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Governo aprova 30 M€ para projectos de investimento no âmbito do SIDER

conselho de governo floresO Governo Regional anunciou ontem a aprovação de mais de 16 milhões de euros de incentivos à economia relacionados com a instalação de painéis solares em todos os concelhos do arquipélago e a produção de biomassa.
Segundo um comunicado divulgado ontem, o Conselho do Governo Regional aprovou na terça-feira à noite, em Santa Cruz das Flores, no âmbito do Sistema de Incentivos para o Desenvolvimento Regional (SIDER), a concessão de incentivos a quatro projectos que têm um valor global de investimento de 30 milhões de euros e que “permitirão a criação de mais de seis dezenas de novos postos de trabalho”.
“Os projectos referem-se à instalação em diversos edifícios, em todos os concelhos dos Açores, de painéis solares para a produção de energia com vista ao aumento da produção de energias renováveis no sector eléctrico e à construção de três unidades industriais de fabrico de ‘pellets’ de biomassa nas ilhas de São Miguel, Terceira e Pico”, lê-se no comunicado.
Os incentivos aprovados são cerca de 12 milhões de euros não reembolsáveis e mais 4,8 milhões a título de “empréstimo reembolsável”.
O Conselho do Governo aprovou ainda os “planos de exploração e dos investimentos” da SATA nos aeródromos da região em 2013, que têm um valor estimado de 357 mil euros.
O comunicado do executivo açoriano destaca, nesta matéria, as intervenções previstas para a remodelação da aerogare do aeródromo do Corvo e a aquisição de equipamentos para a torre de controlo de São Jorge. Serão ainda adquiridos pórticos detectores de metais para os aeródromos do Pico, São Jorge, Corvo e Graciosa.
O executivo açoriano desbloqueou, por outro lado, apoios a diversas iniciativas e eventos previstos para o arquipélago nos próximos meses, como a Semana Cultural das Velas, em S. Jorge, o Festival Santa Maria Blues, o Torneio das Vindimas de hóquei, no Pico, ou o Congresso Ibero-americano de Pelóides, em S. Miguel.
O Conselho do Governo decidiu ainda introduzir mudanças nos critérios de atribuição de apoios a actividades desportivas “de treino e competição”, assim como reduzir o número de elementos das comitivas oficiais.

“Governo quer promover a internacionalização de projectos jovens”, diz Pilar Damião

pilar damiãoA Directora Regional da Juventude, Pilar Damião, afirmou ontem, em Ponta Delgada, o interesse do Governo Regional em associar-se a iniciativas que pretendam promover a internacionalização de projectos açorianos.
Segundo nota de imprensa emitida pelo Gabinete de Apoio à Comunicação Social (GaCS), este interesse, segundo Pilar Damião, prende-se com “um dos objectivos estratégicos do Governo dos Açores e da Direcção Regional da Juventude”, que tem a ver com “a captação de fundos comunitários e a criação de redes entre associações, entre projectos, metodologias e conhecimentos”.
Pilar Damião, que falava na conferência de imprensa da YEP Açores, adiantou que, “além de promover uma maior proximidade e reciprocidade entre as associações açorianas e europeias, estas iniciativas tanto contribuem para uma troca privilegiada de experiências interculturais, como instigam um maior sentido de cidadania europeia”.
A YEP Açores–Youth for European Progress, especializada em consultadoria de financiamento europeu, viu aprovado em Fevereiro um projecto, que decorrerá na ilha Terceira, da responsabilidade da Associação Cultural Burra de Milho.
O projecto, subordinado ao tema ‘As Indústrias Culturais Criativas’, visa explorar o potencial destas indústrias, enquanto promotoras de trabalho, criatividade e iniciativa dos mais jovens.
A Direcção Regional da Juventude, de acordo com  Pilar Damião, tem procurado promover a exploração deste tipo de projectos, partilhando o mesmo objectivo da YEP AÇORES no esforço de internacionalização de projectos promovidos por jovens e para jovens.
A YEP AÇORES, criada em Dezembro de 2012, apresentou já candidaturas a projectos de 11 entidades açorianas, sendo a Associação Burra de Milho a primeira entidade beneficiária.

Presidente do Parlamento Regional apela a defesa do “regime autonómico”

Ana-LuísA presidente do Parlamento Regional, Ana Luís, afirmou segunda-feira que é importante “reforçar o apelo” à defesa “intransigente” do regime autonómico, considerando que se mantêm “actuais” e “pertinentes” os objectivos que levaram à sua instituição.
Segundo a agência Lusa, Ana Luís falava na sessão solene do Dia da Região Autónoma dos Açores, que decorreu segunda-feira na Assembleia Legislativa Regional.
“Neste dia em que enaltecemos a singularidade e a cultura do povo açoriano, importa reforçar o apelo à defesa plural e intransigente do nosso regime autonómico, reconhecido, e bem, pela democracia, e bem alto afirmar a nossa firme convicção das vantagens de um regime capaz de simultaneamente fortalecer a identidade de um povo, promover o seu desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida sem deixar de ser um firme contributo para a unidade nacional e solidariedade entre portugueses”, afirmou.
Para a presidente do parlamento regional açoriano, “os objectivos fundamentais da autonomia são hoje tão actuais, pertinentes e legítimos como no passado”.
“Sob pretexto algum podemos abdicar deles, da participação livre e democrática de todos os cidadãos, do fortalecimento e fomento dos laços económicos, sociais e culturais com as comunidades residentes fora da região, passando pela diferenciação do sistema fiscal nacional à região, segundo os princípios da solidariedade, da equidade e da flexibilidade”, sublinhou.
Para Ana Luís, os tempos actuais mostram-se exigentes e “deverão servir para accionar o que de melhor há” na “classe política”, apelando a “consensos”.
“Da classe política, a sociedade espera empenho, rigor e capacidade de superação. Importa pois que não defraudando as expectativas desta sociedade, sejamos capazes de ultrapassar compreensíveis e enriquecedoras divergências ideológicas, estabelecer consensos e encontrar soluções que permitam desenvolver nos Açores a qualidade de vida de quem habita nestas ilhas, assente numa efectiva coesão territorial, económica e social”, afirmou.
Para a presidente da Assembleia Legislativa dos Açores, “este processo” passa pelo apoio às famílias e às empresas e pela “capacidade de antecipar e impulsionar novos caminhos para a descentralização como instrumento para a autonomia”, defendendo que “é tempo” de fazer das “diferenças e das singularidades de cada ilha” da região “veículo privilegiado” de um “desenvolvimento coeso”.
Na sessão solene do Dia da Região Autónoma dos Açores houve ainda uma intervenção do presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, e foram condecoradas personalidades e instituições que se destacaram na “consolidação da identidade histórica, cultural, política e económica” do arquipélago.

Vasco Cordeiro recusa-se a comentar “conclusões do Conselho de Estado”...

vasco cordeiro1O presidente do Governo Regional afirmou ontem que a convocação do Conselho de Estado para o Dia dos Açores é um “facto que fala por si”, escusando-se também a comentar as conclusões da reunião de segunda-feira.
Segundo a agência Lusa, Vasco Cordeiro–que é conselheiro de Estado por inerência do cargo que ocupa no Governo Regional mas não esteve na reunião de segunda-feira convocada pelo Presidente da República por, justificou, ser o Dia da Região Autónoma dos Açores–respondia a perguntas de jornalistas nas Lajes das Flores.
“Não tive a oportunidade de lá estar pelos motivos que são conhecidos e, portanto, acho que tenho o dever de reserva e não vou comentar as conclusões do Conselho de Estado”, respondeu, depois de lhe ter sido pedido um comentário às conclusões dos conselheiros, divulgadas num comunicado.
Vasco Cordeiro escusou-se também a comentar o tema em agenda no Conselho de Estado, dizendo que “se lá tivesse estado”, teria dado a sua opinião.
“Não tendo tido a oportunidade de lá estar, acho que tenho o dever de reserva. A falar, falaria lá. E não tendo tido essa oportunidade, outras surgirão, certamente”, acrescentou.
Quanto à realização de um Conselho de Estado no Dia dos Açores, limitou-se a responder: “Acho que o facto fala por si e, portanto, não tenho mais comentários a fazer”.
O presidente do Governo Regional falava à margem de uma visita ao porto comercial das Lajes das Flores, para ver a obra de ampliação da frente acostável em 45 metros, num investimento de cerca de dois milhões de euros.
Segundo o responsável, o objectivo desta obra foi “melhorar as condições de operacionalidade” do porto comercial da ilha das Flores, assim como a segurança na cabeça do molhe.
Por outro lado, numa fase anterior, foi construída uma rampa “roll-on roll-off”, para o desembarque de passageiros e viaturas e também de carga rodada, como aconteceu em todas as ilhas do arquipélago, à excepção do Corvo.
Estes investimentos visam “aproveitar também este potencial que o mar apresenta como via de transporte” e assim dar “um outro impulso ao transporte marítimo” na região, tornando a economia “mais competitiva e toda esta operação mais fácil e eficiente”, salientou.

Cerca de dez mil visitantes passam, por ano, pelos museus da Ribeira Grande e a maioria são estrangeiros

Museu vivo do franciscanismo“O museu é o espaço que complementa a comunidade, preserva a sua memória e permite-lhe avançar, destacando um ou outro aspecto da sua identidade. O museu é, no fundo, a comunidade, independentemente da natureza que comporte o seu espólio”. Afirmações da adjunta da Cultura da autarquia da Ribeira Grande que falou com o Diário dos Açores, no âmbito do Dia Internacional dos Museus. Lurdes Alfinete revelou que está a ser equacionada a criação de um roteiro museológico, que pretende orientar os turistas pelos quatro museus do centro do concelho.

Desde 2005 que o município da Ribeira Grande tem apostado fortemente na área da cultura. Exemplo disso são os diversos núcleos museológicos que se podem encontrar naquele concelho e que, anualmente, recebem cerca de dez mil visitantes. Um número avançado ao Diário dos Açores, pela adjunta da Cultura da autarquia ribeiragrandense, Lurdes Alfinete, numa entrevista realizada no âmbito do Dia Internacional dos Museus, que se comemora hoje.
Actualmente, o concelho da Ribeira Grande conta com quatro museus distintos. São eles o Museu Municipal, a Casa do Arcano, o Museu da Emigração Açoriana e, o recentemente inaugurado, Museu Vivo do Franciscanismo. Os quatro núcleos acabam por ser, nas palavras de Lurdes Alfinete, um modo de contribuir para a “afirmação do concelho como pólo de cultura da ilha de São Miguel”, bem como uma forma de “perpetuação da memória e da identidade de um local, das suas gentes e vivências” e de promoção em termos turísticos.
“A cultura é, sem dúvida, um motor impulsionador do turismo e, apostando em tempos, actividades e espaços diferentes e apelativos, poder-se-á trazer muitos visitantes”, afirmou a adjunta da Cultura.
A maioria das pessoas que vai conhecer os museus é do estrangeiro. Lurdes Alfinete revelou que a população açoriana e do continente visitam os espaços “de forma esporádica”, “em momentos específicos do calendário-cultural”. É o caso da Casa da Cultura, parte integrante do Museu Municipal, que na quadra natalícia apresenta um elevado número de visitantes, que vão apreciar o presépio movimentado do Senhor Prior.

Aproximar a população aos núcleos museológicos

Apesar de os açorianos, e portugueses em geral, representarem a minoria dos visitantes, a responsável pela área da cultura defendeu que o número de visitas aos núcleos museológicos da Ribeira Grande não tem vindo a diminuir. “As pessoas estão cada vez mais conscientes da sua identidade, do seu papel enquanto cidadãos e revelam, em crescendo, mais vontade de conhecer a sua história e o que a terra oferece”.
“O arquipélago sempre teve fortes tradições culturais que procurou preservar e propagar”, frisou.
Tendo em conta esta realidade, uma das preocupações da autarquia tem passado por adoptar estratégias que aproximem a população aos museus do concelho. Uma das medidas tomadas passou pelo alargamento do horário de funcionamento daqueles espaços, que actualmente abrem as portas ao público das 9 às 17 horas. Além disto, Lurdes Alfinete apontou o trabalho de promoção que tem sido feito junto das crianças e da população sénior. “A equipa que trabalha em torno destas valências procura dar a conhecer os espaços através da instituição anual de um programa pedagógico que traz aos espaços cerca de cinco mil crianças todos os anos”, salientou, acrescentando que a aposta na proximidade com as pessoas passa também pela divulgação dos museus como oferta cultural nas redes sociais e no sítio electrónico (criado para o efeito).

O “quarteirão museológico”

Uma situação curiosa, e pouco comum se comparada com outros concelhos da ilha, é o facto de os quatro museus da Ribeira Grande se encontrarem a pouca distância uns dos outros. Uma realidade que, para muitos dos que visitam a zona, passa despercebida. É neste sentido que surge, portanto, a necessidade de se desenvolver uma espécie de circuito que oriente os turistas pelos vários espaços. “É cada vez mais pertinente a criação deste roteiro e é algo que, de momento, já está a ser equacionado, na sequência do que ultimamente se entende como «quarteirões museológicos»”, referiu a responsável pela Cultura do município.

O Museu Municipal

Um dos principais espaços a constar neste roteiro será o Museu Municipal, o único que integra a Rede Portuguesa de Museus. Com vários núcleos, a sua sede no Solar de São Vicente, na freguesia da Matriz, conta com várias exposições em permanência, desde a Arqueologia, Arte Sacra, Moinhos de Água, Lagar, Arquitectura “chã”, a Azulejaria, Trajo e Cerâmica.
O museu tem “um cunho etnográfico e lá o visitante pode partir à descoberta de artes e ofícios que tão bem caracterizaram a Ribeira Grande - como a oficina de marcenaria ou a sapataria -, assim como de uma cozinha tradicional ou de uma farmácia que parece transportar-nos no tempo”. Lurdes Alfinete relembrou, no entanto, que “o ícone deste espaço continua, todavia, a ser o emblemático Presépio Movimentado do Senhor Prior, passível de ser observado de perto todo o ano”. Em destaque também neste núcleo museológico estão as oficinas tradicionais, que retratam como era uma sapataria, uma carpintaria, uma barbearia ou a latoaria antigamente, naquele concelho.

Museu Casa do Arcano

Outro espaço que integra a oferta museológica da Ribeira Grande é o Museu Casa do Arcano. Situado na Rua João D’Horta, trata-se de uma recuperação da casa de Madre Margarida do Apocalipse que acolhe o 1º Tesouro Regional dos Açores – o Arcano Místico. A obra da Madre Margarida contém os Mistérios mais importantes do antigo e novo testamento, segundo afirmou a própria autora no seu testamento, escrito em 1854.
Os vários quadros, dispostos nos três pisos da casa, são compostos por pequenas figuras, moldadas à mão e formadas por vários materiais, tais como farinha de arroz, gelatina animal, goma-arábica e vidro moído.
“A diferença que marca esta obra, a minúcia, o amor e o rigor que decerto foram utilizados na sua concepção não deixam ninguém indiferente”, afirmou Lurdes Alfinete sobre a Casa do Arcano.

Museu Vivo do Franciscanismo

Desde Fevereiro do presente ano que o “quarteirão museológico” da Ribeira Grande conta com mais o Museu Vivo do Franciscanismo. O seu objectivo passa por contribuir para o conhecimento da dimensão evangelizadora, pedagógica e cultural da Ordem Franciscana. Este espaço, situado na antiga Igreja de Nossa Senhora da Guadalupe, retrata a história do Franciscanismo naquele concelho com, por um lado, o espaço da igreja conventual, onde se identificam as áreas de devoção e os rituais identitários do Catolicismo e, por outro lado, salvaguarda o Património Imaterial referente às actividades da Ordem dos Terceiros.
Os visitantes poderão apreciar a igreja do antigo convento, com os retábulos, altares, imagens, altar-mor, bem como diversos elementos expositivos que explicam a vida de São Francisco de Assis, a presença da Ordem Terceira da Penitência na Ribeira Grande e nos Açores e a realização da Procissão do Senhor Santo Cristo dos Terceiros. O espaço possibilita ainda a visualização de um filme sobre a história do convento e sobre a arte de “vestir os santos”. “É o Museu Vivo porque, anualmente, o seu espólio sai à rua, numa comunhão única com a comunidade”, explicou a adjunta da Cultura da autarquia ribeiragrandense.

Museu da Emigração Açoriana

Já o Museu da Emigração Açoriana, “também único na sua génese”, segundo Lurdes Alfinete, “possibilita o contacto com as migrações, enquanto parte integrante da história passada e presente” dos açorianos.
“Ganha, ainda, outro sabor uma visita a este museu pela oportunidade de se consultarem as Fichas de Emigrante”. A adjunta da cultura realçou que, muitas vezes, os visitantes acabam por descobrir ligações familiares registadas nos documentos.