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Ensino à distância: professores, pais e alunos a “navegar no desconhecido” em tempo de pandemia

aulas - smartphone

Arrancou esta semana o terceiro período escolar num cenário que ninguém previa que acontecesse aquando do início do ano lectivo. Escolas vazias, sem professores e alunos. 

A evolução do surto da covid-19 no país e nos Açores levou a que o Governo Regional encerrasse as escolas, à semelhança do que ocorreu a nível nacional. Uma medida que se mantém desde o passado dia 16 de Março. 

Sem actividades lectivas presenciais, foi no ensino à distância que foi encontrada a resposta, com o complemento da telescola, a transmitir na RTP-Açores e RTP-Memória (ler texto abaixo). A partir das suas casas, alunos e professores enfrentam agora este desafio, “navegando no desconhecido”.

Cátia Rodrigues é docente nos vários estabelecimentos de ensino afectos à Escola Básica Integrada Roberto Ivens e conta ao Diário dos Açores que encara a mudança como um desafio e uma “forma de crescimento profissional”.

“Procuro conjugar o trabalho, com a vida pessoal e com os estudos, nem sempre é fácil e nos primeiros dias foi difícil quebrar rotinas e centrar-me neste novo modelo de vida”, admite. Apesar de já ter começado o período, é a partir de segunda-feira que esta professora de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), do 1.º e 2.º ciclos, iniciará as “aulas” à distância, mas sem recurso a videoconferência. 

“Vou aplicar no 1.º ciclo sessões assíncronas, onde disponibilizarei as tarefas para os alunos realizarem em casa através do envio, por email, para os encarregados de educação que assim o tiverem”, explica. Já aos alunos do 2.º ciclo, as tarefas serão disponibilizadas “via correio electrónico para o email dos alunos e também recursos no Sistema de Gestão Escolar (SGE)”. 

“Vão ser usados recursos audiovisuais, algumas fichas de trabalho e tarefas para fazerem com a colaboração da família, tentando dar ênfase aos valores fundamentais para a vida em comunidade e em família”, salientou. 

 

Falta de equipamentos é um constrangimento

 

As aulas estão planeadas, mas a falta de meios por parte dos alunos para aceder aos conteúdos tem-se manifestado um problema, apesar dos esforços desenvolvidos em várias frentes para solucionar a questão.

“Os maiores constrangimentos dizem respeito ao facto de alguns alunos não possuírem os recursos informáticos e até mesmo o acesso à internet”, salienta Cátia Rodrigues. 

O mesmo confirma outra professora, que quis manter o anonimato. É docente do 3.º ciclo numa escola da ilha de São Miguel e aponta ao Diário dos Açores que, além da falta dos meios informáticos, também a plataforma que as escolas estão a utilizar, o Sistema de Gestão Escolar, é limitado.

“As maiores dificuldades sentidas são o facto de alguns alunos não terem equipamentos apropriados para acederem à plataforma SGE (Sistema de Gestão Escolar), pois há alunos que só dispõem de ‘smartphone’ e a escola não dispõe de computadores para emprestar a todos. A própria plataforma também não é muito intuitiva para quem nunca trabalhou com ela. Contudo os tutoriais que existem ajudam, mas esta plataforma tem muitas limitações”, frisa a docente. Aos alunos sem meios para as aulas à distância, os trabalhos chegarão através dos CTT.

Esta professora do 3.º ciclo admite que toda a situação não está a ser fácil de gerir e faz um balanço negativo da primeira semana de trabalho depois da Páscoa. “Estes primeiros dias de aulas têm sido muito complicados, portanto é um balanço negativo. É um grande desafio para todos os intervenientes (professores, alunos e pais), pois estamos a “navegar no desconhecido”, afirma em declarações ao nosso jornal.

Segundo refere, na primeira semana o trabalho foi feito de modo assíncrono: “Enviei as fichas de trabalho aos alunos e estes foram enviando as respostas ao longo da semana. A plataforma SGE ainda não dispõe de um sistema para proporcionar aulas em modo síncrono, mas julgo terá em breve”. 

No meio de todo este processo, a cooperação dos encarregados de educação e dos alunos torna-se “essencial”. Mas há a ter em conta a “dificuldade dos pais que estão em teletrabalho ou na linha da frente da pandemia”. Cátia Rodrigues alerta que poderão não ter “o tempo disponível para ajudarem os seus filhos na utilização das plataformas informáticas”.

Já a professora do 3.º ciclo, que tem cerca de 80 alunos com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, garante que os estudantes têm cooperado, apesar dos “constrangimentos técnicos”, acrescentando que “não estavam preparados mentalmente para esta nova metodologia de ensino (ensino à distância), no curto espaço de tempo em que estas decisões foram tomadas”.

“O ensino à distância requer muita autodisciplina e organização, obviamente que não é tarefa fácil manter os alunos focados. Aqui entram os professores, principalmente os professores titulares e os directores de turma, fazendo um acompanhamento mais próximo junto não só dos alunos, mas também dos encarregados de educação”, salienta.

 

Trabalhar em casa “é esgotante”

 

Conjugar o trabalho com a vida pessoal tem-se manifestado difícil para estas professoras. “Não tem sido fácil”, relata a professora do 3.º ciclo: “com uma criança em casa que requer muita atenção, que tem as suas rotinas e que tem também as suas tarefas escolares para realizar, os alunos a enviar emails com dúvidas e angústias, não tanto dos trabalhos que os professores mandam, mas sim em relação à plataforma de SGE”.

Segundo descreve, tem que fazer a monitorização das aprendizagens de seis turmas, dar apoio técnico à direcção de turma. “Conciliar tudo isso com a vida familiar é esgotante. Têm sido muitas horas em frente ao computador”, desabafa.

 

“Paciência e entreajuda” entre colegas

 

Antes dos trabalhos com os alunos, já os docentes trabalhavam em reuniões de avaliação à distância. “As reuniões têm decorrido bem, claro que foi necessário fazermos reuniões-teste para termos um primeiro contacto e ver como funcionava a plataforma ‘Microsoft Teams’. Tem existido muita colaboração, paciência e interajuda entre os colegas”, salientou, por seu turno, Cátia Rodrigues, que conta com cerca de 230 alunos desde o 1.º ano até ao 6.º ano. 

A professora de EMRC está também a vivenciar o ensino à distância enquanto aluna. A frequentar o Curso de Ciências Religiosas na Universidade Católica Portuguesa – Lisboa, revela que assistir às aulas por videoconferência foi uma “experiência inovadora”, mas também “cansativa, pois cumular o trabalho com os estudos à distância exige mais da pessoa”.

“A distância física entre os professores e os alunos é curta, pois usamos a plataforma Moodle e temos os emails dos docentes, que muitas vezes se mostram disponíveis para qualquer dúvida ou esclarecimento. As maiores dificuldades prendem-se com a utilização de métodos expositivos, por parte dos docentes, pois usando a videoconferência é mais difícil poder haver aulas dinâmicas com a participação de todos. Outra dificuldade é o facto do sistema informático por vezes falhar, enquanto estão a decorrer as aulas”, relata. 

Cátia Rodrigues pede a alunos e encarregados de educação que “mantenham a calma e tranquilidade”. “Este processo de aprendizagem é novo para todos vamos ser compreensivos e colaborativos. Interessa principalmente, do meu ponto de vista, que este tempo em que os alunos estão em casa desenvolvam competências de saber ser, saber estar e saber fazer privilegiando tarefas, brincadeiras e jogos que em casa fazem mais sentido serem realizadas,  nunca descorando a consolidação das aprendizagens desenvolvidas ao longo deste ano lectivo”.

E termina as declarações ao Diário dos Açores com uma frase de esperança do Papa Francisco: “Porque nós só podemos sair desta situação juntos. (...) Construir uma verdadeira fraternidade entre nós. (...) E seguir em frente com esperança, que nunca decepciona.”

 

 

 

 

Aprender em Casa: “Uma tentativa de minimizar as consequências que esta situação poderá trazer ao nível da aprendizagem”

Televisão

Como complemento ao trabalho das escolas, arranca no dia 20, segunda-feira, o espaço “Aprender em Casa” na RTP-Açores. O currículo escolar dos Açores, para o primeiro ciclo, tem algumas particularidades em relação ao nacional, como o caso da disciplina de Matemática, cujas gravações estão a ser feitas por docentes que fazem parte do grupo de Prof DA de Matemática, um projecto inserido no ProSucesso e orientado por Ricardo Teixeira, docente da Universidade dos Açores.

Ao Diário dos Açores, uma das professoras de Matemática envolvidas nas gravações do programa conta que tem sido um desafio. “O ‘Aprender em Casa’ está a ser um desafio para todos os principais intervenientes da comunidade educativa: alunos, pais/encarregados de educação e professores. Todas as sessões, dedicadas a cada um dos anos de escolaridade do 1.º ciclo, serão uma forma de consolidar as competências que já foram trabalhadas durante as aulas na escola. O nosso objectivo é, então, levar os alunos a prosseguir, dentro da medida dos possíveis, com as suas rotinas de trabalho durante este tempo em que vivemos de forma diferente”, explica Cláudia Carreiro Teixeira, docente na Escola Básica e Integrada da Ribeira Grande.

Os professores que estão a realizar o programa estão organizados por anos de escolaridade, de modo a conseguir chegar a todos os alunos. Ao nível da Matemática, Cláudia Carreiro Teixeira explica o porquê de haver nos Açores uma abordagem diferente, em relação ao que será transmitido para os restantes alunos do território nacional.

“Houve a necessidade de criar este espaço dedicado à Matemática porque, desde 2015, todos os alunos da região estão a trabalhar os conteúdos da referida área com uma abordagem particular que segue uma orientação que parte do concreto, passando pelo pictórico e, terminando, no abstracto. Para além disso, seguimos estratégias que procuram desmistificar alguns processos matemáticos, tornando-os mais explícitos em termos de compreensão”, explicita. 

A docente acrescenta que “não levar estas sessões aos alunos neste momento, seria criar um corte com todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido”, no âmbito do trabalho desenvolvido desde 2015 pelo projecto Prof DA de Matemática,. 

 

Dar aulas em frente à câmara



As gravações tiveram início na passada terça-feira, dia 14 de Abril, e, segundo Cláudia Carreiro Teixeira, têm decorrido “a um ritmo alucinante” para cumprir com as datas estipuladas. 

“Esta experiência está a ser um desafio enorme para todos nós. Para já pela inexistência de noção da nossa parte no que respeita a trabalhar em frente a uma câmara. E depois pelo vazio que é trabalhar para os alunos sem ter os alunos. Ensinar neste novo formato era a única forma que tínhamos de tentar chegar aos alunos. No entanto, e numa opinião muito pessoal, nada substitui a interacção que se vive numa sala de aula”.

Ao nosso jornal, descreve como foi a experiência: “A minha maior dificuldade desde o início foi aprender a falar para os alunos através da câmara. O primeiro dia foi altamente desgastante, mas à medida que vamos avançando, vamos criando outro à vontade”. O truque, conta, passa por “imaginar que em vez das câmaras temos a nossa turma à frente e estamos, portanto, a falar para eles, estabelecendo toda a interacção que identifica uma aula de Matemática do 1.º ciclo”. 

A docente realça que os métodos utilizados vão sempre ao encontro do tipo de trabalho que é realizado na sala de aula. “As sessões que serão transmitidas pela RTP- Açores vão assumir o papel de complemento ao trabalho levado a cabo pelos professores titulares. Logicamente, o trabalho desenvolvido rege-se por um contacto entre os professores intervenientes que pretende estabelecer um fio condutor, de modo a que os conteúdos explorados no espaço ‘Aprender em Casa’ estejam de acordo com o trabalho que o professor titular fará chegar aos alunos”, salienta. 

Para além disso, Cláudia aponta o recurso ao Caderno do Aluno de Matemática também como  uma forma de pôr em prática os conteúdos explorados em cada sessão, destacando o papel dos pais neste processo. “É importante neste contexto lembrar que estamos a falar de alunos que se encontram, na sua maioria, entre os seis e os dez anos de idade, razão pela qual a postura dos pais e encarregados de educação é determinante para o sucesso desta missão com que todos nos confrontamos presentemente”. 

Questionada sobre a eficácia o programa junto dos mais novos, a professora de Matemática responde: “o nosso esforço é para que seja. Todo este trabalho é uma tentativa de minimizar as consequências que esta situação poderá trazer ao nível da aprendizagem”. 

“As nossas sessões são curtas em termos de tempo e tentam abordar os temas essenciais relativos a cada ano de escolaridade, precisamente por termos noção que o ambiente em que se desenvolverá o trabalho não é aquele a que estão habituados”, afirma, voltando a reforçar “o papel fulcral das famílias em todo este processo”. 

“Naturalmente, os pais/encarregados de educação não passaram a ser os professores das crianças, mas se criarem ambientes adequados à situação, dentro das possibilidades de cada um, e se motivarem os filhos e/ou educandos para a aprendizagem, estaremos todos a ‘remar para o mesmo lado’, o que fará toda a diferença”, conclui Cláudia Carreiro Teixeira.

Casos isolados com cadeia de transmissão por identificar preocupam Autoridade de Saúde

Hospital PDL2Três novos casos positivos de infecção pelo novo coronavírus foram confirmados ontem na ilha de São Miguel, pela Autoridade de Saúde Regional, no dia em que se registou o “maior número de sempre” de análises laboratoriais realizadas os Açores – 363.

Dois dos casos são duas idosas do Lar da Santa Casa do Nordeste, de 75 e 86 anos de idade, que já apresentavam sintomas. Foram transferidas para o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) onde foram testadas e tiveram resultado positivo.

O terceiro caso é um homem de 35 anos, profissional de saúde no HDES, que se junta aos outros 18 profissionais de saúde já infectados na Região. 

Segundo avançou ontem o responsável pela Autoridade de Saúde Regional, em conferência de imprensa a partir do Solar dos Remédios, em Angra do Heroísmo, não está ainda identificada a cadeia de transmissão que positivou o teste deste último profissional de saúde diagnosticado. 

“Não temos a informação de que possa estar relacionado com a transmissão secundária que se desenvolveu no HDES e que estará praticamente circunscrita”, revelou Tiago Lopes.

“Atendendo às restrições de ligações aéreas das últimas semanas e não havendo nenhum contacto com o exterior, preocupa-nos o facto de ter tido algum contacto na comunidade que tenha provocado a sua infecção por covid-19. É isso que estamos agora a escrutinar para confirmarmos não existência de novas cadeias de transmissão”, explicou.

Segundo disse, “qualquer um dos profissionais de saúde ou dos utentes têm vidas paralelas antes de entrarem no hospital, por isso o foco de infecção pode ser outro, pelo que temos que seguir a mesma tramitação em relação aos outros casos positivos, identificando os seus contactos próximos. Se algum for comum à cadeia de transmissão já identificada, aí estabelecemos a relação”, explicou. 

Tiago Lopes realçou que, dentro do rastreio que está a ser feito “a profissionais e utentes no HDES e aos que já tiveram alta há um mês e que já regressaram às ilhas de residência” todos estão a ser testados. “Mas a realidade é que vão aparecer casos isolados, tal como este caso mais recente do profissional”, referiu.

Com os três novos casos ontem identificados com covid-19, confirmavam-se até ontem 86 casos activos nos Açores, havendo um total de 278 casos suspeitos a aguardar recolha de amostra biológica ou resultado.

No cenário por ilhas, São Miguel continua a liderar com 59 casos, havendo 5 na ilha Terceira, 4 na Graciosa, 4 em São Jorge, 9 no Pico e 5 no Faial. 

 

Mais três casos recuperados

 

O número de óbitos mantém-se nos cinco, tendo por outro lado já recuperado um total de 14 pessoas, mais três emr elação ao dia anterior. Na Terceira – ilha onde foi registado o primeiro caso de covid-19 nos Açores – o número recuperados (6) já ultrapassa os positivos activos (5). Em São Miguel já recuperaram quatro pessoas, no Pico uma e em São Jorge três.

Segundo Tiago Lopes, que é também director regional da Saúde, existiam ontem 2098 pessoas em vigilância activa. 633 provenientes da Linha Saúde Açores, 1465 das delegações de saúde (4 do Corvo, 160 do Faial, 30 das Flores, 37 da Graciosa, 90 do Pico, 59 de São Jorge e 863 de São Miguel, 180 da Terceira e 42 de Santa Maria).

Estão actualmente 21 utentes com covid-19 internados (8 no HDES, 6 no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, 2 no hospital da Horta, 5 no centro de saúde do Nordeste), todos “estáveis clinicamente”. As restantes encontram-se em contexto domiciliário.

Desde o início do surto nos Açores, já se registaram 2813 casos suspeitos, 2430 tiveram resultado negativo e 105 deram positivo. 

 

499 profissionais de saúde já foram testados em São Miguel

 

Quanto aos profissionais de saúde, já foram testados um total de 561, dos quais 499 na ilha de São Miguel. Na ilha de Santa Maria há também uma profissional a aguardar o resultado, que “apresentou sinais e sintomas de infecção”, segundo adiantou Tiago Lopes. Havia até ao dia de ontem 19 profissionais de saúde infectados na região. 

“No caso dos profissionais de saúde estamos a ser mais excessivos com as cautelas em mantê-los em maior período de afastamento da sua actividade profissional, por via de tentarmos assegurar que não desenvolvem sinais ou sintomas, durante este 14 dias de quarentena e mais algum período, apesar de terem resultado negativo”, explicou Tiago Lopes, recordando haver casos que deram positivo durante os 14 dias, após um primeiro teste negativo.

Segundo voltou a explicar, o primeiro período de quarentena de 14 dias que as delegações de saúde decretam pode ser prorrogado por mais 14 dias, podendo este prolongamento não chegar a ser cumprido na totalidade, de acordo com as avaliações das delegações de saúde.

 

Máscaras distribuídas como medida de prenvenção

 

Questionado sobre se a distribuição de 270 mil máscaras sociais pelas casas dos açorianos, anunciada pelo Governo Regional, é sinal de que a região poderá estar a entrar em fase de mitigação, Tiago Lopes negou. A medida, segundo assegurou, é tomada “no sentido preventivo, ou seja de reforçar a fase alargada de contenção em que nos encontramos”.

“Disse há alguns dias atrás que estaríamos na iminência de entrar em mitigação por via do que estava a acontecer na ilha de São Miguel”, recordou, acrescentando agora que  “dos resultados que temos tido dos testes realizados, as cadeias de transmissão que existem estarão quase confinadas. Sobre a cadeia de transmissão que teve origem na Povoação e que chegou até ao Nordeste, o responsável garantiu que “não se terá propagado a nível comunitário”, frisando que a aplicação e medidas como as cercas sanitárias em todos os concelhos de São Miguel terão sido uma ajuda neste sentido. 

O responsável da Autoridade de Saúde Regional defendeu a necessidade de haver um maior controlo dos casos positivos identificados na ilha de São Miguel, para que as medidas de controlo de circulação venham a ser levantadas.

“O último caso positivo que identificamos deste profissional de saúde do HDES não está ligado a outras cadeias de transmissão identificadas”, recordou Tiago Lopes, frisando haver outros dois casos, cuja cadeia de transmissão não está também identificada. “Para ponderarmos um levantamento das medidas implementadas, importa definir de estes casos positivos não originaram outros casos positivos. Se não criaram outras cadeias de transmissão”. 

O director regional de Saúde afirmou que, enquanto isto não estiver assegurado, “manteremos as medidas em vigor”. Tiago Lopes frisou ser um trabalho “exaustivo”, mas não podemos parar “enquanto não soubermos que as cadeias estão circunscritas e que não houve transmissão comunitária”. 

 

Em contraciclo, Paparoca abre novo espaço em Rabo de Peixe

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Quando praticamente todos os estabelecimentos de restauração estão fechados, abre, Segunda-feira, na Vila de Rabo de Peixe uma nova loja da Paparoca que ficará localizada na Rua do Rosário, em frente ao Supermercado Completo.

A decisão de expandir o negócio até à costa norte da ilha de São Miguel não é nova, mas como José Pereira conta ao Diário dos Açores, a altura pareceu propícia a este novo investimento. “Já preconizávamos há algum tempo expandirmos para a costa norte, uma vez que grandes marcas internacionais de fast-food estão concentradas em Ponta Delgada e a concorrência é cada vez maior”. Por este motivo, avança o sócio-gerente, que uma vez que “não existia naquela zona estabelecimentos com este tipo de oferta decidimos avançar agora”. Um projecto que pretende chegar a Rabo de Peixe, Pico da Pedra, Calhetas, Ribeira Seca, Santa Bárbara e Ribeira Grande, sendo que a opção por Rabo de Peixe fica a dever-se ao facto de ser “uma Vila com muitos habitantes e porque temos vários colaboradores daquela zona e do Pico da Pedra”. Assim, em vez de despedir funcionários, José Pereira manteve os postos de trabalho que, na nova loja, vai começar com seis colaboradores, 4 na loja e dois para distribuição, podendo vir a aumentar para oito, caso o serviço justifique. Como explica o empresário, “por causa da situação em que vivemos provocada pelo coronavírus, e numa altura em que se fala tanto e lay off não quis ir por aí e tomei esta decisão como forma de manter os postos de trabalho na minha empresa. É uma forma de não estarmos parados e de alargarmos os nossos horizontes”, assegura.

Uma vez que o estado de emergência impõe muitas restrições e limitações à actividade comercial, José Pereira explicou que durante a fase de pandemia irá apenas disponibilizar o serviço de take-away e entregas ao domicílio. “Vamos ter dois números de telefone disponíveis para os clientes, uma motorizada e um carro comercial de serviço para poder fazer entregas. Caso seja necessário, estamos em condições de colocar mais veículos motorizados a fazer este serviço”, assegura, adiantando que pretende “começar devagar, sabemos que as pessoas estão todas apreensivas, recolhidas e que estão com alguns receios e medos e nós, que já estamos no mercado há mais de 30 anos, temos todas as condições de higiene e segurança alimentar” para prosseguir o caminho que este empresário desenhou.

José Pereira esclarece ainda que dispõe de uma técnica permanente em higiene e segurança alimentar “que está sempre vigilante e atenta aos colaboradores que fazem as entregas, porque para além do uso das máscaras e de luvas e de outros equipamentos de protecção individual, temos, constantemente, uma atenção muito grande às questões da higiene porque queremos prestar um bom serviço, que queremos juntar aos nossos bons produtos que são todos certificados e aos nossos colaboradores que são de primeira qualidade”, garante. Uma vez que a situação pandémica obrigada a esforços redobrados ao nível da higienização, o sócio-gerente da Paparoca deu conta que foi também necessário investir em outros produtos, como “garrafões de álcool de cinco litros, que foram pedidos à fábrica do álcool em São Miguel. Assim, avança o empresário, “para além de ter disponível na loja do Solmar, onde também só vendemos take-away e entregas ao domicílio, tanto para os clientes ao balcão, como para os funcionários na cozinha e atrás do balcão garrafas de álcool gel para que todos se possam desinfectar, todos os funcionários também têm luvas e máscaras”. Por outro lado, no plano de contingência da Paparoca, foram ainda reformulados os horários de forma a ter sempre turnos directos. Assim, assegura José Pereira, “as equipas não se cruzam e quando entra uma, sai outra, sem haver contactos entre eles. Uma medida que foi tomada com a concordância dos colaboradores”. O sócio-gerente frisa também que “mesmo o contacto entre os colaborares que estão na loja e os que vão para o domicílio há regras que têm que ser cumpridas, mantendo ao máximo a distância social entre todos. Ninguém entra dentro da cozinha ou vai para trás o balcão que não sejam as pessoas que estão indicadas para aqueles locais. Temos um circuito bem montado, entre cozinha, balcão e distribuidores para evitar contactos, possíveis contágios e cumprir com todas as regras que nos são impostas”.

Uma estratégia que será aplicada agora também em Rabo de Peixe, onde não será permitida mais do que uma pessoa na loja. “É assim que estamos a trabalhar no Solmar e será também assim em Rabo de Peixe. Não permitimos ajuntamentos de pessoas, quem quiser ir à loja, terá que fazer como faz nas farmácias ou nos supermercados, cumprindo com a distância social recomendada e com o número de pessoas nos estabelecimentos. No nosso caso, vamos mais longe e só permitimos uma pessoa de cada vez, seja para o que for, ou para fazer encomendas ou para take-away”, adverte José Pereira, garantindo que em Rabo de Peixe “não vamos criar situações de aglomerados de pessoas junto à nossa loja, estamos tranquilos a este respeito”. 

O empresário espera poder estar a trabalhar normalmente pelo menos no Verão, a partir de Julho. Ainda assim, numa fase inicial, dá conta que não vai usar a totalidade da capacidade instalada. “Vamos ter em funcionamento uma sala de refeições com capacidade para cerca de 25 a 30 lugares sentados, mas depois desta fase de confinamento, quando algumas restrições forem levantadas, iremos ter disponíveis apenas 15 lugares sentados para mantermos ainda o distanciamento social”. Uma situação que José Pereira não acredita que suceda já no próximo mês de Maio, até porque, considera que “será precipitado e que não se deve agora facilitar dando o passo maior que perna”.

Enquanto isso, a Paparoca vai continuar o seu serviço de take-away e entregas ao domicílio “não esquecendo muitos dos heróis que estão na linha frente”. E, por isso, a empresa, de forma solidária, tem enviado a alguns serviços refeições gratuitas como forma de agradecimento pelos que continuam a trabalhar.

 

Afinal Governo Regional vai distribuir 270 mil máscaras pela população

covid 19 máscarasO Governo dos Açores anunciou ontem que, a partir da próxima semana, vai fazer chegar às casas dos açorianos cerca de 270 mil máscaras sociais.

As máscaras serão distribuídas “por todos os domicílios da Região, na sequência da articulação com a Autoridade de Saúde Regional de procedimentos a adoptar pela população, que se destinam a ser usadas nas saídas permitidas no contexto de confinamento que está em vigor em toda a Região”. 

 

Máscaras confeccionadas 

por duas empresas açorianas

 

De acordo com a informação ontem divulgada pelo Executivo açoriano, na prática, serão distribuídas nesta fase três máscaras reutilizáveis por cada família, acompanhadas das instruções de utilização e de lavagem, segundo as especificações técnicas da Direcção Geral de Saúde e do Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde.

“O uso destas máscaras sociais, que serão confeccionadas por duas empresas têxteis da ilha de São Miguel, não implica qualquer alteração às medidas de confinamento da população, de higiene das mãos e de etiqueta respiratória e à organização e manutenção dos procedimentos de protecção e prevenção adoptados pelas entidades públicas e privadas.

 

Reforçar a fase de contenção

 

“Esta medida pretende reforçar a fase de contenção da propagação do novo coronavírus em que se encontra a Região, apelando-se à população que utilize as máscaras sociais de forma responsável, cumprindo também todas as instruções de utilização que serão disponibilizadas”, acrescenta o Executivo na mesma nota.