Artigos

“Não há mercado de trabalho nos Açores para pessoas com deficiência”

Helier Reis2 - presidente Associação DeficientesA afirmação é do presidente da delegação de Ponta Delgada da Associação Portuguesa de Deficientes que, em entrevista ao Diário dos Açores, revelou que as solicitações de ajuda para encontrar emprego têm aumentado. Actualmente, arranjar trabalho é uma dificuldade para qualquer pessoa, mas tem sido “desde sempre” um problema para os portadores de deficiência.  Helier Reis defende que a região “não tem uma indústria adequada para receber deficientes enquanto trabalhadores”.

 

O número de pedidos de apoio à delegação de Ponta Delgada da Associação Portuguesa de Deficientes tem vindo a aumentar nos últimos tempos. Dificuldades na procura de emprego é o que mais motiva sócios e não sócios a contactarem a instituição em busca de ajuda.
A propósito do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que se assinala hoje, 3 de Dezembro, o presidente da associação, que conta com cerca de 400 sócios, avança ao Diário dos Açores que a actual crise tem agravado um problema que existe “desde sempre”. “Não há mercado de trabalho nos Açores para as pessoas com deficiência. E esta é uma questão que já se colocava, para os portadoras de deficiência, antes de haver esta crise”, afirma Helier Reis.
A fim de dar resposta às necessidades dos deficientes, a associação entra em contacto com empresas à procura de possíveis vagas de trabalho. O responsável pela instituição salienta a “simpatia” das entidades, que estão “sempre disponíveis e abertas” para atender a associação. “Dizem-nos que, caso surja uma vaga, entram em contacto connosco. O que nunca se verifica na prática”, lamenta.
O presidente frisa que, mesmo se existissem vagas de emprego, as pessoas portadoras de deficiência “nunca seriam consideradas em primeiro lugar” para o cargo. “Só em último caso”, garante.
No entanto, Helier Reis não admite que seja uma atitude discriminatória. “Eu não diria que é discriminação. Hoje em dia, qualquer pessoa tem dificuldade em arranjar emprego. O problema é que não há mesmo mercado”.
Segundo a instituição, cerca de 90% das pessoas com deficiência que actualmente têm emprego, trabalham em instituições governamentais, em câmaras municipais ou em juntas de freguesia, o que revela, segundo Helier Reis, que a região “não tem uma indústria adequada para receber deficientes enquanto trabalhadores”.
“Aqui, nos Açores, ninguém vê as mais-valias do trabalho que uma pessoa com determinada deficiência pode trazer”, afirmou e deu o exemplo: “tive conhecimento, nos Estados Unidos da América, de uma fábrica de relógios que tinha várias pessoas surdas a trabalhar na  sua linha de montagem e que conseguiam ter mais rendimento do que as outras, nas mesmas funções. Porquê? Por serem surdas, não se distraiam tão facilmente como os restantes colegas, com as conversas à sua volta e produziam mais”.
Para além do emprego, há quem se dirija à Associação Portuguesa de Deficientes de Ponta Delgada para colocar questões relacionadas com a saúde.
“Vêm nos pedir ajuda porque não sabem, com a sua deficiência, se têm direitos a apoios específicos, se há algum local especial onde possam ser atendidos ou não. E nós fazemos este acompanhamento”, explica.
A instituição atende portadores de qualquer deficiência, e também os encaminha para outras entidades, como a Associação de Paralisia Cerebral de São Miguel ou a Associação de Autismo, que trabalham com deficiências “mais específicas”.

Falta de fiscalização das condições
de acessibilidade
A lei prevê que todos os edifícios de acesso público sigam um conjunto de normas sobre as condições acessibilidade para pessoas com deficiência. A associação alerta para a falta de fiscalização destas normas,  por parte das entidades competentes, considerando haver “uma falha muito grande a este nível”.
Helier Reis afirma que se têm registado melhorias a nível de barreiras arquitectónicas na cidade de Ponta Delgada, mas “é ainda complicado para uma pessoa portadora de deficiência fazer o seu dia-a-dia normalmente”.
“Se uma pessoa portadora de deficiência quiser ir a um edifício público é complicado, porque a maioria tem escadas”, apontou, referindo, contudo, que já alguns serviços adaptaram as suas infraestruturas.
Nos hipermercados de Ponta Delgada, os portadores de deficiência têm ao seu dispor uma cadeira eléctrica e podem solicitar o apoio de um funcionário para fazer compras. Um aspecto positivo, apontado pelo presidente da associação. “Um deficiente consegue fazer a sua vida” refere, mas salienta que “é uma situação desagradável quando isto implica  que outra pessoa tenha de estar disponível para ajudar”, frisou.
Além da questão das escadas nos edifícios, as caixas de multibanco constituem outra dificuldade de acesso. “Têm uma altura muito elevada para a maiorida das pessoas que andam de cadeira de rodas. São problemas que existem e que vão ser difíceis de regularizar, se bem que nós estamos sempre a trabalhar nisto”.
Para assinalar o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que este ano tem como lema “Romper barreiras, abrir portas por uma sociedade inclusiva para todos”, a Associação Portuguesa de Deficientes promove hoje uma missa para os seus sócios, a ser celebrada na Igreja de Santa Clara, em Ponta Delgada, pelas 19 horas.
Foram ainda distribuídos panfletos por várias farmácias, com o objectivo de sensibilizar para as necessidades dos portadores de deficiência.

Morreu Álvaro de Lemos

Alvaro de lemosNasceu em Lisboa em 1929 e aos quatro anos de idade dizia versos aos microfones da Rádio Graça. Esse palmarés diz muito da ligação que manteria com a rádio até ao fim. E o fim foi ontem, quando faleceu em Ponta Delgada, com a idade de 84 anos, vítima de um ataque de coração.
No Natal de 1937, com apenas 8 anos de idade, estreou-se como ator numa revista-fantasia, interpretada por crianças, que esteve em cena no Éden Teatro, em Lisboa, durante três meses, sob orientação do ator Eugénio Salvador.
Com apenas 14 anos, Álvaro de Lemos foi convidado para trabalhar no Clube Radiofónico de Portugal e, dois anos mais tarde, começou a apresentar os programas de variedades daquela emissora, sendo na altura o mais novo locutor português.
Em 1957 foi repórter no sensacional e polémico programa “A Invasão dos Marcianos”.
Em 1960, Álvaro de Lemos recebeu duas propostas de trabalho, sendo a primeira da parte do Rádio Clube Português, e a outra do Rádio Clube de Moçambique. Na altura, o locutor optou por ir para a estação de Moçambique, onde ocupou o cargo de chefe de locutores.
Em 1974, após o 25 de Abril, regressou a Lisboa e, depois de uma breve passagem pela Rádio Graça, ingressou nos quadros da Radiodifusão Portuguesa, quando a rádio foi nacionalizada.
Dois anos depois de ter regressado a Portugal, Álvaro de Lemos recebeu uma proposta de trabalho para integrar os quadros da RDP/Açores, que aceitou. Começou aí uma relação de amizade com as ilhas que perdurou até aos dias de hoje.
Exerceu a função de realizador até ao dia 16 de dezembro de 2000, data em que se reformou, continuando no entanto ligado à rádio, nomeadamente através da participação em programas de grande audiência como Manhãs de Sábado.
Colaborou com a RTP Açores no programa infantil semanal Finalmente Sábado, onde era tratado como “avô Fajeca”. Colaborou ainda na série televisiva O Barco e o Sonho (1989), realizada por José Medeiros.
Embora aposentado, continuou a colaborar com a Antena 1, através da crónica semanal de sábado “Uma no Cravo, outra na Ferradura”, publicada igualmente no jornal Correio dos Açores.

Prova de avaliação dos professores vai realizar-se em todas as ilhas dos Açores

professoraA prova de avaliação dos professores vai realizar-se em todas as nove ilhas dos Açores, depois de inicialmente só estar prevista para três cidades (Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta).
Segundo a agência Lusa, o Ministério da Educação e Ciência publicou uma alteração do aviso de inscrição para a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidade dos professores, alargando o prazo de inscrição e o número de localidades em que poderá ser realizada.
A realização da prova em apenas três ilhas dos Açores tinha desencadeado protestos de sindicatos e docentes, que alertaram para os gastos que os professores teriam de fazer dadas as características específicas do arquipélago.
Também o Governo Regional dos Açores tinha manifestado estas preocupações e, numa nota sexta-feira divulgada, “congratula-se com a decisão” do executivo da República.
“Esta decisão, que vem ao encontro das preocupações manifestadas oportunamente pela Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura junto do Ministério de Educação, permite o acesso adequado, dada a realidade arquipelágica açoriana, de todos os professores interessados em realizar a prova para acesso aos concursos de pessoal docente nacionais”, lê-se no comunicado.
O Governo Regional lembra ainda que a prova não é exigida para os concursos de colocação da região autónoma, só para os nacionais.

Número de feridos e mortos nas estradas até Outubro inverte tendência da última década

acidente de carroO número de acidentes nas estradas regionais no período de Janeiro a Outubro é o mais baixo da última década, mas o número de vítimas voltou a aumentar.
Com apenas 2.246 acidentes neste período, há um registo de menos 120 casos, o que corresponde a uma redução de 5% em relação a 2012. Mas nos restantes indicadores, parece haver uma inversão.
Com 524 feridos ligeiros, há um aumento de 34 casos, o que corresponde um aumento de quase 7% em relação a 2012, embora mantendo-se abaixo dos 600.
Em relação ao número de mortos, há uma clara inversão: um total de 13 vítimas, o que representa um aumento de 44% em relação ao ano anterior. Na realidade, trata-se de um regresso aos dados de 2008, quando se começou a verificar uma redução na mortandade.
O número de feridos graves, com um total de 84 casos, também registou um aumento de 7,7% em relação ao ano de 2012. É também um regresso aos dados de 2008.
Verdade seja dita que já não estamos nos níveis anteriores a 2008. Em relação a 2003, há uma redução de 36% no número de acidentes (menos 1.272), e em praticamente todos os indicadores sentiu-se uma tendência clara de redução, que só é contrariada em 2013. A redução do número de mortos é de 35% (menos 7 casos), a redução de feridos graves é de 25% e a de feridos leves de 34%.

Berta Cabral revela iniciativas para o caso da “via diplomática falhar” na questão das Lajes

Berta CabralDe acordo com a agência Lusa, a secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional revelou sexta-feira  que, se a via diplomática falhar, “está em marcha um conjunto de iniciativas” que visam salvaguardar o impacto da redução da presença dos EUA na Base das Lajes.
“Até ao fim há esperança. Se as nossas esperanças forem inviabilizadas já está em marcha um conjunto de iniciativas de mitigação dos impactos negativos da redução militar que o Governo dos EUA pretende promover na Base das Lajes”, revelou Berta Cabral aos jornalistas, em Ponta Delgada, no âmbito das comemorações do dia da Zona Militar dos Açores.
O presidente da Câmara da Praia da Vitória, Roberto Monteiro, exigiu na quinta-feira ao Governo da República que avance, de imediato e com as autoridades regionais, com um plano de revitalização para atenuar o impacto da saída dos militares americanos da Base das Lajes.
Berta Cabral referiu que esta questão “preocupa o Governo da República, de forma particular o Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas também o Ministério da Defesa”.
”Tudo tem sido feito para tentar ultrapassar esta situação, para que esta se resolva ao nível de Washington. Temos que ter consciência que estas questões se tratam ao nível diplomático e através das decisões que se tomam neste momento no Senado [norte-americano]”, frisou Berta Cabral.
A secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional deixou ainda claro que se pretende ”no mínimo, adiar a situação”, ou seja, a decisão da administração norte-americana de avançar com a redução do seu efectivo militar a partir de 2014.