Senadores e congressistas dos EUA pedem à SATA que repense rota de Providence

Azores Airlines 2

Dois congressistas e dois senadores norte-americanos, eleitos pelo Estado de Rhode Island, onde se situa o aeroporto de Providence, acabam de escrever uma carta ao Embaixador de Portugal em Washington, Fezas Vital, manifestando a sua preocupação com a decisão da SATA em abandonar a rota de Providence e pedindo que a transportadora repense a sua decisão.

Na carta, a que o “Diário dos Açores” teve acesso, os quatro influentes políticos norte-americanos começam por elogiar a operação que a Azores Airlines efectuou em Providence no Verão passado, sublinhando que a parceria entre Rhode Island, “que tem a terceira maior comunidade luso-americana no país”, e a SATA, constitui uma forte ligação nos laços culturais e económicos.

Os congressistas e senadores recordam que os Açores são o ponto mais perto da Europa para os EUA e um destino popular para os viajantes, para depois manifestar a sua preocupação com a decisão da SATA, que dizem respeitar, mas que poderá ter efeitos económicos e sociais nos residentes do Estado de Rhode Island e nos viajantes que escolhem “este destino vibrante”. Ao mesmo tempo manifestam também preocupação com os cidadãos portugueses que queiram viajar para Rhode Island.

“Assim sendo, pedimos muito respeitosamente, dentro das regras e regulamentos do seu gabinete, que explore todas as possibilidades para restabelecer a rota da Azores Airlines no aeroporto de Providence”, conclui a missiva dos políticos norte-americanos.

O primeiro subscritor é o conhecido senador Jack Reed, do Partido democrata, o mais antigo senador de Rhode Island, seguindo-se o senador Sheldon Whitehouse, também senador por Rhode Islande que foi durante muitos anos Procurador deste estado, e os dois congressistas, também de Rhode Island, James R. Langevin, do segundo distrito congressional de Rhode Island desde 2001,  membro do Partido Democrata e o primeiro tetraplégico a servir no Congresso, e David N. Cicilline, congressista desde 2011.

 

Vasco Cordeiro diz que acessibilidades aéreas não se esgotam na SATA

 

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, lembrou domingo que as acessibilidades aéreas à região não se esgotam na SATA.

“Aquilo que está a ser feito, e o mandato claro que existe, é o de melhorar a situação da companhia do ponto de vista do serviço prestado, da própria sustentabilidade da sua operação, e nós acreditamos que esse é um trabalho que vai ser bem-sucedido”, declarou o chefe do executivo açoriano.

Vasco Cordeiro falava no final de cinco dias de visita oficial à Califórnia, tendo a transportadora aérea açoriana sido tema recorrente nos contactos com a diáspora daquele estado norte-americano.

“A SATA mantém, é um objectivo estratégico, a ligação com a diáspora”, mas “não se pode pedir” à empresa aquilo que não se exige a mais nenhuma companhia neste mundo”, prosseguiu Vasco Cordeiro, lembrando os “desafios” da transportadora aérea e as suas “circunstâncias próprias”, desde logo a reduzida frota para voos de e para fora do arquipélago.

“O trabalho de acessibilidades à região conta com a SATA, mas não se esgota apenas na SATA”, declarou ainda o governante, lembrando a ligação aérea da Delta que existe entre Nova Iorque e Ponta Delgada.

Outro tema abordado ao longo dos dias na Califórnia foi o acordo de cooperação e defesa com os Estados Unidos, nomeadamente no que refere ao uso da base das Lajes, na ilha Terceira.

“A minha posição em relação ao acordo de cooperação e defesa neste momento é clara, já a tornei pública várias vezes. Esse é um assunto que, antes de ser colocado aos Estados Unidos, há um conjunto de aspectos que têm de ser clarificados internamente entre o Estado, Governo da República e Governo Regional”, disse Vasco Cordeiro sobre a base e uma eventual avaliação e renegociação do acordo.

De todo o modo, o governante defendeu que a visita aos Estados Unidos não se devia ocupar de “matérias que têm numa primeira fase que ser tratadas dentro” de Portugal, como é o caso.

O chefe do executivo açoriano regressou domingo ao arquipélago depois de uma visita oficial de cinco dias ao estado norte-americano da Califórnia, intercalando contactos oficiais, políticos e económicos com encontros com comunidades açorianas.

Segundo dados oficiais, a população de origem portuguesa no estado é de cerca de 345 mil pessoas, estimando-se que cerca de 70% seja oriunda dos Açores.

Nesta deslocação oficial, o presidente do Governo dos Açores esteve acompanhado pelo Secretário Regional com a tutela das Relações Externas, Rui Bettencourt, e por deputados do PS e PSD à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

Cerca de 2,5 milhões de dormidas e Pico foi a ilha que mais cresceu

Pico - ilhaO ano de 2018 está fechado em termos de números do turismo regional.

De acordo com os dados revelados ontem pelo SREA, de Janeiro a Dezembro de 2018, no conjunto dos estabelecimentos hoteleiros (hotéis, hotéis-apartamentos, apartamentos turísticos e pousadas), do turismo no espaço rural e do alojamento local da Região Autónoma dos Açores registaram-se 2.478,7 mil dormidas, valor superior em 7,8% ao registado em igual período de 2017.

De Janeiro a Dezembro, os residentes em Portugal atingiram cerca de 995,0 mil dormidas, correspondendo a um acréscimo homólogo de 7,1%; os residentes no estrangeiro atingiram 1.483,7 mil dormidas, registando um aumento em termos homólogos de 8,3%.

Neste período registaram-se 804,9 mil hóspedes, apresentando uma taxa de variação positiva de 9,8% relativamente ao mesmo período de 2017. 

 

Pico com crescimento recorde de 25,5%

 

Em termos de variações homólogas acumuladas, de Janeiro a Dezembro, todas as ilhas apresentaram variações homólogas positivas, destacando-se as ilhas do Pico, de São Jorge, do Faial e da Terceira, com variações respectivamente de, 25,5%, 13,7%, 10,3% e 9,3%.

A ilha de S. Miguel com 1.651,3 mil dormidas concentrou 66,6% do total das dormidas, seguindo-se a Terceira com 377,0 mil dormidas (15,2%), o Faial com 171,7 mil dormidas (6,9%) e o Pico com 138,0 mil dormidas (5,6%).

 

Dezembro negro para o turismo

 

Na Região Autónoma dos Açores, no mês de Dezembro, os estabelecimentos hoteleiros registaram 60,5 mil dormidas, representando um decréscimo homólogo de 11,2%. 

As dormidas dos residentes em Portugal diminuíram 18,6% e as dormidas dos residentes no estrangeiro diminuíram 0,6%.

Os proveitos totais atingiram 3,3 milhões de euros e os proveitos de aposento 2,0 milhões de euros, correspondendo a variações homólogas negativas, respectivamente, de 0,8% e 2,3%. 

 

Queda nos estrangeiros

 

De Janeiro a Dezembro de 2018, nos estabelecimentos hoteleiros da Região Autónoma dos Açores (hotéis, hotéis-apartamentos, apartamentos turísticos e pousadas) registaram-se 1.789,3 mil dormidas, valor superior em 0,1% ao registado em igual período de 2017.

De Janeiro a Dezembro, os residentes em Portugal atingiram cerca de 782,7 mil dormidas, correspondendo a um acréscimo homólogo de 4,2%; os residentes no estrangeiro atingiram 1.006,6 mil dormidas, registando uma diminuição em termos homólogos de 2,9%.

Neste período registaram-se 609,9 mil hóspedes, apresentando uma taxa de variação positiva de 2,6% relativamente ao mesmo período de 2017.

No país, em Dezembro, as dormidas registaram um acréscimo em termos homólogos de 2,5% e de Janeiro a Dezembro de 2018 não apresentaram alteração.

 

Alemães na frente, mas em queda

 

De Janeiro a Dezembro, os residentes em Portugal atingiram cerca de 782,7 mil dormidas (43,7% do total) e os residentes no estrangeiro 1.006,6 mil (56,3% do total).

O mercado alemão com cerca de 235,6 milhares concentrou 13,2% do total das dormidas, representou por outro lado, 23,4% das dormidas dos não residentes em Portugal e registou uma variação homóloga acumulada negativa de 7,7%. 

De Janeiro a Dezembro, o mercado norte-americano (EUA e Canadá) com cerca de 206,2 milhares de dormidas representou 11,5% das dormidas totais e 20,5% das dormidas dos não residentes, apresentando uma variação homóloga acumulada de 8,5%. 

Em termos de variações homólogas acumuladas, de Janeiro a Dezembro, as ilhas que apresentaram variações homólogas positivas foram as ilhas do Pico, do Faial, da Graciosa e das Flores, com variações respectivamente de, 6,7%, 2,4%, 1,8% e 0,6%.

As ilhas de São Jorge, do Corvo, de Santa Maria, da Terceira e de São Miguel, apresentaram variações negativas respectivamente de, 7,7%, 2,8%, 1,1%, 0,6% e 0,1%.

A ilha de S. Miguel com 1.245,7 mil dormidas concentrou 69,6% do total das dormidas, seguindo-se a Terceira com 286,1 mil dormidas (16,0%) e o Faial com 107,5 mil dormidas (6,0%).  

Em Dezembro, a taxa de ocupação-cama atingiu 19,4%, valor inferior em 3,7 p.p. em relação ao mês homólogo do ano anterior.

 A taxa de ocupação-cama no país atingiu 32,1%.

A taxa de ocupação-quarto no mês de Dezembro atingiu 24,0%.

A estada média foi de 2,59 noites, tendo registado uma diminuição de 3,4% em relação a Dezembro de 2017. 

No país a estada média foi de 2,30 noites. 

Os proveitos totais nos estabelecimentos hoteleiros, de Janeiro a Dezembro de 2018, atingiram 94,5 milhões de euros, tendo os proveitos de aposento atingido, no mesmo período, 70,5 milhões de euros. 

Estes valores correspondem a variações homólogas positivas de 7,9% e de 10,9%, respectivamente; para o total do país em igual período, os proveitos totais e os de aposento apresentaram variações homólogas positivas de 6,0% e de 6,5%, respectivamente.

Em Dezembro, os proveitos totais e os proveitos de aposento apresentaram variações homólogas negativas, respectivamente de, 0,8% e 2,3%. 

Para o total do país, as variações foram respectivamente, de 7,3% e de 5,9%.

As ilhas de São Miguel, Terceira e Faial foram as que maior peso tiveram nos proveitos totais, respectivamente com 73,0%, 12,9% e 6,3%. 

Em Dezembro, o rendimento médio por quarto disponível (Revenue Per Available Room) foi de 13,6 euros, apresentando uma variação homóloga negativa de 6,8%.

 De Janeiro a Dezembro, o RevPAR foi de 40,0 euros, apresentando uma variação homóloga positiva de 7,0%.

No país, o RevPAR de Dezembro e em termos acumulados foram respectivamente de 28,9 euros e de 52,5 euros.

Em Dezembro, o rendimento médio por quarto utilizado (Average Daily Rate) foi de 56,7 euros.

(Alojamento Local na pá. 3)

“A emigração abriu-me os olhos”

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Joe St. Pedro poderia ser apenas mais um nome, entre tantos no estado norte-americano de Pennsylvania. Mas José São Pedro remete-nos para outro mundo, o Faial da Terra de outros tempos, de onde emigrou aos 15 anos de idade e se tornou, hoje, num nome de sucesso nos negócios de investimento e planeamento financeiro. Esta é mais uma das muitas histórias de vida de açorianos de sucesso, que triunfaram nos EUA à custa de muito trabalho e muita persistência. Um exemplo de vida que orgulha a comunidade açoriana.

 

Lembra-se de como foi a sua saída do Faial da Terra para os EUA? Com que idade e para onde foi? 

Sim, lembro-me perfeitamente quando saí do Faial da Terra para emigrar para os Estados Unidos: foi no dia 7 de Julho de 1967, com 15 anos e meio de idade na companhia dos meus pais. Saímos do aeroporto de Santana (o ‘aerovacas’), em Rabo de Peixe, a caminho da ilha de Santa Maria onde havia e há um aeroporto maior. Esperamos dois dias até haver passageiros suficientes para a companhia da aviação PAN AM nos levar a Boston. Lembro-me que, quando cheguei ao aeroporto de Boston e olhei pelas janelas, vi muitos carros estacionados. Foi uma grande surpresa todo aquele movimento de carros e trânsito na América, comparado com a nossa Ponta Delgada em 1967, foi quase um choque.

No entanto, o destino final era a Califórnia, para onde seguimos num outro avião da TWA, directo a S. Francisco, e depois noutro avião menor para o trajecto final, a cidade de Sacramento. Fomos de carro para a casa da minha tia, irmã do meu pai, que tinha feito a carta de chamada para nós. Tinha vacas de leite e, naturalmente, tinham que ser ordenhadas de 12 em 12 horas. Naquela época era a lei.

Meu pai foi trabalhar com a minha tia para ajudar a ordenhar vacas e conseguir o seu salário. E essa foi a razão porque fomos para a Califórnia.

Meu pai trabalhou com a minha tia durante quatro meses, mas nunca se adaptou ao horário da noite. Não conseguia dormir muito de dia para ir começar a ordenhar vacas às duas da manhã, só acabando às 7 da manhã, para depois continuar às 2 da tarde uma nova rodada de ordenha até acabar.

Fui para a escola, mas o problema é que o meu inglês era muito fraco. Não compreendia os professores, mas sabia a matéria. 

 

Por que razão trocou a Califórnia por New Bedford? 

Como minha mãe tinha família em New Bedford (irmã e irmãos) resolveram ir para a Nova Inglaterra no mês de Outubro de 1967. Saímos de Sacramento num bus (autocarro), numa viagem que durou quatro dias e cinco noites. Só parava para comer, apanhar passageiros e mudar de condutores. Foi muito bom eu ser novo naquela altura.  Hoje, não conseguia aguentar uma jornada dessas. 

Chegado a New Bedford, fui para uma escola especial para aprender inglês com um senhor professor Aguiar, de Matemática, que foi colega do Dr. Weber, em Coimbra.

Frequentei essa escola durante seis meses e depois fui para o liceu, o New Bedford High School, onde graduei.

 

É verdade que um dos seus primeiros empregos foi dar catequese? 

Sim, um dos primeiros empregos foi dar catequese na Igreja da Imaculada Conceição, no norte de New Bedford. O senhor Padre Branco, que sabia que eu tinha frequentado o Seminário por quatro anos, ofereceu-me o emprego dois dias por semana e, ao domingo, pagando-me 5 dólares à hora, o que naquela altura era muito bom.

No fim-de-semana e nas férias da escola, ia trabalhar para uma fábrica que fazia roupa de senhora. Então trabalhei lá durante duas férias. Meu pai queria que eu ficasse lá até um dia ter a possibilidade de ser um (bossa) capataz.  O dono da fábrica gostava de mim. Era grego, um bom homem, muito simpatico. E talvez eu tivesse oportunidade. 

Felizmente eu tinha outras ideias na cabeça e nunca aceitei essa opção. Fui então trabalhar para uma ourivesaria e, ao sábado, trabalhava numa loja de ferragens.

Tive sorte em ser um bom vendedor e fizeram-me gerente da ourivesaria, com a condição de me mudar para o estado de New York, em Massapequa, onde então conheci a minha esposa Anita.

Mas isso foi uma desgraça para os meus pais, pois era filho único. “Estás ‘desarando’, ou seja, “deixando-nos sozinhos”, diziam eles.

 

Então lançou-se na aventura de uma ourivesaria. Como correu o negócio?

 Resolvi abrir uma ourivesaria por minha conta, com um sócio. O negócio começou razoável, mas depois tivemos a crise no final dos anos 70, quando os juros atingiram 21% e a inflação 13.5%.  Foi muito difícil aguentar o negócio com esses juros caríssimos. Seis anos depois, fechamos as portas. Olhando para trás, foi a melhor decisão que tomei na vida. 

 

Como aprendeu que na vida falhar não é uma opção? 

Para combater diversos obstáculos temos sempre que ir aprendendo. E assim o fiz. Ia a muitas reuniões e, numa delas, adquiri uns livros. Um deles intitulava-se FALHAR NÃO É OPÇÃO (Failure is not a option). Tenho lido este livro muitas vezes. Temos sempre que lutar para atingir todos os objectivos que nos propomos. Tem que ser sempre “força para a frente”! Detesto e não participo em ‘nãos’. Não aceito coisas negativas porque nada pode ser resolvido com o negativo. Eu detesto e não participo em ‘nãos’. Não aceito coisas negativas porque nada pode ser resolvido com o negativo.

 

Foi trabalhar a vender seguros.  O que aprendeu aí? 

Pois, a minha nova carreira foi a vender de seguros de vida, em 1984, com uma companhia que se especializou em Financial Planning, especialmente para clientes que tinham valores em excesso de 1,6 milhões de dólares, incluindo negócio e casa. Aprendi muito com advogados, a ler testamentos e planear para se pagar os impostos ao Governo quando o casal morria.  Os herdeiros pagavam na altura 50% do excesso de 1,6 milhões de dólares de impostos. Por exemplo, se o valor era de 2 milhões de dólares, pagavam 200 mil dólares. O seguro era mais barato do que pagar 200 mil. Em 1986 resolvi montar-me por minha conta para continuar o que estava fazendo, mas também  ajudar clientes a investir o seu dinheiro e o dinheiro das reformas privadas das suas empresas.  Fundos e pensões.

Era um método de orientar o cliente em todas as fases dos seus planos económicos. Foi o sucesso da firma. E assim continuamos. Hoje temos 8 empregados trabalhando na firma, dois dos meus filhos - a minha filha e o filho mais velho. Os outros, um é piloto e outro trabalha em landscaping.

Também tive e tenho muita sorte de ter uma esposa, a Anita, que sempre me encorajou. Quando tenho qualquer decisão para tomar, consulto-a e tomamos a decisão juntos. Na nossa empresa, actualmente, a maioria dos lucros são derivados de investimentos, com os clientes a pagarem uma percentagem da sua conta.

 

Se tivesse de resumir em poucas palavras o que foi que a emigração lhe ensinou, o que diria? 

A emigração abriu-me os olhos. As possibilidades que existem nos Estados Unidos são tremendas. Se quiser trabalhar com bastante força e concentração no que quero obter, há sempre uma grande oportunidade, que infelizmente não existe em países mais pequenos.

Especialmente no princípio da carreira, trabalha-se muito, mais de 40 horas por semana. Infelizmente é quando se ganha menos. Mas temos que semear muito para termos as novidades depois na devida época (milho, trigo, couves, batata, etc). As colheitas só vêm depois de se semear.

Muitas pessoas que montam negócios querem ficar ricas de um dia para o outro. Isso não é possível, não é o Totobola.  Primeiro, há que determinar o que se gosta de fazer e, depois, escolher uma carreira. Faz-se um plano para atingir o objectivo pretendido.

É importante ler livros de pessoas de sucesso, ou artigos relacionados com o nosso objective, e arranjar um parceiro que aceite a nossa jornada e acredite em nós 100%.

 

Que valores levou dos Açores que o ajudaram a vencer?

Quando saí dos Açores, tinha quase o quarto ano do Seminário Episcopal de Angra, onde nos últimos dois anos tive a oportunidade de conhecer um grande amigo e pessoa que eu respeito imenso, o Onésimo Almeida, hoje professor na Universidade de Brown, em Providence.

O meu caro Onésimo foi meu monitor, mas é uma pessoa que nunca para e nunca parou desde que eu o conheço há 55 anos. As pessoas que têm sucesso nunca param. 

O Seminário para mim foi uma educação impecável. Devo muito da minha educação ao Seminário, sobretudo disciplina e respeito.

 

 Quais os mais importantes valores que permitiram o seu triunfo? 

Um dos maiores valores que permitiram os meus triunfos foi o que o Primeiro Ministro da Inglaterra, Sir Winston Churchill, disse num discurso na festa de formatura de alunos na Universidade de Oxford: NEVER! NEVER! NEVER! NEEEEEVER GIVE UP. (Nunca, nunca, nunca desistam!) Depois, sentou-se com um charuto na boca.

 

E que ligação mantém hoje com os Açores? 

A minha ligação aos Açores é sobretudo nas férias de Verão. Dois meses. De Inverno, um mês. Tenho casa e carro no Faial da Terra, o presépio da ilha, um sossego de que gosto imenso! Com a internet e Wi-fi em casa, tenho acesso a qualquer coisa. Quando desço pelas escadas do avião, em Ponta Delgada, sinto-me ‘relax’. Descontraio. É a nossa Terra, que eu adoro.

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Produtores de leite de Portugal apelam a solução para crise do leite nos Açores

leite 5Os produtores de leite apelaram ontem para que o governo português tome uma posição e articule com o executivo regional do Açores e com Espanha uma solução para a crise do preço baixo do leite. 

De acordo com a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP), é preciso chamar à mesa da negociação a produção, a indústria e a distribuição, para que “os mais fortes não caiam na tentação de tentar salvar-se, deixando a produção afundar-se em preços baixos e para que seja rapidamente possível subir o preço do leite ao produtor até um nível justo”.

A APROLEP refere também, em comunicado, que os produtores de leite em Portugal continental foram “ao longo dos últimos anos vítimas de preços baixos e limitações à produção” impostos e justificados, por parte da indústria, com o mercado espanhol e com o leite vindo dos Açores.

Os dados disponibilizados pela Comissão Europeia através do Observatório Europeu do Leite permitiram saber que os produtores de leite portugueses terminaram o ano passado com um preço médio de 31,8 cêntimos por quilograma (kg) de leite, cerca de 4,0 cêntimos abaixo da média comunitária.

Já os produtores de leite em Espanha tiveram ao longo de 2018, tal como em anos anteriores, um preço ligeiramente superior ao de Portugal, mas sempre abaixo da média comunitária.

No comunicado, a APROLEP refere que Espanha “adoptou agora” a rotulagem obrigatória da origem do leite e produtos lácteos, prática que Portugal tornou obrigatória já em 2018.

E prossegue: “No seguimento dessa nova legislação, cremos que foram muito oportunas as palavras do ministro da Agricultura, Pescas e Alimentação de Espanha, Luis Planas, que pediu à indústria para ‘reflectir sobre o preço que recebem os produtores de leite para que possam também beneficiar da subida registada na Europa’”.

Salienta que o governante espanhol afirmou ainda que “a evolução do mercado europeu está a ser favorável”, lembrando que das 350.000 toneladas de leite em pó que estavam armazenadas para intervenção, apenas restam 4.000, “uma demonstração de que as coisas estão bem no mercado europeu e que existe estabilidade e boa remuneração para os produtores de leite na União Europeia”.

Relembra também que Luis Planas se mostrou “surpreendido” por não ver “a melhoria da Europa transferida” para o mercado local, pelo que o governante espanhol “pediu a todos os intervenientes” no sector leiteiro para darem “um passo em frente”, porque “os produtores merecem uma remuneração justa e estável para o seu trabalho”.

A APROLEP sustenta que o preço médio do leite em Portugal tem sido também consequência do baixo preço pago aos produtores açorianos, daí que se associe ao presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, que, segundo o comunicado, defendeu recentemente ser “uma obrigação ‘garantir a subida do preço de leite à produção’”.

Além disso, a APROLEP registou ainda positivamente as palavras do Secretário Regional da Agricultura e Florestas dos Açores, João Ponte, que anunciou uma iniciativa para “dialogar e articular posições com a produção e a indústria sobre os lacticínios, com vista a uma maior valorização da matéria-prima, dos produtos e do desenvolvimento desta fileira”, bem como do Presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, que diz “não haver alternativa ao entendimento” entre a produção, transformação e comercialização e que sustenta ser um “erro crasso” para qualquer destes parceiros pensar que, “salvando-se a si, deixando cair os outros, pode triunfar”.

“Banalização da oferta trará consequências nefastas difíceis de recuperar”

Gilberto vieira 2O turismo rural e de natureza nos Açores atrai cada vez mais seguidores e investidores, afirma Gilberto Vieira, presidente das Casas Açorianas – Associação de Turismo em Espaço Rural, que alerta para o risco de banalização da oferta, “com consequências nefastas, das quais será muito difícil recuperar”, caso as novas unidades, assim como as existentes, não respeitem as características que as diferenciam. Uma entrevista concedida ao jornal “Vida Económica”, que transcrevemos a seguir.

 

 Que razões determinaram a criação da associação Casas Açorianas?

As unidades de turismo em espaço rural nos Açores foram surgindo timidamente ao longo dos anos, depois de uma experiência relativamente bem sucedida e reconhecida como importante no contexto da oferta turística regional que foi, modéstia à parte, criada por mim há quase três décadas. 

Tinha plena consciência de que uma unidade isolada não conseguia fazer vingar um produto com enorme potencial e fiz sempre tudo para entusiasmar outros investidores a apostar neste segmento, como forma de dar a dimensão necessária a este tipo de oferta.

A verdade é que, como disse, timidamente foram aparecendo novos projectos em várias ilhas e a procura começou a ser interessante, apesar de muito longe ainda do que poderia ser.

É neste trajecto que surgiu a ideia de criar uma associação para aglutinar sinergias, potenciar o mercado e atrair mais investidores para esta área. 

Com a criação da associação foi, também, possível dialogar de forma mais consistente com as autoridades responsáveis pela política do turismo, desde a promoção à disponibilização de incentivos para o investimento no turismo em espaço rural.

 

De que forma a associação está a contribuir para a expansão do turismo em espaço rural?

A Associação de Turismo em Espaço Rural – Casas Açorianas é hoje uma entidade reconhecida e um parceiro incontornável no que a este segmento do turismo diz respeito. Uma prova disso é, a título de exemplo, a medalha de ouro de mérito turístico que foi atribuída às Casas Açorianas pelo Governo da República.

Esse estatuto foi conquistado com muito trabalho sério e empenho, começando com o “trabalho de casa” feito pelos nossos associados, desde as características próprias dos espaços edificados até à qualidade personalizada do atendimento, passando pela envolvência de cada unidade.

A par disso, em parceria com o Governo Regional e outras entidades, foi possível apostar num plano de promoção próprio que está a dar frutos. E esse trabalho continua com o mesmo empenho, potenciado ainda pelos bons resultados alcançados.

 

Apesar de haver falta de espírito associativo entre os pequenos empresários, tem sido possível mobilizar os interesses individuais em torno do projeto colectivo?

Não se pode afirmar que todo o nosso percurso associativo nas Casas Açorianas tenha sido isento de dúvidas, contestação pontual ou até de algum desânimo. Isso nem seria normal. Mas a verdade é que, com altos e baixos, a maioria dos nossos associados demonstrou sempre interesse pela vida da associação, pelo projeto comum, cuja afirmação beneficia todos.

 

Qual tem sido o impacto do turismo em espaço rural sobre a reabilitação das construções tradicionais?

É inegável que o turismo em espaço rural permitiu recuperar edificações e ambientes tradicionais que, de outra forma, estariam hoje ao abandono.

No caso concreto das construções, em que a aposta em arquitectura e materiais, tanto quanto possível, originais em relação à primeira construção desses edifícios, sem menosprezar necessidades actuais de segurança e conforto, é uma mais-valia não só como atractivo turístico, mas também como repositório e testemunho das vivências dos nossos antepassados.

 

A oferta das Casas Açorianas concorre de forma directa com as unidades hoteleiras? O principal mercado são os turistas nacionais?

Não, não concorre no sentido em que existe um mercado que procura uma oferta genuína, diferente e única. E, felizmente, são cada vez mais as pessoas que descobrem as características específicas do turismo rural e de natureza nos Açores.

Sim, no sentido em que muitos turistas procuram os Açores pela consolidada imagem de que o arquipélago merecidamente goza e, nesse campo, temos de ser capazes de mostrar uma alternativa ainda mais apelativa.

Quanto a mercados, notou-se uma quebra brutal de turistas nacionais nos anos da troika, mas esse fluxo tem vindo a ser recuperado e hoje voltou a ser preponderante, sendo sensivelmente igual à soma de todos os mercados estrangeiros.

 

Continua a haver potencial de crescimento e incentivos disponíveis para o turismo em espaço rural?

Potencial de crescimento existe, claramente. O turismo rural e de natureza nos Açores regista boa procura e, em algumas ilhas, sente-se a necessidade de surgimento de novas unidades que aumentem a dimensão da oferta necessária em situações concretas.

Lembro, no entanto, como sempre tenho feito, que é fundamental que as eventuais novas unidades, como as já existentes, manterem as características que nos diferenciam, sob pena de banalizarmos esta oferta especial, com consequências nefastas, das quais será muito difícil recuperar.

Quanto a incentivos, o Governo Regional mantém programas para investimento nesta área.