Mais 1.500 açorianos à espera de uma cirurgia

hospital corredorSão 12.133 açorianos que estão em lista de espera nos três hospitais para uma cirurgia, seja grande ou pequena,  segundo revela o relatório do Sigica, da Saudaçor, que finalmente publicou os relatórios que faltavam desde Fevereiro passado.

Comparado com o mesmo mês de maio do ano passado, são mais 1.507 açorianos que entraram nas listas de espera no espaço de um ano.

O número de inscritos no Hospital de Ponta Delgada é de 7.648 mais 1.535 para pequenas cirurgias.

No Hospital de Angra são 1.670 mais 186 para pequenas cirurgias e no Hospital da Horta são 1.019 mais 75 para pequenas cirurgias.

A Otorrinolaringologia é a especialidade com mais doentes em espera no Hospital de Ponta Delgada (1.427), com uma média de 429 dias de espera, seguindo-se a Oftalmologia (1.227 doentes em espera), com uma média de 384 dias, aparecendo depois a Ortopedia (1.224), com um tempo médio de espera de 666 dias).

Acima de um milhar (1066) está ainda a Cirurgia Geral, com um tempo médio de espera de 211 dias).

É, no entanto, a Cirurgia Plástica, com 636 doentes em espera, que apresenta o maior tempo médio de espera, tanto como 1.100 dias. 

No mês de Maio a especialidade que mais operou foi cirurgia geral.

 

PSD propõe reabertura das pequenas cirurgias nos centros de Saúde de Ponta Delgada e Ribeira Grande

Os deputados do PSD/Açores no Parlamento açoriano voltam a recomendar ao Governo Regional a abertura das salas de pequena cirurgia nos centros de saúde de Ponta Delgada e da Ribeira Grande, em São Miguel, ilha onde estão concentrados quase 80% do total de utentes inscritos para cirurgia nos Açores. 

Segundo Luís Maurício, o projecto de resolução entregue ontem no parlamento, através do qual os social-democratas recomendam ao Governo a abertura destas duas salas de pequenas cirurgias até seis meses após a aprovação da iniciativa, deve-se ao número crescente de inscritos para este tipo de cirurgia. 

“Em Dezembro de 2017, esperavam por uma pequena cirurgia 1287 utentes; em Janeiro, 1295; em Fevereiro,1316. Há uma evolução crescente”, indica o deputado e porta-voz do PSD/Açores para a Saúde, frisando que o Governo não publicou na internet, como está obrigado, os dados de Março, Abril e Maio últimos (publicou ontem, depois desta conferência de imprensa). 

Ainda assim, regista o parlamentar, o Presidente do Conselho de Administração do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) revelou, em entrevista publicada a 11 de Junho ao jornal ‘Açoriano Oriental’, que em Maio aguardavam por uma pequena cirurgia naquele hospital 1600 utentes do Serviço Regional de Saúde. 

Luís Maurício considerou preocupante essa evolução e denunciou um outro problema que está associado à concentração no HDES das pequenas cirurgias que, até Dezembro de 2012, eram realizadas nas duas salas para o efeito nos centros de saúde de Ponta Delgada e da Ribeira Grande: o tempo de espera. 

“No modelo anterior, um utente que precisava de tirar um pequeno quisto esperava 15 dias, o que é aceitável. Hoje, após o encerramento das duas salas, esse mesmo utente que precisa de uma intervenção fácil e que pode e deve ser rápida, para minimizar o sofrimento, vai ter de esperar muitas das vezes mais de três meses, além do tempo de espera por uma consulta de cirurgia para pré-avaliação”, explicou. 

O porta-voz do PSD/Açores para a Saúde afirmou que o investimento inicial para a reabertura das duas salas será na ordem dos 200.00 euros (100.000 euros para dotar cada centro de saúde de equipamentos e material), prevendo que o custo anual de funcionamento das salas não ultrapassará os 25 a 30 mil euros. 

Luís Maurício lembrou que o PSD/Açores defende a prestação de cuidados de saúde de proximidade, sem descurar a qualidade da prestação desses cuidados. 

“Não aceitamos que um cidadão dos Fenais da Ajuda, no concelho da Ribeira Grande, por exemplo, tenha necessidade de perder uma manhã de trabalho para se deslocar ao Hospital de Ponta Delgada para efectuar uma tarefa tão simples como uma extração de um quisto ou fazer uma biopsia da pele”, assegurou. 

O deputado clarificou ainda que a “preocupação dos deputados do PSD/Açores com essa questão não é de agora” e lembrou que, aquando da discussão do Plano e Orçamento da Região para 2018, o maior partido da oposição propôs uma verba de 200 mil para a reabertura destas duas salas, proposta essa que acabou rejeitada pela maioria socialista que suporta o Governo Regional.

ASTA garante que projecto para a Calheta aumenta áreas verdes e pedonais

calhetaNa sequência das notícias relacionadas com o projecto da Calheta de Pêro de Teive, a ASTA – Atlântida, empresa do projecto, enviou ao nosso jornal a seguinte nota de esclarecimento, que publicamos na íntegra:

“O projecto de arquitectura para licenciamento submetido, no dia 6 de Junho de 2018, encontra-se nas principais variáveis urbanísticas (área de implantação, área de construção e número de pisos) em linha com o Pedido de Informação Prévia (PIP), submetido em Março de 2017 e aprovado pela Câmara Municipal de Ponta Delgada em Março de 2018;

As reduzidas alterações introduzidas entre o Pedido de Informação Prévia e o projecto de arquitectura, para Licenciamento, contribuíram para diminuir o impacto do projeto e aumentar as áreas públicas, nomeadamente:

- A Área Bruta de Construção acima da plataforma do estacionamento diminuiu no Projeto de Arquitectura, para Licenciamento, em 5 % face ao Pedido de Informação Prévia (5.693 m2 versus 5.999 m2), aprovado pela autarquia de Ponta Delgada;

- O aumento de unidades de alojamento resulta essencialmente de uma alteração da tipologia dos quartos e da eliminação de um espaço comercial, considerado no Pedido de Informação Prévia e não de qualquer aumento da área construída acima da plataforma do estacionamento;

- As áreas verdes e pedonais aumentaram em 5% no Projeto de Arquitectura, para Licenciamento,  quando comparado com o Pedido de Informação Prévia, passando de  4.597 m2 para 4.826 m2, melhorando o enquadramento do projeto e aumentando a ligação entre a marginal e a malha urbana;

- Tal como constava no Pedido de Informação Prévia, aproximadamente 20% dessa área (960 m2) é zona verde e pedonal com acesso público, mas com uso direcionado para o hotel, nomeadamente com uma esplanada.

Para além de estar em linha com o Pedido de Informação Prévia (PIP) aprovado pela Câmara Municipal de Ponta Delgada, o pedido de licenciamento submetido, a 6 de Junho de 2018, representa o resultado do trabalho desenvolvido pela ASTA com o objetivo de promover um projeto economicamente viável, contribuindo também para uma qualificação da Calheta e da marginal de Ponta Delgada”.

Investigadores do Hospital de Ponta Delgada apresentam trabalho pioneiro

luisa mota vieira e biologaUma equipa de investigadores do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, coordenada por Luisa Mota Vieira, realizou um trabalho pioneiro na implementação e validação clínica de um teste molecular para o diagnóstico precoce da leptospirose humana, doença endémica nas ilhas de São Miguel e Terceira e noutras áreas geográficas com clima tropical húmido.

Este trabalho, publicado ontem na revista Scientific Reports, tem como primeira autora a bióloga Lisa Esteves e contou com a colaboração das investigadoras Maria Gomes-Solecki da Universidade do Tennessee nos EUA, Maria Luisa Vieira e Teresa Carreira, ambas do Instituto de Higiene e Medicina Tropical em Lisboa.

A referida investigação consistiu na implementação e validação clínica de um teste molecular, mais rápido, específico e sensível, capaz de detetar a bactéria Leptospira nos doentes com suspeita de leptospirose, sobretudo, na fase inicial da infeção. 

Pretendeu-se melhorar o diagnóstico precoce da doença e identificar directamente as espécies de Leptospira infetantes. 

Com esta finalidade, a equipa analisou retrospectivamente amostras biológicas emparelhadas de soro e urina de 202 doentes residentes na ilha de São Miguel, por uma técnica de PCR em tempo real. 

Esta técnica baseia-se na amplificação in vitro do DNA de genes específicos da bactéria, seguida da fusão dos fragmentos de DNA amplificados. 

Os resultados obtidos foram comparados com os dos métodos convencionais de PCR e de serologia, e as diferenças observadas foram resolvidas por sequenciação do DNA da bactéria presente nas amostras.

A técnica de PCR em tempo real, agora validada em contexto clínico, tem grandes vantagens. 

Primeiro, reduziu consideravelmente o tempo de diagnóstico laboratorial da leptospirose, uma vez que se passou de 5h para 2h. 

Segundo, quando comparada com outras técnicas moleculares, mostrou maior sensibilidade e especificidade nas três fases da infeção: início, disseminação e excreção da bactéria. 

Terceiro, permitiu identificar directamente as duas espécies de Leptospira endémicas nos Açores, a saber: L. interrogans e L. borgpetersenii. 

E, por último, é facilmente implementada nos laboratórios de biologia molecular a um baixo custo.

Esta técnica vem, assim, contribuir para a melhoria do diagnóstico precoce da leptospirose na ilha de São Miguel, podendo ser, facilmente, implementada noutras áreas geográficas onde a leptospirose seja endémica. 

Além disso, os resultados da técnica têm valor epidemiológico importante na prevenção e controlo da leptospirose em termos de saúde pública.

Este trabalho foi financiando pelo Governo dos Açores.

O artigo está acessível aqui (https://www.nature.com/articles/s41598-018-27555-2) + PDF

“Os Açores são riquíssimos em musicalidade criativa”

alfredo gago da camaraAlfredo Gago da Câmara, 60 anos de idade, é um dos nomes incontornáveis da música açoriana. Autor, cantor, compositor, tem-se dedicado ao fado e já emprestou a sua colaboração a mais de 60 edições discográficas. Agora, vai lançar nos dias 19 e 20 de Junho, o seu CD (“Eu Próprio - Fados”) e, simultaneamente, o seu primeiro livro (“Versos, Cantigas e Contos”). No dia 19 será em Vila Franca, no Centro Cultural, às 19h, e no dia 20 em Ponta Delgada, no Ateneu Comercial, pelas 21h30m. O Diário dos Açores conversou com Alfredo Gago da Câmara.

 

Diário dos Açores - “Eu próprio - Fados” é o quê e como nasce?

 “Eu próprio - Fados” é apenas mais um CD de fados que vou lançar nos próximos dias 19 e 20. 

Resolvi dar este nome ao álbum porque todos os seus temas têm letra e música da minha autoria, são por mim orquestrados e executados todos os instrumentos (guitarras portuguesas, viola e baixo), sou eu próprio que os interpreto, o que não acontece na maioria dos trabalhos discográficos que já produzi. 

Também a gravação, mistura e masterização, fui eu que fiz.

O CD é composto por onze faixas, tem temas completamente inéditos, sendo, um deles, instrumental e também outros que já foram interpretados e editados por outros fadistas das ilhas de São Miguel, Terceira, Faial, de Lisboa, Canadá e Estados Unidos.

 

Ao mesmo tempo, o seu primeiro livro, “Versos, Cantigas e Contos”. É mais uma faceta da sua inspiração?

Bem, ao longo da minha vida escrevi muitas das letras dos fados e das canções que compus. Só marchas populares até agora foram 75 e, seguramente, mais de metade delas têm versos da minha autoria. 

Também tenho mais de cem temas musicados, quer em fados, canções ou de outro estilo musical. 

Muitos deles foram editados mas outros não. Os que não foram são coisas pessoais que saíram no momento e têm uma época, um enquadramento, uma vivência ou mesmo uma musa inspiradora. 

Também, como sempre gostei muito de contos, experimentei a escrever alguns baseados em histórias reais, obviamente fantasiadas e outros mais descritivos. O livro tem seis contos.

Resumindo: quando dei por isso tinha um monte versos (não digo poesias porque não me considero poeta), uma porção de letras musicadas, a que chamo cantigas e os tais contos que referi e que, agora, também serão publicados nesta minha primeira experiência que soma mais de duzentas páginas.

Há alguns anos que já havia tido a ideia de publicar um livro mas, só há pouco mais de dois anos, pensei nisto a sério, após ter tido um enfarte e ter espreitado o além por um longo minuto. 

Quis Deus que eu cá ficasse por mais uns tempos e que parte deste meu trabalho não desaparecesse com o tempo ou, mais rapidamente, com a formatação do meu computador.

 

Como é que arranja tempo para tanto trabalho: CD, livro, actuações todas as semanas?

Fui sempre uma pessoa irrequieta mas, o facto de ter ficado sujeito a um resguardo muito maior em termos de saúde, aguçou-me mais a vontade de trabalhar na arte que mora em mim. 

Parecendo que não, embora seja um profissional da música, é esta mesma música que me relaxa e atenua o “stress” nos piores momentos. 

Embora solicitado para várias actuações, arranjo sempre uns momentos para pensar e escrever. 

Cada vez me convenço mais que o que nos mantem vivos são os objectivos a que nos propomos e a consequente concretização dos mesmos. 

 

Há mais dinâmica no nosso mercado para o aparecimento de actuações públicas e mais sensibilidade para o fado?

Sim, sem dúvida, muito mais! E digo que esta dinâmica tende a aumentar quanto mais vamos sendo “descobertos”. 

Todos os géneros musicais têm cabimento porque os países do mundo estão cada vez mais próximos uns dos outros. 

No entanto, sou um defensor acérrimo de que devemos preservar e divulgar, com prioridade, o que é nosso pois, se não o fizermos, os outros muito menos o farão. 

Temos compositores sensacionais, uma língua fantástica e grandes poetas. O fado ensina a conjugação das duas coisas. 

Na realidade, muitas vezes impingem-nos o menos bom porque vende e disputa audiências. 

Há grandes valores da música portuguesa que quase caíram no esquecimento em detrimento de alguma mediocridade, mas estas fracções são reconhecíveis e não são só apanágio dos Açores ou de Portugal. A Açores são riquíssimos em músicos e em musicalidade criativa.

    

Tem actuado com muita gente jovem da nova geração do fado. É uma surpresa esta evolução nos jovens? Temos, de facto, bons valores nesta área?

Sim, na pergunta anterior respondo um pouco a esta, mas acrescento que, pelo facto do fado se ter tornado Património Imaterial da Humanidade, reconhecido pela UNESCO, fez com que muitos mais jovens despertassem para este estado de alma, que tanto agrada os portugueses, e também já uns milhões de forasteiros por este mundo. Por outro lado também se tornou um emprego para muitos que se profissionalizaram e, hoje, já conseguem sobreviver a trabalhar com o seu talento. 

 

Como é a situação nos Açores em termos musicais? Acha que há uma evolução no sector ou mantém-se tudo igual?

Os Açores são um exemplo de cultura musical para o país. Curiosamente temos fadistas por todas as ilhas dos Açores.

Já fui tocar alguns anos à Horta para um festival açoriano de fados que, há anos, é organizado pelo grupo Ecos do Fado,  onde há representantes de todas as ilhas a cantar o fado. 

Fico mais preocupado em relação a instrumentistas, principalmente guitarristas pois há muito poucos. Uma coisa é tocar uns corridos ou umas chamarritas e outra coisa é tocar o fado a sério. Como sou optimista acredito que também irão aparecer sucessores ao mais alto nível. 

 

Depois destas duas obras, já está a pensar numa próxima?

Em relação a CD’s digo que é provável que venha a fazer mais, pois já produzi algumas dezenas de álbuns e ainda cheguei a gravar a solo, em vinil. 

Agora, no que respeita a livros… Bem, nunca poderei dizer que este seja o primeiro e último... Depende do tempo que Deus me der de vida e inspiração para tal. 

Agora uma coisa posso afirmar: dificilmente farei as duas coisas em simultâneo. É que para além de todo este trabalho, publicar um livro também só se consegue quando temos alguma colaboração na aquisição de alguns exemplares, o que foi o caso, principalmente, da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo e também da Câmara Municipal de Ponta Delgada, às quais aproveito para deixar o meu agradecimento.

 

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Marisco do Pico para Hong Kong numa parceria da Sata com a Emirates

bocas de sapateiraMarisco da ilha do Pico  começou a ser exportado para Hong Kong, pela Sata, numa parceria com a Emirates.

De acordo com a Azores Airlines, “A Sata, em cooperação com a Emirates, lançou uma parceria de longo prazo exportando marisco da ilha do Pico para Hong Kong”, não adiantando mais pormenores.

O Diário dos Açores sabe que o primeiro carregamento ocorreu no passado dia 6 de Junho, sendo um carregamento de 224 quilos de garras de caranguejo.

A empresa exportadora, de acordo ainda com as nossas fontes, é a Pico Crab Company, empresa que trabalha com o miolo do nosso caranguejo real e com as bocas da sapateira.

Esta empresa, com sede no Pico, tem explorado, já há algum tempo, esta variante do marisco açoriano, mantendo caranguejos reais e sapateiras em tanques próprios, que depois exporta já transformados, tendo como alvo vários clientes restaurantes, nomeadamente em Lisboa.

Conforme as fotos que publicamos aqui ao lado, retiradas da página da Pico Crab Company no Facebook, há bocas de sapateiras que chegam a atingir os 500 gramas, havendo quem pague bem por esta iguaria.