Açorianos estão a recorrer cada vez mais ao crédito para comprar casa

casas ponta delgada

O Alojamento Local e turismo de habitação nos Açores a alavancar o crédito à habitação, beneficiando também dos juros dos novos empréstimos, que nunca estiveram tão baixos.

Fontes bancárias a actuar na nossa Região, contactadas pelo nosso jornal, confirmam que os pedidos cresceram nos últimos dois anos , mas sempre dentro da racionalidade a que está a sujeita a banca.

“Já não se verifica a escalada de concessões ao crédito à habitação e ao consumo como outrora, até porque o Banco de Portugal avisa constantemente para os perigos de voltarmos a facilitar”, explica ao Diário dos Açores um gestor bancário de S. Miguel, acrescentando que  “os novos pedidos também estão associados a muita pressão imobiliária por parte das empresas deste sector”.

Um agente imobiliário disse ao nosso jornal que, efectivamente, “a procura tem sido bastante nos últimos tempos, mas agora com tendência para estabilizar, sendo já complicado encontrar habitações nas zonas mais urbanas, sobretudo no centro, para arrendar”.

 

Spreads a baixar desde 2015

 

Desde 2015, ano em que os spreads aplicados pelos bancos começaram a baixar, a taxa dos novos financiamentos caiu para metade.

Em média, os bancos cobram 1,34% pelo novo crédito, segundo os dados mais recentes do Banco Central Europeu (BCE) relativos a Outubro. 

No início de 2015, altura em que os spreads aplicados no crédito à habitação começaram a baixar, o juro era de 2,78%, lembra o jornal Dinheiro Vivo.

Além da descida da margem de lucro dos bancos também a queda das taxas Euribor levou a que os juros no crédito encolhessem para mínimos. 

E como em Portugal a taxa variável continua a ser predominante, isso ajudou a que o custo do crédito à habitação seja dos mais baixos na zona euro. 

Apenas a Finlândia tem juros mais baixos, com uma taxa de 0,89%. 

A média do euro é de 1,80% e em Espanha o juro inicial do novo crédito é de quase 2%.

 

Reabilitação para fins turísticos

 

“Aproveitando este quadro favorável, muita gente recorreu ao crédito para reabilitar antigas moradias ou adquiri outras, com vista ao aluguer turístico, havendo até quem também compre viatura para incluir no pacote de aluguer”, diz-nos outro gestor bancário, adiantando não ser possível quantificar este crescimento a nível regional ou de ilha, por não haver estes dados disponíveis por parte do Banco de Portugal.

O Banco de Portugal tem vindo a mostrar preocupação pelo facto de os spreads aplicados pelos bancos serem cada vez mais baixos.

“A restritividade de outras condições, como os spreads, permaneceu inalterada ou foi sinalizada como estando em diminuição, devido às pressões concorrenciais no mercado de crédito”, observou o supervisor liderado por Carlos Costa no último Relatório de Estabilidade Financeira.

De acordo com o regulador, desde Junho de 2015 a margem dos bancos na diferença entre os juros que cobram no crédito e os que pagam pelos depósitos é mais baixa do que a média europeia, avisando que os preços dos activos imobiliários e “os spreads praticados no crédito à habitação e às empresas que continuam a diminuir” são as excepções no que diz respeito à “acumulação de risco sistémico cíclico”. 

 

Bancos com menos

margem de lucro

 

Os baixos spreads podem ser um risco para a estabilidade financeira, já que afectam a rentabilidade dos bancos numa altura em que o sector ainda está a tentar resolver problemas que foram criados durante a crise.

Para conseguirem bater a concorrência, os bancos têm esmagado as margens de lucro que cobram no crédito à habitação, recorda ainda o Dinheiro Vivo.

São, de acordo com os preçários mais recentes, de 1% a 1,5%. 

No ano passado, o spread médio era de 1,74%, segundo os dados mais recentes do BdP. 

No início de 2015 era frequente exigirem-se margens acima de 3%.

Além de concederem crédito mais barato, os bancos estão também a aumentar o volume das operações. 

Nos primeiros nove meses do ano emprestaram quase 7,3 mil milhões de euros, o valor mais alto desde 2010. 

Houve um aumento de 1,3 mil milhões em relação ao mesmo período do ano passado. E face a 2015 o crédito concedido mais do que duplicou.

Essa aceleração levou o Banco de Portugal a fazer uma recomendação aos bancos para cumprirem alguns limites antes de concederem novo crédito à habitação. 

Desde que essa medida entrou em vigor, no início do passado mês de Julho, o ritmo dos novos empréstimos registou algum abrandamento.

 

Quem tem os spreads 

mais baixos?

 

Consultando o site comparaja.pt, é possível constatar que os spreads mínimos praticados pelo mercado neste momento variam de 1,15% (oferecido pelo Bankinter) a 1,75% (este último praticado pela UCI). 

Todas as instituições em análise oferecem um spread abaixo de 2%, mas não sem produtos associados (à excepção da UCI, que não possui esta exigência). 

Ao percorrer o mercado averiguou-se que domiciliar o vencimento, deter cartão de crédito e/ou débito, subscrever os seguros de vida e multi-riscos, assim como aderir a serviços de débito directo, homebanking e constituir PPRs ou outras soluções de poupança são alguns dos produtos que, quando subscritos, podem fazer toda a diferença na mensalidade a pagar no final do mês. 

Quantos mais são os produtoss ubscritos, mais reduzido será o spread – esta é quase uma fórmula essencial para se tornar o custo do crédito à habitação mais acessível nos dias de hoje. 

Regra geral, isto permite uma diminuição desta taxa entre 1% a 2%, o que torna quase obrigatória a contratualização de alguns produtos que, por vezes, podem não ser do seu total interesse. 

Ainda assim, existem dois bancos que não fazem vendas associadas facultativas (cross-selling de produtos para bonificação nesta taxa): é o caso do ActivoBank (com um spread de 1,25%) e da União de Créditos Imobiliários (1,75%). 

 

À excepção destas duas entidades, todas as outras exigem a domiciliação do ordenado e a contratação dos seguros multi-riscos e de vida. 

Foi possível ainda verificar que a idade pode pesar na hora de obter um spread mais favorável. 

Algumas instituições atribuem um spread mais baixo aos clientes mais jovens, mas nem todas dão essa informação – somente o Crédito Agrícola e o Millennium bcp.

O governo está a esconder as listas de espera?

Hospital interior

O ano está a terminar e o Governo Regional divulgou, até agora, apenas as listas de espera para cirurgias nos três hospitais da região de Janeiro a Maio, contrariando assim o compromisso da divulgação atempada e os tempos de espera em cada especialidade, conforme aprovação no parlamento regional. Sobre este assunto ouvimos o Secretário Regional da Saúde, Rui Luís, e o Presidente do Grupo Parlamentar do maior partido da oposição, o médico Luís Maurício, que nos responderam por escrito.

 

Rui Luís jornalistasRui Luís, Secretário Regional da Saúde

“Em 2019 haverá reforço de verbas para Vales de Saúde e programas CIRURGE nos hospitais” 

O SIGICA foi criado para facilitar a eficácia de resposta do governo, perante os cidadãos, face à situação das listas de espera nos três hospitais da região, segundo palavras do governo. 

Estamos a terminar o ano, e os cidadãos conhecem até agora apenas os números referentes a Janeiro, Fevereiro, Março, Abril e Maio, que também foram divulgados com grandes atrasos. Porque é que o governo está a esconder as listas de espera dos cidadãos?

Desde Janeiro de 2017 qualquer cidadão tem o dirrito de aceder a todo o tempo, a seu pedido, junto das unidades periféricas de gestão de inscritos para cirurgia do seu hospital, aos dados que lhe respeitem, nomeadamente o nível de prioridade que lhe foi atribuído, o seu posicionamento relativo na prioridade atribuída e tempo de espera.

Sendo ponto assente que o Governo dos Açores em momento algum esconde as listas de espera dos cidadãos, e que, pelo contrário, conferiu o direito que garante aos utentes a todo o tempo aferir da sua posição na Lista de Inscritos para Cirurgia, cumpre destrinçar esta questão da relativa aos boletins informativos do SIGICA, pois a ausência de publicação não implica que os utentes inscritos para cirurgia não possam consultar e ter acesso à sua posição, consulta esta que a breve trecho se pretende que seja realizada através de consulta online em tempo real.

O modelo dos boletins informativos, conforme publicamente anunciado no plenário de discussão do plano e orçamento, encontra-se actualmente em revisão pela Unidade Central de Gestão de Inscritos para Cirurgia dos Açores  de modo a permitir uma melhor consulta da informação e uma mais adequada comparabilidade e análise evolutiva dos dados relativos à Lista de Inscritos para Cirurgia, à produção e aos tempos médios de espera.

Prevê-se que em Janeiro de 2019 este novo modelo esteja implementado e deste modo retomada a publicação mensal dos boletins informativos, no entanto, reforça-se mais uma vez que os utentes nunca deixaram de ter acesso à sua posição na lista de espera.

 

Um dos “cavalos de batalha” deste governo era diminuir as listas de espera. Não se sabendo o que se está a passar nesta área, é de presumir que o governo esteja a esconder os números porque não lhe são favoráveis? O que está a ser feito para diminuir as listas de espera?

O “cavalo de batalha” do Governo dos Açores é criar os mecanismos necessários para resolver as listas de espera cirúrgicas, no entanto, se a dimensão das listas é um problema, a antiguidade também o é, pelo que as Unidades do Serviço Regional de Saúde se têm empenhado em diminuir o tempo de espera dos utentes inscritos em lista para um acto cirúrgico sem carácter urgente.

Deste modo, desde 2016, que no Serviço Regional de Saúde funcionam programas de produção adicional e a partir de 2017 foram implementados programas CIRURGE nos três hospitais da Região, que conjuntamente com a produção regular têm permitido alcançar os seguintes resultados favoráveis, já publicamente apresentados:

·  Em Janeiro de 2016 um utente aguardava, em média, 617 dias pela realização de uma cirurgia no Hospital do Divino Espírito Santo, hoje este indicador baixou para 496 dias.

· No Hospital do Santo Espírito da Ilha Terceira o tempo médio de espera em janeiro de 2016 era de 553 dias, actualmente é de 518 dias.

·   No Hospital da Horta, em que o sistema de gestão hospitalar apenas a partir de janeiro deste ano permitiu desagregar entre cirurgia e pequena cirurgia, o período médio de inscrição na Lista oscilou entre os 238 e os 260 dias, ou seja, valores que se encontram abaixo do Tempo Máximo de Resposta Garantido.

Como demonstrado o Governo dos Açores em conjunto com os hospitais da Região tem apostado na maximização dos recursos disponíveis de modo a que os utentes que necessitem de um ato cirúrgico sem carácter urgente aguardem cada vez menos tempo, de forma a que o seu problema de saúde seja resolvido em tempo útil, importando ressalvar que  todas as cirurgias urgentes são efetuadas de imediato, sendo de destacar que o número de cirurgias urgentes realizadas até Outubro de 2018 é de 2645, ultrapassando em 8% o número de cirurgias urgentes realizadas em todo o ano de 2017.

 

 Quantos programas já foram criados até agora para combater as listas de espera? Quais foram os resultados?

Os programas desenvolvidos pelo Serviço Regional de Saúde não se destinam a combater as listas de espera, visam sim resolver os problemas de antiguidade na lista de espera, de modo a que, complementando a produção base, seja reduzido o tempo de espera que um utente aguarda pela realização de uma cirurgia.

Neste momento a par da produção base são realizadas cirurgias em produção adicional, cujo limite em 2017 passou de 25% para 35% da produção base, no programa CIRURGE e através do Vale Saúde.

Em produção acrescida foram realizados, desde 2016, 1932 actos cirúrgicos.

No programa CIRURGE, desde 2017, foram realizados 353 actos cirúrgicos.

Desde a sua criação foram emitidos aproximadamente 150 vales saúde para a realização de actos cirúrgicos.

Para o ano de 2019 está previsto um reforço das verbas disponíveis para a emissão de Vales Saúde e para a realização de programas CIRURGE nos hospitais da Região o que permitirá alargar a abrangência do programa a outras especialidades assegurando a contínua redução do tempo em lista de espera dos utentes.

 

Luis Mauricio - ALRA2018Luís Maurício, Presidente do Grupo Parlamentar do PSD

“Há alguma coisa a esconder; o sector da Saúde passa por um grande desnorte”

O SIGICA foi criado para facilitar a eficácia de resposta do governo, perante os cidadãos, face à situação das listas de espera nos três hospitais da região, segundo palavras do mesmo governo. Estamos a terminar o ano, e os cidadãos conhecem até agora apenas os números referentes a Janeiro, Fevereiro, Março, Abril e Maio, que também foram divulgados com grandes atrasos. Porque é que o governo está a esconder os números dos cidadãos?

Esta questão da não divulgação dos dados das listas de espera cirúrgica traduz a falta de transparência que nesta, como noutras matérias, o Governo Regional pratica. 

No que diz respeito à questão do SIGICA, até dia 5 de cada mês deveria o Governo publicar as listas de espera em cada um dos Hospitais. 

Não o faz agora como já não o fez o ano passado, publicando no final de 2017 os dados referentes a sete meses, duma só vez, e agora não temos dados desde Maio. 

Isto só pode ser entendido como que há alguma coisa a esconder. 

O Boletim Informativo do Hospital de Ponta Delgada de Outubro passado - Outubro de 2018 - é capaz de ser bem o motivo que explica a não publicação dos resultados, quando se pode ler que entre Janeiro e Outubro de 2017 se realizaram naquele Hospital, onde “residem” sensivelmente 73 % dos doentes em espera, 6633 cirurgias e que no período homólogo de 2018 - Janeiro a Outubro - se realizaram 6 118 cirurgias, ou seja, houve uma quebra de 7.7% nos doentes operados.

 

O parlamento, que fiscaliza o governo e que aprovou este novo sistema, que veio substituir a divulgação das listas de espera pela Direcção Regional de Saúde, não devia pronunciar-se sobre esta falta notória?

O que lhe posso dizer é que o PSD já interpelou o Governo no Parlamento, sobre os “Direitos dos Doentes” nos quais esta matéria foi levantada. 

O Governo esquiva-se sempre com ajustes na plataforma informática, escondendo informação. 

Os dados - nomeadamente os do ano passado - foram publicados após requerimento do PSD. 

Os Partidos não têm outros instrumentos perante um Partido Socialista que, em maioria absoluta, suporta um Governo, e em que faz ditar a lei do “mais forte”. 

O Governo é que tem que ser transparente na sua acção.

 

Como vê o sector da Saúde neste momento?

O sector da  Saúde passa por um grande desnorte. 

Há uma falta de planeamento relativamente aos recursos humanos, situação imprescindível para o sucesso do funcionamento do Serviço Regional de Saúde (SRS). 

Não é conhecido o que precisamos em termos de recursos médicos, de enfermagem, de técnicos auxiliares de diagnóstico, numa perspectiva de futuro e num balanço, que é necessário fazer, entre os que saem e, também em função disso, dos que o SRS tem necessidade de recrutar. 

O Plano Regional de Saúde não se compromete com objectivos mensuráveis e cronologicamente definidos, pelo que acaba por ser um documento sem ambição e que não gera qualquer tipo de compromisso por parte do Governo.

A acessibilidade dos cidadãos aos cuidados de saúde continua a ser um problema. 

A cobertura em termos de cuidados primários de saúde melhorou, com a vinda de mais Médicos de Família, quer porque se aumentou a capacidade formativa localmente, mas também por uma politica correcta dos Governos da República que, perante uma escassez tão grande de Médicos de Família, privilegiaram nos concursos para entrada na especialidade, proporcionalmente, um maior número de vagas para o Internato de Medicina Geral e Familiar do que para as ditas especialidades hospitalares e a Região acabou por beneficiar e bem, com isso. 

No entanto o acesso a uma consulta Hospitalar ou a uma cirurgia continua a ser uma dificuldade.

Desde 2014 que defendemos – o que foi recusado numa primeira instância e aprovado pelo Governo dois anos após – que a única maneira de começarmos a resolver as listas de espera cirúrgicas, passava pela produção cirúrgica adicional, isto é, utilizando os mesmos recursos humanos, as mesmas salas de bloco operatório dos nossos hospitais, operar fora do horário normal de trabalho. 

Isso, a que acresceu o CIRURGE – programa de produção cirúrgica adicional orientado para algumas especialidades – e que pretendia operar até 31 de Dezembro de 2018, todos os doentes inscritos nessas especialidades até 31 de Dezembro de 2014, o que não vai ser atingido na sua plenitude – trouxe alguns resultados. 

No entanto continuam a ser muitos os milhares de açorianos em espera e há muito tempo em espera. 

Começou-se muito tarde a abordar este problema. 

Preocupa-nos a tendência para um agravamento da situação, em função da falta de enfermeiros nos blocos operatórios. 

Há salas de bloco operatório fechadas, com cirurgias canceladas por falta de enfermeiros. 

Isso explica, em parte, os menos 7,7% de doentes operados nos primeiros dez meses deste ano no HDES. 

Isto mais uma vez revela falta de planeamento nos recursos. 

Um enfermeiro de bloco operatório precisa de integração, integração que é longa para se sentir habilitado a exercer as suas funções. 

Ora o número de enfermeiros admitidos a concurso no HDES foi sensivelmente idêntico aos que saíram – quer por mobilidade quer por aposentação. 

Há que pensar numa perspectiva de futuro, devidamente planeada.

Ter uma consulta de oftalmologia ou de Dermatologia é uma miragem. 

Somos uma região diferente de um território contínuo, como o continente. 

Para situações diferentes temos que encontrar soluções diferentes. Estes especialistas são pagos de forma muito diferente nos Hospitais do continente. Aqui temos que encontrar uma solução que leve ao mesmo resultado.

Tudo isso tem como consequência a violação dos direitos dos doentes. 

Os tempos máximos de resposta garantidos não são respeitados e ao contrário do que acontece em espaço nacional, em que os doentes são encaminhados para outros hospitais ou entidades convencionadas para serem operados dentro do Tempo Máximo de Resposta Garantido,  aos  doentes açorianos não lhes é dada alternativa, apesar da legislação regional contemplar o direito ao tratamento de igual qualidade em outra instituição, uma vez ultrapassado o tempo de espera admissível. 

Aos doentes que reclamam é-lhes respondido de forma estereotipada que têm que esperar. 

Temos que tratar as pessoas como seres humanos e é uma desumanidade proceder-se como tal.

O mesmo se passa em relação às consultas. 

Propusemos no âmbito da discussão do Plano e Orçamento para 2019, a criação do “cheque consulta” para os doentes em que, ao abrigo do artigo 43 do Estatuto do Serviço Regional de Saúde, não tenham resposta pública ou convencionada, para uma consulta, ultrapassado o tempo máximo de resposta garantido, pudessem socorrer-se de uma consulta privada, assumindo o Serviço Regional de Saúde esse custo. A nossa proposta foi chumbada pelo Partido Socialista.

Uma preocupação em tudo centralizar nos Hospitais, levou ao desinvestimento nos nossos Centros de Saúde, onde se deseja que se faça uma verdadeira promoção e prevenção da Saúde. 

Estão, em muitos casos, sem meios, para exercerem a sua função. Até as pequenas cirurgias que se resolviam em 15 dias, estão acumuladas nos Hospitais há meses. 

O funcionamento dos RX nos Centros de Saúde das ilhas com Hospital está limitado. Uma suspeita de fratura, por falta de Rx, é enviada para o Hospital. 

É preciso uma aposta grande na saúde escolar, no planeamento familiar e na educação para uma sexualidade responsável que combata uma gravidez na adolescência, cujos dados nos envergonham.

É preciso retomar, com energia, o programa de deslocação de Médicos especialistas aos Centros de Saúde das Ilhas sem Hospital. Um erro brutal e absolutamente irracional, do Governo Regional em 2014 que agora o Governo pretende retomar, como se fosse algo de novo, mas que vem desde 1986 e que foi abruptamente suspenso em 2014.

A saúde precisa de reflexão, de planeamento com cabeça tronco e membros, de modo a que se haja de forma proactiva e não apenas se reaja como tem acontecido até aqui.

 

 

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Oito ilhas estão a perder população e muitas crianças estão a nascer fora do casamento

pessoas em Ponta Delgada1Os Açores estão a perder população de ano para ano, com oito ilhas a registarem no ano passado a perda de milhares de habitantes.

De acordo com dados do SREA divulgados ontem, a penas o Corvo registou crescimento populacional.

Com efeito, estima-se que residiam na Região Autónoma dos Açores, 243.862 indivíduos, em 31 de Dezembro de 2017, sendo 118.810 homens e 125 052 mulheres. 

Esta estimativa representa uma diminuição de 1.421 indivíduos em relação ao valor estimado para 2016 ou seja uma taxa de crescimento efectivo de -5,8‰, menos 3,8 p.p. que no ano anterior.

Por ilhas verifica-se que o crescimento efectivo apresenta variações diferenciadas. 

Desta forma, e para 2017, quase todas as ilhas apresentam um valor negativo, com a excepção do Corvo onde este indicador foi 4,3‰. 

Dentro dos valores negativos, destacam-se as ilhas de São Jorge (-9,9‰) e das Flores (-8,2‰), sendo em Santa Maria apenas -0,7‰. 

O Índice de Envelhecimento demográfico (relação entre a população idosa e o número de pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos), fixou-se em 89,3 pessoas idosas por cada 100 pessoas jovens, contra os 85,6 em 2016.

Por ilhas, este índice atingiu os valores mais elevados na ilha das Flores (159,6), em São Jorge (156,1) e no Pico (152,5). Os valores mais baixos verificam-se em São Miguel (69,4), Santa Maria (98,5) e Terceira (108,2). 

Em 2017, a diferença entre o número de nados vivos e o número de óbitos ocorridos foi de -27, enquanto que em 2016 esta diferença era de -145. 

O excedente de vida apenas é positivo nas ilhas de São Miguel (226) e Santa Maria (19).

Nas restantes ilhas este indicador é negativo, atingindo os valores mais significativos na Terceira (-106) e no Pico (-51).

 

Menos crianças nascidas em 2017

 

Em 2017 nasceram 2.219 crianças nos Açores, menos 1,4% do que em 2016. 

A taxa de natalidade situou-se em 9,1‰, valor inferior em 0,1 p.p. do em 2016. 

A taxa de natalidade foi maior nas ilhas de Santa Maria (10,8‰), São Miguel e Pico (9,8‰) e menor no Corvo (2,2‰). 

Outro indicador de natalidade é a taxa de fecundidade (número de nascimentos por mulheres com idades entre 15 e 49 anos). Esta taxa tem vindo a decrescer desde 2000. 

Nesse ano teve um ligeiro aumento, descendo logo a seguir em 2001 (50,7‰), para atingir os 42,6‰ em 2010.

Aumentou para 43,3‰ em 2011, decrescendo logo em 2012, para 39,0‰, em 2013 e 2014, para 36,8‰, em 2015 para 36,0‰. 

Em 2016 situou-se em 36,2‰ e em 2017 registou mais uma descida para 35,7‰.

A par da oscilação que regista a taxa de fecundidade, outras características dos comportamentos relativos à natalidade têm vindo a modificar-se.

 

Muitas crianças nascem fora do casamento

 

O número de crianças nascidas fora do casamento têm vindo a crescer nos últimos anos, e em 2017 voltou a aumentar, tendo nascido 1.039 crianças fora do casamento (mais 53 do que em 2016) ou seja por cada 100 nados vivos, cerca de 47 são filhos de pais não casados entre si.

A percentagem de nascimentos fora do casamento assumiu valores mais elevados nas Ilhas do Corvo (100,0%), das Flores (75,0%), São Jorge (59,6%) e Pico (57,0%). 

Os valores mais baixos nas Ilhas de São Miguel (43,3%) e Terceira (48,3%). 

Actualmente, o nascimento em estabelecimento hospitalar cobre a quase totalidade dos nascimentos ocorridos na Região Autónoma dos Açores. 

Em 2017 cerca de 98,7% dos partos ocorreram em estabelecimento hospitalar.

No ano passado houve 21 casamentos entre pessoas do mesmo sexo nos Açores

casamento gay

No ano passado realizaram-se nos Açores 21 casamentos entre pessoas do mesmo sexo (8 no masculino e 13 no feminino), revelou o SREA em publicação a que o nosso jornal teve acesso.  

Recorde-se que, com a Lei nº 9/2010 de 31 de Maio, passou a ser permitido o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, pelo que, a partir de 2010, os valores divulgados pelo SREA também incluem esses casamentos. 

 Em 2017 foram celebrados, nos Açores, 921 casamentos (menos 1 que em 2016), um valor que relacionado com o efectivo populacional estimado para o meio do ano, revela uma taxa de nupcialidade de 3,8 casamentos por mil habitantes (valor igual ao do ano anterior). 

 

Casamentos de preferência no Verão

 

 As Ilhas de São Miguel, Terceira e São Jorge, são as ilhas que apresentam uma taxa de nupcialidade superior à média regional (3,9‰, 4,0‰ e 3,9‰ respectivamente). 

As restantes ilhas apresentam, para este ano, taxas inferiores à média da região. 

À semelhança do que vem acontecendo em anos anteriores os açorianos em 2017 continuaram a preferir casar nos meses de Verão, em especial em Julho (190 casamentos), Agosto (100 casamentos) e Setembro (140 casamentos). 

  Em 2017, cerca de 85,9% dos nubentes optaram pelo regime geral de bens – a comunhão de adquiridos. 

Do total de casamentos celebrados, cerca de 66,3% (611) dizem respeito a primeiros casamentos – casamentos de mulheres solteiras com homens solteiros – taxa inferior a 2016, que foi 69,6%. 

Observa-se que o fenómeno de nupcialidade de 2ª ordem (segundos casamentos e superiores) em 2017 foi mais significativo no caso do sexo masculino: do total de nubentes do sexo masculino, 1,2% eram viúvos e 21,8% divorciados; no caso do sexo feminino, 1,5% eram viúvas e 22,5% divorciadas. 

 

 623 divórcios no anos passado

 

  De acordo com os dados de casamentos dissolvidos por divórcio, agora divulgados, em 2017 ocorreram 623 divórcios, tendo sido registada uma diminuição de 1,9% relativamente a 2016, ano em que se registaram 635 casos. 

A taxa de divórcio foi de 2,5‰, tendo descido 1,0 p.p. comparativamente a 2016. 

  Um outro indicador – número de casamentos dissolvidos através de divórcio por 100 casamentos celebrados - reflecte a mesma realidade. 

Em 2017 por cada 100 casamentos celebrados registavam-se 67,4 divórcios enquanto que em 2016 o valor foi superior (68,9%).   

  Esta taxa apresenta valores elevados na maior parte das Ilhas. 

Apenas as Ilhas de Santa Maria (66,7%), São Miguel (65,2%), São Jorge (66,7%) e Pico (67,3%) obtiveram valores inferiores à média regional. 

De entre os valores mais elevados, destaca-se a Graciosa, em que houve mais divórcios que casamentos (133,3%) e o Corvo onde se celebrou um casamento e onde ocorreu 1 divórcio.  

 

AIDAcara vai passar a noite das montras em Ponta Delgada

aidacara

O último mês do ano é normalmente um dos meses de menor movimento de navios de cruzeiros no arquipélago, pois praticamente todos os navios que fazem a época de Inverno nas Caraíbas e na Florida já se encontram naquelas paragens.  

Assim o mês de Dezembro trará somente 12 escalas aos Açores, com seis escalas  em Ponta Delgada, quatro na Praia da Vitória e duas na cidade da Horta.

Em Ponta Delgada as escalas deviam iniciar-se no último sábado, com a paragem no terminal de cruzeiros das Portas do Mar  do ARCADIA, mas à última da hora cancelou.

 

1.720 passageiros hoje em Ponta Delgada

 

Hoje será a vez do terminal de cruzeiros das Portas do Mar receber a visita do elegante paquete ORIANA, da P&O Cruises, com 1.720 passageiros a bordo, no âmbito dum itinerário denominado Caribbean & Azores Cruise e teve inicio a 11 de Novembro em Southampton, em  que a escala  em Ponta Delgada é a última deste interessante itinerário. 

Para além da cidade do Funchal contemplou escalas nos principais portos da Caraíbas.

Inaugurado em 1995, o ORIANA  foi construído nos estaleiros alemães Meyer Werft, em Papenburg. 

Mede 260 metros de comprimento, 32 metros de largura, 7,9 metros de calado, possui 69,153 toneladas de arqueação bruta e tem capacidade para 1820 hóspedes e 820 tripulantes. 

Com 10 decks para passageiros, dispõe de 909 cabines, 592 das quais são exteriores e 317 interiores simples. 

Este ano foi sujeito a um significativo restyling, pelo que se apresenta com algumas notórias modificações. 

 

O mais rápido navio de cruzeiros

 

Talvez a mais evidente destas transformações é visível à popa, onde lhe foram acrescentados estabilizadores.

Apesar de ser o mais antigo navio da frota da P&O Cruises é também o mais rápido, uma vez que detém o troféu Golden Cockerel, prémio que lhe foi atribuído por ter atingido a velocidade de 26,2 nós. 

Sucedeu, assim, ao emblemático Canberra, que durante largos anos foi o detentor daquela distinção. 

No final do próximo este paquete deixará a frota desta operadora britânica e rumará para a Ásia, em virtude de ter sido adquirido por um operador daquele continente.

 

AIDAcara Sábado em Ponta Delgada

 

No próximo Sábado será a vez de Ponta Delgada receber novamente a paragem do AIDAcara, que inicia nesta cidade a primeira escala do seu segundo cruzeiro de Inverno, que contempla 3 escalas nos Açores, Madeira e Canárias.

Neste itinerário, para além de Ponta Delgada, em que pernoitará de 8 para 9, o cruzeiro contempla escalas na  Horta no dia 10 e Praia da Vitória no dia 11.

De salientar que este mesmo itinerário se irá repetir pelo Natal, com escalas em Ponta Delgada nos dias 22 e 23, Horta no dia 24 e Praia da Vitória no dia 25.

Inaugurado em Junho de 1996, o AIDAcara foi construído na Finlândia pelos estaleiros Kvaerner Masa-Yards, em Turku. 

Foi o primeiro navio a integrar a jovem operadora alemã, então com a designação AIDA.

Com 193 metros de comprimento, 28 metros de boca e os 6 metros de calado, possui 38,557 mil toneladas de arqueação bruta e tem capacidade máxima para acomodar 1180 hóspedes e 420 tripulantes.

 

Queen Victoria na Terceira dia 9

 

No dia 9 a cidade da Praia da Vitória receberá a escala do luxuoso e renovado paquete QUEEN VICTORIA, da conhecida operadora inglesa Cunard, que naquela cidade fará a última escala de um cruzeiro transatlântico de 24 noites ás Caraíbas, que contemplaram escalas no Funchal, em  St Maarten, St John nas Antiquas, Martinique, St Vicent e Bridgetown.

 

Viking Sun em P. Delgada no dia 19

 

No dia 19 teremos a escala do VIKING SUN, um dos mais recentes navio de cruzeiros da luxuosa  companhia Viking Cruises, que acaba de ser inaugurado, no passado dia 18, em Veneza.

É a segunda vez que os Açores recebem um navio de cruzeiros desta operadora sediada em Los Angeles, na Califórnia, e que até à poucos anos se dedicava exclusivamente ao mercado de cruzeiros fluviais mas que a partir de 2015 estendeu as suas operações para os cruzeiros marítimos.

Esta escala faz parte de um cruzeiro transatlântico que se inicia em Civitavecchia no dia 4 de Dezembro e que contempla diversas escalas em alguns dos principais portos do Mediterraneo, Lisboa, Ponta Delgada, Hamilton, nas Bermudas, antes de terminar o itinerário em Miami.

Construido nos estaleiros de Fincantiari, em Itália, em 2017, o VIKING SUN desloca 47.800 toneladas, sendo as suas dimensões de 227 metros de comprimento e 28,8 metros de boca. 

Tem capacidade para alojar 930 passageiros, todos em camarotes com varanda e 602 tripulantes.

 

Saga Saphire no dia 23

 

As escalas de 2018 em Ponta Delgada terminam no dia 23 com a passagem no terminal de cruzeiros das Portas do Mar do SAGA SAPPHIRE, da companhia britânica Saga Cruises, que fará em Ponta Delgada a primeira escala de um interessante itinerário transatlântico de 33 noites, e que levará aquele paquete ás Bermudas e a diversos portos das Caraíbas, onde fará um conjunto muito abrangente de escalas antes do seu regresso ao seu porto base de Southampton a 21 de Janeiro do próximo ano

Possui 37.301 toneladas de arqueação bruta, sendo as suas dimensões de 199,6 metros de comprimento, 28,5 metros de boca e um calado de 8,30 metros. 

Tem capacidade para alojar 706 passageiros e 416 tripulantes.

Recordemos que o SAGA SAPPHIRE, construido em 1981 nos estaleiros de Bremen Vulkan, na Alemanha, para a Hapag Lloyd, e baptizado como Europa, foi considerado na altura como o melhor navio de cruzeiros do mundo pelo conceituado “Berlitz Guide”.

 

jornal@diariodosacores/com o Azores Cruise Club