localidade – umas mais do que outras – têm o seu património”. Trata-se, defende, “de um grande contributo para a história dos Açores. Porque falamos, no livro, de tradições, património imóvel, de bens móveis… Fazemos uma viagem desde o século V até ao século XX”. 

Quanto às expectativas para a apresentação do livro, Creusa Raposo espera que as pessoas fiquem “surpreendidas pela positiva, porque o livro não é uma monografia, mas sim um livro de história e de arte”. “A maior parte das pessoas que vive nos Arrifes é ligada aos trabalhos manuais e da terra, pelo que será, de certa forma, uma descoberta sobre a freguesia”, conclui.

 

Aeroportos dos Açores com o maior aumento de movimento de aeronaves nos aeroportos

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No 1º trimestre de 2019, contabilizaram-se 46,2 mil aterragens de aeronaves em voos comerciais nos aeroportos nacionais (+3,5%, +7,0% no 4ºT18), com acréscimos em todas as regiões: 3,5% no Continente, 4,0% na RA Açores e 3,4% na RA Madeira.

O número total de passageiros movimentados (embarques, desembarques e trânsitos directos) nos aeroportos nacionais revelou um crescimento de 6,2% (igual ao do 4ºT), atingindo 11,2 milhões de passageiros.

Nos aeroportos nacionais, o movimento de carga e correio cresceu 5,4% (+2,8% no 4ºT), atingindo 47,2 mil toneladas, tendo-se registado acréscimos tanto no conjunto desembarcado (+6,8%; +7,9% no 4ºT) como no embarcado (+4,2%; -1,4% no trimestre anterior).

 

Aumento de 6,7% de passageiros em Ponta Delgada

 

O aeroporto de Lisboa movimentou 6,3 milhões de passageiros (55,9% do total, -1,0 p.p.) registando um acréscimo de 4,2% (+4,4% no 4ºT18). 

O aeroporto do Porto correspondeu a 23,3% do total nacional (+0,7 p.p.), tendo atingido 2,6 milhões de passageiros (+9,5%, +11,1% no 4ºT). 

O movimento de passageiros em Faro registou o maior crescimento (+12,3%), tendo este aeroporto aumentado em 0,5 p.p. a sua quota para 9,1%.

Nos aeroportos do Funchal e Ponta Delgada, registaram-se aumentos de 4,1% e 6,7%, respectivamente, nos passageiros movimentados (+3,0% e +5,3% no 4ºT, pela mesma ordem). 

O tráfego internacional abrangeu 80,9% do total, tendo correspondido a 9,0 milhões de passageiros no 1º trimestre de 2019 (+7,1%; +6,8% no 4ºT).

 No total dos aeroportos nacionais, Lisboa concentrou 60,7% do movimento internacional.

No aeroporto de Faro, o tráfego internacional atingiu 91,7% do total do movimento de passageiros.

 

Transporte de passageiros continua a aumentar

 

No 1º trimestre de 2019, registou-se o movimento de 11,2 milhões de passageiros nos aeroportos nacionais, representando um crescimento de 6,2%1 (igual ao 4ºT de 2018). 

No modo ferroviário, os passageiros aumentaram tanto na rede de transporte pesado (+4,5%; +5,0% no 4ºT) como no metropolitano (+6,1%; +5,1% no 4ºT). 

O transporte fluvial de passageiros evidenciou-se com um crescimento de 12,6% (+7,2% no 4ºT).

Os portos marítimos nacionais registaram aumentos no número (+2,4%) e na dimensão/GT (+12,0%) das embarcações entradas, recuperando das reduções no 4ºT (-6,5% e -0,6%, respectivamente). 

 

Tonelagem das mercadorias nos portos aumentou

 

A tonelagem das mercadorias movimentadas nos portos aumentou 2,9% (-2,4% no trimestre precedente) e mais acentuadamente no fluxo de descarregamento (+3,9%).

No transporte ferroviário de mercadorias verificou-se uma redução de 3,0% nas toneladas, menos expressiva face ao trimestre anterior (-8,4%), a par de um crescimento de 12,2% nas toneladas-km (+1,4% no 4ºT). 

O transporte rodoviário de mercadorias registou um ligeiro aumento de 0,8% nas toneladas (+2,3% no trimestre anterior), tendo o transporte nacional (+3,2%) representado 84,2% do total.

 

Pode haver “interrupção brusca” no dinamismo do mercado imobiliário

banco de portugalO Banco de Portugal (BdP) alertou ontem para uma possível “interrupção brusca” do dinamismo do mercado imobiliário, considerando que “eventuais alterações no quadro regulamentar nacional”, juntamente com outros factores, podem fazer baixar os preços.

“O abrandamento mais acentuado da actividade económica a nível global, decorrente em particular da materialização de eventos de tensão geopolítica, aumentos dos prémios de risco e eventuais alterações no quadro regulamentar nacional sobre o mercado imobiliário poderão vir a traduzir-se numa interrupção brusca do dinamismo do imobiliário e, consequentemente, num ajustamento em baixa dos preços”, segundo o comunicado do Banco de Portugal que acompanha o relatório.

O supervisor considera que “o mercado imobiliário português continua a estar particularmente dependente da intervenção de não residentes, seja por via do turismo, seja por via do investimento directo”.

Esta situação constitui um potencial risco para a estabilidade financeira no caso de haver “uma eventual redução acentuada e brusca da procura de imóveis por não residentes”, de acordo com Banco de Portugal.

“No último ano, o mercado imobiliário português manteve um dinamismo elevado, com um reflexo directo no volume de transacções e crescimento dos preços. Esta dinâmica tem sido justificada pelo crescimento económico, (...) mas também pelo ambiente de baixas taxas de juro e elevada liquidez, o qual induz comportamentos de procura por rendibilidade por parte dos agentes económicos”, pode ler-se no relatório.

Neste sentido, o Banco de Portugal adverte que “os bancos portugueses continuam a concentrar uma parte significativa das suas exposições no mercado imobiliário - essencialmente por via do crédito à habitação -, apesar da ligeira redução observada desde 2016”.

“A dinâmica dos preços pode representar um risco para a estabilidade financeira se introduzir prociclicidade no crescimento do crédito, nomeadamente num contexto de valorização excessiva dos preços”, reforça o supervisor no relatório.

O Banco de Portugal considera ainda que “continua a existir evidência de alguma sobrevalorização dos preços da habitação a nível agregado”.

Açores são últimos em coesão e penúltimos no desenvolvimento regional

Ponta Delgada2Os Açores figuram em penúltimo lugar no Índice Sintético de Desenvolvimento Regional relativo a 2017, divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

 Para além de sermos das piores regiões desenvolvidas do país, só ultrapassada pelo Alto Tâmega, somos a pior de todas em Coesão, figurando em último lugar.

No Índice de Competitividade também figuramos no fundo da tabela, havendo apenas quatro piores do que nós.

De acordo com o estudo do INE, os Açores obtêm a sua melhor classificação apenas em Qualidade Ambiental, figurando em quinto lugar entre as 25 sub-regiões. 

O Índice Sintético de Desenvolvimento Regional (ISDR) baseia-se num modelo conceptual que privilegia uma visão multidimensional do desenvolvimento regional, estruturando-o em três componentes: competitividade, coesão e qualidade ambiental.

Com a divulgação dos resultados relativos a 2017, o INE dá continuidade ao ciclo de produção da versão 2 do ISDR, contemplando uma série de dados relativos ao período 2011-2017, correspondentes ao referencial da organização das NUTS III instituído pelo Regulamento (UE) n.º 868/2014 da Comissão, de 8 de Agosto (NUTS-2013).

 

Índice de Competitividade

 

Este índice pretende captar o potencial (em termos de recursos humanos e de infraestruturas físicas) de cada região em termos de competitividade, assim como o grau de eficiência na trajectória seguida (medido pelos perfis educacional, profissional, empresarial e produtivo) e, ainda, a eficácia na criação de riqueza e na capacidade demonstrada pelo tecido empresarial para competir no contexto internacional.

Os resultados de 2017 revelam que as sub-regiões com um índice de competitividade mais elevado se concentram no Litoral do Continente. A Área Metropolitana de Lisboa (113,18) apresentava o índice mais elevado destacando-se das restantes sub-regiões com valores superiores à média nacional: Região de Aveiro (105,75), Área Metropolitana do Porto (105,21) e Alentejo Litoral (101,90). 

O Interior continental e as regiões autónomas apresentavam um índice de competitividade mais reduzido em comparação com o Litoral continental.

Entre as três componentes do desenvolvimento regional, o índice de competitividade nas NUTS III portuguesas apresentava a maior disparidade regional, aferido pelo coeficiente de variação.

 

Índice de Coesão

 

O índice de coesão procura reflectir o acesso potencial da população a equipamentos e serviços colectivos básicos (saúde, educação, cultura), bem como perfis associados a uma maior inclusão social e a eficácia das políticas públicas traduzida no aumento da qualidade de vida e na redução das disparidades territoriais.

No índice de coesão, os resultados refletem um retrato territorial mais equilibrado que o observado para a competitividade na medida em que oito sub-regiões superavam a média nacional.

As NUTS III do litoral do Continente apresentaram os valores mais elevados: Área Metropolitana de Lisboa (106,78), Cávado (105,00), Região de Coimbra (104,66), Região de Aveiro (101,77) e Área Metropolitana do Porto (101,67).

As duas regiões autónomas, o território da região Norte, constituído pelo Tâmega e Sousa e pelo Douro e, a sul, o Baixo Alentejo apresentavam os índices de coesão mais baixos.

 

Qualidade Ambiental

 

A qualidade ambiental está associada às pressões exercidas sobre o meio ambiente e território, mas também aos respectivos efeitos sobre o estado ambiental (qualidade da água, do ar e utilização eficiente de energia) e às respostas em termos de comportamentos individuais e de implementação de políticas públicas.

Os resultados de 2017 refletem uma imagem territorial tendencialmente simétrica à da competitividade, verificando-se uma concentração de sub-regiões com índices de qualidade ambiental mais elevados no Interior continental e nas regiões autónomas, com o padrão territorial dos resultados desta componente a sugerir um aumento progressivo da qualidade ambiental do Litoral para o Interior continental. 

 

Desenvolvimento Regional

 

Em 2017, as quatro sub-regiões que se situavam acima da média nacional no índice sintético de desenvolvimento regional partilhavam a característica de estarem aquém daquele referencial em, pelo menos, um dos três índices parciais: por um lado, a Região de Aveiro e as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto não superavam a média nacional na qualidade ambiental; por outro lado, o Cávado não atingia a média nacional na competitividade.

No extremo oposto, com desempenhos abaixo da média nacional nos quatro índices, encontravam-se as NUTS III Algarve, Alto Tâmega, Médio Tejo, Oeste e Viseu Dão-Lafões.

O perfil regional mais comum, abrangendo 11 NUTS III, consistia num desempenho no índice de qualidade ambiental acima da média nacional e resultados nos índices de competitividade e de coesão inferiores ao valor nacional.

Este estudo e respectiva metodologia podem ser consultados no site do INE.

Judiciária detém suspeito de ter abusado sexualmente de duas crianças

PJ cracháA Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal de Ponta Delgada, identificou e deteve um indivíduo do sexo masculino, pela presumível prática de múltiplos crimes de abuso sexual de criança, de que foram vitimas dois meninos, irmãos entre si, que actualmente têm 8 e 12 anos de idade.

Conforme se pode ler na nota enviada pela PJ, “os abusos, tiveram o seu início aproximadamente há dois anos, quando as crianças tinham apenas 6 e 10 anos e ocorreram reiteradamente ao longo desse período de tempo, no concelho de Ponta Delgada, num espaço rural propriedade dos pais”.

A mesma nota dá conta que “o suspeito tirou vantagem do facto de ser vizinho dos pais das crianças e ter ainda um certo grau de parentesco com elas, sendo frequentador habitual da casa, para as ter sujeitado a agressões sexuais de vária índole.

O detido, com 19 anos de idade, irá ser presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coacção tidas por adequadas.