“Comemorar Abril é mais uma festa do que uma tomada de consciência dos problemas sociais existentes”

25 abril pdlA Associação Promotora das Comemorações do 25 de Abril chama a “atenção para muito do que se idealizou e sonhou há 44 anos não estar a ser cumprido” hoje. Entrevistado pelo Diário dos Açores, Filipe Cordeiro adverte que o 25 de Abril “deverá ser algo que, mais do que a comemoração, um momento de chamada de atenção e de inventariação de situações que são altamente lesivas para a esmagadora maioria dos portugueses”.

 

Diário dos Açores - Passados 44 anos da Revolução dos Cravos, entende que os ideais de Abril ainda estão bem vivos na sociedade?

Filipe Cordeiro - É evidente que há 44 anos atrás houve uma transformação poderosíssima na sociedade, com o aparecimento primeiro da intervenção, muito forte dos capitães de Abril, dando espaço à sociedade civil. Esta intervenção dos capitães de Abril foi secundada por uma intervenção muito forte das pessoas que ambicionavam há muito por terem um momento de liberdade para poderem dizer o que pensavam sem serem incomodadas e, nessa altura, construíram-se muitos ideais e muitos sonhos.

Embora o país tenha sofrido transformações importantes, 44 anos depois há uma necessidade imperiosa de chamar a atenção para algumas questões muito importantes, como é o caso da distribuição da riqueza produzida. De acordo com dados oficiais constatamos que um núcleo cada vez mais restrito de cidadãos está cada vez mais rico, e um número cada vez maior de outros cidadãos está cada vez mais pobre. Esta imoralidade económica requer que haja uma atitude governamental que coloque cobro a isto.

Aliás, um inquérito europeu realizado pelo eurobarómetro dá conta que 94% dos portugueses pede ao Governo que reduza esse fosso entre ricos e pobres. Isso era algo que não era expectável aquando do 25 de Abril em 74. O 25 de Abril tentou trazer para a primeira linha das preocupações a solidariedade, a fraternidade e a igualdade e, passados 44 anos, temos esse cenário que exige a intervenção de quem de direito.

Duas das grandes conquistas do 25 de Abril que foram o Serviço Nacional de Saúde e a massificação do ensino com a possibilidade de todos terem acesso à educação, vemos, 4 décadas depois, que estas duas áreas estão muito instáveis: vemos médicos e professores extremamente descontentes. Estamos a assistir ao não cumprimento, pelos sucessivos governos, em dar prioridade a estas áreas e é evidente que um país que quer ter cidadãos com capacidade de análise, de discernimento e de poderem fazer as suas escolhas com conhecimento, é exigido a esse país que haja um foco muito forte nestas áreas.

Por outro lado, é necessário ainda chamar a atenção para a corrupção existente no nosso país, que é quase endémica. Os dados que estão sendo lançados, cada vez com mais veemência, levam-nos a uma conclusão altamente reprovável que é a promiscuidade existente entre os poderes políticos e os poderes económicos. É importante que este Governo faça a diferença, denunciando com rigor esta corrupção que gera grandes dificuldades e muitos desequilíbrios na economia.

 

Celebrar o 25 de Abril hoje é mais do que recordar o que aconteceu em 1974?

FC - É evidente que esta celebração tem que estar acompanhada de um levantar de questões e de uma crítica mais aprofundada àquelas áreas que era suposto, passados 44 anos, terem uma relevância e um tratamento preferencial e uma economia que, efectivamente, estivesse mais ao serviço dos cidadãos em geral e menos ao serviço de um grupo de cidadãos que enriquece desmesuradamente. Para além de ser uma festa do que foi o 25 de Abril de 74, é também uma chamada de atenção para muito do que se idealizou e sonhou há 44 anos não estar a ser cumprido.

 

Parece-lhe que para muitos, o 25 de Abril é apenas mais um feriado?

FC - A sensação que tenho é que uma parte significativa da população vê o 25 de Abril como apenas um simples feriado. No entanto, a crítica que faço à geração que viveu o 25 de Abril, no meu caso concreto, eu estava no final de uma comissão na Guiné em 1974,é que a minha geração não fez o que era suposto ter feito que era introduzir na área do ensino a pedagogia do que foram os anos escuros antes do 25 de Abril para que, nomeadamente, os cidadãos que nasceram depois do 25 de Abril de 74, pudessem olhar para o 25 de Abril com a dimensão e a importância que teve.

A verdade é que comemorar Abril é mais uma festa do que uma tomada de consciência dos problemas sociais existentes. Mas vamos comemorando e falando de alguns aspectos que nos parecem relevantes. Espero que a nossa juventude vá tomando cada vez mais consciência da necessidade de mudar as coisas e criar as condições para que haja um maior equilíbrio social e económico no país.

 

Ainda assim é um orgulho para si assinalar esta data?

FC - Eu tinha 24 anos quando se deu o 25 de Abril, na altura já tinha alguma consciência política, não muita… Sem dúvida que o 25 de Abril foi um escape tremendo. Se não fosse esse bichinho que está cá dentro, esta alegria que está soterrada desde há 44 anos, nós já tínhamos deixado de comemorar. O 25 de Abril deverá ser algo que, mais do que a comemoração, deverá ser sempre um momento de chamada de atenção e de inventariação de situações que são altamente lesivas para a esmagadora maioria dos portugueses.

 

A Associação Promotora das Comemorações do 25 de Abril adoptou como tema para as comemorações a “Paz”. Porquê?

FC - A Associação ao assumir que o grande tema destas comemorações fosse a paz, visa chamar a atenção para a situação que existe no planeta e, acima de tudo, chamar a atenção para a necessidade imperiosa de haver paz em muitas partes do planeta, mas também dizer claramente e chamar a atenção para a hipocrisia dos grandes países que, muitas vezes em grandes intervenções pugnam pela paz, e são estes mesmo países que fazem negócios super milionários com outros países nestes palcos de guerra.

 

Por: Olivéria Santos

Cidade de Ponta Delgada “invadida” por 13 mil visitantes de quatro cruzeiros

Turistas de cruzeiroMovimento é bom, mas turistas “gastam pouco”, dizem comerciantes 

A ilha de São Miguel foi ontem “invadida” por turistas de quatro cruzeiros que estiveram atracados, em simultâneo, no porto de Ponta Delgada. Quem passou, esta segunda-feira, pela cidade não ficou indiferente ao movimento turístico. Hoje, o cenário repete-se com cinco navios de cruzeiro em escala. Os comerciantes da baixa manifestam satisfação com este fluxo, mas admitem, no entanto, que os visitantes, apesar de apreciarem os produtos dos Açores, “gastam pouco”. Defendem ainda que, nos Açores, há ainda trabalho a fazer no que toca aos meios disponíveis para receber os turistas. 

 

Celebrity Eclipse, Celebrity Silhouette, Arcadia e Marella Discovery 2 são os quatro navios de cruzeiro que estiveram ontem atracados no porto de Ponta Delgada e que trouxeram à ilha de São Miguel 13300 visitantes. O número bate o recorde anterior, registado a 14 de Maio de 2011, dia em que a mesma cidade recebeu 11209 visitantes.

Esplanadas repletas, turistas a entrar e sair de estabelecimentos comerciais, filas nos quiosques da avenida marginal, a par de um ‘ir e vir’ de ‘tuk-tuks’, carruagens turística, táxis e outros transportes para turistas. O movimento não passou ao lado de quem, esta segunda-feira, circulou na baixa da cidade.

O Diário dos Açores foi conhecer a opinião de alguns comerciantes e vendedores do centro da cidade e o sentimento geral é de satisfação, apesar de algumas críticas.

“É muito bom para a cidade e para nós, empresários. É uma mais-valia para todos. Falo por mim, que sou da área do pronto-a-vestir, mas penso que também os restaurantes e cafés beneficiam desse movimento”, diz Carlos Sá, dono de uma loja de pronto-a-vestir, em Ponta Delgada.

Por estes dias, Carlos Sá promove animação em frente ao seu estabelecimento, com o dançarino Luís Arruda e manequins ao vivo. Uma forma de atrair os turistas, que param para apreciar e tirar fotografia. “Já tenho feito isso em outras ocasiões e penso que é importante e é preciso promover animação”, refere o responsável, que defende a necessidade de mostrar as tradições açorianas aos visitantes. “Temos que mostrar o que é nosso”, salienta. Carlos Sá vai ainda mais longe, salientando que os comerciantes deviam ser “mais unidos” e promover iniciativas em conjunto. “Podíamos, por exemplo, trabalhar por rua e dinamizar o comércio com pula-pulas para as crianças”, exemplificou, garantindo que os custos não seriam elevados para cada comerciante.

cruzeiros - 23 abril 2018“O importante”, segundo destaca, “é abrir as portas aos turistas dos cruzeiros. E quem diz dos cruzeiros diz dos aviões. Venham eles, pois estamos de braços abertos para os receber”.

Também José António Moniz, responsável por um espaço de restauração localizado perto da igreja Matriz de Ponta Delgada, considera o movimento “muito bom para a economia da ilha”, mas lança algumas críticas à forma como o movimento é distribuído ao longo do ano.

 “Cada vez que chega um cruzeiro, há muito movimento e isso é muito bom para o comércio em geral”, afirma. “O problema que vejo é que esse movimento só se verifica agora e perto dos meses de verão. É preciso ampliar este turismo para os restantes meses do ano e também trabalhar mais nas outras ilhas”, acrescenta, por outro lado. 

José António Moniz aponta ainda a falta de preparação da ilha para receber este grande número de visitantes em simultâneo. “Não podemos ‘convidar’ tanta gente para a ilha, se não estamos preparados para recebê-los”, disse, exemplificando: “se tenho um espaço com lotação para 30 pessoas, não posso convidar 70 para cá virem em simultâneo…” 

“O aumento do turismo é muito bom, mas é preciso uma maior preparação em conjunto”, frisou, acrescentando que  “o turismo não são só os números e temos que trabalhar todos em conjunto”.

 

“São muitos, mas gastam pouco”

 

Já José Cortez, que tem uma loja de artesanato na avenida Marginal de Ponta Delgada, mostra-se satisfeito com o fluxo de turistas na cidade, mas garante que já teve dias com mais movimento.

“Estão aí quatro cruzeiros, mas já tivemos melhores dias, com mais turistas a passarem por aqui”, frisa ao nosso jornal. “São muitos, mas gastam pouco. Compram magnéticos, postais, um livro ou outro”, revela o responsável, que gere a loja com a esposa.

Sobre a animação que a autarquia de Ponta Delgada está a promover para acolher os turistas, José Cortez dá a sua opinião: “é muito bom, mas devia haver animação para receber todos os barcos, ou pelo menos os que trazem mais visitantes, e não só quando vêm quatro ou cinco barcos de uma vez”. 

 

“Não temos meios para tantos turistas”

 

Também na marginal encontramos um quiosque de venda de serviços de observação de baleias, onde o vendedor, Luís Lopes, admite que os turistas de cruzeiros “não têm tempo suficiente para efectuar a actividade”, pois permanecem na cidade apenas algumas horas. Mas ficam “curiosos”, garante o vendedor, e manifestam interesse em voltar para apreciar com mais tempo os Açores. 

Ao Diário dos Açores, o responsável tece críticas à quantidade de turistas que estão a visitar a ilha em simultâneo. “Nós não temos meios para contentar todos. Eles esgotam táxis, carros de actividades turísticas…, esgotam tudo. Penso que, neste aspecto, não temos, para já, condições para tantos turistas”, defende.

Aponta, como exemplo, as falhas no fornecimento de internet gratuito em Ponta Delgada. “Ainda hoje recebi turistas aqui a reclamar que o PDL Wi-fi estava em baixo e ninguém consegue aceder à internet, a não ser que entre num café. São pequenos pormenores que fazem a diferença”, afirma. 

Apesar destas falhas, o responsável salienta que “estamos no bom caminho”. “Há dez anos não havia nada disso, nada dessa oferta turística para quem nos visitava”, admite. 

Luís Lopes fala também da necessidade de aumentar a animação no centro de Ponta Delgada, dinamizando actividades “não só quando há cá cruzeiros”. “Esta é a minha opinião, mas também é a de muitos turistas que por aqui passam”, garante.

“Ponta Delgada torna-se uma cidade fantasma a partir de uma certa hora. As ruas ficam desertas. Não é só quando vêm os paquetes que há turistas”, alerta o responsável.

 

17 escalas e 46 mil visitantes numa semana 

 

Recorde-se hoje será mais um dia de grande movimento turístico em Ponta Delgada, com cinco navios de cruzeiros atracados no porto micaelense. São eles o estreante Zenith e os habituais Rotterdam, Royal Princess, Le Ponant e Celebrity Eclipse. Este último permanece do dia anterior. Juntos, trazem a São Miguel 12200 visitantes. 

Em dois dias, nove escalas e mais de 25 mil visitantes é algo digno de destaque e só vem contribuir para que os Açores consolidem uma posição de relevo neste nicho de mercado.

“Em dois dias, nove escalas e mais de 25 mil visitantes é algo digno de destaque e só vem contribuir para que os Açores consolidem uma posição de relevo neste nicho de mercado”, destaca a Portos dos Açores, empresa que gere os portos açorianos. 

Para o feriado de 25 de Abril, são aguardados os navios de cruzeiro Norwegian Bliss e do Prinsendam. No dia 26, será a vez dos habituais AIDAmar e Vision of The Seas visitarem o centenário porto micaelense. 

No dia seguinte, Ponta Delgada deverá receber o Serenade of the Seas e no sábado, o Norwegian Jade e o Deutschland. No domingo, é a vez do Navigator of the Seas e do Norwegian Star.

São um total de 17 navios de cruzeiro e mais de 46 mil visitantes no espaço de uma semana. 

“Se a estes impressionantes números de Ponta Delgada adicionarmos as escalas previstas na Horta e na Praia da Vitória, estimamos que, apenas numa semana, o arquipélago receba mais de 55 mil visitantes”, salienta a Portos dos Açores.

Recorde-se que a autarquia de Ponta Delgada promove, entre ontem e hoje, uma acção de boas-vindas aos turistas, com a colocação de dois palcos, um no lado norte da Matriz e outro no Campo de São Francisco, onde vários artistas têm actuado ao longo destes dois dias.

 

Grupo islandês é o único pré-qualificado para privatização da Azores Airlines

sata avião neoA empresa Loftleiðir-Icelandic ehf., do Grupo Icelandair, foi pré-qualificada como “o único potencial comprador” de 49% do capital da Azores Airlines. O anuncio foi ontem feito pela companhia aérea açoriana. 

“A SATA informa que a Fase I do procedimento de negociação particular relativo à alienação de 49% do capital social da SATA Internacional – Azores Airlines, S.A. se encontra concluída, tendo ficado pré-qualificado o único potencial comprador que apresentou Manifestação de Interesse, a Loftleiðir-Icelandic ehf., empresa do Grupo Icelandair”, avançou a SATA, em comunicado.

O Grupo Icelandair é uma companhia aérea da Islândia que, em Cabo Verde, gere a TACV desde o ano passado.

A transportadora aérea açoriana refere, na mesma nota, que após a análise da manifestação de interesse apresentada pela empresa, “concluiu-se que o potencial comprador em causa demonstrou cumprir integralmente ambos os requisitos de pré-qualificação”.

De acordo com o caderno de encargos do procedimento de negociação particular, são pré-qualificados “todos os potenciais compradores” que demonstrem “ter capacidade financeira e experiência de gestão adequadas à participação no capital social da SATA Internacional” e que não tenham sido “condenados por sentença transitada em julgado por algum dos crimes referidos na alínea h) do n.º 1 do artigo 55.º do Código dos Contratos Públicos, na sua redação actual, salvo se, entretanto, tiver ocorrido a sua reabilitação”.

A SATA explica que o procedimento de negociação particular divide-se em quatro fases. A primeira - já concluída - é relativa às manifestações de interesse, onde os potenciais compradores manifestam o seu interesse em participar no procedimento e demonstram o cumprimento dos requisitos de pré-qualificação definidos.

A segunda fase prende-se com as propostas vinculativas. Nesta fase, “os potenciais compradores pré-qualificados na Fase I serão convidados a apresentar propostas vinculativas (“Proposta Vinculativa” ou “Propostas Vinculativas”), procedendo-se à selecção para a Fase III das Propostas Vinculativas ordenadas nos dois primeiros lugares, excepto se um número inferior de propostas for considerado válido”.

Na fase seguinte, dá-se início à “negociação particular”, com as sessões onte “se negociarão todos os atributos das propostas vinculativas, sendo os mesmos convidados a apresentar versões finais” destas propostas.

O procedimento termina com a quarta e última fase, em que é tomada a decisão final.

De acordo com o caderno de encargos da alienação do capital da transportadora do grupo SATA, o candidato terá de promover o “cumprimento da operação aérea regular mínima”. Terá ainda de assegurar as ligações de obrigação de serviço público entre Lisboa e Horta, Lisboa e Pico, Lisboa e Santa Maria, Ponta Delgada e Funchal, bem como a ligação de Ponta Delgada com Frankfurt, a par das rotas a partir da Terceira e Ponta Delgada com Boston e Oakland, nos Estados Unidos, e Toronto, no Canadá.

Havendo a obrigatoriedade de a base da Azores Airlines se manter nos Açores, o caderno de encargos estabelece também que o procedimento - que será conduzido de “forma aberta, transparente, concorrencial e não discriminatória” - assegura que as acções representativas de 49% do capital social da Azores Airlines serão contratadas com o potencial comprador.

O potencial comprador deve ainda manter a identidade empresarial, a autonomia da operadora, a sua denominação social e a marca Azores Airlines, entre outros elementos de identificação, a par de um contributo para a empregabilidade local.

O documento estipula que o valor oferecido pelo potencial futuro accionista não pode ser inferior a 3,6 milhões de euros, devendo-se apresentar um plano de capitalização proposto para a operadora, a par da vinculação a um suprimento mínimo de 10 milhões de euros.

O concorrente deve apresentar um projecto estratégico para a operadora aérea, bem como uma descrição de como a aquisição dos 49% do capital “beneficia a Azores Airlines e o grupo SATA” e “promove o reforço da sua posição concorrencial enquanto operador de transporte aéreo à escala global” nos atuais e futuros mercados e apontar como pode a sua proposta contribuir para o desenvolvimento e reforço do ‘hub’ (centro de operações) dos Açores com o restante território nacional, europeu e norte-americano, bem como para a economia açoriana.

Recorde-se que o capital social do grupo SATA tem como accionista único a Região Autónoma dos Açores e que a Azores Airlines fechou o terceiro trimestre de 2017 com um prejuízo de 20,6 milhões de euros, estando ainda por fechar as contas finais do ano.

 

Trabalhadores da RIAC vão fazer três dias de greve a 2, 3 e 4 de Maio

Riac parque atlanticoOs trabalhadores da Rede Integrada de Apoio ao Cidadão (RIAC) da Região Autónoma dos Açores vão estar em greve nos próximos dias 2, 3 e 4 de Maio. O anúncio foi revelado ontem pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e Entidades com Fins Públicos (SINTAP), que pretende com esta greve “pressionar o Governo Regional a iniciar um processo negocial que dignifique e valorize a sua carreira”.

Conforme se pode ler na nota enviada às redacções, “estamos perante trabalhadores a quem tem vindo a ser atribuído um conjunto apreciável, complexo e sempre crescente de tarefas e funções, acréscimo este que se tem traduzido numa maior exigência para com os trabalhadores, os quais, perante essa situação, têm-se visto obrigados a investir nas suas competências funcionais, formativas e profissionais”.

De acordo com o SINTAP, “na base desta situação está o alargamento das atribuições e competências da própria RIAC, o que tem concorrido para que os trabalhadores sejam sujeitos a um conjunto especial de deveres e obrigações”, avançando que “uma vez que os trabalhadores têm-se deparado com uma total ausência de abertura para a abordagem desta problemática por parte da tutela, da Vice-presidência do Governo Regional, não lhes resta outra alternativa senão a de cumprir uma paralisação de 72 horas, através da qual os trabalhadores, unidos, demonstrarão que estão dispostos a lutar pelos seus direitos, nomeadamente pelo direito à abertura de um processo negocial no qual seja equacionada a criação de uma carreira especial”.

 

Comissariado para a Infância defende benefícios fiscais para famílias de acolhimento nos Açores

Comissariado da InfânciaAs famílias de acolhimento nos Açores devem ter benefícios fiscais. Quem o defende é Isabel Rodrigues, do Comissariado dos Açores para a Infância (CAI), que falava ontem na apresentação do relatório de actividades daquela entidade referente ao ano de 2017.

Na ocasião, a Directora Regional da Solidariedade Social, por sua vez,  destacou os resultados obtidos “em apenas um ano” de actividade do CAI como “muito positivos” para as políticas públicas da Região dirigidas aos mais jovens.

Marta Bulhões afirmou que se trata de “um contributo fundamental para o trabalho do Governo dos Açores em matéria de infância, que permitiu não apenas ajustar as medidas já em vigor, como também garantir que as novas políticas correspondam à realidade regional, respondendo efetivamente às necessidades das crianças e jovens”. 

“Em apenas um ano, o CAI apoiou o Governo na resposta ao ensejo das comissões de protecção de crianças e jovens instaladas nos Açores, quer em termos de formação, quer em termos de acompanhamento, desenvolveu inúmeras acções de sensibilização e contribuiu para a Estratégia Regional de Combate à Pobreza e Exclusão Social”, salientou, considerando os resultados apresentados ontem como “muito positivos para a Região”.

“As crianças e jovens são uma prioridade do Governo desde o início e, nesse sentido, é importante que tenhamos uma entidade dedicada, a tempo inteiro, a melhorar as políticas públicas da Região nesta matéria”, frisou Marta Bulhões.

O Comissariado dos Açores para a Infância, criado pelo Governo Regional no final de 2016, tem como missão a defesa e a promoção dos direitos das crianças e jovens no arquipélago, sendo constituído por representantes nomeados pelo Governo dos Açores em matéria de Juventude, Emprego e Trabalho, Solidariedade Social, Educação e Saúde.