Médica “surpreendida” e “irritada” com telefonemas a “fazer pressão” sobre evacuações médicas

hospital terceiraO relatório do inquérito ao caso da evacuação médica de um familiar da Presidente do Hospital de Angra, elaborado pela Inspecção de Saúde, confirma que aquela responsável efectuou vários telefonemas com todo o pessoal médico envolvido na evacuação, para que o seu familiar fosse evacuado primeiro do que a criança da Graciosa.

Os médicos envolvidos, nomeadamente a médica reguladora, confirma que a situação clínica dos dois doentes era perfeitamente passível de proceder às duas evacuações ao mesmo tempo, coisa que não aconteceu, queixando-se das inúmeras intervenções de que foi alvo, por conta de outras pessoas que não têm responsabilidade na decisão.

Para além da Presidente do Hospital, apresenta-se também o Presidente do Serviço Regional da Protecção Civil, que “liga para a médica reguladora a transmitir que o Secretário Regional da Saúde terá tido informação de que a criança da Graciosa está estabilizada e que se tornou mais grave e mais urgente evacuar a senhora da outra ilha, que é S. Jorge”.

A médica reguladora “afirma parecer-lhe que toda a gente quer decidir a prioridade por ela naquele caso”, lê-se nos testemunhos do relatório.

 

“Surpreendida” e “irritada” com telefonema

 

“A médica reguladora transmite-lhe já ter recebido um telefonema da Presidente do Conselho de Administração do Hospital de Santo Espírito da ilha Terceir (HSEIT) a fazer pressão para fazer a evacuação de S. Jorge em primeiro lugar em detrimento da criança da Graciosa, mas que a sua intenção como médica reguladora é conseguir fazer as duas evacuações mais ou menos na mesma altura, desde que a Força Aérea esteja apta a fazê-las”, prossegue o relatório. O Presidente da Protecção Civil “aconselha a médica reguladora a tomar uma decisão, porque estão há muito tempo para tomar essa decisão”.

“A médica reguladora afirma que se a deixarem fazer o seu trabalho, vai decidir”.

No seu testemunho a médica reguladora confirma que, naquela noite, “por interferência de terceiros e porque não conseguia contactar a médica da UDEA do HSEIT, as evacuações médicas não se processaram e não correram da forma como tinha decidido enquanto médica reguladora”.

Afirma ainda que “ficou surpreendida e “irritada” com este telefonema (do Presidente da Protecção Civil) pois nunca tinha recebido telefonemas dessa natureza no desempenho  das suas funções enquanto médica reguladora. E que na altura entendeu como “uma ameaça”, considerando o tom e os termos usados pelo Presidente da Protecção Civil”.

Estas são apenas algumas passagens dos testemunhos do relatório, com mais de 60 páginas, em que foram ouvidas várias pessoas.

No final os inspectores de Saúde fazem algumas recomendações de ordem organizacional.

 

Recomendações de Vasco Cordeiro

 

O Presidente do Governo, Vasco Cordeiro, na sequência do relatório, faz um despacho também com recomendações, nomeadamente uma “definição formal dos mecanismos de articulação e colaboração” entre as entidades que intervêm no processo de evacuações aéreas. 

No despacho, Vasco Cordeiro dá um prazo de 30 dias para que o Secretário Regional da Saúde, Rui Luís, apresente propostas que procedam “à definição formal dos mecanismos de articulação e colaboração entre as diversas entidades ou seus representantes que intervêm no âmbito das evacuações aéreas”. 

O líder do Executivo determina que as propostas devem contemplar um “mecanismo de garantia e efectivação do relacionamento hierárquico entre os diversos intervenientes” e o “reforço dos mecanismos e procedimentos de informação actualizada entre os três hospitais” do arquipélago (São Miguel, Faial e Terceira) e o Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores, quanto, “nomeadamente, à disponibilidade ou indisponibilidade de serviços ou equipamentos”.

Outra proposta passa por “disciplinar o acesso ao médico regulador por parte de entidades externas ao processo de evacuação aérea ou ao serviço em que o mesmo se integra”, dado que no caso que desencadeou o inquérito o médico regulador atendeu telefonemas de três entidades, sendo que duas delas - a presidente da Unidade de Saúde de Ilha da Graciosa e a presidente do conselho de administração do hospital da Terceira - “estão fora do âmbito directo de funcionamento do serviço de evacuações aéreas”. A terceira entidade foi o presidente da Protecção Civil regional.

Vasco Cordeiro considera, também, necessária a “criação ou reforço de mecanismos de informação e comunicação dos médicos da estrutura de saúde de origem e destino com as famílias de doentes cuja decisão de evacuação esteja pendente de decisão” e de “mecanismos que favoreçam a agilização de procedimentos e rápida decisão do médico regulador em processos de evacuação”.

 

Procedimentos para tratamento de queixas

 

Segundo o despacho, o Secretário Regional da Saúde tem igualmente 30 dias para “definir formalmente, ao nível do gabinete e dos serviços que se encontram na sua dependência, procedimentos para tratamento de queixas suscetíveis de originar inquéritos por parte da IReS (Inspecção Regional da Saúde)” estabelecendo procedimentos e critérios objectivos para a fundamentação das decisões. A Rui Luís cabe, também, dar orientações para que no prazo de 60 dias o Serviço de Protecção Civil regional avalie a “criação de algoritmo ou procedimento objectivo para o estabelecimento de prioridades pelo médico regulador”.

Já à Presidente do Hospital da Terceira, o Secretário Regional deve determinar que cumpra as recomendações feitas pela IReS no relatório do processo de inquérito, “relativas às escalas de profissionais de saúde afectos à Unidade de Deslocações e de Evacuações Aéreas”, para que os turnos não excedam as 12 horas.

Secretário da Saúde também “interveio” com telefonema

hospital angra

Inquérito sobre o caso da evacuação médica

O relatório do inquérito da Inspecção Regional de Saúde sobre o caso da evacuação médica de uma familiar da Presidente do Hospital de Angra foi ontem entregue ao parlamento regional pelo Presidente do Governo, que o tinha mandado instaurar, depois da Secretaria da Saúde ter considerado “não existir necessidade de abrir inquérito”.

O relatório, a que o nosso jornal teve acesso, é bastante extenso, com muitas transcrições dos vários testemunhos e pessoas envolvidas no caso (19 pessoas), mas não chega a conclusão nenhuma, fazendo apenas recomendações relacionadas com organização interna das várias unidades intervenientes.

O próprio Presidente do Governo, Vasco Cordeiro, faz no fim um despacho, onde não responsabiliza ninguém, fazendo também apenas recomendações aos organismos intervenientes e pedindo à Secretaria da Saúde, Serviço Regional da Protecção Civil e Hospital de Angra para procederem a vários melhoramentos em termos organizativos.

Em próximas edições o nosso jornal dará conta de mais informações contidas no relatório, mas, para já, ressalta num depoimento do Presidente do Serviço regional da Protecção Civil que, afinal, o Secretário Regional da Saúde, Rui Luis, tinha conhecimento de tudo o que se passou no dia do próprio caso que gerou toda a polémica, tendo mesmo feito telefonemas.

De acordo com o relato, o Presidente da Protecção Civil, Carlos Neves, ligou naquele dia para a médica reguladora “ a transmitir que o Secretário Regional da Saúde terá tido informação de que a criança da Graciosa está estabilizada e que se tornou mais grave e mais urgente evacuar a senhora da outra ilha, que é São Jorge”.

Os relatos confirmam a interferência da Presidente do Hospital de Angra e agora, também, fica-se a saber que até o Secretário da Saúde interveio com telefonema a dar a sua opinião.

Nas próximas edições daremos conta de mais pormenores.

 

Empresas públicas com passivo de quase 50 milhões de euros

sata 321 neo

As contas do primeiro semestre das empresas públicas regionais foram conhecidas ontem, depois do governo as ter entregue no parlamento regional.

Numa análise a todas elas constata-se que cerca de uma dezena apresenta resultados líquidos negativos, que quase atingem os 50 milhões de euros.

Só os três hospitais da região e o Grupo SATA são responsáveis por mais de 40 milhões de euros negativos.

O caso mais grave é o do Grupo SATA, que apresenta prejuízos para a Internacional no valor de mais de 28 milhões de euros e a Air Açores mais de 3 milhões, somando perto de 32 milhões de euros.

Os três hospitais são responsáveis por mais de 10 milhões de resultados negativos, com o de Ponta Delgada a apresentar valores de quase 7 milhões o de Angra mais de 2,5 milhões e o da Horta de quase 1 milhão.

A Portos dos Açores regista neste primeiro semestre mais de 1,7 milhões de resultados negativos, a Lotaçor perto de 800 mil, a fábrica de Santa Catarina quase meio milhão, a Sinaga 161 mil euros, a Azorina 116 mil euros e as Pousadas da Juventude 90 mil euros.

Algumas empresas apresentam resultados positivos, fruto do recebimento de subsídios, e a única que mostra solidez nas contas, com elevado lucro, é a EDA, como vem sendo habitual.

O caso da SATA, que tem sido visto por vários sectores da sociedade como um dos mais preocupantes, é agravado neste semestre, quando comparado com o mesmo semestre do ano passado, que atingiu 25 milhões de resultados negativos, aumentando agora mais 7 milhões.

A Internacional tinha registado no primeiro semestre do ano passado 20,6 milhões de prejuízos (agora 28,2 milhões) e a Air Açores 4,5 milhões (agora 3,7 milhões).

Neste semestre já vai perto dos 32 milhões, quando no ano inteiro de 2017 encerrou as contas com prejuízos de 41 milhões de euros, valor que quase triplicou em relação a 2016 (14 milhões).

O resultado negativo das contas do ano passado representa mesmo o maior prejuízo da história da SATA, que até agora tinha em 2014 o seu pior recorde de sempre, altura em que fechou as contas com um prejuízo de 35 milhões de euros, sendo provável que este recorde seja ultrapassado este ano.

De acordo com o relatório de contas, os prejuízos da companhia aérea açoriana de então aumentaram substancialmente, face ao ano anterior, apesar de a SATA ter registado, no mesmo período, um aumento das vendas de 14,2 milhões de euros.

Os custos com pessoal aumentaram de 60,3 para 62,1 milhões e os gastos com fretamentos de aeronaves a outras companhias aéreas quase duplicaram, passando de cinco para 9,8 milhões de euros.

Os capitais próprios do Grupo SATA continuaram também a cair, sendo de 133 milhões de euros negativos, enquanto o passivo da transportadora aumentou de 254 para 286 milhões de euros e as dívidas a fornecedores passaram de 45 para 55 milhões de euros. 

Açorianos estão a fazer mais compras com cartões bancários

cartão de créditoOs levantamentos em caixas ATM (multibanco) atingiram em Setembro de 2018, nos Açores, um montante total de 50,2 milhões de euros, um acréscimo homólogo de 0,5%, anunciou ontem o SREA.

Destes, cerca de 45,4 milhões de euros são de levantamentos nacionais, o que representa uma variação homóloga positiva de 0,5% e cerca de 4,9 milhões de euros dizem respeito a levantamentos internacionais, o que representa uma variação homóloga positiva de 1,2%. 

A nível nacional, os levantamentos totalizaram 2.428,7 milhões de euros, verificando-se um acréscimo homólogo de 1,1%.

No terceiro trimestre de 2018, os levantamentos em caixas ATM totalizaram 167,8 milhões de euros, crescendo 2,1% em comparação com igual período do ano anterior (164,3 milhões de euros).

Em termos acumulados, nos primeiros 9 meses do ano, verifica-se uma variação homóloga positiva de 2,7% no levantamento em caixas ATM.

 

Compras em terminais crescem

 

As compras realizadas por intermédio de terminais TPA atingiram em setembro de 2018, nos Açores, um montante total de 79,8 milhões de euros, um acréscimo homólogo de 6,4%. 

Destes, cerca de 69,2 milhões de euros são de compras efectuadas com cartões de bancos nacionais (um acréscimo homólogo de 5,0%) e cerca de 10,6 milhões de euros dizem respeito a compras efectuadas com cartões de bancos internacionais, o que representa uma variação homóloga positiva de 15,8%. 

A nível nacional, as compras totalizaram 3.646,6 milhões de euros, verificando-se um acréscimo homólogo de 7,2%.

No terceiro trimestre de 2018, as compras efectuadas por intermédio de terminais TPA totalizaram 269,7 milhões de euros, crescendo 8,0% em comparação com igual período do ano anterior (249,8 milhões de euros).

Em termos acumulados, nos primeiros 9 meses do ano, verifica-se uma variação homóloga positiva de 8,8% nas compras realizadas com recurso a terminais TPA.

Os pagamentos de serviços realizados neste mês por intermédio TPA, nos Açores, ascenderam a cerca de 788 mil euros, representando um acréscimo homólogo de 5,8%.

 

Conta satélite de 2015: Consumo do turismo gerou um valor de mais de 500 milhões de euros

actividades turismoMais de 500 milhões de euros, foi quanto gerou o consumo de turismo nos Açores no ano de 2015, segundo a Conta satélite de 2015 revelada ontem pelo SREA.

A conta satélite do turismo dos Açores produz vários indicadores que caracterizam o contributo desta actividade segundo a perspectiva da produção, da geração de riqueza e do emprego, entre outros.

 

Consumo de 541,3 milhões, sendo 160,8 milhões internos

 

Pela conta satélite de 2015, ficamos a saber que, nesse ano, o consumo do turismo gerou um valor de 541,3 milhões de euros, repartido em 380 milhões pelo turismo externo e 160,8 milhões pelo turismo interno (onde se incluem todas as viagens feitas entre ilhas). 

 

Riqueza gerada de 225,3 milhões de euros

 

Esta actividade gerou um valor líquido de riqueza de 225,3 milhões de euros, com um contributo total de cerca de 6,7% do valor total regional (3.362,7 milhões). Toda esta actividade gera 11.905 postos de trabalho, o que representa cerca de 10% do emprego daquele ano. O turismo receptor (externo) representa 70% do sector ficando o remanescente por conta do turismo interno.

 

Transportes, alojamento e restauração lideram emprego

 

A actividade que mais emprego gera é a restauração, com 32,1%, seguido dos hotéis e similares, com 19,7%, seguindo-se os serviços culturais e recreativos, com 15,2%, os serviços auxiliares dos transportes, com 10,6%, o transporte aéreo, com 8,3% e o transporte rodoviário com 6,4%. O aluguer de equipamentos de transporte representa 3,3% do emprego. 

No seu conjunto, as várias actividades de transporte geram 30% do emprego do turismo. As remunerações são relativamente mais elevadas nas áreas do transporte aéreo e serviços auxiliares do transporte e mais baixos nos serviços culturais, restauração e hotelaria. Na distribuição por criação de riqueza lidera a hotelaria e similares, seguida dos restaurantes e dos transportes aéreos. 

As actividades não características do turismo geram 9,1% do VAB do turismo.

 

Peso do sector equivalente ao nacional e a menos de metade do da Madeira

Com 6,7% do VAB gerado no turismo a Região iguala a percentagem nacional mas fica longe dos 15,9% da percentagem da Madeira. 

Os Açores têm, assim, um peso já muito significativo do turismo na sua economia, quando nos reportamos a 2015. 

Por comparação, naquele mesmo ano, os sectores da agricultura e pescas geraram 316,4 milhões de euros de valor acrescentado, a indústria transformadora gerou 288,9 milhões e a construção 124,5 milhões.

De acordo com a leitura da conta, constata-se que os Hotéis geram mais valor (capital intensivos) e a restauração gera mais empregos. 

Os transportes aéreos geram mais valor e menos emprego (actividade capital intensiva).