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“Avaliação da Fitch é muito desconfortável e evidencia muitas fragilidades”

Mario Fortuna - novaMário Fortuna, economista

A Região mandatou dois bancos internacionais para uma emissão de obrigações no montante de mais de 223,5 milhões de euros. Isto é o princípio do resgate?

Não, esta operação não pode ser vista como o princípio do resgate. 

Trata-se do financiamento que está previsto no Orçamento da RAA para 2019, compreendendo 163.550.000 euros de refinanciamentos e 50.000.000 euros de nova dívida. 

 

Com a Região a aumentar a dívida pública a um ritmo de mais de 100 milhões por ano, o que pode significar esta emissão?

Esta emissão será, na componente de dívida nova, uma parte do que vamos ver no final do ano porque, entretanto, as EPs irão refinanciar-se e financiar-se, devendo daí resultar o endividamento líquido do SPER, que adiciona aos 50 milhões já referidos. 

Quanto será não sabemos, mas as perspectivas, com o contributo da SATA, não são muito boas.

Estamos perante uma situação que se vem repetindo ano após ano e que o ano passado teve um contorno novo com o aval do Governo à SATA Air Açores a ser considerada uma operação com baixa probabilidade de reembolso, razão pela qual foi contabilizada no procedimento de défices excessivos, mesmo que a SATA não faça parte do perímetro. 

 

A Fitch avisa que a Região está com uma elevada dívida face às receitas operacionais. Qual o significado disto?

Isto quer dizer que os recursos próprios correntes (impostos e transferências correntes) são escassos para suportar a intensidade do endividamento o que, segundo os critérios da Fitch, coloca os Açores a um determinado nível absoluto, BBB-, que é o limiar do nível especulativo (vulgarmente designado por “lixo”). 

As entidades financiadoras ou as tomadoras de instrumentos de dívida pública utilizam estes indicadores para decidirem o nível da taxa de juro que exigem. 

Quanto melhor o rating, mais baixa a taxa que se consegue. 

Neste sentido, tendo os Açores um rating inferior ao nacional, isto quer dizer que, em média, o financiamento da Região será mais oneroso do que o da República.

 

O Vice-presidente do Governo, Sérgio Ávila, afirma que a avaliação da Fitch “é uma excelente notícia”. Será?

A notícia é boa porque habilita a Região a financiar-se sozinha no exterior, como já aconteceu no passado, já com alguma distância. 

Se é considerada excelente ou não, depende da escala de avaliação e das expectativas que se tem. 

Se estar abaixo do rating da República é considerado excelente, sendo que a República está como está, com um nível de endividamento elevadíssimo, é uma questão de opinião e de visão, que não pode ser desligada da perspectiva e propósitos de quem faz a avaliação.

No nosso entender é uma situação muito desconfortável e que evidencia muitas fragilidades para qualquer novo ciclo menos bom que possa surgir.

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Mais de metade dos hoteleiros açorianos estão optimistas na taxa de ocupação este Verão

hoteis PDL

Os hoteleiros do país esperam que no Verão a taxa de ocupação e a estada média sejam idênticas às do ano passado, mas perspectivam preços mais elevados, divulgou ontem a Associação de Hotelaria de Portugal (AHP).

Segundo o inquérito realizado pela AHP sobre as “Perspectivas Verão 2019” - no qual foram analisadas as reservas já efectuadas na hotelaria nacional para o período de Julho a Setembro -, “os hoteleiros nacionais indicam que a taxa de ocupação e a estada média irão ser idênticas”, mas perspectivam “um melhor ARR (preço médio por quarto ocupado) e RevPAR (preço médio por quarto disponível)”.

No que respeita à taxa de ocupação, 54% dos hoteleiros consideram que será igual à do ano passado, sendo a região Centro a mais optimista (43% dos hoteleiros a estimarem uma melhoria) e a Madeira a mais pessimista (47% a considerar que será pior). 

 

57% dos hoteleiros açorianos optimistas

 

“Para 86% dos inquiridos no Algarve, 75% em Lisboa, 64% nos Açores e 53% no Norte a taxa de ocupação vai ser superior a 80%”, segundo o comunicado da AHP que dá conta dos resultados do inquérito.

No indicador ‘estada média’ “nada de novo também relativamente ao inquérito de 2018: 83% dos hoteleiros nacionais estimam que será igual à do ano anterior”, refere a associação. 

Do total dos inquiridos, 50% esperam uma estada média entre um e três dias e 39% entre três e cinco dias. 

As estadas de um a três dias predominam no Centro (67%), Norte e Alentejo (65%), Açores (57%) e Lisboa (50%), enquanto 49% dos hoteleiros do Algarve perspectivam que a estada será de três a cinco dias. 

A maior duração das estadas - cinco a 10 dias - é esperada na Madeira (63%). 

 

Mais optimismo nos Açores nos preços por quarto

 

Já quanto ao ARR e ao RevPAR “as perspectivas são superiores ao ano anterior” e, do total, 63% e 58% dos hoteleiros estimam que o ARR e o RevPAR, respectivamente, sejam melhores ou muito melhores do que no Verão de 2018. 

No ARR, os hoteleiros de todos os destinos turísticos, à excepção da Madeira, perspectivam uma melhoria, sendo Açores (86%), Alentejo (74%) e Norte (73%) as regiões que esperam melhores resultados. 

“Também no RevPAR, 86% dos hoteleiros dos Açores indicam que este indicador será melhor do que em igual período do ano anterior, Madeira é o menos optimista, com 42% dos inquiridos a esperar um igual RevPar”, de acordo com a AHP.

“À semelhança do que aconteceu no Verão de 2018, os hoteleiros estão menos optimistas em termos de crescimento da ocupação, isso acontece porque já estamos a falar de valores acima dos 80%, pelo que, naturalmente, é menor o potencial de crescimento”, refere a presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, citada no comunicado.

A responsável acrescenta que no ARR e no RevPAR “ainda há margem para crescer”, sendo o primeiro indicador a impulsionar o segundo.

 

Mercado interno melhor 

 

Em termos de quota de mercado, os hoteleiros apontam os mercados interno e espanhol (16%) e francês (14%) como os principais para o verão.

“De destacar a melhor ‘performance’ do mercado americano e francês, para 51% e 43% dos hoteleiros, e a pior ‘performance’ do Reino Unido para 50% dos inquiridos”, lê-se no documento.

Por regiões, no Norte destaque para a perspectiva de crescimento do mercado americano e pior a ‘performance’ do mercado inglês, sendo que os principais mercados neste destino são Portugal e Espanha, com 18% de quota de mercado, ‘ex-aequo’. 

No Centro, a AHP refere uma “estabilidade em todos os mercados e perspectiva de uma melhor ‘performance’ no mercado nacional”, enquanto em Lisboa há previsão de crescimento dos mercados americano, brasileiro, francês e chinês, com França, para 16% dos inquiridos, e Espanha, para 15% dos inquiridos, como principais mercados. 

No Alentejo, as perspectivas apontam para um crescimento do mercado nacional, principal mercado neste destino com uma quota de 24%, e do americano. 

Os hoteleiros do Algarve perspectivam um pior desempenho dos mercados inglês, alemão e holandês, apesar de os britânicos continuarem a ser o principal, com uma quota de mercado de 22%. 

Na Madeira, Alemanha, Reino Unido e França são apontados como principais mercados, com uma quota de 19%, embora o mercado alemão deva ter um pior desempenho do que no ano anterior. 

 

Portugal e Alemanha, os melhores mercados para os Açores

 

Já nos Açores, os principais mercados serão, à semelhança do ano anterior, Portugal e Alemanha, com 18% e 15% de quota de mercado, respectivamente. 

“Todos os hoteleiros inquiridos neste destino apontam os mercados americano e nacional com crescimento neste Verão”, refere a AHP.

“Temos vindo a acompanhar, com particular atenção, a evolução dos mercados alemão e inglês, mas sobretudo do mercado alemão, que tem decrescido, em número de hóspedes, na Madeira e no Algarve”, refere Cristina Siza Vieira.

No que respeita ao mercado inglês, “a Madeira está mais optimista, por contraponto ao Algarve, onde 63% dos inquiridos esperam uma pior ‘performance’ deste mercado emissor”, afirma a presidente da AHP, acrescentando que este pessimismo se deve “principalmente à indefinição do ‘Brexit’ e à falência de algumas companhias aéreas”.

O inquérito da AHP foi realizado, a nível nacional, entre os dias 29 de Maio e 14 de Junho de 2019, com base nas reservas e pré-reservas efectuadas junto dos hotéis associados.

Comissão Política Regional do PSD/Açores solidária com líder do partido

Alexandre Gaudêncio - 2016Na sequência das notícias vindas a público sobre uma investigação judicial à Câmara Municipal da Ribeira Grande, a Comissão Política Regional do PSD/Açores veio ontem, através de comunicado, dar conta que “respeita o trabalho das autoridades, que cumprem a obrigação de investigar qualquer queixa que recebam”, adiantando que “as investigações das autoridades competentes servem precisamente para apurar a verdade, ou seja, para imputar responsabilidades a quem as tem, e provar a inocência de quem for alvo de alguma acusação infundada”.

Por isso mesmo, avança a Comissão Política Regional do PSD/Açores, “Alexandre Gaudêncio prestou ontem [anteontem] toda a colaboração tendo em vista o cabal esclarecimento dos factos e manifestou a sua total disponibilidade para contribuir para o apuramento da verdade, a bem da transparência”.

Neste sentido, os membros da Comissão Política Regional vieram a público manifestar “toda a sua solidariedade ao Presidente do PSD/Açores, Alexandre Gaudêncio”.

A Comissão Política Regional do PSD/Açores diz estar “consciente de que liderar a oposição nos Açores, é um desafio de grande dimensão e com obstáculos diários”, considerando que Alexandre Gaudêncio “é um homem sério e humilde em todos os aspectos da sua vida política, profissional e pessoal, tal como é reconhecido pela generalidade da população”.

Por outro lado, a Comissão Política Regional do PSD/Açores entende que “é nesta altura já claro para os açorianos que esta investigação judicial tem origem em denúncias anónimas e outras de carácter partidário”, adiantando que “estas denúncias não foram feitas com objectivos nobres, mas sim com propósitos políticos, com o objectivo claro de denegrir o trabalho do Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande e a liderança do PSD/Açores”.

Pode ler-se ainda no comunicado dos social democratas que “em política não pode valer tudo. Este comportamento, sempre com o mesmo alvo, constitui uma forma de fazer política que repudiamos”.

“Esperamos que as investigações decorram com celeridade e que a verdade e a justiça prevaleçam”, finaliza a Comissão Política Regional do PSD/Açores.

Região não abdica dos 134 euros

Ana Cunha - parlamentoA Secretária regional dos Transportes, Ana Cunha, disse ontem que a região não abdica dos 134 euros nas passagens entre os Açores e Lisboa e manteve a informação de que o problema está a ser estudado com Lisboa.

A governante respondia, assim, ao Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que falou em “fraude brutal” no subsídio de mobilidade e que a situação tem de ser alterada. 

 

Madeira diz que há 3 anos que pede a revisão

 

Já o Governo da Madeira considerou “surpreendentes” as declarações do Ministro das Infraestruturas sobre “suspeitas de fraude” no âmbito do subsídio social de mobilidade e lembrou que há três anos que pede a revisão do actual modelo. 

Durante uma audição na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, na Assembleia da República, Pedro Nuno Santos disse que a verba utilizada para a atribuição de subsídios sociais de mobilidade para aqueles voos “aumentou quatro vezes mais do que o que o tráfego justificaria”.

“Vindo do senhor ministro, surpreendeu-me estas declarações porque a região Autónoma da Madeira e o Governo Regional já andam há mais de três anos a pedir para se fazer a revisão deste sistema”, comentou o vice-presidente do Governo da Madeira.

Pedro Calado adiantou que o executivo sabe que o actual modelo “é um sistema que não tem sido justo, nem correto, e tem privilegiado essencialmente as companhias aéreas”.

“Na prática, as famílias adiantam os valores para um sistema que está a inflacionar as passagens aéreas e que só servem as companhias aéreas que são beneficiadas, uma SATA e uma TAP, aqui, para a região”, acrescentou.

Pedro Calado realça que “quem deixou que isto acontecesse até ao dia de hoje foi o Governo da República socialista”.

“Se um ministro do Governo vem dizer que este sistema gera perversidade ou alguma situação anómala, acho que o Governo da República tem todos os mecanismos para estudar, avaliar e corrigir esta situação em benefício de todos nós”, referiu, à margem de uma visita à empresa Gás Link, do Grupo Sousa.

Questionado pelos deputados sobre o aumento dos preços das viagens, Pedro Nuno Santos lembrou que existem tetos máximos e que o Estado financia o remanescente, até ao limite de 400 euros no caso da Madeira.

“Agora não podemos subsidiar empresas num mercado liberalizado. Não podemos ligar para a TAP e dizer ‘vocês vão baixar os preços para metade’”, disse ainda o ministro.

SATA pagou em ordenados no ano passado 63 milhões de euros

Azores Airlines 2

O Grupo SATA teve gastos com o seu pessoal, no ano passado, na ordem dos 63 milhões de euros (30, 535 milhões na Internacional e 32,476 na Air Açores).

De acordo com as contas de 2018, a que o nosso jornal teve acesso, a Azores Airlines fechou o ano com 592 trabalhadores (630 em 2017), uma diminuição de 6%, enquanto a Air Açores possuía 740 trabalhadores, um aumento de 4% em relação ao ano anterior (712 em 2017 e 700 em 2016).

Ambas as empresas gastaram mais de 46 milhões de euros em combustíveis e lubrificantes (41,6 milhões na Internacional e 4,8 milhões na Air Açores).

 

Fretamentos custaram 18 milhões

 

Os tão propalados ACMI’s, ou seja, fretamentos, custaram à Azores Airlines 18 milhões de euros, mais 7 milhões do que em 2017.

Relativamente aos salários da Administração,  os membros do Conselho de Administração só auferem remuneração pelas funções de gestores públicos que desempenham na SATA Air Açores. 

O valor mensal da remuneração dos presidentes do Conselho de Administração é de 5.782 euros, e dos vogais do Conselho de Administração é de 5.022 euros, auferido em 2018.

  Face ao exercício de 2017, citando o relatório e contas da Air Açores, verificou-se um aumento (+11%) de aproximadamente 7 milhões de euros no valor de gastos operacionais reportados.

 À semelhança do verificado nos exercícios anteriores, na SATA Air Açores, a rubrica de Encargos com Pessoal, com um crescimento (+10%) face ao período homólogo, de aproximadamente 3 milhões de euros, assume o maior contributo para a totalidade do volume de Gastos Operacionais, representando cerca de 45% do valor total reportado a 31 de Dezembro de 2018. 

 

Gastos com combustíveis e pessoal têm o maior volume

 

   Quanto à SATA Internacional, citando ainda o documento, à semelhança do verificado em exercícios anteriores, as rubricas de Combustíveis e Gastos com o Pessoal assumem os maiores contributos para a totalidade do volume de gastos operacionais. 

Face ao exercício de 2017 registou-se um aumento no total de gastos operacionais na ordem dos 3 milhões de euros.

 Destacam-se os acréscimos verificados nas rubricas de Rendas e Alugueres pelo impacto dos contratos de locação operacional associados às novas aeronaves A321, bem como pelo considerável aumento verificado na rubrica de Fretamentos, por força dos gastos incorridos com alugueres de aeronaves de forma a suprir o impacto na rede do anormal volume de irregularidades operacionais que afectaram a actividade da companhia ao longo de 2018. 

O aumento de valor na rubrica de Manutenção deve-se ao acréscimo do custo com reservas de manutenção da aeronave A330. 

 

Salários de Junho já foram pagos

 

A utilização das novas aeronaves A321, em substituição dos menos eficientes A310 e A330, justifica a redução verificada em rubricas de gastos operacionais directos como são caso os combustíveis, assistência a aeronaves, taxas aeroportuárias e reservas de manutenção (horas de voo), justifica ainda a SATA.

Entretanto, a empresa não pagou os salários na totalidade referentes ao mês de Junho numa só tranche, tendo efectuado a primeira tranche na Sexta-feira passada e completado o restante na Segunda-feira.

De acordo com a tabela abaixo publicada, é notória a deterioração dos resultados apresentados pela SATA Internacional Azores Airlines.

O crescimento dos gastos (+2%) de aproximadamente 3 milhões de euros associado a um decréscimo (-7%) de 11 milhões de euros ao nível dos ganhos operacionais motivaram uma deterioração de aproximadamente de 14,1 milhões de euros face aos resultados operacionais registados no exercício anterior.

O impacto negativo dos resultados financeiros (-2,6 milhões de euros) é fortemente justificado pela sazonalidade operacional da

operação SATA, obrigando desta forma o Grupo SATA a socorrer-se de instrumentos de gestão de Tesouraria, como são caso os

empréstimos bancários e contas correntes caucionadas, com os respetivos impactos a nível no resultado líquido do exercício por via

da deterioração dos resultados financeiros registados no final do exercício anterior.